Ressonância II
Hoje introduzirei um novo personagem com quem convivi durante muitos anos. Reservar-me-ei o direito de preservar sua identidade. Por tanto, vou me referir a ele, simplesmente, pelo codinome “Léo”. Uma figura peculiar, que tem o dom de atrair problemas, dos mais variados e inacreditáveis. Certa vez, numa noite de sexta-feira, estava Léo no aconchego de seu lar, repousando em sua cama macia e cheirosa. Sentia aquela fragrância de lençol novo, que sua querida mãe tinha acabado de trocar, misturando com um cheiro de cachaça que o infeliz exalava, por ter passado a tarde inteirinha bebendo com a namorada. Mas essa é outra história. Pois bem, seu sono foi repentinamente interrompido por uma frenética campainha que não parava de tocar. Ele, então, levantou e se dirigiu à porta, ainda meio sonolento. No caminho olhou para o quarto da sua mãe, que estava trancado e pensou alto: – Minha mãezinha já está, merecidamente, descansando –. Olhou para o quarto do irmão e refletiu: – Esse inútil! A casa cai e ele não acorda –. Quando abriu a porta, teve um susto. Eram policiais. Eles estavam tensos e procuravam por dois assaltantes de ônibus. “Espere um momento! Eles disseram assaltantes de ônibus? Vamos retroceder um pouco esta história para entendermos o que está acontecendo.”
Recife, sexta-feira. No inicio da noite, duas “almas sebosas” estavam bebendo a “saideira” em frente a um terminal de ônibus, na Av. Caxangá. O lugar estava deserto e o motorista, como de costume, tinha deixado o ônibus ligado, enquanto tomava um cafezinho e esperava à hora da partida. Foi então que eles tiveram a idéia:
– E ai, já dirigisse um ônibus?
– Deve ser muito legal. Dá para sentir a vibração do motor só em pegar na direção.
– Vamos nessa! Mas eu dirijo. Quero provar a potencia do bichano.
Seguiram os dois pela av. Caxangá. Um dirigindo e outro na cadeira do cobrador. Chegaram até a pegar três passageiros, mas estes desceram na parada seguinte, quando perceberam a baderna. Em um dado momento, os dois amigos presepeiros fizeram a seguinte reflexão:
– Bicho, se a gente não levar esse ônibus para algum amigo testemunhar, ninguém vai acreditar em nós!
Assim, resumindo a história, resolveram levar o ônibus para a casa de Léo. O irmão dele viu os amigos pela janela, e os escondeu em seu quarto. Quando os policiais questionaram a possibilidade de procurar os bandidos na casa, Léo, prontamente, mandou-os entrar, fazendo uma única ressalva para estes não acordarem sua mãe, que estava muito cansada. No final da história, foram todos para a delegacia, inclusive a mãe de Léo, e ficaram detidos até que toda a confusão fosse esclarecida.
Além da Perda Auditiva
Como já foi discutido na postagem anterior, o ruído pode causar sérios danos à saúde, além da perda auditiva. A exposição à altas intensidades de ruídos com baixa frequência pode causar vibrações da massa corporal. Assim, vibrações ósseas podem chegar aos limites da tolerância humana, sendo associada não apenas à problemas fisiológicos mas à algumas patologias também.
Vibrações de mãos e braços
O corpo humano pode ser vibrado como um todo, a exemplo das vibrações transmitidas quando este encontra-se em um ônibus, como visto na história acima, tratores, britareiras ou até mesmo em veículos de passeio. Deste modo, foram criados limites máximos de exposição à ruídos para as diferentes frequências, que são utilizados na indústria automobilística, na tentativa de se diminuir os riscos para a saúde das pessoas.
Trabalhadores fadados à perder a audição
Mesmo com todas as medidas preventivas adotadas para a manutenção da saúde dos trabalhadores, em algumas situações, a perda auditiva não pode ser evitada. Isso porque a intensidade supera os limites de atenuação da grande maioria dos equipamentos de proteção individuais (os protetores auriculares) que é de, no máximo, 30 dB (ou um pouco mais, apenas para altas frequências). Assim, para um trabalhador que utiliza uma britadeira, que pode atingir 125 dB (A) a um metro de distância do medidor, o protetor auricular irá atenuar a intensidade para, aproximadamente, 95 dB (A). O que limitaria a jornada de trabalho deste para 2 horas ou menos. A diminuição desta jornada, no entanto, como se sabe, nunca é respeitada. Tudo isso, sem contar com a energia mecânica que é transmitida diretamente pelas mãos e pelos braços.
Emprego para deficientes auditivos
A partir do relatado, então, defendo que postos de trabalho que possuam exposição à ruídos muito intensos, e que normalmente não podem ser atenuados por protetores, devem ser, preferencialmente, ocupados por deficientes auditivos. A exemplo do que já acontece na contratação de deficientes visuais para revelação de filmes, em câmara escura.
Veja um vídeo sobre poluição sonora nos terminais rodoviários (Aqui)
Visita recomendada:
1. Limites de atenuação dos protetores auriculares
2. Efeitos da colocação dos protetores para a conservação auditiva
Bibliografia recomendada:
MENEZES, Pedro de Lemos (Org.), CALDAS NETO, Silvio (Org.), MOTTA, Mauricy (Org.). Biofísica da Audição. São Paulo: Lovise, 2005. 192 p.
GERGES, S.N.Y. Ruído: Fundamentos e controle. 2. ed. Florianópolis: NR Editora. 2000. 676p.
BECKMAN, K.A.F. Ruído: um risco ocupacional. Terapia ocupacional. 2002.
Autor: Pedro de Lemos Menezes
Email: pedrodelemosmenezes@gmail.com
Postagens: Todas as quartas
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sábado, 9 de janeiro de 2010 às 23:46
Parabéns pelo bom trabalho! sensacional!
domingo, 10 de janeiro de 2010 às 1:08
Muito obrigado Brenda!
domingo, 10 de janeiro de 2010 às 11:53
Como sempre Pedro, muito interessante as coisas que você escreve…saiba que esse post rendeu uma pauta para uma reportagem especial que será veiculada no Jornal Meio Norte, Piauí. Parabéns e continue com o bom trabalho…
domingo, 10 de janeiro de 2010 às 12:41
Oi Simone,
Muito obrigado pelos comentários. É muito bom saber que este blog, cada vez mais, informa as pessoas.
domingo, 10 de janeiro de 2010 às 19:37
Caro Pedro, tenho acompanhado e divulgado seu blog junto aos alunos de Musica da UFAL. Informações muito preciosas para os que lidam com som como os musicos.
Obrigada.
Como sugestão alem dos livros de Murray Schafer acabei de ler um livro nesta linha que recomendo aos interessados: Alucinações musicais de Olivier Sacks.
Um ABRAÇO
Rita Name
domingo, 10 de janeiro de 2010 às 19:45
Prezada Rita,
Muito obrigado pela divulgação. O livro de Oliver Sacks é uma ótima sugestão. Muito gostoso de ler e com informações preciosas.
Tenho lido (e re-lido) ótimos livros, recentemente. Tenho sintonizado muito com Schafer desde o livro “ouvido pensante”. Mas “afinação do mundo”, mesmo sendo antigo é um livro maravilhoso” e com conceitos interessantíssimos, inclusive para nós que nos preocupamos com a paisagem sonora e com o sossego. Caso tenha alguma outra sugestão de livro, receberei com todo prazer.
Um abração