Já havia anoitecido. Era sexta-feira e eu estava passando o final de semana na casa dos meus avós. Estávamos na calçada, como era de costume naquele bairro da periferia do Recife. Meu avô ainda não havia chegado do trabalho e o aguardávamos para o jantar. É importante ressaltar que eu estava ansioso por sua chegada, e minha avó fazia brincadeiras de adivinhação para me distrair. TÃnhamos que adivinhar se o carro que se aproximava era, de fato, o do meu avô. Mas era uma tarefa muito difÃcil. Passaram diversos fusquinhas parecidos, um, inclusive, era do mesmo ano e cor.
Enquanto isso, próximo de onde estávamos, no quintal da frente da casa, “Al Caponeâ€, um enorme fila brasileiro, campeão pernambucano em sua categoria, estava dando seu cochilo rotineiro no portão de entrada. Nada parecia o importunar. Nem o gato do vizinho que já tinha dado duas voltas, em cima do muro, para provocá-lo. Mas repentinamente Capone deu um salto. Levantou. Ficou contente. Balançando o rabo e correndo pelo quintal. Seu nariz ficou molhado e ele começou a fazer uns sons de apitos com o focinho. Eu até olhei, mas nem sinal do carro do meu avô. Porém, não demorou 5 minutos e ele chegou. O danado do cachorro tinha ouvido mesmo o carro do meu avô a, pelo menos, dois quarteirões antes dele chegar.
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Ouvido bom para cachorro
Os cães têm o sentido da audição muito desenvolvido (ver vÃdeo aqui). A faixa de frequências que estes animais podem ouvir, em algumas espécies, está entre 10 e 60.000 Hz (nos seres humanos adultos esta faixa está entre 20 e 16.000Hz). Além disso, a percepção da intensidade é algo extraordinário. Eles podem ouvir até próximo a -30 dB (testado em vira-latas), o que chega a superar a média humana em mais de 30x. Por fim, os nossos ouvidos mais treinados (inclui-se as pessoas com ouvidos absolutos) podem perceber diferenças entre frequências de, no máximo, 3 Hz, ou seja, são capazes de distinguir entre 1000 e 1003 Hz. Para os cachorros, esta resolução aditiva pode chegar a incrÃveis 0,3 Hz. Por isso eles podem mesmo diferenciar o ruÃdo do motor de dois carros idênticos que acabaram de sair da concessionária.

Acima, o exame comportamental da audição de diversas espécies de cães. Destaque que para os vira-latas (marrom), que atingem os extraordinários – 30dB. Abaixo, o seu sistema auditivo, muito semelhante ao humano.
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Bibliografia recomendada:
Menezes, Pedro; Caldas Neto, Silvio; Motta, Mauricy. BiofÃsica da audição. São Paulo: Editora lovise, 2005.
Visite o site:
http://www.lsu.edu/deafness/HearingRange.html
Autor: Pedro de Lemos Menezes
Email: pedrodelemosmenezes@gmail.com
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