Ontem encontrei um colega advogado que exibia no celular as fotos de seu filho nascido há 40 dias. É o segundo do casal e em uma das fotos aparece aconchegado nos braços do irmão, que tem aproximadamente 10 anos. Sabendo que o mais velho fora adotado, perguntei-lhe qual a diferença entre o biológico e o adotivo, ao que me respondeu: “absolutamente nenhuma! Aliás, eu nem me lembro desse fato!”
Sendo esse o sentimento comum a toda pessoa que adota, gostaria de chamar a atenção daqueles casais que estão tentando engravidar. Entendo que o desejo de ter um filho com as suas características genéticas é o sonho mais singular de todo casal, mas às vezes a ansiedade e a demora na concretização dessa gravidez acabam trazendo frustração e sofrimento. Paralelamente, há milhares de crianças inseridas em programas de acolhimento institucional que também esperam ansiosamente por uma família. A ansiedade e a espera são uma realidade tanto para esses casais quanto para essas crianças.
A nova Lei de Adoção, nº 12.010/2009, prevê “a preparação psicossocial e jurídica dos postulantes incluindo o contato com crianças e adolescentes em acolhimento familiar ou institucional em condições de serem adotados, a ser realizado sob a orientação, supervisão e avaliação da equipe técnica da Justiça da Infância e da Juventude, com apoio dos técnicos responsáveis pelo programa de acolhimento e pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar”.
Portanto, além de se inscreverem como pretendentes à adoção, os casais que estão tentando engravidar podem, sob a supervisão da equipe técnica do Juizado, visitar as instituições levando carinho e minimizando a angústia que a espera provoca nessas crianças. É comum vermos casais que intencionavam apenas conhecer as instituições e terminam por adotar uma criança ali abrigada, como também ocorre com enorme frequência de, logo após adotar, o casal engravidar.
Aproveito a proximidade do Natal e do espírito de solidariedade que ele nos traz para sugerir essa iniciativa tão necessária, que certamente causará imensa alegria não só às crianças visitadas, mas sobretudo a cada pessoa que se dispuser a passar algumas horas na companhia delas. Tenha certeza, vai valer a pena!
sábado, 5 de dezembro de 2009 às 6:59
Na área profissional que atuo se dá o mesmo. Mães adotivas afirmam não haver diferença entre os filhos biológicos e adotivos, e há algo que chama atenção: o filho adotivo ou do coração como dizem, por vezes é mais parecido comportamentalmente com o pai ou mãe adotivos que os filhos biológicos. Amei a sua abordagem e vou ficar com os dedos cruzados para quem sabe, aproveitando o Natal, aqueles que querem filhos possa querer um filho do coração. Parabéns dra.Marta! É acalentador ler textos sensíveis eencorajadores como os seus. Sucesso e inspiração sempre!