Posts para a tag ‘Ouvido absoluto’

O super-homem, da audição, é um cachorro.

terça-feira, novembro 24th, 2009

Já havia anoitecido. Era sexta-feira e eu estava passando o final de semana na casa dos meus avós. Estávamos na calçada, como era de costume naquele bairro da periferia do Recife. Meu avô ainda não havia chegado do trabalho e o aguardávamos para o jantar. É importante ressaltar que eu estava ansioso por sua chegada, e minha avó fazia brincadeiras de adivinhação para me distrair. Tínhamos que adivinhar se o carro que se aproximava era, de fato, o do meu avô. Mas era uma tarefa muito difícil. Passaram diversos fusquinhas parecidos, um, inclusive, era do mesmo ano e cor.

Enquanto isso, próximo de onde estávamos, no quintal da frente da casa, “Al Caponeâ€, um enorme fila brasileiro, campeão pernambucano em sua categoria, estava dando seu cochilo rotineiro no portão de entrada. Nada parecia o importunar. Nem o gato do vizinho que já tinha dado duas voltas, em cima do muro, para provocá-lo. Mas repentinamente Capone deu um salto. Levantou. Ficou contente. Balançando o rabo e correndo pelo quintal. Seu nariz ficou molhado e ele começou a fazer uns sons de apitos com o focinho. Eu até olhei, mas nem sinal do carro do meu avô. Porém, não demorou 5 minutos e ele chegou. O danado do cachorro tinha ouvido mesmo o carro do meu avô a, pelo menos, dois quarteirões antes dele chegar.

 

Ouvido bom para cachorro

Os cães têm o sentido da audição muito desenvolvido (ver vídeo aqui). A faixa de frequências que estes animais podem ouvir, em algumas espécies, está entre 10 e 60.000 Hz (nos seres humanos adultos esta faixa está entre 20 e 16.000Hz). Além disso, a percepção da intensidade é algo extraordinário. Eles podem ouvir até próximo a -30 dB (testado em vira-latas), o que chega a superar a média humana em mais de 30x. Por fim, os nossos ouvidos mais treinados (inclui-se as pessoas com ouvidos absolutos) podem perceber diferenças entre frequências de, no máximo, 3 Hz, ou seja, são capazes de distinguir entre 1000 e 1003 Hz. Para os cachorros, esta resolução aditiva pode chegar a incríveis 0,3 Hz. Por isso eles podem mesmo diferenciar o ruído do motor de dois carros idênticos que acabaram de sair da concessionária.

Audição Cachorro

Acima, o exame comportamental da audição de diversas espécies de cães. Destaque que para os vira-latas (marrom), que atingem os extraordinários – 30dB. Abaixo, o seu sistema auditivo, muito semelhante ao humano.

 

Bibliografia recomendada:

Menezes, Pedro; Caldas Neto, Silvio; Motta, Mauricy. Biofísica da audição. São Paulo: Editora lovise, 2005.

Visite o site:

http://www.lsu.edu/deafness/HearingRange.html

Autor: Pedro de Lemos Menezes

Email: pedrodelemosmenezes@gmail.com

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Ouvido absoluto

sexta-feira, novembro 6th, 2009

Em Nova Iorque, no Carnegie Hall , a orquestra filarmônica local é regida com sua capacidade plena. Mais de 100 músicos tocam juntos e permitem que os ouvintes do teatro lotado tenham uma amostra do céu, como o concebemos. Ao menos do ponto de vista musical.

Para mim, sentado na cadeira J45, bem no centro do teatro, tudo parecia irretocável. Mas não. Para o regente não estava tão perfeito assim. Subitamente ele interrompe a apresentação batendo com força a batuta no pedestal. Parecia nervoso. Algo lhe doeu os ouvidos. Então ele falou:

- Segunda fileira de violinos, quarto instrumento, terceira corda, desafinada. Meio semitom acima, por favor!!!

A Beleza do espetáculo dali por diante já não me fazia qualquer diferença. O acontecimento inusitado que revelou o ouvido absoluto do maestro mostrou-me até onde a criação humana pode chegar e o quanto, a maioria de nós, ainda pode crescer.

 

O que é o Ouvido absoluto?

 A capacidade de visualizar mentalmente as freqüências sonoras, o ouvido absoluto (ver documentário), ou de gerar um zumbido de mesmo tom na própria orelha, ouvido absoluto ativo, não parece estar relacionada a nenhuma grande modificação estrutural, porém, a uma tendência dos mecanismos fisiológicos centrais que pode ser estimulada, sobretudo até os cincos anos de idade.

Pesquisas comprovam (ver SACKS, 2007) que podemos treinar os nossos ouvidos para uma jornada musical ainda mais prodigiosa, porém, o fator genético, aparentemente, determina maiores chances para o surgimento desta habilidade.

 

Bibliografia recomendada:

SACKS, OLIVER. Alucinações musicais. Companhia das letras: São Paulo, 2007.

Visita recomendada (treine o seu ouvido):

http://www.ouvidoabsoluto.com.br/

Autor: Pedro de Lemos Menezes

Email: pedrodelemosmenezes@gmail.com

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