Seu navegador não suporta java script Amung
contato | | | | rss
pompeexpressao

- Enviar para um amigo

Deficientes: exclusão e preconceito

24/05/2010 - 12:22 -

Na tarde em que vi uma mulher cair feio após enganchar o salto de seu sapato num daqueles buracos triangulares do calçadão do centro de Maceió, me veio o seguinte pensamento: “Obstáculos como esse são ainda mais terríveis para um deficiente físico!”

Enquanto – machucada e envergonhada – a pobre senhora se levantava, ouvi de um lojista das imediações que acidentes como esse são frequentes e que as vítimas são – em maioria – idosos, mulheres e deficientes.

Alguns comerciantes tiveram a iniciativa cidadã de colocar perto de suas lojas tapetes sobre os criminosos buracos de escoamento, que deveriam estar protegidos com grades para garantir segurança aos pedestres.

Portadores de deficiência são submetidos a uma maratona de barreiras desumanas em cidades administradas por irresponsáveis e incompetentes, que priorizam superfaturamentos em detrimento de benfeitorias sociais. Desonestos gerenciadores do erário público preferem desviar recursos para seus bolsos em vez de incorporar às obras os acessórios indispensáveis às pessoas com dificuldade de locomoção, audição e visão.

O deficiente visual, – principalmente portador de cegueira – enfrenta um turbilhão para “driblar” buracos das calçadas e atravessar ruas sem sinalização adequada. Para piorar, raras vezes o deficiente encontra a solidariedade das pessoas; a maioria prefere fingir que não viu para não ajudar o necessitado.

O “cadeirante” – assim chamado o usuário de cadeira de rodas – depara-se com imensos dilemas quando precisa subir ou descer degraus, entrar ou sair dos ônibus e enfrentar uma série de dificuldades absurdas que tornam ainda mais penosa a sua já angustiante condição. Em Maceió, é desprezível a quantidade de ônibus que dispõem de adaptações para deficientes!

O drama seria maior não fosse a atuação de entidades como a Adefal

(Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas), que, mobilizando a comunidade, tem conquistado avanços nas políticas públicas em defesa da pessoa com deficiência. Porém, o dever do Estado – que é garantir acessibilidade aos deficientes – está longe de ser cumprido. Entre as medidas indispensáveis que deixam de ser feitas em prol dessa expressiva parcela de socialmente excluídos está a ampliação das oportunidades no mercado de trabalho e acesso ao ensino e à saúde.

Entre suas reivindicações, os portadores de deficiência querem acesso para pessoas com restrição de mobilidade aos sistemas de transportes, equipamentos urbanos e a circulação em áreas públicas. São prerrogativas que devem ser cumpridas pelos governos municipais e estaduais. Mesmo porque a Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana dispõe do programa de Mobilidade urbana Sustentável, aprovado pela Conferência Nacional das Cidades.

O preconceito de pessoas insensíveis é outro obstáculo para os deficientes. Essa gente, que torna ainda mais amarga a difícil vida de quem necessita de cuidados especiais, precisa enfiar no escasso cérebro a informação de que qualquer um de nós pode se tornar um deficiente físico, que um casal saudável pode gerar um filho com problemas físicos ou psíquicos.

Cresce enquanto humano, enquanto cidadão, quem dá sua parcela de contribuição, a exemplo do que fez o novelista Manoel Carlos em “Viver a vida”, no combate a esse preconceito tão cruel.

Portanto, as medidas pleiteadas pelos portadores de deficiência interessam diretamente a todos, sem excessão. Acho que os “não deficientes” precisam interagir cada vez mais com os deficientes para combater com mais eficácia a exclusão que tem presença mais marcante nas cidades gerenciadas por quem não está “nem aí” para as questões sociais.

PDF    Enviar artigo em PDF   
(9) Comentários - Você está em Blogs

9 Comentários para “Deficientes: exclusão e preconceito”

  1. Luiz Fidelis

    Realmente as pessoas com deficiencias fisicas são esquecidas pelo poder publico! Dai a dificuldade do exercicio da cidadania!!!!!!!!!!!!!

  2. Bruno Sardeiro

    Vale lembrar, que dois membros da câmara de vereadores de Maceió são deficientes!

  3. Mácleim

    É isso aí, parceiro!!
    Mais uma vez, pertinente e bastante lúcido seu texto. Moro em frente a ADEFAL. Todos os dias convivo com esse universo, o universo dos deficientes, e sei o quanto e quantos percalsos eles têm que superar, para uma simples locomoção. Durante muito tempo, através do programa que eu produzia na Educativa, e também com a ajuda do Edécio Lopes, reivindicamos a costrução das calçadas da rua de acesso a ADEFAL, a Clementino Dumonte. Até que a prefeitura finalmente fez. Melhorou bastante. Agora os cadeirantes não precisam mais se arriscar na pista, como antes. Tudo, passa pela questão de cidadania. Somos primitivos nesse aspecto, ainda temos muito, muito o que avançar. Textos como o seu, serão sempre importantes.
    Abraços e, no +, MÚSICAEMSUAVIDA!!!
    http://www.macleim.com.br

  4. Luiz Pompe

    É isso mesmo, parceiro Mácleim! Sou testemunha do seu empenho em prol dos deficientes, empenho este que resultou em algums importantes conquistas. Pessoas com atitudes como a sua merecem o abraço e os parabéns da sociedade!
    Abração

  5. fabiano

    Se a Lei fosse comprida, seria muito mais simples! Todos nós pagamos impostos e, não temos nenhum serviço que tenha um nível de aceitação do governo! Os direitos dos deficientes funciona mal, como a educação, saúde, segurança… E assim por diante! Cadê o MP?

  6. Daniela

    Em pensar que o Centro de Convenções da cidade de Maceió não é adaptado aos portadores de deficiência física, como os cadeirantes – por assim dizer. Segundo relato de uma profissinal fisioterapeuta, lá foi apresentado um espetáculo com portadores de necessidades especiais, onde o público eram membros do governo, o que causou, acredito eu, BREVE constrangimento aos presentes. Digo “breve” pois a partir dali não se tomaram maiores providências.

    Temos de olhar de frente aos portadores de necessidades especiais e não subestimar o que é visto pela sociedade em geral como “necessidades especiais”, pois adaptar o mundo às necessidades do ser humano, seja ele como for (deficiente ou não) é, para mim, puro e simples ato de cidadania.

    Excelente texto, pai.

  7. Edméa Maria Kummer

    Pompe! Seu texto demonstra grande sensibilidade para um assunto que requer constantes reinvidicações, para melhor qualidade de vida para os portadores de deficiências.Parabéns, mais uma vez. Esta semana, caminhando com meu netinho ,empurrando um carrinho, senti, de perto ,dificuldades em andar pelas calçadas irregulares e , na hora, fiquei me lembrando dos empecilhos que um cadeirante enfrenta. Só denunciando, só protestando, é possivel que os responsáveis pela administração da cidade se voltem para o problema.

  8. EDNALDO MAIORANO(MIRO)

    Inicialmente, parabéns pela temática, e pela abordagem constante de assuntos que reforçam a sua preocupação com a cidadania.

    Pensamos que a acessibilidade pressupõe a liberdade de escolha ou a opção individual no ato derelacionar-se com o ambiente e com a vida. Basear-se na idéia que as pessoas portadoras de deficiência dependem da ajuda de terceiros gera situações constrangedoras e que somente perpetuam a segregação

    É, caro Pompe, os direitos são os mesmos para todos; mas, como nem todos se acham em igualdade de condições para os exercer, é preciso que essas condições sejam criadas ou recriadas através da transformação da vida e das estruturas dentro das quais as pessoas se movem.
    LUTEMOS POR ISSO !

  9. julia costa de sousa

    meu marido é renal cronico, é posentado como deficinte fisíco, pois faz hmodiálise, gostaria de saber se nossa filha de menor tem direito a desconto na escola….. obrigada……


Comente Agora