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Carnaval é festa do povo e ninguém tasca!

02/01/2010 - 12:03 -

entrudo1Natal passou, Ano Novo passou, agora vem Carnaval! Corações e mentes voltam-se para a folia do Rei Momo, enquanto candidatos e partidários direcionam as atenções para as eleições. E ainda tem Copa do Mundo no meio do caminho! Haja ventos, eventos e acontecimentos neste 2010!

Samba no Sul, axé e frevo no Nordeste, carimbó e bumba-meu-boi no Norte. O Continente Brasil já está com suas orquestras prontas para disparar os acordes e ritmos que vão animar multidões nas diferentes regiões. Nada há no mundo que se compare a essa rica e saudável multiplicidade cultural.

Há fortes indícios de que o Carnaval (nome derivado do latim que significa “abstenção da carne” para anunciar a chegada da Quaresma) começou com as brincadeiras violentas do entrudo português ( foto), quando uns jogavam nos outros ovos podres, fuligem, água e farinha. Essa manifestação chegou ao Brasil nos anos 1600.

As arruaças que tinham bumbos e tambores como “pano de fundo” vieram com o “Bloco do Zé Pereira”, em meados dos anos 1800. Só depois os foliões passaram a incorporar tradições européias como máscaras, adereços e fantasias que resultaram no Pierrô, na Colombina, no Rei Momo e nos bailes de mascarados das ruas e salões.

Até chegar à forma atual, o carnaval brasileiro passou pelos corsos e pelos cordões. A primeira Escola de Samba, a “Deixa falar”, foi criada pelo sambista Ismael Silva em 1928. As marchinhas pontuaram a festa em meados do século passado. Algumas são muito conhecidas no mundo inteiro, a exemplo de “Mamãe eu quero”, do alagoano Jararaca (a composição brasileira mais conhecida no planeta).

As gigantescas dimensões de hoje manifestam-se de maneira diversa nas diferentes regiões do Brasil: Rio e São Paulo com desfiles das escolas de samba; Bahia com blocos uniformizados para dançar os axés dos trio-elétricos; Pernambuco com o frevo e os bonecos gigantes; Amazonas com o azul e o vermelho dos bois Caprichoso e Garantido; Maranhão com o bumba-meu-boi; e por aí vai…

Uma mina de dinheiro que envolve multidões nos quatro cantos do país, o Carnaval veio sendo alterado para novas feições ao longo dos anos. Na ânsia de faturar cada vez mais, espertos empresários investem alto para elitizar a festa popular, criando modismos e vendendo normas para “forçar” a massa a gastar para optar por este ou aquele bloco, por um lugar em sambódromos, entre outras manipulações que discriminam, até mesmo nas ruas, aqueles que, financeiramente, podem menos. Ou seja: a maioria, em sua imensidão.

Mas a festa é do povo e ninguém tasca! Afinal, o Carnaval, no dizer de Chico Buarque, é “…uma canção, um só cordão e uma vontade de tomar a mão de cada irmão pela cidade…”

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(6) Comentários - Você está em Blogs

6 Comentários para “Carnaval é festa do povo e ninguém tasca!”

  1. Meg oliveira

    Nada, nem ninguém, consegue fazer com que este país não comemore! Realmente, já é carnaval, só se fala em carnaval e eu nem me recuperei dos ares do Natal e Ano Novo. Seu texto, como sempre, caprichado. Misturar poesia com conscientização não é para todo mundo, mas você sempre consegue. Parabéns mais uma vez.

  2. Odilon Rios

    Grande Pompe, para béns pelo blog e o texto carnavalesco. Dias mais coloridos virão. Abraços

  3. Eliane Ucha

    Aos amantes da boa música como eu, e Pompe sabe disso;digo que o carnaval deixou de ser lírico, romântico e político, as três virtudes a que se prestaria no passado…Hoje o carnaval é um financiamento pra venda de bebida alcoólica, prostituir-se e alienar-se…
    No carnaval homem pode ser gay a vontade, mulher pode dar sem problemas, e menores podem beber até desmaiar e todos podemos provar novidades… sem nos preocuparmos em ficarmos expostos a rótulos , afinal é carnaval…
    A cultura popular perdeu e feio para o vazio social, pra baixa auto estima do nossso povo!
    As companhias de cerveja sacaram isso faz tempo…
    Pra nós que gostamos de música e poesia, fica a nostalgia de olhar velhas fantasias ainda usadas nas ruas de Olinda…

  4. Daniella Gomes

    Maravilhoso texto!!! Eliane Ucha, ainda bem que existe as ruas de Olinda e suas lindas fantasias, onde podemos “SENTIR A EMBRIAGUEZ DO FREVO, QUE ENTRA NA CABEÇA, DEPOIS TOMA O CORPO E ACABA NO PÉ ” !!!

  5. Sandra

    Que bom que seu texto pôde trazer a tona a reflexão do saudosismo, alcool e sexo na fala da Eliane Ucha (Obrigada!). Concordo que já não se faz mais carnaval como antigamente independente do lugar. Parabéns Pompe!

  6. fabiano

    A melhor conceituação que já vi do carnaval!!! A festa do Brasil… Parabéns!


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