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Último adeus: Morte silencia o combativo Mendonça Neto

sexta-feira, novembro 12th, 2010

Texto de Maria Salésia publicado no Jornal Extra

Antônio Saturnino de Mendonça Neto, conhecido como “A voz que não se cala†lutou por 10 meses contra um câncer renal, mas na madrugada da quarta-feira (10) morreu aos 65 anos em seu apartamento em Maceió. Jornalista, escritor, advogado e ex-deputado, atualmente Mendonça escrevia no Jornal Extra de Alagoas. Dono de um discurso sagaz e de um texto incomparável, dedicou boa parte de sua vida à luta contra a corrupção e em defesa da moralidade pública. Por seu persistente combate aos ladrões do colarinho branco passou a ser conhecido como “A voz que não se calaâ€. Sua coluna no Extra era a mais lida no Estado. Atualmente, no campo político, lutava pela punição dos deputados Taturanas que roubaram mais de R$ 300 milhões da Assembleia Legislativa.

A morte silenciou Mendonça, mas não calou sua voz. Como esquecer da carta aberta ao senador Renan Calheiros- “Vida de gado. Povo marcado. Povo felizâ€- que ganhou o mundo e até virou corrente na internet. E de Uma elite burra?- Não, os burros somos nós, 180 milhões de brasileiros; Alagoas: terra de taturanas, gabirus e um punhado de homens de bem; Vamos banir esta escória que tomou conta de Alagoas. Mas ele também falou do amor, da vida, da família. E textos memoráveis ficarão em nossas memórias como: As doces mulheres da minha vida; Para não dizer que não falei de flores onde escreveu “é isto que desejo a todos que me lêem: paz e compreensão, e sobretudo amor, valores que nunca devem ser subestimados. Que Deus lhe dê força, para descobrir os milagres da vida; As doces mulheres da minha vida e um Deus que dormiu ao meu lado.

Mendonça foi um revolucionário de seu tempo. Suas palavras ecoaram nos quatro cantos do mundo. Destemido, não tinha medo de dizer o que sentia e defender os interesses da coletividade. E como tão bem retratou um admirador e leitor de sua coluna no Extra, ele era um exagerado inflexível em tudo o que disse e quase sempre no que fez. “Exagerado na inteligência, na cultura, na oratória, no perfeccionismo, na amizade e na inimizade, enfim, um exagerado por excelência.†E assim era Mendonça: um guerreiro imbatível e até ao anteciparem sua morte, teimou em viver um pouco mais.

Mineiro de nascimento e alagoano de coração, Mendonça Neto viveu a infância em Maceió onde aprendeu a amar essa terra e sua gente. Naquela época muda-se com a família para o Rio de Janeiro. Lá se formou em direito pela Faculdade Brasileira de Ciência Jurídica e trabalhou como jornalista no Diário de Notícia. Mendonça trabalhou, ainda, nas revistas O Cruzeiro e Manchete e foi professor da PUC – Pontifícia Universidade Católica, no curso de comunicação.

Polêmico e combatível, no início dos anos 70 Mendonça volta para Alagoas e funda o semanário “O Estado de Alagoasâ€. Em 1974 se elege pelo MDB o deputado estadual mais votado com 15.171 votos. Desafiou o crime organizado e denunciou os marajás da Assembleia Legislativa. Em 1978, com 32 anos, foi eleito deputado federal, sendo escolhido o maior orador da Câmara dos Deputados entre seus 513 parlamentares. Em 1982 e eleito mais uma vez deputado, obtendo 25.000 votos. Este ano, apesar de debilitado, tentou uma vaga na Assembleia Legislativa pelo PSOL, mas não foi eleito.

Casado com a bióloga Karyna Wanderley de Mendonça, teve com ela João Guilherme Wanderley de Mendonça, 6 anos. Do seu primeiro casamento, com a medica Ângela Canuto teve 2 filhos: Carlos Eduardo Canuto Mendonça que é Juiz de Direito e Clarissa Canuto Mendonça, estudante de Direito.

E com a morte de Mendonça Alagoas fica órfã de um filho do coração que tão bem retratou esta terra e lutou contra a corrupção, a imoralidade e os desmandos do que ele chamava de bandidos do colarinho branco. Os leitores e a redação do Extra, em especial, ficam órfãos da leitura obrigatória de todas as sextas-feiras logo cedo onde poderia se deliciar nas páginas do jornal com o texto eloquente, rebuscado e preciso de Antônio Saturnino de Mendonça Neto.

O jornal Extra não perde apenas um colaborador, mas um grande amigo e companheiro que certa vez em resposta a um internauta escreveu: “Não sou dono do EXTRA e nem se quer sou candidato a nada neste momento. O EXTRA concedeu-me liberdade de expressão que os outros nunca fizeram, censurando minha opinião. Esta liberdade é que permite a você ver publicado sua opinião crítica, o que jamais aconteceria nos outros jornais. Agradeça,sempre, haver um jornal que acolhe o que você escreve e o que escrevem centenas de alagoanos, que tem no EXTRA o seu canal mais democrático e legítimo de expressão política e desabafo moral. Pense em uma Alagoas sem um jornal independente como o EXTRA e veja como temos sorte -você, eu e tantos alagoanos, em existir um pequeno jornal que luta para manter-se livre e independente.â€

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Uma história de luta nas tribunas do povo

quarta-feira, novembro 10th, 2010

Autor: João Mousinho (publicado no Jornal Extra Alagoas)

Mendonça Neto descobriu em 2009 que tinha câncer e foi combatê-lo no Rio de Janeiro, passando por um tratamento rigoroso. A imensa vontade de viver ao lado de sua família o trouxe de volta para Alagoas, depois de 10 meses de tratamento. A enfermidade cruel levou a “Voz que não se cola†na manhã desta quarta-feira.

Casado com a bióloga Karyna Wanderley de Mendonça, teve com ela seu filho João Guilherme Wanderley de Mendonça, que hoje tem 6 anos. Do seu primeiro casamento, com a medica Ângela Canuto teve 2 filhos: Carlos Eduardo Canuto Mendonça que é Juiz de Direito em Alagoas, aprovado em concurso publico rigoroso pelo seu valor pessoal e de Clarissa Canuto Mendonça, estudante de Direito.

Em sua última entrevista ao jornal Extra Mendonça disse que a crise de Alagoas é uma crise de autoridade. Autoridade sem banditismo nem o controle do Estado pelo crime organizado. Vontade política para enfrentar os graves problemas de saúde, segurança publica, educação e saneamento do Estado, que se arrastam há décadas sem que nenhum governo consiga solucioná-los.

Mendonça Neto tinha em sua crença a existência de uma força superior que determina o nosso destino, a sua compreensão na necessidade de os homens e mulheres de seu país serem mais amigos e leais uns com os outros.

Como começou a história de Mendonça Neto?

Estudante no Rio de Janeiro, de família de classe média fez ensino fundamental nos grupos escolares México, Julio de Castilhos e no colégio Anglo Americano. Formou-se em direito pela Faculdade Brasileira de Ciência Jurídica e começou a trabalhar como jornalista no Diário de Notícia.

Curiosamente, era seu companheiro de redação o jornalista Adolfo Martins, que anos depois criaria o jornal Folha Dirigida e o instalaria no prédio em que foi o DN, na rua do Riachuelo, Rio de Janeiro.

Mendonça trabalhou, ainda, nas revistas O Cruzeiro e Manchete e foi professor da PUC – Pontifícia Universidade Católica, no curso de comunicação. Morando no Rio de Janeiro, não tirava da cabeça a idéia de voltar para Alagoas. E voltou, dirigindo ele mesmo um fusca azul, chegou em Maceió e fundou um pequeno semanário que se chamou ‘O Estado de Alagoas”. Escrevia todo o jornal, vendia os anúncios, colocava o jornal nas bancas e cobrava as publicidades, já que não tinha recursos para pagar funcionários que cuidassem disso.

Na sua primeira eleição para deputado estadual pelo MDB, foi o mais votado da historia política do Estado, tanto na capital como no interior, obtendo 15.171 votos. Deputado polêmico desafiou o crime organizado em Alagoas e denunciou os Marajás da Assembleia Legislativa. Foi o deputado que mais apresentou projetos e mais vezes ocupou a tribuna do legislativo. Em 1978 foi eleito deputado federal, 32 anos de idade, destacou-se nacionalmente, sendo escolhido o maior orador da Câmara dos Deputados entre seus 513 parlamentares. Em 1982 disputou, outra vez, uma cadeira de deputado estadual e foi novamente o deputado mais votado de Alagoas, obtendo 25.000 votos.

Disputou em 1986 a cadeira de senador em uma campanha sem dinheiro, mas que o consagrou como o político que melhor sabia usar a televisão. Cofiando que Fernando Collor, da sua geração, poderia fazer um bom governo, votou nele, e recebeu como pagamento a traição de Collor que o demitiu da Secretaria de Planejamento e arquitetou um processo judicial falso para atingir Mendonça Neto.

Mendonça venceu Elle – Mendonça ganhou o processo, como cidadão comum, no Tribunal de Justiça de Alagoas e processou Fernando Collor e o governo de Alagoas pelos crimes de calunia injuria e difamação. Ganhou, também, este processo e o Supremo Tribunal Federal (STF) decretou que Fernando Collor usara a máquina do governo para perseguir um homem inocente.

Voltou em 1990 como candidato a deputado federal criticando o confisco da poupança e das contas bancarias do povo brasileiro, executado por Collor e que levou muitos idosos ao desespero e ao suicídio.

Votou pelo impeachment de Fernando Collor e, novamente foi o deputado alagoano que mais apresentou projetos e que mais vezes ocupou a tribuna da Câmara e Congresso Nacional.

O jornalista e advogado escrevia, atualmente, no Jornal Extra, onde sua coluna é a mais lida de Alagoas, como o maior número de acessos pela internet, sem deixar de participar do debate político e lutando pela punição dos deputados que desviaram R$ 300 milhões que foram furtados da Assembleia Legislativa.

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