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Educação na terra do “voto de cabresto”

25/02/2010 - 11:17 -

A falta de dentes não constrange o sorriso de seu Antonio dos Santos, um cortador de cana que aparenta ser octogenário e que ao longo de seus sofridos 57 anos nunca frequentou uma escola. O sorriso é triste quando ele, apontando para os cinco filhos maltrapilhos enfileirados diante de seu barraco de barro amassado, diz que nenhum deles estuda. São três meninas e dois meninos com idades entre 8 e 14 anos, todos, como o pai viúvo, cortadores de cana nos arredores de Rio Largo. A mulher morreu durante o último parto.

A triste sina dessa família é a mesma de, segundo o IBGE, 75% da população analfabeta de Alagoas, Estado que lidera o ranking do analfabetismo do país, abrigando mais de 20% da população acima de 15 anos sem saber ler e escrever e 624 analfabetos para cada grupo de mil habitantes.

A quem interessa, em Alagoas, cultivar tanta gente desinformada e despreparada para as novidades do mundo? A resposta para essa pergunta pode estar nos sucessivos resultados das urnas. Os poucos eleitos que honram o voto emergem, em geral, das cidades onde é menor o grau de exclusão educacional.

A miséria é um grande negócio para determinados grupos econômicos de Alagoas, onde o combate ao analfabetismo nunca é processado de maneira efetiva. Exemplo disso é o Programa Brasil Alfabetizado, que se processa de modo desigual em detrimento do Estado e que consumiu mais de R$ 2 bilhões dos cofres públicos defendendo a meta de “erradicar o analfabetismo no país”, mas que, após 8 anos de implantação, não conseguiu evitar que mais de 14 milhões de jovens e adultos continuassem analfabetos (o que equivale a um a cada dez brasileiros com 15 anos ou mais).

Em benefício dos resultados das urnas verificados a cada ano eleitoral, sete dos dez municípios mais pobres do Brasil estão em Alagoas. A fome, a mortalidade infantil, o trabalho duro nos canaviais e o analfabetismo caminham lado a lado com as ameaças das milícias e dos capangas, os abusos de autoridade e outras formas de “pressão”. Tudo para resultar no chamado “voto de cabresto”, tão comum nos rincões mais pobres do país.

O drama das famílias miseráveis desses rincões é tão intenso que sequer pode-se atribuir ao “voto de cabresto” a condição de “troca de favores”. Os “benefícios” recebidos por essa imensa quantidade de eleitores se resumem, quando muito, a migalhas insignificantes ou a promessas nunca cumpridas.
Qual seria então o caminho para que o seu Antonio dos Santos tenha dentes para esboçar um belo sorriso e que seus cinco filhos tenham boas roupas e dignidade? Afinal, determina a Constituição, direitos como esses são para qualquer cidadão!

Qual seria a resposta mais adequada a essa pergunta? “Comentários” (abaixo) está à sua disposição para que você responda à sua maneira.

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(10) Comentários - Você está em Blogs

10 Comentários para “Educação na terra do “voto de cabresto””

  1. fabiano

    … Isso vem desde o nascimento do cultivo da cana de açúcar. Alagoas era pertencente ao estado de Pernambuco! Claro que não justifica, nenhum tipo de argumento, mas, serve para lembrar que infelizmente é uma tradição! E que serve para alguns medíocres. Mas, é preciso ter uma resolução educacional, para que tenha cidadania, daí vem o desenvolvimento!!! Como, eu sempre digo, ” A educação não é responsável por tudo, mas tudo passa pela educação”…

  2. Allan Bastos

    Os numeros são alarmantes, mas nós não podemos desistir de lutar por esse estado e pelo brasil. entendo que logo mudaremos isso! outubro ta vindo ai…

  3. Iremar Marinho

    É muito pertinente sua análise a partir da constatação de que a miséria é um grande negócio em Alagoas.O sistema político utiliza o eleitorado como massa de manobra apta a garantir a perpetuação da oligarquia imortal, que já foi objeto de exaustivos estudos sociológicos, Ou seja, a essa oligarquia, que resiste de modo peculiar em Alagoas, não interessa a educação para povo. E este precisa exercer suas prerrogativas democráticas. Além do que, como cantaria Caetano Veloso: “Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”.

  4. Elcio Verçosa

    Caro Pompe, como diz você e seus comentadores, claro que o analfabetismo, por si só, é incapaz de justificar o voto por gratidão, por pagamento de favor… Se assim fosse, quando o voto dos iletrados era proibido, nós teríamos tido excelentes gestores comprometidos com a coisa pública! Mas, claro que o letramento pode trazer esclarecimento e apontar, no mínimo, para a quebra do ciclo da miséria e, dai… E, quanto ao `domínio da cultura letrada, o que dói hoje em dia é ver mais de 95% dos alagoanos sendo matriculados no Ensino Fundamental e, por “n” razões internas e externas à escola, deixarem de frequentá-la sem saber ler e escrever! Hoje, poucos se enquadram no caso dos filhos do Seu Antônio ou dele mesmo… A escola, nas condições em que está funcionando e com a falta de condições para que os estudantes entrem nela e ali fiquem até aprender, é um desafio à seriedade dos gestores públicos: afinal, o desafio de letrar toda sua população já foi vencido por muitos países há mais de um século! Se vivemos à cata de exemplos no exterior, que tal imitar, por exemplo, a escola de tempo integral, uma formação sólida, com um pagamento digno para os trabalhadores da educação e uma ajuda efetiva para que os pais possam manter as crianças estudando, sem precisar de sua ajuda para sustentar a família? Essas são soluções consagradas, somente que exigem: prioridade para valer, o que implica tratar o setor com seriedade e gastar bem e sem pena os recursos, ou seja, investir (e não gastar como dizem os maus gestores) pesado e com critérios na Educação pública.

  5. Ricardo Leal

    Prezado Pompe

    A “indústria”da miséria (e a da seca)são plataformas eleitorais de políticos descompromissados com tudo e todos, há décadas.Em Estados miseráveis como Alagoas quanto mais nos dirigimos para o interior mais percebemos a miséria, a pobreza e a “podridão política” ,movida ainda semelhantemente aos tempos do “coronelismo”.Não se pode hoje nem afirmar que o voto de cabresto é um favor, pois o eleitor sequer recebe concretamente algo em troca a não ser a possibilidade de continuar na miséria.O Professor Élcio já enumerou acima alguns exemplos que poderiam ser implantados para que se tentasse reverter esse calamitoso quadro, entretanto o que se percebe, na grande maioria dos casos é que quando não falta dinheiro, falta o básico:vontade política ,inclusive daqueles políticos eleitos pelo voto de cabresto.
    Abraços!!!!

  6. Daniella Gomes

    ATITUDE e COMPROMETIMENTO com a garantia do acesso aos direitos dos cidadãos, que foram tão arduamente conquistados!!! Isso é o que tá faltando no nosso país!

  7. Marcos Guimarães

    Amigo Pompe, enquanto perdurar o domínio econômico da monocultura da cana de açúcar em Alagoas, este quadro tende a continuar. A renovação através do voto consciente, que em tese seria motivador de mudanças, infelizmente não acontece. Não obstante o país tenha evoluído politicamente, mudamos pouco. Como você cita no texto, o alagoano devido ao seu estado de miséria não aprendeu a votar. No entanto, continuo acreditando que para mudar este quadro a solução é votar. Votar consciente, sem venda do voto como se fosse mercadoria. Com certeza num futuro próximo essa vitória haveremos de alcançar!

  8. Flávio Lins

    EDUCAÇÃO É TUDO!!! ENQUANTO PERDURAREM O FEUDALISMO DOS CORONÉIS DA CASA TAVARES BASTOS E A MONOCULTURA DA CANA, ALAGOAS SERÁ, ETERNAMENTE, COMO UM CÃO TENTANDO MORDER O PRÓPRIO RABO.

    ABRAÇO.

  9. Josival

    Em 1º lugar: Analfabetismo, Mortalidade infantil, Assassinatos, Falta de saneamento básico, Falta de segurança etc. Isso é o reflexo do caos instalado em Alagoas, pois estado tem dono, mas certamente o seu dono não é o povo. Vejam os sobrenomes dos madatários nas altas esferas do judiciário do executivo do judiciário e até do eclesiástico! Lá estão os Ferros, os Tenórios, os Calheiros, os Sampaios, os Oiticicas, os Melos, os Calvacantes, os Falcões, os Liras, os Vilelas. Enquanto Alagoas for governada por essas famílias, não saíra do ultimo lugar da federação, será sempre taxada de o patinho feio do Brasil.

  10. Movimento Nacional Pela Valorização do Voto-MONAV

    MOVIMENTO NACIONAL PELA VALORIZAÇÃO DO VOTO – MONAV
    Na luta contra a fraude e a corrupção eleitoral

    VOTE BEM – OS DEZ NÃOS

    1º – Não deixe de votar, valorize o seu voto

    2º – Não vote contrariando a sua opinião, o seu voto é secreto

    3º – Não vote para contentar parentes ou amigos, escolha o melhor candidato

    4º – Não venda o seu voto, garanta a sua liberdade de escolha

    5º – Não troque o seu voto por favores, o seu voto é livre e soberano

    6º – Não vote sem conhecer a capacidade e o programa do candidato

    7º – Não vote sem conhecer a competência e o passado do candidato

    8º – Não vote sem conhecer o caráter do candidato, o seu voto merece respeito

    9º – Não deixe nenhuma pesquisa mudar o seu voto, use de sua firmeza

    10º – Não vote em candidato com Ficha Suja, deve ser Ficha Limpa

    ESCOLHA BEM NA HORA DE VOTAR
    Site: http://www.monav.com.br


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