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A Barbárie na Saúde Pública

sábado, abril 16th, 2011

*HELOÍSA HELENA

 

Qualquer pessoa de bom senso, independentemente de filiação partidária ou convicção ideológica, fica definitivamente estarrecida e indignada com a situação de completa irresponsabilidade, incompetência e insensibilidade na prestação dos Serviços Públicos de Saúde.

 

A angústia é intensa para quem conhece o Arcabouço Jurídico do Sistema Único de Saúde, o Perfil Epidemiológico, a Rede instalada, o conjunto de Normas Técnicas e Operacionais, os Convênios, os Programas de Saúde, os Manuais, os Parâmetros para Programação das Ações de Saúde – da Atenção Básica à Média e Alta Complexidade e etc, etc… e torna-se mais dolorosa para quem trabalha diretamente com o desespero de milhares de pobres implorando por Assistência e ainda tendo que ouvir a desprezível cantilena cínica e mentirosa dos Governantes para justificar a ausência de eficácia e resolutividade no Setor Saúde, seja nas cidades do interior ou na capital.

 

Nada mais doloroso há do que a certeza de que nenhuma proposta precisa ser criada, nenhum projeto novo inventado, nenhuma lei a ser aprovada… necessitamos apenas do cumprimento da Legislação em vigor;  do respeito à tão discursada Legalidade; do Financiamento conforme manda os Princípios Doutrinários do SUS e os Princípios Administrativos que deles derivam; da Execução de Reformas e Construções de Projetos já prontos; e portanto da preservação de Dignidade no atendimento ao ser humano, no momento mais fragilizado da sua existência, conforme é esperado em qualquer sociedade que se proclame civilizada.

 

Para melhor analisar a prestação desses Serviços – sem a hipocrisia fria de alguns políticos ladrões e “calminhos” – tentemos o delicado e precioso exercício imaginário da verdadeira Solidariedade… Imagine um corredor hospitalar com um amontoado de macas, cadeiras, gemidos, gritos, odores, feridas apodrecidas… e no meio dessa infinita indigência humana visualize a sua Mãe, idosa, doente, jogada num colchonete no chão, suja de fezes e urina, num calor insuportável, semi-nua sem um trapo de pano sequer para cobrir e preservar sua intimidade… O que você faria??

 

Vejamos mais… visualize a sua Esposa amada, mãe dos seus filhos pequenos, que detectando um tumor na mama, perambula mais de um ano tentando consultas e exames, e mesmo depois de identificar – em intensa tristeza e desespero – que tem uma neoplasia maligna e existe a necessidade de uma cirurgia mutiladora como a mastectomia,  ela não consegue nenhum leito público para ao menos arrancar um tumor cancerígeno a cada dia invadindo mais o seu corpo… O que você faria??

 

Imagine mais… a sua Filha – que você acalentou nos braços pequenina – grávida, gemendo de contrações, humilhada nas portas das maternidades, precisando ao menos de um lugar seguro para realização de um parto e não conseguindo o atendimento, começa a sangrar e perde seu pequeno bebezinho… O que você faria??

 

Ah! Se fosse com seus entes queridos e amados você dava escândalo, gritava, exigia dignidade, faria o impossível para garantir a realização dos procedimentos necessários… Porque o mesmo não pode ser feito pelos nossos irmãos, filhos (as) do mesmo Deus Pai que nas Igrejas louvamos e no cotidiano muitos negam pela omissão da oferta de Amor e Caridade tão discursada nas Religiões e tão distanciada por tantos que se intitulam “ungidos e fiéis”…

 

É exatamente pela omissão e cumplicidade de muitos eleitores, que as necessárias mudanças estruturais – a curto, médio e longo prazo – demoram tanto a acontecer… porque para muitos agentes públicos, na política especialmente, o caos na Saúde Pública constitui o melhor dos mundos para eles… por um lado garante a preservação dos seus Reinados de Podres Poderes através das indignas condições dos pobres rastejando nos comitês eleitorais mendigando por consultas, remédios, exames… e por outro lado preservam os intocáveis amigos de certos políticos, verdadeiros Comerciantes de Saúde que a cada dia, pela ausência de Gestão Pública,  são impulsionados a construir Castelos de Riquezas na Mercantilização da Saúde em novas e ao mesmo tempo arcaicas modalidades de Privatização do Setor. Temos que dizer BASTA! BASTA!

 

Ao menos, lembremos o que lindamente dizia Casaldáliga “É preciso saber esperar… sabendo ao mesmo tempo forçar… as horas de extrema urgência… que não nos permite esperar…”

 

 

HELOÍSA HELENA, é vereadora pelo PSOL em Maceió.

 

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Entre a Vida e a Morte

sexta-feira, março 11th, 2011

Por ANA CLÁUDIA LAURINDO*

Um primor da Apologia de Sócrates são as reflexões que este fez com relação à mentira. Algo que muito repetido vira ‘quase’ verdade, chegando a confundir até mesmo o caluniado!

Talvez esse poder de ‘confusão’ que a mentira possui, explique a adesão da sociedade às falácias do poder, frisando o governamental, sobre os benefícios que alardeiam, no entanto, não acontecem e o próprio povo propagandeia.

Não tem humor que agüente as propagandas de benefícios do governo à Alagoas!

No entanto, neste pós-carnaval pude contemplar um site local anunciando que os mais de mil atendimentos (miraculosos!) feitos no maior hospital público do Estado havia sido menor que no ano passado! Não pude evitar comparar: aumentou a entrada de corpos no Instituto Médico Legal!

Povo da minha terra, o que está acontecendo conosco?

Até quando estaremos aptos ao convencimento fácil que estimula o governo a gastar nosso dinheiro com propagandas?

Quando elegemos um representante (bem ou mal escolhido) é para resolver os problemas sociais e gerar benefícios que redundem em qualidade de vida! Nosso caso é tão anômalo, que bastam os números penderem para o outro lado da balança (mesmo o pior lado!) e já tem guardião governamental querendo propagandear lucro!

Salve-nos Deus deste analfabetismo histórico que entranhou nas nossas vidas!

O estado mais violento do país não precisa de bufões para nos fazer rir a esmo, precisamos de ações, políticas públicas de resgate e construção dessa cidadania perdida que nos cobra o preço em vidas!

Chega de mortes maquiadas! Chega de corpos lotando esse IML desestruturado que sequer oferece a última dignidade às vítimas da ingerência política, social e cultural que nos mata a todos nessa terra esquecida pela Justiça.

FONTE: BLOG DE ANA CLÁUDIA

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Debates, por que promovê-los?

terça-feira, outubro 19th, 2010

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa 

Do Paulo Preto a Erenice Guerra, das privatizações ao abandono das rodovias, do aborto à insegurança publica, não dá mais para aguentar. E ainda faltam dois. Falamos dos debates entre Dilma Rousseff e José Serra. Depois da Bandeirantes e da Rede TV, vem por aí a  Record,  no domingo, 24, e a Globo, na sexta-feira, 29. Submeteram-se, os candidatos, à ditadura das redes de televisão. Por isso,  bem feito para eles, candidatos e redes, pela falta de coragem para programarem um único entrevero, e sem as regras restritivas que vem impedindo o livre curso de suas propostas  de governo. Um único vídeotape teria bastado para demonstrar a inocuidade desse tipo de expediente eleitoral.  Bem fez o SBT por não mergulhar no novo  abismo de mediocridade revelado pela sucessão presidencial.As grandes redes vangloriam-se de altos índices de audiência, mas é mentira.   Depois de cada debate as assessorias de tucanos e de companheiros apregoam a vitória de seu candidato.  Mera  ilusão, para dizer o mínimo. Domingo,  Serra e Dilma forneceram mais uma oportunidade para o cidadão comum perceber como são parecidos. Pela  impossibilidade de desenvolver projetos com começo, meio e fim,  dada a exigüidade de tempo, passam por despreparados, que certamente não são.

Tempos atrás ainda cabia a associações de classe e entidades do  meio civil  abrir oportunidade aos candidatos para a apresentação de seus planos. A imprensa escrita, no dia seguinte, divulgava em detalhes a fala de cada um.  É claro que em meio a comícios, carreatas  e passeatas onde os chavões tinham seu lugar. Sem esquecer as entrevistas, geralmente coletivas.

A PROVA

Não são poucos os tucanos que lamentam o afastamento de  Aécio Neves  como candidato presidencial no lugar de José Serra. Poderia ter sido diferente caso se tivesse realizado  no ninho a prévia defendida pelo então governador de Minas, hipótese que teria selado a chapa Serra-Aécio ou Aécio-Serra. Em qualquer dos casos, a impressão transmitida ao eleitorado seria de unidade e eficiência. Talvez tivessem sido eleitos ainda no primeiro turno.

BRASÍLIA APAGADA

Falta de energia virou rotina na  capital federal. Não se passa um dia sem que bairros inteiros sejam submetidos a apagões regulares, pela manhã, à tarde ou à noite. O cidadão fica exposto a um trânsito caótico, com os semáforos interrompidos, isso quando consegue tirar o carro da garage, manualmente. Escolas obrigam-se a adiar as  aulas,  postos de saúde suspendem os atendimentos, escritórios fecham e os serviços variados  interrompem suas atividades. A pergunta que se faz é quando Dilma ou Serra, em suas campanhas,  abordarão   tema tão incômodo  quanto vergonhoso. O principal, no entanto, é saber se  o vencedor terá condições de enfrentar a crise.

CONSPIRAÇÃO?

Paranóias à parte, mas quem garante não estar em andamento um conluio entre certos institutos de pesquisa e parte da  chamada grande imprensa, apresentando a cada dia  as mesmas  informações sobre a diminuição dos índices de preferência entre Dilma e Serra? Parece tudo meio arrumadinho, uma repetição do já  célebre escândalo  da Proconsult,  no Rio, quando o então candidato a governador, Leonel Brizola, ia sendo garfado. Só não foi por haver estrilado a tempo.

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Lula prepara o futuro

terça-feira, agosto 10th, 2010

Carlos Chagas

Parece claro o objetivo do presidente Lula ao reunir o ministério, hoje, aqui em Brasília: botar a máquina administrativa para operar em ritmo total, se possível frenético. Não deixar um setor, sequer, devagar, quase parando, como vinha acontecendo em alguns.  Cada ministro será chamado a relatar suas atividades e, em especial, o que ainda pode ser feito até o final do  seu mandato.

Esse tour de force obviamente beneficiará a candidatura Dilma Rousseff, devendo a equipe ser exortada para também atuar politicamente em favor dela,   por certo que depois do expediente e nos fins de semana. A preocupação do presidente, no entanto, centraliza-se no seu governo. Pretende que sua aceitação pela opinião pública venha a crescer mais ainda, nas próximas pesquisas, se possível acima dos 80%. Está atento para as críticas formuladas  na campanha eleitoral, especialmente por parte de  José Serra. Elas devem ser respondidas de imediato.

 O Lula prepara o futuro, não apenas a cargo de Dilma Rousseff, se ela for eleita, mas no que diz respeito a ele mesmo. Mostra-se disposto a permanecer na política, liderando o PT. Seus planos são exatamente contrários à performance de Fernando Henrique, isto é, não tornará pública qualquer análise sobre o  futuro governo. Pretende centralizar sua atividade na defesa de reformas institucionais, ainda que sem atropelar as iniciativas de quem vier a sucedê-lo. No caso, imagina  venha a ser Dilma,  mas se for  Serra, dá mesma forma.

Sobre voltar ao poder em 2014, não fala. Nem precisa.

Menos arrogância, por favor

Dá o que pensar a  série de entrevistas que o  Jornal Nacional iniciou ontem e continua hoje e  esta semana com os candidatos presidenciais. Primeiro, porque desde Guttemberg prevalece a regra de que a estrela, em entrevistas de qualquer espécie, é o entrevistado. Nunca o entrevistador. Entre nós, de uns tempos para cá, a moda pegou ao contrário: muitos   são os jornalistas que em vez de  perguntas fazem discursos e  perorações, como se o público estivesse interessado em suas opiniões.

Outra falha ética é  estabelecer uma relação de superioridade com os convidados. Poderia o casal da Rede Globo ter chamado Dilma Rousseff de ministra, título a que tem direito mesmo depois de haver  deixado  o ministério,  assim como  Marina Silva merece coisa igual.  Da mesma forma, chamar José Serra de governador seria o lógico. O que não dá é  dirigir-se como a   ela, ontem,  com um arrogante “CANDIDATA!”, tentativa de estabelecer uma  relação de superioridade diante de quem comparece perante câmeras e microfones. Um pouco de humildade não faria falta a quantos, do lado de cá, deveriam ter presente estar prestando um serviço público, jamais  concorrendo a um concurso  de beleza ou de  popularidade.

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A guerra suja das elites

quarta-feira, julho 14th, 2010

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa RJ

Importa menos, hoje, expor preferências variadas ou especular sobre quem sairá vitorioso, se Dilma ou Serra. O fundamental é verificar que há razão quando o comitê de campanha do PT denuncia má-vontade e até má-fé por parte de vasto segmento da grande imprensa diante da candidata. Depois dos jornalões, faltavam as revistas semanais. Não faltam mais, desde o fim de semana.

Como porta-voz ou, mesmo, integrante das elites econômicas, e com as exceções de sempre, a mídia distorce, omite, pressiona e tenta transmitir à opinião pública a iminência do chamado risco-Dilma, ou perigo-Dilma, em cada gesto, iniciativa ou opinião da ex-ministra.

Exatamente como aconteceu em 2002, quando o Lula caminhava para eleger-se, até que cedeu, esqueceu antigas promessas de reformas de base e escreveu a tal “Carta aos Brasileiros”, prometendo manter as linhas-base da política neoliberal de Fernando Henrique. Parece ser isso o que pretendem, cercando e encurralando Dilma Rousseff em cada momento de sua campanha.

No fundo, a grande imprensa e seus mentores estão morrendo de medo. Temem que a candidata possa fazer o que o Lula não fez, interrompendo o fluxo de benesses e favores para o andar de cima e promovendo mudanças essenciais, como o imposto sobre grandes fortunas, a proibição da fuga de capitais, a taxação do capital especulativo e a ampliação da reforma agrária.

Dilma já cedeu uma vez. Seu recuo ao estripar o programa de governo do PT junto à Justiça Eleitoral, semana passada, estimula maiores pressões por parte das elites. Elas estariam felizes e até demonstrariam simpatia pela candidata caso um sucedâneo da “Carta aos Brasileiros” emergisse dessa guerra suja que passaram a desencadear. Resta saber se haverá ânimo para a resistência.

Quem sabe dá certo?

Uma lufada de oxigênio acaba de ser promovida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski, ao declarar esperanças na aplicação férrea da lei da ficha-limpa nas eleições de outubro. Quem sabe vai dar certo e os bandidos ficarão fora da disputa pelo voto de 130 milhões de brasileiros?

Não vinham sendo promissoras as decisões da Justiça Eleitoral, concedendo liminares para o registro de cidadãos condenados por tribunais colegiados por crimes variados. Com a palavra do presidente do TSE, emerge a expectativa de correção dessas medidas iniciais quando do exame do mérito dos recursos. Pelo menos, surge alguém a favor da ética.

Sacrifícios

Sacrifícios, todo candidato deve estar preparado para fazer, de comer buchada de bode a enfrentar cotoveladas andando pelas ruas das grandes cidades. Beijar criancinhas até que constitui um refrigério, mas participar de almoços e jantares sem conta, cercando-se de políticos empenhados em bajular de corpo presente, falando mal nas ausências, nem tanto.

Dilma Rousseff e José Serra, sem esquecer Marina Silva, enfrentarão até 17 de agosto essa prova de resistência olímpica, obrigados a sorrir quando melhor seria sumir. Naquela data começa a propaganda eleitoral gratuita pelo rádio e a televisão, levando os candidatos a passar a maior parte do tempo em estúdios de gravação. Pelo menos, e em parte, ficarão livres de arcaicas obrigações eleitorais.

Arroz de povo

Não se sabe bem se foi na campanha de Dilma Rousseff ou de José Serra, mas numa delas alguém teve a infeliz idéia de mandar buscar ou, ao menos, de ir até o aquário onde aquele execrável polvo alemão acertou o resultado de todas as partidas da copa do mundo de futebol. Quem sabe ele não pouparia montes de esforços e de recursos decidindo, desde já, quem será o vitorioso em outubro? A proposta teria sido recusada com indignação, surgindo até a alternativa de que melhor será sequestrar o bicho, antes que se pronuncie, mandando-o para a panela e depois para mesa, onde se serviria um delicioso arroz de polvo…

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Pesquisas, adeus…

segunda-feira, julho 5th, 2010

Carlos Chagas 

O Ibope favorecia Serra, agora  aponta Dilma na frente. O Datafolha marcava empate, depois cravou Serra. A Sensus passou de um para a outra, voltou e parou no meio. É o samba do crioulo doido? Nem tanto. A conclusão surge clara:  as pesquisas são inconfiáveis pela simples razão de consultarem no máximo três  mil pessoas num eleitorado de 180 milhões. Por mais sofisticadas que sejam as metodologias, não dá para aferir sequer as tendências, quanto mais o resultado das urnas  de outubro. Talvez mais tarde, provavelmente só no dia da eleição. 

Melhor fariam os candidatos, como também os eleitores, se passassem ao largo das pesquisas, considerando-as mera atividade comercial de empresas interessadas no faturamento ou na publicidade para seus veículos de comunicação. Pautar-se pelos números  contraditórios será, para os candidatos, um exercício diário de auto-flagelação. 

É bobagem mudar discursos, alterar o visual e corrigir agendas em função do que divulgam os institutos. Os comandos de campanha precisariam, mesmo, definir roteiros  e diretrizes sem levar em consideração as pesquisas conflitantes, confiando mais nos programas, nas promessas, no passado e no perfil de cada pretendente ao palácio do Planalto. A lição vale também para a mídia, que não pode, sob pena de  desmoralizar-se, ficar oscilando,  dia sim, dia não abrindo maiores  espaços e concedendo mais tempo ora para  Dilma, ora para  Serra. 

Apenas uma ilusão? 

O Supremo Tribunal Federal  concedeu três liminares para candidatos enquadrados na lei da ficha limpa, autorizando-os a registrar-se mesmo tendo sido condenados no passado. Estariam impedidos mas não estão mais, pelo menos se no exame do mérito das ações, a mais alta corte nacional de justiça confirmar a medida inicial. 

Trata-se da derrocada da nova lei, já chamada de lei Viúva Porcina, aquela que foi sem ter sido.  A continuar o processo como vai,  logo montes  de fichas suja estarão sendo  beneficiados.  O problema não é saber se o Supremo desautoriza o Tribunal Superior Eleitoral, porque na Justiça essas coisas acontecem. Mais importante é verificar a débâcle das esperanças nacionais a respeito da aplicação da lei moralizadora. Se não vai valer, ou se valerá muito pouco para as eleições de outubro, quem garante não estará revogada até o próximo pleito?  A bandidagem prepara as comemorações…

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O novo Celso Daniel

terça-feira, junho 8th, 2010

SEBASTIÃO NERY

Rio – Jair Calixto, gauchão forte, vermelho e desabusado, primo de Leonel Brizola, era prefeito de Nonoai, no Rio Grande do Sul, fronteira de Santa Catarina. Em 1961, fundou o primeiro Movimento dos Sem-Terra.

Quando os ministros militares, na renúncia de Jânio Quadros, tentaram impedir a posse do vice João Goulart, Calixto reuniu várias centenas de homens e marchou para Porto Alegre. Na primeira fazenda, a tropa, com fome, mandou chamar o dono:

– Preciso de carne para meus homens.

– Pois não, prefeito, dou umas três vacas.

– O senhor está pensando que eu estou pedindo carne para arroz de carreteiro? Estou querendo é carne de elite. Manda matar 10 bois.

CALIXTO

Na entrada de Passo Fundo, Calixto reuniu todo mundo:
– Vou dar uma chance de vocês roubarem um pouco. Quem quiser roubar, dê um passo à frente. Uma centena pulou para a frente.

– Já vi. Eu só queria saber quem eram os ladrões. Quem deu um passo à frente fica fora da tropa. Ladrão não luta pela pátria.

E seguiu para Porto Alegre com os não-ladrões.

MERCADANTE

O atual escândalo dos dossiês da campanha de Dilma, que mal começou, vergonhoso repeteco dos dossiês da campanha de Aluisio Mercadante em 2006, não é novidade nenhuma.
Cada vez mais audaciosos. Nenhuma surpresa. Só um passo à frente, como o que o valente e saudoso Calixto exigiu de seus comandados.

Há muito tempo advirto aqui: o PT não é um partido, é um vasto escritório de negócios. Nas campanhas eleitorais, enlouquecem. Eles acham que quem não consegue armar seus esquemas de faturamento durante a campanha não terá mais chance de estruturar depois da eleição.

Por isso as crises e escândalos surgem sempre antes das eleições, quando aparentemente deveria ser um período de calma e entendimento.

PIMENTEL

Não sou segurança ou conselheiro do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, que mal conheço de jornais e TVs, mas me sinto no dever de lhe dar um conselho: arranje um colete à prova de balas. Estou sentindo cheiro de Celso Daniel nessa guerrilha pela disputa do comando da campanha de Dilma. Santo André também é aqui.

Em 2002, Lula convocou o jovem, culto e respeitado professor Celso Daniel, prefeito de Santo André, para coordenador do programa de sua campanha. O chefão era José Dirceu, presidente do partido e superpoderoso porque era o homem que sabia onde estava o dinheiro.

Segundo o Ministério Público apurou depois, a prefeitura de Celso Daniel liberava, todo mês, um milhão de cruzeiros de uma caixinha de empresários de ônibus, que o assessor Sombra encaminhava diretamente para a direção nacional do PT em São Paulo, quer dizer, para José Dirceu.

DANIEL

Quando foi convocado para assumir a formulação do programa do futuro governo de Lula, Celso Daniel percebeu que era impossível manter aquela dúbia situação: formulador da ética e fornecedor da corrupção. Convocou a equipe mais próxima e mandou encerrar de vez a caixinha. Dias depois, o corpo de Celso Daniel aparecia assassinado numa estrada perto de São Paulo. Parentes e secretarias que sabiam da história contaram tudo aos procuradores. Mas Lula já era o presidente eleito e empossado e jogaram uma pedra monumental em cima do assunto. Dois irmãos dele, que sabiam de tudo, preferiram esconder-se no exterior. Semana passada, o Superior Tribunal de Justiça marcou o julgamento do Sombra. Os outros escaparam.

PALOCCI

Morto Celso Daniel, apareceu para substituí-lo, na coordenação da campanha de Lula, o misterioso prefeito de Ribeirão Preto Antonio Polocci, que se meteu em mil histórias lixentas na Prefeitura de Ribeirão Preto e violou a conta do caseiro Francenildo. O processo da conta só agora chegou ao fim e o único denunciado foi o presidente Matoso, da Caixa, que fez o que seu chefe mandou.

Partido monótono, o PT repete em 2010 o faroeste de 2002. Mais uma vez o mesmo Palocci, ex-prefeito de Ribeirão Preto, aparece disputando o comando da coordenação da campanha de Dilma com o mineiro ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, que vamos rezar para não ter o destino de Celso Daniel.

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Um plantinha tenra

sábado, maio 22nd, 2010

Carlos Chagas

Terão seu registro negado os condenados por colegiados, leia-se, por tribunais, quer dizer, na segunda instância do Judiciário. Somarão 25% dos pretendentes às eleições de outubro, como supôs o senador Demóstenes Torres, presidente da Comissão de Constituição e Justiça? Tomara que sim, mas não parece fácil. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Ledwandowski, já declarou que a proibição vale para as condenações praticadas depois da promulgação da lei da ficha-limpa, ou seja, após o presidente Lula sancioná-la e em seguida à sua publicação no Diário Oficial.

Senão uma ducha de água fria, ao menos um balde de decepção acaba de ser virado no plenário do Senado, interrompendo a euforia anterior. Mesmo assim, valeu a iniciativa parlamentar, iniciada numa subscrição popular e aprovada pela Câmara. O futuro Congresso deverá ser o último a apresentar razoáveis percentuais de fichas-suja. Pode valer o mesmo para certos governos estaduais.

Otávio Mangabeira dizia ser a democracia uma plantinha tenra que devia ser regada todos os dias. Estava certo. Desde a eleição de Tancredo Neves e a posse de José Sarney que o país respira normalidade institucional, uma constante desde 1985, não obstante traumas variados. Muita gente imaginou a hipótese de uma ruptura, ironicamente gerada por excesso de democracia, ou seja, pela eleição de um operário que adquiriu tanta popularidade a ponto de ser sugerida sua continuação no poder. O terceiro mandato do Lula equivaleria à implosão do processo, mesmo se fosse aprovada pelo Congresso. Coube ao próprio presidente cortar o mal pela raiz, lançando sua candidata e antecipando a campanha sucessória. Pelo jeito, agiu conscientemente, para desfazer ambições e ilusões imaginadas por companheiros. Mesmo sujeito a multas impostas pela Justiça Eleitoral, está de regador na mão.

Terrorismo e armas nucleares

Criou polêmica o senador Cristóvam Buarque ao afirmar a fragilidade do argumento utilizado pelas grandes potências, de que se dispuser da bomba atômica, o Irã seria capaz de cedê-la a grupos terroristas. Disse o ex-governador do Distrito Federal que o terror prefere métodos mais simples, nem por isso menos execráveis, carentes os seus líderes da sofisticada tecnologia de mísseis sucedâneos.

Do jeito que as coisas vão, logo os artefatos nucleares caberão numa mala capaz de ultrapassar fronteiras e viajar pelo mundo. A literatura de ficção política não anda assim tão longe da realidade. Recomenda-se a Cristóvan Buarque, se tiver direito a algum ócio, durante o recesso parlamentar, que leia “A Soma de Todos os Medos”, de Tom Clancy…

Estrilo

Estrilou o presidente Lula, em encontro com prefeitos de todo o país, diante da aprovação pelo Congresso do projeto que extingue o fator previdenciário. De onde o governo vai tirar os muitos bilhões para enfrentar essa despesa adicional? – perguntou o presidente, acusando deputados e senadores de votarem propostas eleitoreiras.

Com todo o respeito, o problema não é de caixa. Caso o Banco Central reduzisse apenas 1% nos juros, o tesouro nacional deixaria de entregar dezenas de bilhões aos especuladores daqui e de fora que compram títulos públicos. Outras alternativas existem. Só não dá para entender porque sacrificar os aposentados, aliás, desde o governo Fernando Henrique que eles vem sendo esbulhados.

Vai licenciar-se?

Em junho o PMDB formaliza a indicação de Michel Temer como candidato à vice-presidência da República, na chapa de Dilma Rousseff. A pergunta é se, em plena campanha, manterá a dupla presidência de que dispõe? Continuará como presidente da Câmara, dirigindo os trabalhos, ou solicitará licença? Mais complicada ainda será sua permanência na presidência do PMDB.

Ambas as atividades parecem incompatíveis com a condição de candidato por simples questão de tempo disponível e de liberdade de ação. Na Câmara, promoveria a votação de projeto prejudicial ao governo? No PMDB, daria força a grupos estaduais em choque com o PT?

Fonte: TRIBUNA DA IMPRENSAONLINE/RJ

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