Nem mesmo a Copa do Mundo arrefece os ânimos no Nordeste diante das festas juninas. Os dias de Santo Antônio (13), São João (24) e São Pedro (29) são comemorados mais intensamente nas cidades do interior, onde as fogueiras acesas diante de cada casa formam uma imensa neblina de fumaça, enriquecendo com penumbra o cenário dos arraiais enfeitados com bandeirolas onde os matutos dançam quadrilha.
O aspecto familiar que caracteriza as festas juninas no interior está cada vez mais substituÃdo, nas capitais e grandes cidades, pelos megaeventos que visam atrair turistas e gerar emprego e renda. Para se ter uma idéia, Caruaru (PE) e Campina Grande (PB)- que, diz a mÃdia, promovem “o maior São João do mundo†– atraem, juntas, mais de 4 milhões de visitantes no perÃodo dos festejos, movimentando milhões de reais e gerando milhares de empregos temporários.
O trio pé-de-serra felizmente mantém – ainda – a tradição dos matutos que preferem formar seus pares para dançar ao som da sanfona, do zabumba e do triângulo. O ritmo do forró e do baião em casas de taipa e chão de barro batido sustenta o arrasta-pé até o sol raiar.
O “rolo compressor†dos megaeventos faz com que as novas gerações das grandes cidades – na sua maior fatia – desconheçam as raÃzes das comemorações juninas. As quadrilhas estilizadas que se degladiam em concursos milabolantes e os “forrós de plástico†interpretados por cantores engalanados e dançarinas seminuas promovem atrações qualificadas como “festas juninas†pela mÃdia, embora nada do que mostrem tenha a ver com a tradição popular.
Mais cultuadas no Nordeste como agradecimento aos santos pelas chuvas que caem nas lavouras e amenizam as consequências da aridez da seca, as festas juninas incluem as comidas tÃpicas feitas com os produtos colhidos na época, como o milho – que resulta na pamonha, na canjica e no mingau – na batata doce – que é assada na fogueira – e no gengibre – que tempera o quentão.
Um detalhe curioso é que, embora os santos Antonio, João e Pedro sejam os grandes homenageados no Brasil, as festas juninas surgiram muito antes do cristianismo e, portanto, antes da Igreja Católica. Remontam ao antigo Egito, onde a população, nessa época, rendia homenagens aos deuses do Sol e da Fertilidade para agradecer o inÃcio das colheitas.
quarta-feira, 9 de junho de 2010 às 14:39
Toda festa necessita de RAIZ. Por isso a festa junina e’ sempre tao grandiosa. Ja’ a COPA DO MUNDO esta’ cada vez mais distantes dos brasileiros. Ja’ nao se fala mais na selecao do Brasil, mas sim na selecao do Dunga. Jogadores sem raizes nos times brasileiros ha mais de 10 anos vestem hoje a camisa com a qual dizem estar representando o Brasil. Estao mais preocupados com seus proprios interesses contratuais. E a RAIZ se perdeu….
quinta-feira, 10 de junho de 2010 às 13:39
VALEU POMPE, MANDOU BEM!!!
quinta-feira, 10 de junho de 2010 às 21:14
Infelizmente estão disvirtuando a verdadeira festa nordestina! Mas, como bem disse, nas cidades do interior é muito forte a presença cultural e religiosa!
terça-feira, 22 de junho de 2010 às 19:56
Pompe! Excelente texto e voltei aos velhos tempos, em que estas festas eram comemoradas com forró,quadrilha(adorável para quem estivesse dançando) , fogueiras, fogos adivinhações(descobrir o nome do futuro marido era instingante e a cada ano acho que o nome mudava,daà ser divertido e não haver certezas…) e comidas tÃpicas.Vc. me fez sentir saudades. Os tempos mudaram e vc. tocou muito bem na história.Perderam-se as raÃzes e o encanto do real significado dos festejos juninos. Parabéns como sempre. Aproveitando, quando dará um show? Abraços.