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Sobre Nelson Ferreira

segunda-feira, janeiro 3rd, 2011

ELIANE AQUINO

Nos últimos seis meses de 2010, estive como secretária adjunta de Estado da Comunicação, tendo como titular da pasta o jornalista Nelson Ferreira. Evidente que eu já o conhecia da Organização Arnon de Mello, ele como diretor da TV Gazeta e eu como chefe de redação do jornal Gazeta de Alagoas; e, claro, acompanhando seu trabalho nas chefias de Comunicação da antiga Salgema, hoje Braskem, e no Grupo Tércio Wanderley.

Sempre fui admiradora da serenidade e do bom texto e bom senso jornalístico de Nelson Ferreira; hoje, sou admiradora, sobretudo, da forma compartilhada de trabalho que ele exerce como chefe.

Desde que assumiu o cargo de secretário de Estado da Comunicação, que Nelson abriu as portas da Secom para todos os veículos, grandes ou não; para todos os jornalistas, de Alagoas e de fora do Estado; nunca ninguém ficou sem uma resposta a qualquer que fosse a indagação sobre a gestão pública do Estado; nunca houve qualquer dúvida sobre a seriedade no trato com as agências de publicidades e empresas de comunicação.

Dentro do governo, com sua paciência respeitosa, conseguiu levar para a sociedade, através de emissoras de rádio e de TV, de jornais impressos e sites, a palavra do Estado, as ações de governo, a meta do governador Teotonio Vilela em desenvolver Alagoas e melhorar a qualidade de vida de cada alagoano; com sua sobriedade experiente, defendia e divulgava o governo na sua mais positiva agenda de ações.

Era tranquilizador para os assessores de comunicação de o Estado ligar para o secretário Nelson, ouvir as suas orientações; foram meses de tranquilidade também para o mercado de comunicação do Estado.

Nos textos, Nelson era objetivo quando se tratava de difundir a informação, e poético quando se tratava de exprimir o sentimento do governo; na avaliação do que era divulgado, fosse crítico ou elogioso, prevalecia a sua técnica de comunicador, de jornalista, antes da visão política de Estado.

No cargo, imprimiu na Secom o selo da ética e da probidade administrativa que é o selo da vida pública do governador Teotonio.

Nelson tinha um tempo para ficar e ficou nesse tempo deixando história na história da Secom.

Fonte: Painel de Notícias

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Desabafo: Delegados de Matriz inventam versões sobre crimes

quarta-feira, novembro 24th, 2010

Pai e jornalista – Odilon Rios

Em momento de profunda dor, como pai, depois de enterrar meu filho assassinado por dois tiros na cidade de Matriz de Camaragibe, vejo que os delegados Belmiro Cavalcante e Socorro Almeida brincam de fazer polícia, na Delegacia Regional de Matriz, conhecido espaço de tortura de jovens pretos e periféricos, com a anuência de ambos e o silêncio de pais temerosos, segurado pelo corporativismo dos dois delegados brincalhões.

Ao justificar a morte do meu filho, a delegada disse ao Cada Minuto que ele “possivelmente era usuário de drogas”. Induz a quem lê a uma justificativa pertinente: morreu, por andar em más companhias, fora do eixo ou dos padrões sociais. A sociedade- zelosa- vê extirpado mais um mal social pela nossa delegada formada nas academias televisivas do CSI Miami.

Funcionária pública, a delegada não cumpre seu dever administrativo. Se meu filho era traficante ou usuário de drogas, porque não estava preso? Um perigo social à solta com conhecimento da Polícia rende um bom exercício de lógica.

É porque a palavra “possivelmente” serve para mostrar a canseira que é o trabalho policial da profissional supostamente ilibada e duvidosamente competente nos plantões de uma delegacia distante da capital e dos olhares da Delegacia Geral da Polícia Civil.

Meu filho foi assassinado uma hora da manhã, do dia 22. Minha esposa e eu estávamos em Maceió. Quinze minutos depois, recebi um telefonema informando que meu filho havia sofrido um acidente e estava morto no Hospital de Matriz. Chegamos ao município no meio da madrugada.

Na burocracia para a liberação do corpo, estive duas vezes na delegacia de Matriz. Sequer vi a delegada. Ela cochilava em sua sala, na sesta das primeiras horas da manhã. E do seu birô, ela inventou a versão “possivelmente usuário de drogas”.

Os agentes do plantão- estes sim fizeram as diligências- me informaram que fizeram buscas atrás do assassino do meu filho e não obtiveram sucesso.

Há quatro anos atrás, capitães do mato do delegado Belmiro Cavalcanti determinaram a prisão do meu filho, então com 12 anos, por ele ter acertado o carro da polícia com uma peteca. Ele foi arrastado pela cidade, algemado, torturado, chamado de “maconheiro” e “ladrão”.

Na delegacia, o delegado Belmiro fez questão de enfatizar a covardia, típica dos bajuladores: fez meu filho ficar preso em uma sala, próxima da cela onde estavam presos. Ele foi acusado de arrombar uma escola. Belmiro mentiu. Meu filho estudava em Maceió e nunca arrombou escolas. Belmiro mentiu de novo. Não era usuário de drogas. Belmiro mentiu de novo. Não era ladrão.

Movi um processo contra o delegado. O Ministério Público Estadual e o Judiciário de Matriz “esqueceram” a ação. Fui chamado de “repórter perigoso”.

Por quatro anos lutei para ajudar um filho atormentado, revoltado com a família, pelo episódio da delegacia, por ele achar que estava quebrada a confiança de pais que o ajudavam nos momentos mais difíceis. E não estavam ao lado dele, na delegacia.

Conselhos e ajudas não foram suficientes. Meu filho apartou várias brigas em Matriz, para ajudar os amigos. Na última delas, ele perdeu a guerra que ele movia contra ele mesmo. Tombou ao chão, com um estampido no ouvido esquerdo e um tiro na barriga.

A versão das drogas fica por conta da Socorro e seus plantões relaxantes e o eterno delegado de Matriz, Belmiro Cavalcante, servidor público com uma carreira incrivelmente fracassada no combate ao crime e a prostituição infantil.

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