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Perda auditiva induzida por música: isso é possível?

terça-feira, dezembro 1st, 2009

 Outro dia eu estava no elevador do prédio onde moro. No quarto andar, o elevador parou. Subiram duas adolescentes com a farda da escola e com fones nos ouvidos. A intensidade era muito forte. Dava para ouvir o som de onde eu estava, e o pior é que cada uma ouvia uma música diferente. Tive a sensação de estar no carnaval “amplificado†de Salvador. Não bastasse o ruído, as músicas eram terríveis. Aquilo não era nem “mau gostoâ€, mas uma “agonia musicalâ€. Gosto, contudo, não se discute. Não via a hora de chegar logo no térreo e descer. Para o meu desespero, no segundo andar, completou o grupo um terceiro adolescente com o mesmo adereço sonoro e na intensidade máxima. Pronto. Para quem tinha alguma dúvida, o elevador era mesmo, literalmente, um “trio elétricoâ€. Prestei atenção, no meio daquele caos, no diálogo entre eles:

− E ai?

− Falou!

− Tá curtindo o que?

− Esse som é rox!!!

Rox!!! O que danado é rox? − Pensei.

Térreo. Finalmente acabou meu sofrimento, suspirei aliviado. Que nada. Antes de saírem, um deles ainda soltou uma gracinha, praticamente gritando: − Tem medo de elevador é, tio? Foi então que tive um “insightâ€: quantos jovens utilizam fones de ouvidos, por quanto tempo e em que intensidade?

 

Música também causa perda auditiva

A música, por mais erudita que seja também pode causar perda da audição. Não é o tipo do ruído que determina a perda auditiva, mas sua intensidade e tempo de exposição. Os tocadores de MP3 ou MP4, utilizados por mais 64% dos estudantes de classe média de São Paulo, e por aproximadamente 100 milhões de pessoas em todo o mundo, chegam, facilmente, aos 120 dB. Intensidade esta suficiente para provocar perda auditiva com utilização diária de menos de 5 minutos. Uma pesquisa realizada pela Deafness Research UK estima que os jovens de hoje ficarão surdos 30 anos mais cedo do que os seus pais. O principal motivo desta previsão desastrosa é o desconhecimento dos efeitos nocivos dos ruídos intensos, e a música pode ser um deles, para a audição humana.

 

Existem diferenças entre os tipos de fones de ouvido

O problema principal dos fones de ouvido é que eles estão muito próximos às nossas orelhas, alguns modelos, inclusive, ficam dentro delas. Esta pequena distância permite uma grande amplificação. Segundo um estudo recente, desenvolvido pelo pesquisador Brian Fligor, de uma maneira geral estes fones podem atingir intensidades prejudiciais para a audição. Entre os modelos testados, os fones que ficam “dentro da orelha†possuem, em média, 5,5 dB de intensidade a mais que os fones que ficam “sobre a orelhaâ€. Estes últimos, então, podem ser utilizados por um pouco mais de tempo. Novos modelos de fones, feitos sob medida, entretanto, são desenhados para bloquear a entrada do conduto, evitam a audição de ruídos externos e permitem ao ouvinte escutar músicas com um volume menor.

 

Quais os limites diários seguros para se ouvir música?

Segundo um Estudo da Universidade do Colorado, estes limites baseiam-se na média de ruído que os tocadores de MP3 são capazes de gerar. Deve-se ainda dar um desconto, diminuindo o tempo de uso, para os aparelhos e/ou fones falsificados, que normalmente atingem uma intensidade maior, porém com menor qualidade.

% do controle do volume Tempo limite antes de ocorrer dano
Até 50% Sem limite
60% 18 horas
70% 4,6 horas
80% 1,2 horas
90% 18 minutos
100% 5 minutos*

Fonte: Universidade do Colorado

* O artigo original fala em 5 minutos, porém como os aparelhos no Brasil atingem 120 dB, não é prudente utilizar mais de 3 minutos.

 

Quando procurar um médico?

A avaliação auditiva deve ser realizada, inicialmente, por um médico especializado, um otorrinolaringologista. Caso você possua um, ou mais, sintomas entre os relacionado abaixo, procure um médico. Não esqueça que ruídos intensos podem causar perdas auditivas irreversíveis.

Sintomas:

  • Costuma pedir aos outros para repetirem o que falaram;
  • Seus amigos reclamam que você não escuta bem;
  • Utiliza aparelhos eletrônicos em volume mais elevado que as outras pessoas;
  • Tem dificuldades para entender diálogos em ambiente com ruído;
  • Fica com dificuldades em acompanhar conversas em grupo;
  • Tem dificuldade para localizar a origem do som;
  • Tem zumbido no ouvido.

Veja uma reportagem aqui

Visitas recomendadas:

1. Sociedade Brasileira de Otologia

2. Matéria da Folha online

3. Matéria do Jornal O Globo online

4. Artigo sobre perda auditiva dos fanáticos por música

Bibliografia recomendada:

1. MP3 Players and Hearing Loss: Adolescents’ Perceptions of Loud Music and Hearing

2. Hearing loss and iPods: What happens when you turn them to 11?

Autor: Pedro de Lemos Menezes

Email: pedrodelemosmenezes@gmail.com

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Zumbido Incapacitante

terça-feira, novembro 10th, 2009

Após uma semana de muito trabalho, próximo ao final do expediente do meu consultório, entra um senhor de meia idade, aparentando cansaço. Ansioso, balançava ligeiramente o corpo para frente e para trás, com os olhos bastante avermelhados. Parecia que não dormia havia uma semana. O senhor Zé Alfredo, como era chamado, sentou na cadeira e disse:

- Doutor, não consigo mais dormir. É muito barulho. Uma zoeira danada. Não desliga! O zumbido está comendo o meu juízo … (silêncio) … Tem como destruir o meu ouvido? Não quero mais ouvir. Para falar a verdade, desse jeito, não quero mais viver.

Aquelas palavras, para mim, um apaixonado pelas pesquisas do sistema auditivo e sobre os detalhes do seu funcionamento, pareciam incompatíveis com a realidade. Como logo a audição, o único sentido capaz de dar informações à distância do ambiente ao nosso redor, em 360º de percepção, poderia ser tão indesejada para ele?

Pois é! O zumbido atinge mais de 28.000.000 de brasileiros, em sua maioria adultos e com mais de 40 anos de idade (veja reportagem aqui) . Infecções diversas, distúrbios metabólicos, diabetes, hipertensão, perfuração da membrana timpânica, etc, são apenas algumas das causas possíveis do zumbido. Apesar da dificuldade no diagnóstico preciso da origem, alguns tipos possuem, inclusive, causa desconhecida, nem tudo está perdido. Na maioria das vezes existe tratamento.

 

O zumbido pode ser tratado

 Acredite ou não, ligar um rádio ou uma televisão (sem exagerar na intensidade), pode ajudar aquelas pessoas com casos mais simples a dormir, pelo menos, até que elas procurem por ajuda especializada, no caso um otorrinolaringologista. O tratamento é bastante variado, desde antibióticos até reposição de minerais, passando por repouso auditivo e mudança no comportamento alimentar, a depender da etiologia. Nos casos mais graves e de origem desconhecida, o fonoaudiólogo é indicado para que seja feita uma terapia de acomodação, e o paciente “não mais perceba†o zumbido.

 

Bibliografia recomendada:

Qualidade de vida com zumbido

Visita recomendada:

http://www.zumbido.org.br/

 

Autor: Pedro de Lemos Menezes

Email: pedrodelemosmenezes@gmail.com

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