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pompeexpressao

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Enchentes, tragédias e corrupção

24/06/2010 - 11:55 -

Zanzando pra lá e pra cá em meio aos escombros, dona Ivete às vezes acha que ainda tem para onde ir. Pálida, olhar espantado, ela se esforça para pensar que tudo é pesadelo e retoma o rumo de sua casa. Mas a casa já não existe. Aliás, a sua rua já não existe. Nem a sua cidade existe mais. Branquinha desapareceu do mapa de Alagoas. Dona Ivete vê, mas não acredita. Nada daquilo é real, não pode ser!

Mas o pesadelo coletivo é real. Infelizmente. As chuvas desabaram, os rios transbordaram e a geografia de Alagoas foi brutalmente alterada. Olhadas de cima, cidades inteiras parecem ter sido destruídas por uma bomba atômica, como comparou o governador Teo Vilela após ver, do helicóptero, as ruínas do que antes eram casas, igrejas, ruas, escolas e pontes. Em meio a isso tudo, vidas também em ruínas, famílias que, mais que seus bens, perderam filhos, pais, parentes, amigos, arrastados pela correnteza devastadora.

Atarantadas, as vítimas mais conscientes ficam mais atônitas por enxergarem que a ajuda federal poderá, em grande parte, chegar às mãos de gerenciadores envolvidos em falcatruas, muitos dos quais condenados por desvio de dinheiro público.

Os anunciados 100 milhões de reais para Alagoas e Pernambuco representam apenas um terço dos 300 milhões surrupiados pelos “taturanas” da Assembleia Legislativa. E ainda há os milhões desviados para as contas particulares dos prefeitos “gabirus” e por outros “fichas sujas”. “Taturanas” e “gabirus” foram presos, mas já estão soltos e muitos à frente de cargos públicos. Entre os gestores corruptos relacionados pelo TCU como inelegíveis para as eleições deste ano, duzentos são de Alagoas.

Afinal, quem tem a cruel frieza de roubar dinheiro da merenda escolar de crianças famintas não merece confiança. Colocar os recursos destinados aos flagelados em mãos como essas é igual a colocar uma raposa esfomeada para tomar conta de um galinheiro.

O outro lado é a solidariedade espontânea de pessoas que, tendo pouco ou muito, somam-se no socorro às vítimas.

Transparência e vigilância são indispensáveis para que os recursos cheguem, na totalidade, ao seu destino. OAB, ongs, sindicatos, associações de moradores e demais entidades merecedoras de credibilidade precisam estar inseridas na gestão desse dinheiro público.

Não tem limites a insensibilidade dos gestores corruptos: apossam-se de recursos públicos e desprezam vidas humanas. Por agirem assim, não lhes ocorreu avisar o povo quando autorizaram abrir as comportas da barragem de Bom Conselho (PE), cujas águas fizeram transbordar o rio Mundaú e inundaram cidades alagoanas e pernambucanas, resultando na maior tragédia já vista no Nordeste.

Ações de prevenção então, nem pensar! As tragédias se sucedem ao longo das décadas e quase nada – ou nada – é feito para evitar novas calamidades. Somente 14% da verba destinada pelo Ministério da Integração Social para prevenção foram desembolsados. Deixam de ser executadas obras como contenção de encostas, desassoreamento, canalização de rios, drenagens. Tudo em prol das catástrofes, festejadas por quem com elas fica ainda mais rico e amargadas por quem trabalha, paga impostos e tenta ser honesto em meio a esse imenso “mar de lama”.

Você, que é honesto e paga impostos, abra os olhos! As eleições estão aí! Não se curve! Não acredite em promessas de quem já prometeu e nada fez!

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(7) Comentários - Você está em Blogs

7 Comentários para “Enchentes, tragédias e corrupção”

  1. ANTONIO JACINTO INDIO

    Parabéns pelo belo texto, apesar da tragédia, a nossa querida Alagoas parece ter sorte virada para a desgraça mundo afora.
    Só aparecem os pilantras querendo os restos dos escombros de vida para se fazer mais corruptos.

    Nosso povo não merece essa triste sina!

    Antonio Jacinto Indio – Brasília/DF.

  2. Edméa Maria Kummer

    Seu texto de denúncia abre os olhos para se tentar fazer alguma coisa para diminuir,infelizmente, apenas um pouco a ação de quem está viciado em crescer financeiramente à custa dos fragilizados, desprotegidos no nosso Estado. Parabéns!

  3. Mácleim

    Beleza de texto. Um belo e cinematográfico preâmbulo.
    Parceiro, é foda mesmo quando é preciso tal reflexão em paralelo à tamanha calamidade. Porém, vc está coberto de razão. Os crápulas ainda estão no controle. Olha, Alagoas é pequenininha, Rio Largo é bem ali. Murici, Branquinha, União… Aconselho a fazerem o que eu fiz. Fui em Murici (poderia ser em qualquer das outras cidades) e deixei nossa pequena contribuição ( minha e da minha família) com pessoas idôneas que organizavam e faziam a destribuição dos donativos. Além disso, só indo lá para se ter a real noção da catastrofe.
    Grande abraço e, no +, MÚSICAEMSUAVIDA!!!

  4. David Amorim

    Ao sair de Maceió no sábado passado com destino ao Estado da Paraíba e na qualidade de Geógrafo pude observar ao ser barrado pela Policia Rodoviária Federal nas BR 101 e 104 a tragédia que estava por anuciar. A culpa de tal catástrofe certamente que não é do povo e sim desses politicos FDP e de suas equipes formadas por profissionais escolhidos para comer dinheiro do povo, afinal para onde vai o dinheiro dos impostos pagos pelo povo. O grande problema é que não sabem planejar suas cidades da forma correta e permitem construir em qualquer local, inclusive próximo ao leito dos rios. Fora Governo de merda!

  5. SIQUEIRA LIMA

    Pois é, nosso estado está sofrendo mais uma vez por falta de gerencia de nossos políticos que quase sempre ou sempre não se importam com o que está acontecendo, como diz um amigo meu isso aquí ainda é um PROVINCIA, enquanto nos mantivermos omissos à tudo que está acontecendo embaixo dos nossos narizes vai continuar sendo assim. Parabens pelo texto Pompe, e bem lembrado essa de que temos que fiscalizar onde vai parar esse dinheiro!!!!!

  6. Julio Campos

    É isto aí caro Pompe! Chegando de viagem nesta sexta-feira, o motorista do taxi me falou da historia da barragem, não estava sabendo, ainda não tinha visto em nenhuma reportagem… Fiquei estarrecido.
    Parabéns pelo texto!
    É PRECISO ESTAR ATENTO E FORTE,
    NÃO TEMOS TEMPO DE TEMER A MORTE!
    Um grande abraço!

  7. sonia maria góes shafa

    Ótima análise , realmente esta situação” tsunâmica ” uma tragédia anunciada há anos com certeza, com o descaso sempre existente em relação a infra-estrutura de habitação, saúde, educação,proteção ambiental, fragilidade de obras ……Obrigada pela matéria, como cidadã Palmarina, tendo saído daí há mais de 30 anos, acompanhando o baixo desenvolvimento social da região. Sõnia


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