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Humildes heróis fazem folclore subsistir

06/02/2010 - 10:25 -

guerreiro2Em Alagoas, o Carnaval e manifestações como festas juninas e Natal fazem emergir as cores e a diversidade do folclore nas diferentes regiões do Estado. Cortadores de cana, funcionários públicos, domésticas, estudantes, homens e mulheres em geral retiram do armário – nessas épocas festivas – indumentárias de folguedos como Reizado, Guerreiro (foto) e Chegança para “cair na folia”.

Da insensibilidade de quem administra o poder público advém a falta de apoio para que essa riqueza cultural se expresse com dignidade. A sobrevivência de tão importante tesouro alagoano recai, em condições extremamente precárias, nas costas de heróis humildes. Nossas raízes já teriam sido totalmente dizimadas não fosse a abnegação de nomes, entre outros, como Mestre Benon, Eudora Vasconcelos, Jeane Darc, Áurea de Barros, Djalma José de Oliveira, Luzia Simões da Silva, Nelson Vicente Rosa e Manoel Venâncio de Amorim.

Que falta faz a valiosa dedicação do professor Ranilson França, que levou para o Brasil inteiro a beleza do folguedo alagoano! Pesquisador incansável, ele interagia em Alagoas com os demais Estados para mostrar a autenticidade do Coco, da Chegança, do Bumba-meu-boi, do Fandango, do Quilombo, das Taieiras e das demais manifestações que expressam a linguagem popular alagoana.
“Um povo sem cultura é um povo sem alma”, costumava dizer Ranilson quando se deparava com os argumentos negativos de quem tinha poderes nas mãos, mas relegava ao desprezo a cultura popular de Alagoas, Estado onde, aos trancos e barrancos, subsistem mais de 27 diferentes tipos de folguedos e danças, resultantes, em suas diferentes formas, cores e ritmos, da mistura de manifestações européias, africanas e indígenas.

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9 Comentários para “Humildes heróis fazem folclore subsistir”

  1. Luiz Nogueira Barros

    Isso mesmo, Pompe. Cultura não é problema dos nosso políticos.
    A História de Alagoas está acabando, também, lá no IHGAL, por conta das dificuldades de conservação…..Nogueira

  2. luciana

    Assim como vc, Pompe, outros alagoanos lamentam a desatenção às manifestações culturais locais. Enquanto lideranças políticas de outros estados aproveitam bem essas datas para transformá-las em aquecimento da economia local e reafirmação da identidade cultural, aqui ignora-se. O que me deixa feliz é que o povo, a despeito de tudo isso, vai às ruas e manifesta-se, dando o melhor de si, sua alegria.

    Luciana Caetano
    Economista.

  3. Helio

    Infelizmente nossos politicos remam a favor da maré da corrupção. Eles perguntam a si proprios: “Esse evento pode gerar votos?” “Essa obra pode gerar algum pro meu bolso” “Essa nova empresa pode gerar empregos para os meus familiares?” Enfim,,,,Paginas e paginas seriam preenchidas com a palavra GERAR. Assim caminha a humanidade e assim retroage o nosso país.
    O que nos resta…observar, falar, criticar e VOTAR.

  4. fabiano

    Concordo em número, gênero e grau… Parabéns pela matéria!

  5. Sônia Lucena

    Pompe, parabéns pela iniciativa. Realmente é preciso preservar os nossos grupos folclóricos, pessoas tão sofridas e com tanta garra. É preciso que as autoridades valorizem mais os grupos que, infelizmente ficaram órfãos com a partida do nosso querido Ranilson França.

  6. luizpompe

    Comentário do músico Billy Magno
    “Um povo sem cultura é um povo sem alma”. meu grande amigo Ranilso faz muita falta. não só Alagoas mas o Brasil me parece, insiste em desprezar e mesmo não acreditar na cultura do nosso povo. enquanto nos EUA e Europa isso é assunto de primeira necessidade aqui o mesmo assunto fica relegado a quinto plano. burrice! pois se investíssemos em cultura sería-mos primeira potência pois a grande diversidade nos da respaldo pra isso. cultura nunca foi importante num país como o nosso porque cultura liberta e faz o povo pensar (coisa que foi proibida por muito tempo e que mesmo depois de 25 anos da “queda” da ditadura ainda perdura, antes por medo hoje por comodismo mesmo) e pensar leva ao questionamento e o questionamento leva a ação e ação nesse caso pode significar liberdade. se todos tivessem acesso a cultura sem restrições é muito provavel que o país se libertasse, mas isso não é interessante em Brasilia, pra eles interessa o povo analf abeto, ignorante pois só assim se pode dar continuidade ao estado de coisas em que o país há muito vive mergulhado. que bom que ainda tem gente que se vale da máxima do Vandré: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”; porque se fossem esperar apoio “oficial” já teriam morrido sem nada produzir. bom saber que as nossas tradições estão assegurados por esses heróis anônimos que remam contra a corrente e conseguem mesmo a duras penas chegar em algum lugar, nem que esse lugar seja o da satisfação individual, o que não é pouca coisa.

  7. Elcio Verçosa

    Querido Pompe, embora quixotescos, devemos insistir na luta pela preservação das manifestações culturais que vêm efetivamente do fundo de nossa alma. Estive, nesse final de semana, pelo litoral norte e é de cortar o coração ver o forró maquiado e o axé music pontificando nos trios elétricos de babaca, quando não são patrocinados diretamente pelas autoridades, em carros dantescos, como expressão da nossa alma carnavalesca… Suprema ironia! Boi somente vi um, assim mesmo todo em farrapos… Onde estão as caboclas, as cambindas, as la ursas do carnaval de nosso litoral?! Nem bloco de rua temos mais! Mas, não poderia ser de outra forma: afinal, quando as secretarias que cuidam dessas assuntos não estão esvaziadas de recursos, temos promotores dessa barulheira com nome de música que nos é imposta, ou, então, secretários como um que, numa certa feita, lamentou o aspecto físico e a musicalidade dos brincantes de um guerreiro, dizendo ao responsável pela apresentação: “Da próxima vez, vê se faz esse povo se apresentar com um aspecto mais cuidado e cantar com uma voz mais agradável, porque, assim, eu morro de vergonha na frente dos turistas!”. Nesse campo, amigo, infelizmente, vivemos de acordo com aquele ditado que diz “que além de queda, ainda vém coice”. Infelizmente! Por isso, para não ficar mais infeliz na festa da alegria por excelência, estou indo pra Recife que, como matriz de nosso carnaval, tem tido governantes que não deixam a tradição morrer… Venha comigo e, na volta, continuemos a luta, pois para essa carnaval somente podemos reagir usando o “jus esperniandi” que a internet nos permite. Parabéns pelo protesto! Um abraço do Elcio.

  8. Deco Melo

    Folclore? Que é isso?
    Eu (classe mérdia, como diz meu pai Elinaldo) tô ligado é no Melô da Bicicletinha, no Rebolation, na suingueira, no Chiclete, no Asa, no BBB, na novela das 8 (do Rio sem violência, só beleza)!!!!

    Nossos políticos, nossos educadores, nossos pais, NÓS MESMOS é que fazemos com que esse desprezo e desconhecimento do nosso folclore o leve a um progressivo caminho a sua extinção. Quando há um evento com grupos de folclore alagoano, salvo raras excessões, pouca gente se faz presente. Já nos acostumamos a ignorá-los.
    Por fim, quase todos os citados no nobre texto do amigo Pompe são pessoas da terceira idade, que morrerão em breve sem deixar um número expressivo de herdeiros que possam dar continuidade a suas tradições. E assim…

    Adentrando em outro segumento, ao invés de seguirmos o exemplo multicultural e gratuito do carnaval dos pernambucanos, optamos por sermos fantoches do monopólio do axé baiano, que em sua grande maioria produz um produto repetitivo, artificial, superficial e principalmente oneroso (um abadá é caríssimo), dando margem ao que o compositor Wado intitulou de o aparthaid social, em sua música “Cordão de Isolamento”.

    Essas são minhas humildes palavras. Abraços ao amigo Pompe.

    Deco Melo
    advogado

  9. Elaine Kundera

    Amigo linda materia heim !!
    Concordo em tudo contigo e linda foto do MESTRE BENON…
    Tenho grande carinho e respeito por ele!!!!
    bjus amigo!!LINDO CARNAVAL PRA TI!


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