
(Ressonância I)
Meu avô não dirigia mal. Pelo contrário, era ótimo motorista. O problema dele eram os desvios, os retornos e os acessos. Os “balões” então, como também são conhecidas as rotatórias, figuravam um desastre total. Ele entrava num e não conseguia mais sair. Acho até que vem daí toda a desatenção de Edvaldo, seu filho, que também foi herdada por Fila, seu neto.
Certa feita, estávamos indo para Tamandaré, uma das praias mais bonitas do litoral sul de Pernambuco. Os homens de sunga e as mulheres só de biquíni. Fila, eu e mais três amigas (escute a música, e entre no clima da viagem). Conversa vai, conversa vem e nada. Não chegava nunca. A essas alturas, chegávamos a Maceió, 150 km depois, mas não chegávamos a Tamandaré. O papo estava muito bom, é verdade, Fila sempre foi um conversador de primeira linha, basta dizer que ele conseguiu que dois “cabras” feios como nós saíssemos para a praia com três meninas lindas, e de biquínis minúsculos. Uma tinha sido miss acácia, que era o condomínio onde ele morava. A outra, segundo lugar num concurso para a rainha do IPSEP, um bairro de Recife. Já a terceira, era a Xuxa do nordeste. Mas o problema é que estávamos na estrada há, praticamente, duas horas.
Por acaso, eu estava olhando para a cinturinha de uma de nossas amigas (um espetáculo!) e percebi que estava toda arrepiada, e tremendo sem parar. Longe de desenvolver uma teoria presunçosa a respeito dos interesses da moça, eu, como um bom preposto a estudante de física, pensei: – O nosso carro não está lá essas coisas. Já deve alguns anos de revisão à oficina. Toda vez que tinha uma subidinha, se tremia todo. Assim, com toda a certeza, a desregulagem notória, aumentava o ruído de baixa frequência que, consequentemente, transmitia sua energia para o abdômen, sarado, da menina, e o mesmo entrava em ressonância com esta frequência e tremia maravilhosamente bem.

Quem dera! Não demorou muito para percebemos que o primo, como um autêntico neto de seu Carlos, Caito como era carinhosamente chamado, tinha errado um dos retornos, antes de chegar à BR 101. Na realidade, as moças estavam tremendo de frio, devido à altitude que começava a aumentar a partir da serra das Russas, caminho para Caruaru, agreste pernambucano.
Aproveitamos o desatino para tomar um caldo de cana com pão doce, na feira de Caruaru. Posteriormente, com nossas energias renovadas, voltamos rumo à Recife, pois, a essas alturas, o nosso programa (de índio) já havia furado, completamente.
O que é ressonância?
Em uma análise elementar, podemos dizer que todos os sistemas vibram em uma determinada frequência. Assim, as partículas que compõem um copo, ou as partículas que compõem partes do nosso corpo, de uma parede, de uma cadeira ou de qualquer outro objeto, vibram, porém, normalmente, nos casos citados, não conseguimos perceber. Cada sistema possui uma frequência de vibração específica, que depende da sua composição. A ressonância acontece quando uma força externa possui a mesma frequência do sistema, o que resulta na transmissão de energia e consequente aumento da amplitude de vibração das partículas, ou de partes, do referido sistema. Um exemplo clássico é o do aumento da amplitude de vibração de um balanço com uma criança, resultado do impulso dado pelo pai, toda vez que este se aproxima dele.
A ressonância pode destruir objetos
Pontes podem desabar, copos podem quebrar e o nosso corpo pode sofrer alterações por causa da ressonância. Em 1940, por exemplo, a ponte de Tacoma, em Washington – EUA, ruiu, pois entrou em ressonância com o vento. Outro exemplo é a ressonância entre as ondas sonoras e os objetos de cristal. Uma taça de cristal pode ser quebrada quando a voz humana, com forte intensidade, possuir frequência fundamental próxima a 700 Hz, a depender das características específicas de cada tipo taça. Isso porque a amplitude do movimento das partículas aumenta tanto que as ligações entre elas são rompidas.
O ruído prejudica muito mais do que a audição
Testes com freqüências sonoras entre 5 e 250 Hz sugerem que o corpo humano entra em ressonância com diferentes bandas de freqüências como pode ser visto abaixo.

A exposição ao ruído intenso pode provocar perda auditiva. Além disso, por causa da ressonância com órgãos internos, o ruído ainda pode produzir uma série de distúrbios, como pode ser visto a seguir.
| Sintomas | Freqüência (Hz) |
| Desconforto geral | 04-09 |
| Ação na cabeça | 13-20 |
| Sintomas mandibulares | 06-08 |
| Influência na fala | 13-20 |
| Sensação de “Algo na garganta” | 12-16 |
| Dores torácicas | 05-07 |
| Dores abdominais | 04-10 |
| Vontade de urinar | 10-18 |
| Diminuição do tônus muscular | 13-20 |
| Influência nos movimentos respiratórios | 04-08 |
| Contrações musculares | 04-09 |
Por fim, a exposição a ruídos pode causar sérios danos à saúde. Gerges (2000) ressalta, ainda, que essas alterações podem resultar em mudanças de comportamento, entre elas encontra-se o nervosismo, a fadiga mental, a frustração e os prejuízos no desempenho do trabalho, além do mau-ajustamento em situações diferentes e do aumento dos conflitos sociais. O quadro abaixo resume os efeitos secundários da exposição prolongada e intensa ao ruído.
| Afeta a qualidade do sono |
| Modifica a freqüência cardíaca, acompanhada de sudorese |
| Afeta o desempenho de tarefas psicomotoras |
| Causa reação muscular |
| Contração do abdômen e do estômago |
| Exposições muito prolongadas podem levar a alterações da função intestinal, lesões teciduais dos rins e do fígado |
| Aumento da Produção de hormônios da tireóide |
| Aumento da produção de adrenalina e corticotrofina |
| Queda da resistência a doenças infecciosas e disfunções no sistema reprodutor |
| Contração dos vasos sangüíneos |
| Dilatação da pupila |
| Irritabilidade, ansiedade e insônia |
1. A ressonância pode destruir pontes de concreto.
2. Um copo de cristal destruído pelo som…
Visita recomendada:
Ressonância: tintim por tintim
Bibliografia recomendada:
1. MENEZES, Pedro de Lemos (Org.), CALDAS NETO, Silvio (Org.), MOTTA, Mauricy (Org.). Biofísica da Audição. São Paulo: Lovise, 2005. 192 p.
2. Ressonância: para além dos cursos de Física
3. GERGES, S.N.Y. Ruído: Fundamentos e controle. 2. ed. Florianópolis: NR Editora. 2000. 676p.
Autor: Pedro de Lemos Menezes
Email: pedrodelemosmenezes@gmail.com
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009 às 1:21
Tá ficando bonito esse blog. Parabéns Pedro. Seu brother de Ribeirão Preto…
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009 às 17:23
Amigo, já era peremptoriamente contrário aos ruidos, quanto mais agora, após seus novéis ensinamentos… Muito oportuno o tema para esta éopca festiva do ano. Fechaste com chave de ouro! Abs
sábado, 2 de janeiro de 2010 às 20:26
O MELHOR Q JÁ LI ATÉ AGORA .CONTINUE.
domingo, 3 de janeiro de 2010 às 1:59
Alessandro, o pior de tudo é que estes ruídos, muitas vezes, apresentam frequências baixas demais para nossos ovidos ouvirem, abaixo de 20 Hz. Assim, nossa saúde pode ser prejudicada silenciosamente.
Feliz 2010!!!!
domingo, 3 de janeiro de 2010 às 2:02
Prezados Manoel e Leila, é um prazer enorme para mim escrever, me divertir e ainda informar a população, de uma maneira geral. Muito obrigado pela motivação!
domingo, 3 de janeiro de 2010 às 2:19
Tenho acompanhado sistematicamente o seu blog e me deliciado, me encantado mesmo com ele. É muito bonito constatar que verdadeiras lições são passadas em um ritmo de conversa gostosa, de romance… desconhecia este seu lado escritor. É só mais um para me encher de orgulho deste ex-aluno maravilhoso, profissional respeitadíssimo e, agora, com muita honra, colega de chapa vencedora do Conselho Regional. Beijos e saudades.
domingo, 3 de janeiro de 2010 às 12:37
Nadia, quem está orgulhoso sou eu. Será um enorme prazer trabalhar com uma profissional brilhante e sensível como você. Muito obrigado pelos elogios, escrevo com muito gosto. Tenho buscado uma linguagem que utilize a curiosidade para o aprofundamento da informação. O retorno dado pelos leitores é maravilhoso. Por fim, procuro deixar este canal aberto para discussões e dúvidas. Respondo a todos os questionamentos o mais breve possível.
Um beijão.
domingo, 3 de janeiro de 2010 às 22:14
SENSACIONAL!
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 às 1:45
Obrigado Brenda!
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 às 11:08
Valeu Pedro, essas histórias são divertidas e instrutivas.
O Fila sempre nos mete em histórias como essa. Vc lembra da casa de Porto de Galinhas que ele conseguiu para passarmos o final de seman? Acho que seria uma boa história pra seu blog.
Grande abraço.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 às 11:37
É mesmo… Mas não lembro dessa história não… Vou tentar lembrar…
domingo, 10 de janeiro de 2010 às 11:59
Maravilhosa as informações postadas de linguagem simples e clara, os links mostram as facilidades de busca nas pesquisas, principalmente os vídeos como recursos didático. Grande abraço
domingo, 10 de janeiro de 2010 às 13:37
Muito obrigado Tânia. Fico muito feliz com seus comentários.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010 às 12:27
Artigo legal.
domingo, 17 de outubro de 2010 às 18:30
Estou tendo problemas com ruído em meu apto. há mais de 5 meses. Já foi dada uma busca por escadas,casa de máquinas,corredores,foi feito escuta em portas de apartamentos, mas nada !!! Eu tenho quase certeza que é de um determinado apto.onde tem um jovem morador que conserta computadores. Já pedi que seja rastreado por um profissional com aparelho específico, mas o Síndico disse que é muito caro e que só eu ouço o ruído, mas pessoas que já estiveram em meu apto. também ouviram.
Esse ruído fica durante o dia todo tremulando de leve o meu apto. e ao mesmo tempo ensurdecendo e à noite e até certa hora da madrugada esse ruído muda de frequência e se torna mais intenso, soltando um eco como se fosse um microfone com defeito ou rúído de ressonância magnética,penetrando no ouvido e fazendo grande pressão na cabeça. Já estou desesperada, estou tendo dores de cabeça e também dores de ouvido. não dá para assistir em paz uma TV e nem dormir. Em determinado momento, ouço que muda de rítmo, às vezes lento outras mais violento. Também sinto como se fossem caixas sendo movidas do lugar e aí o ruído também muda de lugar, ou então fica um silêncio total por instantes,coisas se movimentam e o mesmo muda de lugar. Quando se percebe que o equipamento parou de trabalhar fica um bom tempo ainda com um ruído alto e vai diminuindo aos poucos até ficar com o ruído só de ligado. Já foi desligada a energia dos andares, um por um, mas o ruído não cessa. Acredito ser alguma coisa ligada em um gerador caseiro( o porque da vibração o dia todo ), mas está difícil de ser localizado.Pergunto a vocês: o valor para contratar um profissional é realmente caro ? Vocês tem esse profissional e quanto sairia mais ou menos ? estou na cidade de São Paulo, Capital
Estou solicitando ajuda de vocês, nem que seja para me orientarem sobre o que possa ser e passar essa informação para o Condomînio.
Agradeçendo pela sua atenção, me desculpo pelo e-mail prolongado.
Atenciosamente
Neuza Helena
domingo, 17 de outubro de 2010 às 18:44
Sou eu Neuza, mais uma vez. Peço gentilmente que me ajudem, me informando onde posso procurar profissionais peritos em rastrear ruídos. Já não estou aguentando mais !!!!!!
Agradeço de coração, pela ajuda.
Neuza