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O crack está devastando Alagoas


10/03/2010 - 9:41 -

Suicídio coletivo. A autodestruição acontece a olhos vistos em Alagoas, onde uma assustadora quantidade de jovens (e não apenas jovens) consome o crack, droga devastadora que, uma vez fumada, provoca intensa dependência e até mata.

O usuário torna-se ansioso e agressivo. A euforia – mais forte que a causada pela cocaína – transforma-se em depressão em menos de dez minutos, tempo do efeito da droga no sistema nervoso central. O vício é inevitável, pois o organismo exige novas e sucessivas doses para compensar o mal-estar. Fugir das alucinações e paranóias é tudo o que quer a vítima desse veneno.

No Estado, o crescimento descomunal no consumo de crack é mais uma mazela alagoana que chama a atenção do Brasil. Impotente diante do tráfico, a polícia não consegue deter o avanço desse “câncer social” e não consegue evitar sequer que o comércio seja administrado até mesmo de dentro de presídios.

Os assaltos e crimes nas ruas, nas casas, nos ônibus e nos restaurantes se multiplicaram em Maceió e no interior com o advento do crack em Alagoas. Traficantes e usuários abordam quem quer que seja em busca de recursos para comprar mais drogas e alimentar o terrível vício.
Para desespero das mães e das famílias, os aliciadores abordam – principalmente em escolas – crianças de 10, 11 e 12 anos para transformá-las em viciadas. As consequências na vida e também no lar dos usuários são dramáticas e na maioria das vezes irreversíveis. Além de desestruturar a família, o viciado fica impelido a se prostituir e a vender tudo o que tem em casa e até a roupa do corpo para comprar crack, droga assim batizada por derivar do verbo “to crack” (“quebrar”, em inglês, por conta dos estalos das pedras-cristais quando queimadas).
Os pontos de venda e consumo dessa droga que destrói os neurônios e degenera os músculos espalham-se pelas diferentes localidades de Maceió e do interior. Grande parte dos dependentes acolhidos pelo centro de reabilitação localizado no litoral sul é constituída de pessoas muito jovens, adolescentes e pré-adolescentes.

As chances de recuperação são pequenas – mas não nulas – porque o tratamento depende da submissão voluntária dos dependentes, quase todos munidos de altíssima vontade de voltar a usar a droga. Para piorar, a falsa idéia de que a droga é barata atrai pessoas de baixo poder aquisitivo, sem condições de custear os tratamentos mais eficazes. Mas o custeio acaba sendo mais dispendioso até mesmo que a cocaína porque o tempo do efeito é muito mais curto e a necessidade de renovar o uso é muito maior.

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Educação na terra do “voto de cabresto”


25/02/2010 - 11:17 -

A falta de dentes não constrange o sorriso de seu Antonio dos Santos, um cortador de cana que aparenta ser octogenário e que ao longo de seus sofridos 57 anos nunca frequentou uma escola. O sorriso é triste quando ele, apontando para os cinco filhos maltrapilhos enfileirados diante de seu barraco de barro amassado, diz que nenhum deles estuda. São três meninas e dois meninos com idades entre 8 e 14 anos, todos, como o pai viúvo, cortadores de cana nos arredores de Rio Largo. A mulher morreu durante o último parto.

A triste sina dessa família é a mesma de, segundo o IBGE, 75% da população analfabeta de Alagoas, Estado que lidera o ranking do analfabetismo do país, abrigando mais de 20% da população acima de 15 anos sem saber ler e escrever e 624 analfabetos para cada grupo de mil habitantes.

A quem interessa, em Alagoas, cultivar tanta gente desinformada e despreparada para as novidades do mundo? A resposta para essa pergunta pode estar nos sucessivos resultados das urnas. Os poucos eleitos que honram o voto emergem, em geral, das cidades onde é menor o grau de exclusão educacional.

A miséria é um grande negócio para determinados grupos econômicos de Alagoas, onde o combate ao analfabetismo nunca é processado de maneira efetiva. Exemplo disso é o Programa Brasil Alfabetizado, que se processa de modo desigual em detrimento do Estado e que consumiu mais de R$ 2 bilhões dos cofres públicos defendendo a meta de “erradicar o analfabetismo no país”, mas que, após 8 anos de implantação, não conseguiu evitar que mais de 14 milhões de jovens e adultos continuassem analfabetos (o que equivale a um a cada dez brasileiros com 15 anos ou mais).

Em benefício dos resultados das urnas verificados a cada ano eleitoral, sete dos dez municípios mais pobres do Brasil estão em Alagoas. A fome, a mortalidade infantil, o trabalho duro nos canaviais e o analfabetismo caminham lado a lado com as ameaças das milícias e dos capangas, os abusos de autoridade e outras formas de “pressão”. Tudo para resultar no chamado “voto de cabresto”, tão comum nos rincões mais pobres do país.

O drama das famílias miseráveis desses rincões é tão intenso que sequer pode-se atribuir ao “voto de cabresto” a condição de “troca de favores”. Os “benefícios” recebidos por essa imensa quantidade de eleitores se resumem, quando muito, a migalhas insignificantes ou a promessas nunca cumpridas.
Qual seria então o caminho para que o seu Antonio dos Santos tenha dentes para esboçar um belo sorriso e que seus cinco filhos tenham boas roupas e dignidade? Afinal, determina a Constituição, direitos como esses são para qualquer cidadão!

Qual seria a resposta mais adequada a essa pergunta? “Comentários” (abaixo) está à sua disposição para que você responda à sua maneira.

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Honesto é chamado de “otário” em Alagoas


18/02/2010 - 9:00 -

mala_dinheiroHonestidade. É incrível como essa palavra virou motivo de chacota em Alagoas e em nosso País, principalmente nos meios políticos! O político (raro) que, resistindo a assédios, recusa-se a roubar o sofrido dinheiro popular é alvo de gozação entre os malfadados colegas. É ridicularizado, chamado de “otário”. Tudo porque se nega a compactuar com falcatruas e a meter a mão no que é coletivo.

Na trilha da desonestidade vem, necessariamente, a mentira, o desrespeito, a insensibilidade e ficam ausentes a solidariedade, a sensibilidade e o respeito a si mesmo e a todos.

Em Alagoas, exemplos fartamente oferecidos por homens públicos são, salvo exceções, assimilados pela juventude, traçando um panorama nada recomendável para o futuro do Estado. Espelhando-se na usura e no oportunismo dessa casta que consegue se eleger intimidando, comprando votos ou fraudando urnas, jovens cultuam, sem remorsos, atos como agredir pais, professores e idosos, praticar pequenos (e grandes) furtos, morrer e matar no trânsito por dirigir em velocidade extremada, e “segue o féretro”…

Ao lado de práticas costumeiras como descompromisso, desvio de verbas e outras formas de corrupção, o homem público de Alagoas (salvo raras exceções) não vê nenhum problema em desprezar a educação, a cultura e outros indispensáveis caminhos que levam à dignidade e ao bem-estar da comunidade.

Em meio a tanta bandalheira emergem sugestões que merecem atenção especial, como a alternativa de deseleger quem desonra o mandato. Consistiria no seguinte: os eleitores convocariam eleições revocatórias, questionando a manutenção do mandato de alguém e solicitando voto destituinte, deseleição, destituição. Infelizmente, esse direito inalienável ainda é pouco debatido no Brasil.

Enquanto passa impune essa caravana da corrupção permanece atual a frase pronunciada por Rui Barbosa em 1914 no Senado Federal:
“ De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

Ainda mais atuais são as palavras da poeta Elisa Lucinda:

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
” – Não roubarás!”
” – Devolva o lápis do coleguinha!”
” – Esse apontador não é seu, minha filha!”
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
“ – Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer:
”- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
” – É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
” – Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.

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Brincar o carnaval e depois curar a ressaca


09/02/2010 - 14:36 -

ressacaBeber, beber…pular, pular… e vem a ressaca. É inevitável… Mas há meios de combatê-la. Beber muita água ajuda muito, pois o álcool é um diurético que pode “secar” o organismo. O melhor então é beber bastante água na manhã seguinte para compensar a desidratação. Além disso, a água dilui os componentes da bebida alcoólica no estômago e melhora os sintomas de mal-estar abdominal.

Outro truque para “driblar” a ressaca é apelar para a torrada queimada na manhã seguinte. A parte tostada filtra as impurezas da bebida alcoólica e contribui para eliminar a intoxicação.

Comer gorduras ao beber é outro preventivo eficiente contra a ressaca. Afinal, alimentos gordurosos, se ingeridos antes da bebida alcoólica, “engraxam” a camada interna dos intestinos, fazendo com que o álcool leve mais muito tempo para ser absorvido pelo organismo. Tomar uma colher de azeite de oliva antes de beber produz efeito semelhante.

Na manhã seguinte, alimentar-se bem ajudará a aliviar a ressaca. Uma refeição leve, com frutas e sucos, pode ajudar bastante.

Cuidado com esse negócio de “rebater” a bebida com outra bebida na manhã seguinte. Tomar uma pequena dose e elevar o nível de álcool no sangue poderá até fazê-lo sentir-se bem por um pequeno período. No entanto, isso não é recomendável porque o nível de álcool sanguíneo mais elevado terá que ser diminuído eventualmente, além de ser um hábito que pode conduzi-lo ao alcoolismo.

Apesar de todos esses truques, é bom saber que não existe “fórmula mágica” que evite completamente a ressaca. Quem beber muito terá que pagar por isso no dia seguinte.

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Humildes heróis fazem folclore subsistir


06/02/2010 - 10:25 -

guerreiro2Em Alagoas, o Carnaval e manifestações como festas juninas e Natal fazem emergir as cores e a diversidade do folclore nas diferentes regiões do Estado. Cortadores de cana, funcionários públicos, domésticas, estudantes, homens e mulheres em geral retiram do armário – nessas épocas festivas – indumentárias de folguedos como Reizado, Guerreiro (foto) e Chegança para “cair na folia”.

Da insensibilidade de quem administra o poder público advém a falta de apoio para que essa riqueza cultural se expresse com dignidade. A sobrevivência de tão importante tesouro alagoano recai, em condições extremamente precárias, nas costas de heróis humildes. Nossas raízes já teriam sido totalmente dizimadas não fosse a abnegação de nomes, entre outros, como Mestre Benon, Eudora Vasconcelos, Jeane Darc, Áurea de Barros, Djalma José de Oliveira, Luzia Simões da Silva, Nelson Vicente Rosa e Manoel Venâncio de Amorim.

Que falta faz a valiosa dedicação do professor Ranilson França, que levou para o Brasil inteiro a beleza do folguedo alagoano! Pesquisador incansável, ele interagia em Alagoas com os demais Estados para mostrar a autenticidade do Coco, da Chegança, do Bumba-meu-boi, do Fandango, do Quilombo, das Taieiras e das demais manifestações que expressam a linguagem popular alagoana.
“Um povo sem cultura é um povo sem alma”, costumava dizer Ranilson quando se deparava com os argumentos negativos de quem tinha poderes nas mãos, mas relegava ao desprezo a cultura popular de Alagoas, Estado onde, aos trancos e barrancos, subsistem mais de 27 diferentes tipos de folguedos e danças, resultantes, em suas diferentes formas, cores e ritmos, da mistura de manifestações européias, africanas e indígenas.

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A elogiada musicalidade alagoana


26/01/2010 - 13:58 -

musicosalagoanos_boibumbarteImpressionados. Assim ficam turistas e nativos quando se deparam com a qualidade artística de cantores, instrumentistas e compositores que animam bares e casas de shows de Maceió. A quantidade e a diversidade de talentos também impressionam. São frequentes e numerosos os elogios de quem se sente brindado com as vozes femininas e masculinas e a performance instrumental em barracas da orla, restaurantes, auditórios e espetáculos ao ar livre. Representa um “plus a mais”, somando com a inebriante paisagem natural alagoana.

A excelência versátil de músicos que alegram noites e dias ensolarados da cidade tornaram Maceió referência nacional quando o assunto é música ao vivo. Empresários do entretenimento de outros Estados aqui chegam a todas as épocas do ano para, “in loco”, conferir esse cenário acústico povoado pela MPB, pelo forró, pelo rock’n’roll e até pelo brega.

Não são poucos os desfalques em Alagoas por conta de convites para apresentações e gravações em outras partes do Brasil e do mundo. É o caso do multiinstrumentista Billy Magno, agora em São Paulo, da cantora Fernanda Guimarães, agora no Rio de Janeiro e do guitarrista Norberto Vinhas, em turnê ao lado de nomes consagrados.

Outros saíram há mais tempo, como Fernando Nunes (baixista que tocava com Ivan Lins e Cássia Eller e hoje acompanha Zeca Balero), Carlos Bala (baterista sempre convocado para tocar com Djavan, Chico Buarque, Roberto Carlos, Gal, Caetano, Simone, Bethânia e por aí vai) e João Lyra (violonista preferido de Roberto Carlos, Zizi Possi, Emílio Santiago e Gilberto Gil). Outros saíram há mais tempo ainda, como Hermeto Paschoal, Djavan, Fernando Melo (Duofel) e Herman Torres (que fez parte da Gang 90 e compôs sucessos como “Caminhos do Sol”), para citar apenas estes.

Felizmente, o amor à terra (não faltam convites) faz com que finquem pé em Alagoas, apesar da insensível ausência de apoio oficial, talentos como Mácleim Carneiro (compositor admirado até no exterior), Eliezer Setton (que compôs músicas regionais gravadas por nomes como Elba Ramalho e Mastruz com Leite), Allan Bastos (cantor e violonista que gravou em sua própria casa um excelente CD), João Paulo (exímio guitarrista que arrancou rasgados elogios de Sérgio Dias, dos “Mutantes”), Sóstenes Lima (compositor que vence festivais país a fora), Júnior Almeida (autor de “A cor do desejo”, música gravada por Ney Matogrosso em seu último CD), Zailton Sarmento (multiinstrumentista), Chico Elpídio (violonista e compositor), Cris Braun, Wilma Miranda, Irina Costa, Lene, Leureny, Lucy, Elaine Kundera e Nara Cordeiro (cantoras de voz privilegiada), Wado, Ibys Maceió, Raphael, Almir Lopes, Osman, Wilson Miranda, Almir Medeiros, Baygon… Impossível citar todos…

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Big Besteirol Brasil dissemina inutilidades


15/01/2010 - 10:37 -

Big-Brother-765717Novos “heróis” adentram à casa mais vigiada do Brasil para “fazer a cabeça” de milhões de brasileiros. Do Oiapoque ao Chuí, jovens (e muitos nada jovens) espelham-se nas criaturas criteriosamente selecionadas para confrontar suas personalidades bizarras e garantir audiência para a emissora.

Não por acaso, com raras exceções, programas do naipe do BBB são esmerados com zelo pela Rede Globo, complexo da mídia que emergiu juntamente com o regime militar e ganhou prestígio e poder principalmente nos chamados “anos de chumbo”.

Os “heróis” do Pedro Bial e do Boninho foram escolhidos para disseminar noite e dia sua “sabedoria”, seu “exemplar jeito de ser” e suas baboseiras (esta palavra é sem aspas mesmo) para uma massa imensa de pessoas desabituadas à leitura de livros ou jornais. Movidos pela ganância e desinteresse com o bem-estar geral, potenciais veículos de uma cultura saudável e enriquecedora fazem – impunemente – opção pela audiência através de inutilidades e idiotices que proliferam malefícios e atrocidades.

Sem entrar no mérito das denunciadas “manipulações” desse impropriamente chamado “reality show” que há dez anos ocupa mentes carentes deste país, é evidente que a propagação de qualidades como solidariedade e gentileza são propositalmente evitadas em programas desse tipo para não “despertar consciências”.

Afinal, a história entre dominantes e dominados demonstra que rixas e desentendimentos entre iguais são eficientes para dividir forças e prover um sistema apodrecido e incapaz de apontar soluções para a caótica condição social que aflige multidões.

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Carnaval é festa do povo e ninguém tasca!


02/01/2010 - 12:03 -

entrudo1Natal passou, Ano Novo passou, agora vem Carnaval! Corações e mentes voltam-se para a folia do Rei Momo, enquanto candidatos e partidários direcionam as atenções para as eleições. E ainda tem Copa do Mundo no meio do caminho! Haja ventos, eventos e acontecimentos neste 2010!

Samba no Sul, axé e frevo no Nordeste, carimbó e bumba-meu-boi no Norte. O Continente Brasil já está com suas orquestras prontas para disparar os acordes e ritmos que vão animar multidões nas diferentes regiões. Nada há no mundo que se compare a essa rica e saudável multiplicidade cultural.

Há fortes indícios de que o Carnaval (nome derivado do latim que significa “abstenção da carne” para anunciar a chegada da Quaresma) começou com as brincadeiras violentas do entrudo português ( foto), quando uns jogavam nos outros ovos podres, fuligem, água e farinha. Essa manifestação chegou ao Brasil nos anos 1600.

As arruaças que tinham bumbos e tambores como “pano de fundo” vieram com o “Bloco do Zé Pereira”, em meados dos anos 1800. Só depois os foliões passaram a incorporar tradições européias como máscaras, adereços e fantasias que resultaram no Pierrô, na Colombina, no Rei Momo e nos bailes de mascarados das ruas e salões.

Até chegar à forma atual, o carnaval brasileiro passou pelos corsos e pelos cordões. A primeira Escola de Samba, a “Deixa falar”, foi criada pelo sambista Ismael Silva em 1928. As marchinhas pontuaram a festa em meados do século passado. Algumas são muito conhecidas no mundo inteiro, a exemplo de “Mamãe eu quero”, do alagoano Jararaca (a composição brasileira mais conhecida no planeta).

As gigantescas dimensões de hoje manifestam-se de maneira diversa nas diferentes regiões do Brasil: Rio e São Paulo com desfiles das escolas de samba; Bahia com blocos uniformizados para dançar os axés dos trio-elétricos; Pernambuco com o frevo e os bonecos gigantes; Amazonas com o azul e o vermelho dos bois Caprichoso e Garantido; Maranhão com o bumba-meu-boi; e por aí vai…

Uma mina de dinheiro que envolve multidões nos quatro cantos do país, o Carnaval veio sendo alterado para novas feições ao longo dos anos. Na ânsia de faturar cada vez mais, espertos empresários investem alto para elitizar a festa popular, criando modismos e vendendo normas para “forçar” a massa a gastar para optar por este ou aquele bloco, por um lugar em sambódromos, entre outras manipulações que discriminam, até mesmo nas ruas, aqueles que, financeiramente, podem menos. Ou seja: a maioria, em sua imensidão.

Mas a festa é do povo e ninguém tasca! Afinal, o Carnaval, no dizer de Chico Buarque, é “…uma canção, um só cordão e uma vontade de tomar a mão de cada irmão pela cidade…”

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Hipócritas também desejam Feliz Ano Novo


30/12/2009 - 12:05 -

aquecimentoSufocados por fuligens, gases poluentes, motosserras devastadoras, geleiras derretidas, tsunamis, eis que nos chega 2010.
Enquanto houver uma nesga de qualquer coisa liberando oxigênio, a cartilha do lucro e do poder prevalecerá norteando a insensatez de governantes. “Danem-se o planeta e a vida! O que importa é faturar e mandar!”. Assim pensam lideranças políticas e econômicas principalmente das nações do chamado “primeiro mundo” (embora a saúde desse “mundo” pareça não despertar a preocupação dessas “inteligências”).

Como esperar atitudes sensatas dentro de um sistema onde a matança coletiva através de guerras é a regra do jogo? Claro exemplo dessa insanidade é o fracassado encontro de Copenhague, que praticamente resultou em nada. A derradeira esperança de que algo começaria a ser feito esvaiu-se num evento até mais decepcionante que o encontro de Kyoto, cujo protocolo ficou muito aquém do mínimo indispensável.

A saudável pressão das ruas em defesa da natureza foi imensa, mas ainda ineficiente diante do imediatismo que rege a competição entre países. A marcha de 12 de dezembro, que reuniu mais de cem mil pessoas, pode ser comparada com alguém sepultado vivo tentando abrir a tampa do caixão para alcançar o oxigênio. Mas para que respirar! O que interessa é lucrar e dominar! É isso, ao que parece, o que sugerem as elites que mandam em tudo.

Assistindo um excelente documentário sobre os cataclismas que transformam radicalmente o planeta a cada 30 milhões de anos, me ocorreu que as relações políticas e econômicas que comandam a humanidade conseguiram condensar em apenas algumas centenas de anos – mais intensamente nas últimas décadas – condições catastróficas que levariam milhares de séculos para se manifestar.

Os episódios que culminaram com a extinção de 75 por cento de todas as espécies vivas da terra após a era glacial não tiveram participação humana, mas não é difícil imaginar que a tragédia teria sido ainda pior se tal participação tivesse havido dentro das regras de hoje.

O debate sobre medidas contra o aquecimento global na Dinamarca produziu um acordo débil por conta do bloco industrializado e principalmente da aliança entre Estados Unidos e China, países que rejeitaram as propostas que visavam a redução pela metade das emissões globais de gases do efeito estufa. Esse fenômeno – advertem cientistas – gera altas incomuns da temperatura global, alcançando hoje os maiores níveis desde 1750.

Duramente criticado por ONGs como Fundo Mundial para a Natureza, Oxfam, Avaaz e Amigos da Terra, o Acordo de Copenhague frustrou as mentes sadias.
Mais uma vez os países ( especialmente os mais ricos) condenaram milhões de pessoas ao sofrimento em consequência do aceleramento da mudança climática.

É por essas e outras que esses articuladores do caos mentem indecorosamente quando nos desejam “Feliz Ano Novo”.
Porém, não é esse o caso daqueles que, assim como nós, gostam da vida e do bem-estar social: somos plenamente sinceros quando desejamos a todos FELIZ 2010!

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A aflição do desemprego em Alagoas


22/12/2009 - 13:10 -

desemprego-para-os-jovensEntre os incontáveis problemas sociais que afligem Alagoas, o desemprego é um dos mais aflitivos. Embora amenizado nos períodos natalinos, assume proporções dramáticas nas demais épocas do ano.
Ao chegarem à idade de ingressar no mercado de trabalho, os jovens alagoanos se vêem acuados diante da falta de opções tanto no comércio quanto na indústria, onde o monopólio das usinas de açúcar limita a diversificação industrial.
Dados do Ministério do Trabalho divulgados em abril revelaram Alagoas como líder no ranking de desemprego no Nordeste. No setor da agroindústria da cana-de-açúcar o número de desempregados sempre aumenta substancialmente nos períodos de entressafra, jogando na desocupação milhares de trabalhadores sem qualificação, que passam a depender basicamente de benefícios do governo federal.
O baixo nível do ensino e a falta de alternativas para qualificar a mão-de-obra e direcioná-la para diferentes especializações contribuem para agigantar o drama. Como resultado, aqueles que evitam a opção de sucumbir para a criminalidade e para as drogas incham o chamado “trabalho informal”, ocupando as ruas centrais de Maceió e cidades do interior para vender produtos piratas, roupas populares e alimentos. Infelizmente, não são poucos os que optam pelo crime e pelo vício, fazendo com que Alagoas seja também “campeã” nacional em assassinatos de jovens e outros tipos de violência.
Entra governo, sai governo e indústrias de grande e médio portes deixam de ser instaladas no Estado por diferentes motivos, entre eles a ausência de atrativos fiscais eficazes e a falta de interesse em tirar da penúria uma sofrida população que há quatro séculos amarga a desassistência na qualificação profissional, na educação, na saúde e nos etecéteras.
Permanece o desafio para quem administra Alagoas: educar, qualificar e criar diferentes alternativas de emprego com dimensões de competir com o monopólio sucroalcooleiro.

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