Posts para a tag ‘criança’

Abuso sexual de crianças ocorre em todas as classes, mas pobres são os que mais denunciam

domingo, fevereiro 7th, 2010

Crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes nĂŁo tĂȘm endereço certo e ocorrem em diversos setores da sociedade. Pobres e ricos sĂŁo vĂ­timas dessa forma de violĂȘncia.

“O abuso sexual no Brasil reza missa, dirige culto, Ă© doutor, tem mandato e disputa eleição. EstĂĄ nos tribunais, no conselho tutelar e na creche. Mora em condomĂ­nios, mas tambĂ©m estĂĄ desempregado. Bebe uĂ­sque e cachaça. É a prĂłpria cara da sociedade abusando das nossas crianças”, diz o presidente da ComissĂŁo Parlamentar de InquĂ©rito (CPI) da Pedofilia, senador Magno Malta (PR-ES).

Entretanto, segundo a coordenadora do Programa Nacional de Enfrentamento da ViolĂȘncia Sexual contra Crianças e Adolescentes, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Leila Paiva, quem costuma fazer denĂșncia de abuso sexual sĂŁo pessoas das camadas mais pobres.

“A violĂȘncia sexual nĂŁo Ă© uma violĂȘncia de classe. Mas a violĂȘncia que chega Ă  esfera pĂșblica Ă© uma violĂȘncia de classe”, explica Leila, que tambĂ©m Ă© responsĂĄvel pelo serviço Disque 100, que recebe denĂșncias de violĂȘncias contra crianças e adolescentes. “As classes A e B tambĂ©m tĂȘm vĂ­timas, mas nĂŁo denunciam”, destaca a coordenadora.

A psicĂłloga Karen Michel Esber, autora do livro Autores de ViolĂȘncia Sexual contra Crianças e Adolescentes, alerta para o fato de que os nĂșmeros oficiais nĂŁo representam o total de casos.

“No silĂȘncio dos muros das casas das classes A e B, ninguĂ©m fica sabendo. A denĂșncia nĂŁo acontece por medo ou por vergonha. HĂĄ mulheres que pensam ‘o que eu vou fazer sem esse marido?’. Nas classes populares, hĂĄ mais visibilidade e a vizinha denuncia para o conselho tutelar.”

A titular da Delegacia de Proteção Ă  Criança e ao Adolescente (DPCA) de BrasĂ­lia, GlĂĄucia Cristina Ésper, confirma que os mais pobres denunciam mais do que as pessoas de classe mĂ©dia ou alta.

“O sexo Ă© um tabu. Quem que as pessoas carentes tĂȘm para procurar ajuda? Correm para a porta da polĂ­cia. As pessoas com poder aquisitivo maior nĂŁo querem registrar ocorrĂȘncia.”

GlĂĄucia Ésper destaca a importĂąncia de que as pessoas mais pobres tenham acesso a canais de denĂșncias na prĂłpria comunidade. Ela cita o exemplo da DPCA de CeilĂąndia, cidade a 30 quilĂŽmetros de BrasĂ­lia, que recebe um grande nĂșmero de registros de abuso.

“A pessoa carente, Ă s vezes sem dinheiro para comer, vai pagar um ou dois ĂŽnibus para chegar Ă  Asa Norte [ĂĄrea central de BrasĂ­lia] para registrar uma ocorrĂȘncia?”

Para a delegada, a presença e proximidade do Estado nas comunidades mais pobres Ă© fundamental. “A delegacia estando mais prĂłxima, as pessoas procuram mais.”

 

Fonte: AgĂȘncia Brasil

Create PDF    Enviar artigo em PDF