Amizade boa se costura com cordas de violão, e se decide em mesa de bar (se ainda há, na sua cidade, um bar que o permita; caso contrário, recomenda-se o quintal de casa, ou a varanda do apartamento – mas nunca a sala, que o ambiente claustrofóbico dessas moradas de joão-de-barro pode fazer a amizade abafar; tem que ser a varanda, pois basta uma nesga de céu pra levar os olhos longe e libertar o coração).
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Amizade boa, de amigo-irmão, é um contrato silencioso, cujos termos se vão escrevendo no papel invisÃvel do tempo à medida que a música flui, que as garrafas secam (politicamente incorreto!), que o cinzeiro enche (politicamente incorreto!), que os olhos fraternais se encontram entre acordes do afeto e sorrisos da certeza.
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E digo mais: quanto ao pacto dos amigos, dispense as testemunhas (ao casamento, indispensáveis) se a amizade foi firmada em porre pesado, desses de dançar no meio-fio. Porque se, no contexto da bebedeira (politica… ah, vá se lascar!), o comportamento do amigo foi impecável; se, fundamente encharcado, ele apenas sorriu docemente, apenas cantou e abraçou os amigos e disse só coisas boas à namorada, você terá o maior atestado de bom coração do homem: o do cara que teve a alma aberta pela cachaça (em posição ginecológica!), e constatou-se que no mais distante abismo de seu coração havia só a ternura.
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José Luiz Pompe, vulgo Pompe, o melhor especialista em Chico Buarque que me foi dado conhecer, o único “comensal de água†que vi tocar e cantar (dentre outros diamantes) a canção CecÃlia (do Chico, claro, em parceria, salvo engano, com Luiz Cláudio Ramos), cujo nome tomei para batizar minha filha (CecÃlia; CecÃlia… isso não é um nome, é uma canção em estado de expectativa), está, no meu conceito e na minha estima, no rol dessas amizades, e é ele, generoso amigo, quem me convida a escrever aqui.
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Convite aceito, venha o futuro!

