Sufocados por fuligens, gases poluentes, motosserras devastadoras, geleiras derretidas, tsunamis, eis que nos chega 2010.
Enquanto houver uma nesga de qualquer coisa liberando oxigênio, a cartilha do lucro e do poder prevalecerá norteando a insensatez de governantes. “Danem-se o planeta e a vida! O que importa é faturar e mandar!”. Assim pensam lideranças políticas e econômicas principalmente das nações do chamado “primeiro mundo” (embora a saúde desse “mundo” pareça não despertar a preocupação dessas “inteligências”).
Como esperar atitudes sensatas dentro de um sistema onde a matança coletiva através de guerras é a regra do jogo? Claro exemplo dessa insanidade é o fracassado encontro de Copenhague, que praticamente resultou em nada. A derradeira esperança de que algo começaria a ser feito esvaiu-se num evento até mais decepcionante que o encontro de Kyoto, cujo protocolo ficou muito aquém do mínimo indispensável.
A saudável pressão das ruas em defesa da natureza foi imensa, mas ainda ineficiente diante do imediatismo que rege a competição entre países. A marcha de 12 de dezembro, que reuniu mais de cem mil pessoas, pode ser comparada com alguém sepultado vivo tentando abrir a tampa do caixão para alcançar o oxigênio. Mas para que respirar! O que interessa é lucrar e dominar! É isso, ao que parece, o que sugerem as elites que mandam em tudo.
Assistindo um excelente documentário sobre os cataclismas que transformam radicalmente o planeta a cada 30 milhões de anos, me ocorreu que as relações políticas e econômicas que comandam a humanidade conseguiram condensar em apenas algumas centenas de anos – mais intensamente nas últimas décadas – condições catastróficas que levariam milhares de séculos para se manifestar.
Os episódios que culminaram com a extinção de 75 por cento de todas as espécies vivas da terra após a era glacial não tiveram participação humana, mas não é difícil imaginar que a tragédia teria sido ainda pior se tal participação tivesse havido dentro das regras de hoje.
O debate sobre medidas contra o aquecimento global na Dinamarca produziu um acordo débil por conta do bloco industrializado e principalmente da aliança entre Estados Unidos e China, países que rejeitaram as propostas que visavam a redução pela metade das emissões globais de gases do efeito estufa. Esse fenômeno – advertem cientistas – gera altas incomuns da temperatura global, alcançando hoje os maiores níveis desde 1750.
Duramente criticado por ONGs como Fundo Mundial para a Natureza, Oxfam, Avaaz e Amigos da Terra, o Acordo de Copenhague frustrou as mentes sadias.
Mais uma vez os países ( especialmente os mais ricos) condenaram milhões de pessoas ao sofrimento em consequência do aceleramento da mudança climática.
É por essas e outras que esses articuladores do caos mentem indecorosamente quando nos desejam “Feliz Ano Novo”.
Porém, não é esse o caso daqueles que, assim como nós, gostam da vida e do bem-estar social: somos plenamente sinceros quando desejamos a todos FELIZ 2010!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009 às 12:07
1. josé osmando
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009 às 18:00 edit
Bela reflexão, meu caro Pompe. É triste ver chegar mais um ano sem esperança de que o Planeta poderá ser aliviado, atenuado, que receba um refresco, ao menos, pois recuperação é algo inimaginável, tal a dimensão destrutiva que dele se apoderou. E quando vejo suas observações sobre os líderes do “primeiro mundo” como mandantes e comandantes de toda essa desenfreada agressão à natureza, não posso dexixar de lembrar quem representa o “primeiro mundo” no nosso restrito território alagoano, quem, por conseguinte, é responsável pela devastação da mata atlântica, pelo comprometimento dos rios e lagoas, pela dominação das terras em proveito próprio, pela democratização da miséria que afeta milharees e milhares de pobres seres humanos. Dá para advinhar quem seja?
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009 às 12:08
2. Meg oliveira
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009 às 23:05 edit
Excelente texto, Pompe, infelizmente real. Gostaria que os nossos votos de ano novo fossem recheados de esperança, mas nosso planeta agoniza e o respeito a natureza também. Poucos podem desejar um ano novo feliz sem hipocrisia.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009 às 12:09
3. Daniela Pompe
terça-feira, 29 de dezembro de 2009 às 16:19 edit
Maravilhoso texto, pai.
Um sincero “FELIZ 2010″ para nóss!!!
Te amo
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009 às 16:07
Saudações meu raro, muito bem observado por ti, os valores na verdade sempre foram outros se não trocados, e assim caminhamos ao sufoco na asfixia social da mediocridade e descaso até com os seus. Salam (paz)
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010 às 12:03
É exatamente isso! “Como esperar atitudes sensatas dentro de um sistema onde a matança coletiva através de guerras é a regra do jogo?”
Me conta COMO sensibilizar essas pessoas?
Parabéns pelo artigo esclarecedor e 2010 harmonioso e com muito amor!
Abraço,
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010 às 12:11
Bem lembrado, amigo Pompe! A elite econômica não é a elite inteligente no planeta, infelizmente! Os mandantes e poderosos não conquistaram suas posições por mérito em respeito e sabedoria, os valores que elegemos como direcionadores da nossa sociedade estão invertidos desde a base familiar até os congressos: o dinheiro dita as ordens. Por ele nos subordinamos às situações inaceitáveis( violência doméstica, maxismo, racismo, homofobismosetc..). Tudo é natural do ponto de vista econômico. Como me disse uma vez, anos atrás, um certo amigo do PCdo B tentando explicar o apoio a Suruagy:”É só uma questão de SOBREVIVÊNCIA POLÍTICA!!!” Em nome da nossa sobrevivência imediatista vamos jogar a vida dos nosssos filhos e netos no esgoto da falta ética , humanitária e da poluição ambiental! Feliz 2010 para os que conseguirem sorrir apesar das circunstâncias… de coração!!! Beijos…