Natal passou, Ano Novo passou, agora vem Carnaval! Corações e mentes voltam-se para a folia do Rei Momo, enquanto candidatos e partidários direcionam as atenções para as eleições. E ainda tem Copa do Mundo no meio do caminho! Haja ventos, eventos e acontecimentos neste 2010!
Samba no Sul, axé e frevo no Nordeste, carimbó e bumba-meu-boi no Norte. O Continente Brasil já está com suas orquestras prontas para disparar os acordes e ritmos que vão animar multidões nas diferentes regiões. Nada há no mundo que se compare a essa rica e saudável multiplicidade cultural.
Há fortes indícios de que o Carnaval (nome derivado do latim que significa “abstenção da carne” para anunciar a chegada da Quaresma) começou com as brincadeiras violentas do entrudo português ( foto), quando uns jogavam nos outros ovos podres, fuligem, água e farinha. Essa manifestação chegou ao Brasil nos anos 1600.
As arruaças que tinham bumbos e tambores como “pano de fundo” vieram com o “Bloco do Zé Pereira”, em meados dos anos 1800. Só depois os foliões passaram a incorporar tradições européias como máscaras, adereços e fantasias que resultaram no Pierrô, na Colombina, no Rei Momo e nos bailes de mascarados das ruas e salões.
Até chegar à forma atual, o carnaval brasileiro passou pelos corsos e pelos cordões. A primeira Escola de Samba, a “Deixa falar”, foi criada pelo sambista Ismael Silva em 1928. As marchinhas pontuaram a festa em meados do século passado. Algumas são muito conhecidas no mundo inteiro, a exemplo de “Mamãe eu quero”, do alagoano Jararaca (a composição brasileira mais conhecida no planeta).
As gigantescas dimensões de hoje manifestam-se de maneira diversa nas diferentes regiões do Brasil: Rio e São Paulo com desfiles das escolas de samba; Bahia com blocos uniformizados para dançar os axés dos trio-elétricos; Pernambuco com o frevo e os bonecos gigantes; Amazonas com o azul e o vermelho dos bois Caprichoso e Garantido; Maranhão com o bumba-meu-boi; e por aí vai…
Uma mina de dinheiro que envolve multidões nos quatro cantos do país, o Carnaval veio sendo alterado para novas feições ao longo dos anos. Na ânsia de faturar cada vez mais, espertos empresários investem alto para elitizar a festa popular, criando modismos e vendendo normas para “forçar” a massa a gastar para optar por este ou aquele bloco, por um lugar em sambódromos, entre outras manipulações que discriminam, até mesmo nas ruas, aqueles que, financeiramente, podem menos. Ou seja: a maioria, em sua imensidão.
Mas a festa é do povo e ninguém tasca! Afinal, o Carnaval, no dizer de Chico Buarque, é “…uma canção, um só cordão e uma vontade de tomar a mão de cada irmão pela cidade…”
domingo, 3 de janeiro de 2010 às 10:54
Nada, nem ninguém, consegue fazer com que este país não comemore! Realmente, já é carnaval, só se fala em carnaval e eu nem me recuperei dos ares do Natal e Ano Novo. Seu texto, como sempre, caprichado. Misturar poesia com conscientização não é para todo mundo, mas você sempre consegue. Parabéns mais uma vez.
domingo, 3 de janeiro de 2010 às 14:13
Grande Pompe, para béns pelo blog e o texto carnavalesco. Dias mais coloridos virão. Abraços
domingo, 3 de janeiro de 2010 às 18:47
Aos amantes da boa música como eu, e Pompe sabe disso;digo que o carnaval deixou de ser lírico, romântico e político, as três virtudes a que se prestaria no passado…Hoje o carnaval é um financiamento pra venda de bebida alcoólica, prostituir-se e alienar-se…
No carnaval homem pode ser gay a vontade, mulher pode dar sem problemas, e menores podem beber até desmaiar e todos podemos provar novidades… sem nos preocuparmos em ficarmos expostos a rótulos , afinal é carnaval…
A cultura popular perdeu e feio para o vazio social, pra baixa auto estima do nossso povo!
As companhias de cerveja sacaram isso faz tempo…
Pra nós que gostamos de música e poesia, fica a nostalgia de olhar velhas fantasias ainda usadas nas ruas de Olinda…
domingo, 3 de janeiro de 2010 às 22:05
Maravilhoso texto!!! Eliane Ucha, ainda bem que existe as ruas de Olinda e suas lindas fantasias, onde podemos “SENTIR A EMBRIAGUEZ DO FREVO, QUE ENTRA NA CABEÇA, DEPOIS TOMA O CORPO E ACABA NO PÉ ” !!!
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 às 22:25
Que bom que seu texto pôde trazer a tona a reflexão do saudosismo, alcool e sexo na fala da Eliane Ucha (Obrigada!). Concordo que já não se faz mais carnaval como antigamente independente do lugar. Parabéns Pompe!
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010 às 13:53
A melhor conceituação que já vi do carnaval!!! A festa do Brasil… Parabéns!