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As responsabilidades dos estagiários

quarta-feira, maio 18th, 2011

Artigo publicado no site Centro de Integração Empresa-Escola

Luiz Gonzaga Bertelli*

O estágio é um período de amadurecimento para os jovens. Além de despertá-los para a necessidade de se preparar cada vez mais para o competitivo mercado de trabalho, o estagiário aprende a lidar com seu próprio dinheiro. Isso porque todo estágio deve ser remunerado com a bolsa-auxílio de acordo com a Lei nº 11.788/08, prática corrente antes mesmo da obrigatoriedade legal.

A questão é que o tema finanças pessoais raramente ocupa as conversas com familiares e está ainda mais ausente das salas de aula. Entretanto, o controle das contas será essencial para que o estagiário alcance outras conquistas na vida adulta, como a aquisição do primeiro carro ou até mesmo da tão sonhada casa própria. Mesmo sabendo que, na ponta do lápis, a base da convivência harmoniosa com o dinheiro se restringe à simples orientação de não gastar mais do que se ganha, o CIEE disponibiliza gratuitamente o curso Como administrar suas finanças.

Feito pelo site www.ciee.org.br, a oficina tem duração média de cinco horas, que devem ser cumpridas em um prazo de dez dias. Nela, o jovem recebe noções de planejamento e aplicações que podem render mais. Além disso, é alertado para algumas razões pelas quais as pessoas se atolam em dívidas. Como a apostila do curso é liberada para download e impressão de quem se matricula no curso, os conhecimentos podem ser repassados para toda a família, tendo em vista que as altas faturas do cartão de crédito – um dos grandes vilões do desequilíbrio orçamentário – podem assombrar até mesmo os consumidores mais calejados. Mas é preciso dizer que os estudantes estão bem encaminhados: uma pesquisa do CIEE identifica que um percentual significativo dos estagiários destina parte da sua bolsa-auxílio para pagar as mensalidades escolares e para compra de materiais pedagógicos, destinando ainda uma parcela para complementar a renda familiar. Como se vê, nem sempre juventude é sinônimo de consumo desenfreado.

*Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e diretor da Fiesp.

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Habitante de São Paulo vive menos

sexta-feira, fevereiro 25th, 2011

* Luiz Gonzaga Bertelli (foto)

Estudo do prof. Paulo Saldiva publicado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade sob o título “O Homem e o Meio Ambiente Urbanoâ€, no livro “Meio ambiente e saúde: O desafio das metrópolesâ€.

No livro, o consagrado patologista ressalta que, hoje, morar na capital dos paulistas reduz em até dois anos o tempo de vida de uma pessoa saudável.
Outro levantamento, na sua análise, denota que o mero ato de respirar faz o cidadão paulistano fumar o equivalente a três cigarros diários.
Ademais, consoante o aludido trabalho, permanecer por mais de duas horas na condução de um veículo no estressante e congestionado trânsito da metrópole de Anchieta, poderá duplicar as paradas cardíacas, inclusive de uma criatura normal.
Conforme as estatísticas, são registrados, em média, perto de 4 mil óbitos anuais, em decorrência da fumaça e cinza que, quase permanentemente cobre a cidade, o equivalente à quantidade duas vezes maiores, quando comparada com as vítimas da AIDS e tuberculose.
Ademais, o destacado mestre da tradicional escola médica da USP evidencia que essa situação repercute na incidência dos distúrbios do sono, conjuntivite e nos acentuados níveis de estresse e depressão dos paulistas.
A questão torna-se cada vez mais complexa e difícil de ser administrada pelos gestores públicos, eis que perto de 1 mil veículos novos são licenciados, à cada dia, em São Paulo, acrescentando-se ao caótico trânsito da megalópole, o que totaliza cerca de oito milhões de carros em circulação, no início de 2011. Os informes da CET comprovam que, para cada dois paulistanos já temos um veículo em movimentação. Duas mil grandes indústrias são responsáveis pelas emissões industriais.
Os pulmões dos moradores estão negros, sentencia o pesquisador, demonstrando que 70% das internações hospitalares por doenças respiratórias e pulmonares são decorrentes da poluição atmosférica. Falta muito para termos um meio ambiente saudável na cidade. A rede de esgotos foi implantada. Contudo, o seu destino final é inadequado: apenas 66% do esgoto coletado é tratado.
Também, as constantes interrupções do trânsito dos veículos ocasionam um prejuízo anual de R$ 33 bilhões para a economia do município.
Lave e Seskin estimaram para os EUA, país onde o processo do refino da gasolina é dos mais avançados – apresentando, portanto, um combustível de baixo teor de elementos poluentes – que uma redução de 50% nos níveis da poluição atmosférica aumentaria a esperança de vida de uma criança nascida em de três a cinco anos, além da redução do custo econômico global representado por moléstias de toda a ordem, incluindo remédios, hospitalização e faltas ao trabalho. Em média, 50% das partículas em suspensão na atmosfera correspondem aos resíduos provenientes do funcionamento dos motores de explosão.
Juridicamente, a responsabilidade pelo controle da poluição não é apenas dos órgãos estatais, mas de todo cidadão, existem mecanismos institucionalizados, entre os quais a ação popular, prevista na constituição brasileira. Diante desse cenário, o Prof. Gomes Amaral, presidente da Associação Médica Brasileira, afirma que ainda há tempo para a correção de rumo.
· Presidente do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE)
Presidente da Academia Paulista de
História (APH).
· Diretor e Conselheiro da FIESP.
São Paulo, fevereiro de 2011.

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