– Pronto senhora. Basta assinar aqui.
Com aquela assinatura, dona Ofélia celebrava a instalação, na sua casa, do primeiro aparelho telefônico do bairro onde morava. A novidade estava na boca da vizinhança. A todo instante chegava alguém para ver o aparelho. A cumade Iracilda, uma especialista na arte de repassar informações para o próximo, frequentou a semana inteirinha a casa da dona Ofélia, só para ver se o “bicho” funcionava mesmo.
– É grande, né Ofélia? Pesado! Pena que a cor não combina muito com a sua sala… O dia todo esperando e só uma ligação! De que adianta ter um, se ninguém liga para você?
– Tive uma idéia cumade Irá. Por que você não pede ao seu marido para instalar um na sua casa também. Como você mora no final da rua, podíamos resolver muita coisa por telefone mesmo – rebateu dona Ofélia, disfarçando um elevado grau de aborrecimento, que a essas alturas já estava matutando um jeito de dar o troco na amiga.
Algum tempo depois, instalaram a segunda linha telefônica do bairro, justamente na casa da dona Iracilda, que fez até festa para comemorar o evento. Seu marido, um velho político conhecido da região, que nunca ganhou uma eleição sequer, vale ressaltar, contratou buffet e fez convites pomposos para distribuir até com os moradores locais mais distantes. Dava gosto de ver aquela gente humilde se fartando de comer e beber. Só faltou uma coisa: o telefone não tocava. O tempo foi passando e nada. Os convidados já estavam até comentando. Dona Ofélia, então, saiu discretamente para casa e ligou para a amiga:
– Alô! É da casa da dona Iracilda? Aqui quem fala é uma funcionária da companhia telefonia. Parabéns pela aquisição da linha! A senhora pode realizar alguns testes de desempenho comigo?
– Alô, é a dona Iracilda sim, minha filha. Claro que podemos testar. O que devo fazer? – respondeu, enquanto pedia para os convidados fazerem silêncio.
– O telefone está na sua mão direita ou esquerda?
– Direita, minha filha.
– Então a senhora segura bem no aparelho e dá duas voltas para a esquerda… Tá me ouvindo bem?
– Tô sim. Pode continuar.
– Muito bem. Agora segure o aparelho com sua mão esquerda e pule apenas com a perna direita. Mas cuidado com o fio, dona Iracilda.
– Pron-to. Tô pu-lan-do.
– Continue pulando dona Iracilda. Pegue no fio do aparelho e vá seguindo ele. Tá vendo uma tomada?
– Tô sim mi-nha fi-lha.
– Pronto. Então, pegue a tomada, e agora enfie na sua buzanfa gorda!
– OFÉLIA!!!! ISSO SÓ PODE SER COISA SUA!!! TÔ INDO NA SUA CASA AGORA, SUA DANADA!!!!
Quem inventou o telefone?
O congresso dos Estados Unidos, desde 11 de junho de 2002, declarou, em sua resolução 269, que o telefone foi inventado por um ítalo-americano chamado Antonio Santi Giuseppe Meucci. Assim, esqueçam Alexander Graham Bell. O documento refere, ainda, que a patente do telefone depositada por Bell “foi baseada em fraude e declarações falsas”.
Resumo biográfico de Meucci
Antonio Santi Giuseppe Meucci (13/04/1808-18/10/1896) nasceu em Florença (Itália). Estudou engenharia química e industrial. Foi compatriota de Giuseppe Garibaldi e ficou preso por um ano, acusado de participar do movimento de libertação italiano. Em 1835, casado com Ester Mochi, emigrou para Havana, Cuba. Posteriormente foi para os EUA, em Clifton, perto de Nova Iorque, onde viveu com sua esposa o resto de seus dias.
Os bastidores da invenção do telefone
Meucci inventou o telefone em 1849 e registrou seu primeiro pedido de patente provisória em 1871, dando início a uma série de eventos misteriosos, porém, amplamente documentados.
Em Havana, realizando testes experimentais com terapia a base de eletro-choque em um amigo, que estava em um quarto próximo, Meucci ouviu a voz dele através de uma peça de fio de cobre que os conectava. Passou os 20 anos subseqüentes aperfeiçoando a descoberta. Em 1955, quando sua esposa se tornou paralítica, o inventor montou um sistema telefônico que conectava os quartos da casa com a sua oficina de trabalho. Surgiu, assim, a primeira instalação telefônica do mundo. Em 1871 registrou a patente provisória, que foi renovada em 1872, mas não em 1873. Meucci montou seu sistema para ser apresentado ao vice-presidente da Western Union Telegraph Company, porém a reunião nunca aconteceu. Dois anos depois, em 1874, a empresa informou que os equipamentos haviam sido perdidos.
Alexander Graham Bell, em 1876, depositou o pedido de patente do telefone, porém sem descrevê-lo, de fato. Misteriosamente, todos os originais do pedido de patente provisória do “telegrafo falante”, de Meucci, foram perdidos pelo escritório de patentes dos EUA. Uma investigação posterior evidenciou relacionamentos ilegais entre empregados do referido escritório e os das empresas Bell. Mais tarde, foi descoberto que a Bell Company (hoje incorporada pela AT&T) pagou, estranhamente, 20% dos lucros obtidos na comercialização da “invenção”, por 17 anos a Western Union.
O caso foi ao Tribunal em 1886. Apesar dos indícios de fraude das empresas de Bell e da declaração pública da Secretária de Estado afirmando existir prova suficiente para dar a propriedade a Meucci, o caso foi postergado, ano após ano, até a morte do invertor, quando o mesmo foi arquivado.
Veja o filme:
Parte 1 Parte 2 Parte 3 Parte 4
Bibliografia recomendada:
Artigo: Alexander Graham Bell não inventou o telefone
Resolução 269 do Congresso dos EUA
Visite o site:
Biografia de Antonio Meucci (Wikipédia)
Bibliografia complementar:
Biografia de Antonio Meucci II
Autor: Pedro de Lemos Menezes
Email: pedrodelemosmenezes@gmail.com
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009 às 3:04
Professor Pedro,venho lhe parabenizar pelo brilhante trabalho que está sendo desenvolvido e saiba que desta maneira voçê contribui de forma significativa para o conhecimento cientifico a nivel nacional.
Um abraço.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009 às 14:42
Prezada Keli, acho que este site pode ser uma ótima oportunidade para popularizarmos o conhecimento científico. Obrigado.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009 às 17:38
Já me sinto mais intelegente….rsrsrsrs. Beijo
terça-feira, 22 de dezembro de 2009 às 19:21
Quero que você mande um sobre a voz, para eu postar no blog. abração.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009 às 0:29
Adorei… faço das palavras de Adriana as minhas ;p Parabéns mais um vez… já tem uma fã =p
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009 às 1:18
Obrigado Taciana….. Espero uma contribuição mais efetiva dos leitores também…
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009 às 17:30
Excelente! Dispensa comentários! Abs