Perda auditiva induzida por música: isso é possÃvel?
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Outro dia eu estava no elevador do prédio onde moro. No quarto andar, o elevador parou. Subiram duas adolescentes com a farda da escola e com fones nos ouvidos. A intensidade era muito forte. Dava para ouvir o som de onde eu estava, e o pior é que cada uma ouvia uma música diferente. Tive a sensação de estar no carnaval “amplificado†de Salvador. Não bastasse o ruÃdo, as músicas eram terrÃveis. Aquilo não era nem “mau gostoâ€, mas uma “agonia musicalâ€. Gosto, contudo, não se discute. Não via a hora de chegar logo no térreo e descer. Para o meu desespero, no segundo andar, completou o grupo um terceiro adolescente com o mesmo adereço sonoro e na intensidade máxima. Pronto. Para quem tinha alguma dúvida, o elevador era mesmo, literalmente, um “trio elétricoâ€. Prestei atenção, no meio daquele caos, no diálogo entre eles:
− E ai?
− Falou!
− Tá curtindo o que?
− Esse som é rox!!!
Rox!!! O que danado é rox? − Pensei.
Térreo. Finalmente acabou meu sofrimento, suspirei aliviado. Que nada. Antes de saÃrem, um deles ainda soltou uma gracinha, praticamente gritando: − Tem medo de elevador é, tio? Foi então que tive um “insightâ€: quantos jovens utilizam fones de ouvidos, por quanto tempo e em que intensidade?
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Música também causa perda auditiva
A música, por mais erudita que seja também pode causar perda da audição. Não é o tipo do ruÃdo que determina a perda auditiva, mas sua intensidade e tempo de exposição. Os tocadores de MP3 ou MP4, utilizados por mais 64% dos estudantes de classe média de São Paulo, e por aproximadamente 100 milhões de pessoas em todo o mundo, chegam, facilmente, aos 120 dB. Intensidade esta suficiente para provocar perda auditiva com utilização diária de menos de 5 minutos. Uma pesquisa realizada pela Deafness Research UK estima que os jovens de hoje ficarão surdos 30 anos mais cedo do que os seus pais. O principal motivo desta previsão desastrosa é o desconhecimento dos efeitos nocivos dos ruÃdos intensos, e a música pode ser um deles, para a audição humana.
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Existem diferenças entre os tipos de fones de ouvido
O problema principal dos fones de ouvido é que eles estão muito próximos à s nossas orelhas, alguns modelos, inclusive, ficam dentro delas. Esta pequena distância permite uma grande amplificação. Segundo um estudo recente, desenvolvido pelo pesquisador Brian Fligor, de uma maneira geral estes fones podem atingir intensidades prejudiciais para a audição. Entre os modelos testados, os fones que ficam “dentro da orelha†possuem, em média, 5,5 dB de intensidade a mais que os fones que ficam “sobre a orelhaâ€. Estes últimos, então, podem ser utilizados por um pouco mais de tempo. Novos modelos de fones, feitos sob medida, entretanto, são desenhados para bloquear a entrada do conduto, evitam a audição de ruÃdos externos e permitem ao ouvinte escutar músicas com um volume menor.
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Quais os limites diários seguros para se ouvir música?
Segundo um Estudo da Universidade do Colorado, estes limites baseiam-se na média de ruÃdo que os tocadores de MP3 são capazes de gerar. Deve-se ainda dar um desconto, diminuindo o tempo de uso, para os aparelhos e/ou fones falsificados, que normalmente atingem uma intensidade maior, porém com menor qualidade.
| % do controle do volume | Tempo limite antes de ocorrer dano |
| Até 50% | Sem limite |
| 60% | 18 horas |
| 70% | 4,6 horas |
| 80% | 1,2 horas |
| 90% | 18 minutos |
| 100% | 5 minutos* |
Fonte: Universidade do Colorado
* O artigo original fala em 5 minutos, porém como os aparelhos no Brasil atingem 120 dB, não é prudente utilizar mais de 3 minutos.
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Quando procurar um médico?
A avaliação auditiva deve ser realizada, inicialmente, por um médico especializado, um otorrinolaringologista. Caso você possua um, ou mais, sintomas entre os relacionado abaixo, procure um médico. Não esqueça que ruÃdos intensos podem causar perdas auditivas irreversÃveis.
Sintomas:
- Costuma pedir aos outros para repetirem o que falaram;
- Seus amigos reclamam que você não escuta bem;
- Utiliza aparelhos eletrônicos em volume mais elevado que as outras pessoas;
- Tem dificuldades para entender diálogos em ambiente com ruÃdo;
- Fica com dificuldades em acompanhar conversas em grupo;
- Tem dificuldade para localizar a origem do som;
- Tem zumbido no ouvido.
Visitas recomendadas:
1. Sociedade Brasileira de Otologia
3. Matéria do Jornal O Globo online
4. Artigo sobre perda auditiva dos fanáticos por música
Bibliografia recomendada:
1. MP3 Players and Hearing Loss: Adolescents’ Perceptions of Loud Music and Hearing
2. Hearing loss and iPods: What happens when you turn them to 11?
Autor: Pedro de Lemos Menezes
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Ouvido de Tuberculoso
– Doutor – vou falar bem baixinho –, o infeliz escuta tudo. Olhe: o homem escuta os passos do carteiro, antes dele bater na porta. Descobre qual vai ser o almoço pelos barulhos das panelas. A vizinha, só fala agora aos cochichos, senão o condenado ouve e faz questão de espalhar a fofoca para rua inteirinha. Ele já implica com a minha vizinha!
– Implico não, Maria! Ela é que é uma chata – retrucou o tuberculoso do quarto de hóspedes, nos fundos da casa.
– Pois é. Ta vendo? O miserável deu para escutar até os meus pensamentos. Outro dia, eu tava na cozinha pensando como seria a minha vida sem ele e, de repente, ele gritou: – sem mim você não vive nêga! Então, doutor, o senhor pode examiná-lo?
“Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse.
– Diga trinta e três – pediu o médico da famÃlia.
– Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
– Respire. O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possÃvel tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.â€
 Poesia: Pneumotórax – Manuel Bandeira
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Qual a origem do termo?
O verbete “ouvido de tuberculosoâ€, também conhecido como “ouvido de tÃsicoâ€, foi descrito, pelo Novo dicionário da gÃria brasileira (1956), como “grande acuidade auditivaâ€. O termo empregado atualmente refere-se a uma audição acima do normal. A tuberculose, porém, efetivamente, não melhora a audição dos doentes.
A expressão recorrente que ocupa o imaginário popular tem duas origens históricas prováveis. Na primeira delas, o tuberculoso, numa tentativa desesperada de evitar a solidão, fruto do isolamento absoluto o qual os mesmos eram submetidos para evitar o contágio, procura ouvir qualquer tipo de ruÃdo, por menos intenso que seja, para, assim, sentir-se, mais uma vez, vivendo em sociedade. Na outra versão, a discriminação social imposta aos pacientes com tuberculose promove conversas veladas a respeito da doença. O enfermo, desconfiado, fazia um esforço sobre-humano para ouvir os comentários a seu respeito, numa tentativa heróica de buscar mecanismos para se proteger.
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A tuberculose e a audição
A tuberculose, conhecida como “peste cinzenta†ou tÃsica pulmonar, é uma doença infecciosa causada pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis). Sua disseminação ocorre por gotÃculas no ar que são expelidas quando pessoas com tuberculose tossem, espirram etc. O tratamento é conduzido com diversos antibióticos combinados, a critério médico. Muitos destes antibióticos, a exemplo da estreptomicina, entretanto, são prejudiciais à audição (ototóxicos) e causam perda auditiva, sobretudo com a sua utilização prolongada. Assim, pode ser encontrada uma infinidade de estudos referindo os prejuÃzos auditivos dos pacientes com tuberculose. Timóteo (2003), por exemplo, observou que 75,1% destes pacientes apresentaram algum tipo de alteração auditiva. Estes estudos, dessa forma, desmistificam a imagem de um tuberculoso super-ouvinte.
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Pode haver uma explicação cientÃfica
A manifestação da tuberculose acontece, predominantemente, na laringe. Contudo, em alguns casos, pode manifestar-se no ouvido (orelha média e externa). Além disso, em torno de 5% dos casos de infecções repetitivas no ouvido com pus (otite média crônica supurativa) são causadas pela referida doença. Soma-se ao quadro de tuberculose, um paciente muitas vezes debilitado, deitado numa cama, se alimentado de lÃquidos, o que aumenta em muito as chances de ocorrerem problemas no ouvido. Infecção muitas vezes vem associada a um sintoma conhecido como “plenitude auricular†(sensação de ouvido cheio), mais comum com o agravamento do caso. Pois bem, o ouvido “tapado†produz um tipo de efeito conhecido como “efeito oclusãoâ€, que diminui a entrada no sistema auditivo de sons externos, aliado ao isolamento do enfermo, e resulta em um melhoramento da condução (óssea) dos ruÃdos internos. Assim, o sujeito escuta melhor os ruÃdos que produz, como sua respiração e seus batimentos cardÃacos, e sua voz parece mais forte do que o habitual.
O Efeito oclusão pode ser testado tapando-se os dois ouvidos com os dedos, de maneira a vedar completamente a passagem do conduto auditivo. Teste, e constate você mesmo, como sua audição “melhora”. Assim, pode ser esta a explicação mais plausÃvel para a origem da expressão “ouvido de tuberculosoâ€.
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Bibliografia recomendada:
Lima, Maria Luiza Timóteo. Tratamento para tuberculose com estreptomicina: perfil audiológico e vestibular. 2003. 115f. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) Universidade Federal de Pernambuco, Recife. (Dissertação aqui).
Veja um exemplo de um “ouvido de tuberculoso seletivo†aqui.
veja uma exemplo do “efeito oclusão” aqui.
Visite os sites:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tuberculose
http://www.estacaocapixaba.com.br/folclore/coletanea/coletanea_92_tuberculose_folclore.htm
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Bibliografia complementar:
1. Fajardo CMH, Ostos SIM. Tuberculosis de oido a proposito de un caso. Acta Otorrinolaringol 1997;9(1):23-8.
2. Vaamonde P, Castro C, Garcia Soto N, Labella T, Lozano A. Tuberculosis otitis media: A significant diagnostic challenge. Head Neck Surg 2004;130(6):759-66.
3. Greenfield BJ et al. Aural tuberculosis. Am J Otol 1995;16(2):175-82.
4. Giner AR, Fortuny JC, Iranzo C,Sarroca E, Palomar V. Otitis media tuberculosa. Anales ORL Iber-Amer 1990;5:553-60.
5. Vital V, Printza A, Zaraboukas T. Tuberculous otitis media: a difficult diagnosis and report of four cases. Pathol Res Pract 2002;198:31-5.
6. Midholm A, Pedersen B. Primary tuberculosis otitis media. J Laryngol Otol 1971;85(1):1195-2000.
7. Sens P, Clemente R, Valle O, C Costa, Angeli M. Relato de caso: tuberculose de orelha, doença profissional? Rev. Bras. Otorrinolaringol. 2008:74(4): 621-7.
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Autor: Pedro de Lemos Menezes
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O super-homem, da audição, é um cachorro.
Já havia anoitecido. Era sexta-feira e eu estava passando o final de semana na casa dos meus avós. Estávamos na calçada, como era de costume naquele bairro da periferia do Recife. Meu avô ainda não havia chegado do trabalho e o aguardávamos para o jantar. É importante ressaltar que eu estava ansioso por sua chegada, e minha avó fazia brincadeiras de adivinhação para me distrair. TÃnhamos que adivinhar se o carro que se aproximava era, de fato, o do meu avô. Mas era uma tarefa muito difÃcil. Passaram diversos fusquinhas parecidos, um, inclusive, era do mesmo ano e cor.
Enquanto isso, próximo de onde estávamos, no quintal da frente da casa, “Al Caponeâ€, um enorme fila brasileiro, campeão pernambucano em sua categoria, estava dando seu cochilo rotineiro no portão de entrada. Nada parecia o importunar. Nem o gato do vizinho que já tinha dado duas voltas, em cima do muro, para provocá-lo. Mas repentinamente Capone deu um salto. Levantou. Ficou contente. Balançando o rabo e correndo pelo quintal. Seu nariz ficou molhado e ele começou a fazer uns sons de apitos com o focinho. Eu até olhei, mas nem sinal do carro do meu avô. Porém, não demorou 5 minutos e ele chegou. O danado do cachorro tinha ouvido mesmo o carro do meu avô a, pelo menos, dois quarteirões antes dele chegar.
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Ouvido bom para cachorro
Os cães têm o sentido da audição muito desenvolvido (ver vÃdeo aqui). A faixa de frequências que estes animais podem ouvir, em algumas espécies, está entre 10 e 60.000 Hz (nos seres humanos adultos esta faixa está entre 20 e 16.000Hz). Além disso, a percepção da intensidade é algo extraordinário. Eles podem ouvir até próximo a -30 dB (testado em vira-latas), o que chega a superar a média humana em mais de 30x. Por fim, os nossos ouvidos mais treinados (inclui-se as pessoas com ouvidos absolutos) podem perceber diferenças entre frequências de, no máximo, 3 Hz, ou seja, são capazes de distinguir entre 1000 e 1003 Hz. Para os cachorros, esta resolução aditiva pode chegar a incrÃveis 0,3 Hz. Por isso eles podem mesmo diferenciar o ruÃdo do motor de dois carros idênticos que acabaram de sair da concessionária.

Acima, o exame comportamental da audição de diversas espécies de cães. Destaque que para os vira-latas (marrom), que atingem os extraordinários – 30dB. Abaixo, o seu sistema auditivo, muito semelhante ao humano.
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Bibliografia recomendada:
Menezes, Pedro; Caldas Neto, Silvio; Motta, Mauricy. BiofÃsica da audição. São Paulo: Editora lovise, 2005.
Visite o site:
http://www.lsu.edu/deafness/HearingRange.html
Autor: Pedro de Lemos Menezes
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O ruÃdo sagrado e o poder
Não faz muito tempo, resolvi assistir, com a minha famÃlia, a um show de Gilberto Gil e Rita Lee. O evento aconteceu em Recife, minha cidade natal, na maior casa de show da América Latina*, até então conhecida como Classic Hall . Era uma oportunidade única, resolvemos, então, fazer um “sacrifÃcio financeiro” e comprar mesas mais próximas ao palco. Como de costume, chegamos “em cima da hora†e nos dirigimos à s pressas para o local reservado. Logo percebi que o lugar não tinha um projeto acústico adequado e tudo parecia funcionar na velha solução da “gambiarraâ€. As caixas de som estavam todas concentradas nos lados direito e esquerdo do palco e as mesas mais centralizadas.
Quando o show começou, começou também a minha agonia. O som estava tão alto que doÃam os meus ouvidos. DoÃam ainda mais porque eu, como especialista, sabia que estava perdendo minha audição e este tipo de perda é irreversÃvel. Prontamente me dirigi ao engenheiro de som, que normalmente localiza-se naquelas mesas enormes de controle de som no centro das casas de show. Ponderei que o ruÃdo estava muito intenso e ao invés de sentirmos prazer, ao ouvir uma boa música, estávamos irritados com o barulho. Além do mais, baseado na minha distância das caixas de som, aproximadamente 5 m, e da dor que sentia nos ouvidos, concluà que a intensidade era de, pelo menos, 110 dB. No lugar onde ele estava, a aproximadamente 10 m, a intensidade estimada era de mais de 104 dB, o que estava acima do limite máximo para que ele, o profissional que depende da audição, preservasse este sentido tão importante. Uma vez que, à quela intensidade, o máximo de tempo de exposição, sem perda auditiva, era menor que 40 minutos. Para minha surpresa o engenheiro respondeu:
- Senhor, sem “pressão†não presta. As pessoas precisam sentir na roupa a potência do nosso equipamento. Não vou baixar a intensidade.
Voltei para a mesa. Coloquei dois protetores improvisados com guardanapos nas minhas orelhas e nunca mais deixei de andar com um par original deles na minha bolsa.
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Qual a relação existente entre o ruÃdo e o poder?
RuÃdos intensos evocam temor e respeito desde os fenômenos naturais, em tempos remotos (trovões, vulcões e tempestades), passando pelos tambores de guerra, e posteriormente pelos sinos sagrados e os órgãos de tubos das igrejas. As indústrias, sÃmbolos do poder na revolução industrial, tinham permissão para fazer barulho, que se estendiam pela madrugada adentro (Schafer, 1997). Hoje o ruÃdo é cada vez mais presente nas grandes cidades e sua intensidade, até certo ponto, pode determinar a medida do desenvolvimento local. Isto, contudo, não é motivo para orgulho, pois o nÃvel de ruÃdo nestes centros aumenta a cada ano, provacando uma série de problemas para a nossa saúde.
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* Segundo informações da casa de show.
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Bibliografia recomendada:
Schafer, Murray. A afinação do mundo. São Paulo: Editora Unesp, 1997.
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Autor: Pedro de Lemos Menezes
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Mach 3: da lâmina de barbear à velocidade do som
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Rasga o céu, no fim de tarde, um jato supersônico, da força aérea dos estados unidos, capaz de ultrapassar diversas vezes a velocidade do som. Dentro do F-16, um piloto barbudo vê seu avião se desintegrar à medida que a sua velocidade aumenta, Mach 1, Mach 2… De repente… Mach 3… UAU!!!!!! O piloto aparece nu em pêlos (ou melhor, sem eles), de barba feita, e com uma lâmina de barbear da Gillette na mão. Um novo modelo, conhecido como Mach 3, com três lâminas que cortam mais rente e muito mais rápido* (Veja a propaganda aqui).
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Velocidade do som
O fÃsico e filósofo austrÃaco Ernest Mach, no XIX, estudou a ação dos corpos que se movem em altas velocidades e como medir estas precisamente. Pesquisou, ainda, as ondas de choque e sobre como ultrapassar a barreira do som. Em sua homenagem foi criada a unidade Mach (Ma). Definida como a relação entre a velocidade do objeto e a velocidade do som.
Assim, quando um corpo atinge aproximadamente 1.224 Km/h**, que equivale a velocidade do som, seu Mach é 1 (velocidade sônica). Um corpo atinge Mach 3 quando sua velocidade é 3×1.224, ou seja, aproximadamente 3.672 Km/h (velocidade supersônica). Para Ma > 5, as velocidades são conhecidas como hipersônicas.
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O aumento da velocidade acumula ondas de choque na frente do corpo, quando este possui velocidade próxima a da propagação destas ondas. Surge então uma “barreira de ar comprimido†na frente do corpo. Quando o corpo ultrapassa a velocidade do som, ele literalmente quebra esta barreira (veja aqui) e um estrondo fortÃssimo pode ser ouvido.
* Informações do fabricante
** A velocidade varia com a temperatura e pressão locais.
Leitura complementar:
http://en.wikipedia.org/wiki/Ernst_Mach
http://pt.wikipedia.org/wiki/N%C3%BAmero_de_Mach
Autor: Pedro de Lemos Menezes
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O fim da paisagem sonora de alta fidelidade
- Vasculhador, espanador, colher de pau, esteira d’angola, rapa coco e grelha!!!
Podia-se ouvir o vendedor ambulante à distância, mesmo sem a utilização de amplificadores. Era maravilhosa a paisagem musical das cidades grandes décadas atrás, e que ainda persiste em algumas pequenas cidades do interior. Não falo só do comércio, mas de um trem que se ouvia a quilômetros, dos cantos dos pássaros à tardinha, a exemplo do taramelar do casal de araras que voavam solitárias no horizonte. Falo do latido dos cachorros dos vizinhos mais distantes, do farfalhar das folhas das árvores da redondeza e das conversas à beira das calçadas.
Porém, a tão sonhada modernidade, e o progresso, literalmente, limitam nossa percepção da realidade, seja com seus arranha-céus, obstruindo nossa visão, ou com o ruÃdo que invade nossas casas, ensurdece os nossos ouvidos, e mal nos permite conversar com quem está a nossa frente (ver documentário) . Assim, cada vez com a percepção à distância mais reduzida, nos isolamos das coisas ao nosso redor.
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O que é um som Hi-Fi ou Lo-Fi?
Um sistema de alta fidelidade (hi fidelity) é aquele que possui uma relação sinal ruÃdo favorável. No caso das paisagens sonoras são aqueles que o ruÃdo ambiental é baixo e conseguimos perceber claramente o sinal observado. Neste caso o ambiente silencioso permite ao ouvinte escutar muito mais longe. Já na paisagem sonora de baixa fidelidade (low fidelity), recorrente nas grandes cidades, a exemplo das nossas capitais e regiões metropolitanas, os sinais individuais são ofuscados por um denso turbilhão sonoro que deixa nossa percepção do ambiente progressivamente mais reduzida. Então, ou mudamos efetivamente o nosso comportamento em relação a este tipo de progresso, e ter consciência figura o primeiro passo, ou terminaremos trancados sozinhos dentro de um quarto de apartamento com a televisão ligada no último volume.
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Bibliografia recomendada:
Schafer, Murray. A afinação do mundo. São Paulo: Editora Unesp, 1997.
Visita recomendada:
http://territoriosonoro1.blogspot.com/2006/02/projeto-paisagem-sonora-mundial-murray.html
Autor: Pedro de Lemos Menezes
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Zumbido Incapacitante
Após uma semana de muito trabalho, próximo ao final do expediente do meu consultório, entra um senhor de meia idade, aparentando cansaço. Ansioso, balançava ligeiramente o corpo para frente e para trás, com os olhos bastante avermelhados. Parecia que não dormia havia uma semana. O senhor Zé Alfredo, como era chamado, sentou na cadeira e disse:
- Doutor, não consigo mais dormir. É muito barulho. Uma zoeira danada. Não desliga! O zumbido está comendo o meu juÃzo … (silêncio) … Tem como destruir o meu ouvido? Não quero mais ouvir. Para falar a verdade, desse jeito, não quero mais viver.
Aquelas palavras, para mim, um apaixonado pelas pesquisas do sistema auditivo e sobre os detalhes do seu funcionamento, pareciam incompatÃveis com a realidade. Como logo a audição, o único sentido capaz de dar informações à distância do ambiente ao nosso redor, em 360º de percepção, poderia ser tão indesejada para ele?
Pois é! O zumbido atinge mais de 28.000.000 de brasileiros, em sua maioria adultos e com mais de 40 anos de idade (veja reportagem aqui) . Infecções diversas, distúrbios metabólicos, diabetes, hipertensão, perfuração da membrana timpânica, etc, são apenas algumas das causas possÃveis do zumbido. Apesar da dificuldade no diagnóstico preciso da origem, alguns tipos possuem, inclusive, causa desconhecida, nem tudo está perdido. Na maioria das vezes existe tratamento.
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O zumbido pode ser tratado
 Acredite ou não, ligar um rádio ou uma televisão (sem exagerar na intensidade), pode ajudar aquelas pessoas com casos mais simples a dormir, pelo menos, até que elas procurem por ajuda especializada, no caso um otorrinolaringologista. O tratamento é bastante variado, desde antibióticos até reposição de minerais, passando por repouso auditivo e mudança no comportamento alimentar, a depender da etiologia. Nos casos mais graves e de origem desconhecida, o fonoaudiólogo é indicado para que seja feita uma terapia de acomodação, e o paciente “não mais perceba†o zumbido.
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Bibliografia recomendada:
Visita recomendada:
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Autor: Pedro de Lemos Menezes
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Ouvido absoluto
Em Nova Iorque, no Carnegie Hall , a orquestra filarmônica local é regida com sua capacidade plena. Mais de 100 músicos tocam juntos e permitem que os ouvintes do teatro lotado tenham uma amostra do céu, como o concebemos. Ao menos do ponto de vista musical.
Para mim, sentado na cadeira J45, bem no centro do teatro, tudo parecia irretocável. Mas não. Para o regente não estava tão perfeito assim. Subitamente ele interrompe a apresentação batendo com força a batuta no pedestal. Parecia nervoso. Algo lhe doeu os ouvidos. Então ele falou:
- Segunda fileira de violinos, quarto instrumento, terceira corda, desafinada. Meio semitom acima, por favor!!!
A Beleza do espetáculo dali por diante já não me fazia qualquer diferença. O acontecimento inusitado que revelou o ouvido absoluto do maestro mostrou-me até onde a criação humana pode chegar e o quanto, a maioria de nós, ainda pode crescer.
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O que é o Ouvido absoluto?
 A capacidade de visualizar mentalmente as freqüências sonoras, o ouvido absoluto (ver documentário), ou de gerar um zumbido de mesmo tom na própria orelha, ouvido absoluto ativo, não parece estar relacionada a nenhuma grande modificação estrutural, porém, a uma tendência dos mecanismos fisiológicos centrais que pode ser estimulada, sobretudo até os cincos anos de idade.
Pesquisas comprovam (ver SACKS, 2007) que podemos treinar os nossos ouvidos para uma jornada musical ainda mais prodigiosa, porém, o fator genético, aparentemente, determina maiores chances para o surgimento desta habilidade.
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Bibliografia recomendada:
SACKS, OLIVER. Alucinações musicais. Companhia das letras: São Paulo, 2007.
Visita recomendada (treine o seu ouvido):
http://www.ouvidoabsoluto.com.br/
Autor: Pedro de Lemos Menezes
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Olhos Negros
Nasce um forte menino negro de olhos alegres;
Uma pérola que estréia brilhante.
A maior estrela já conhecida, um lider.
A voz, o ritmo e o coração juntos.
Mudou a música e a dança,
Mudou o modo de vestir e de andar, a forma de ouvir.
Mudou até o nosso jeito de ver as músicas.
O mais famoso, o mais vendido, o mais rico e mais excêntrico, nada jamais visto antes.
Tudo aos seus pés estava, e por isso mesmo era peso demais, responsabilidade demais.
Ele não agüentou.
Então o menino começou a desbotar,
Se perdeu, enlouqueceu. Ficou muito doente.
E quanto mais a pele dele clareava, mais sua forma estranha ficava.
Gastou quase tudo que ganhou, regrediu. Minguou.
Não sabia sua cor, não sabia nem mesmo quem era.
Queria ser Peter Pan. Uma eterna criança na terra do nunca.
Talvez fosse mesmo…
O fato é que por estes dias, morreu um senhor branco, de cabelos lisos, fraco, muito debilitado.
Morre, como qualquer outro mortal.
Autor: Pedro de Lemos Menezes
Email: pedrodelemosmenezes@gmail.com
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