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Debates, por que promovê-los?

terça-feira, outubro 19th, 2010

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa 

Do Paulo Preto a Erenice Guerra, das privatizações ao abandono das rodovias, do aborto à insegurança publica, não dá mais para aguentar. E ainda faltam dois. Falamos dos debates entre Dilma Rousseff e José Serra. Depois da Bandeirantes e da Rede TV, vem por aí a  Record,  no domingo, 24, e a Globo, na sexta-feira, 29. Submeteram-se, os candidatos, à ditadura das redes de televisão. Por isso,  bem feito para eles, candidatos e redes, pela falta de coragem para programarem um único entrevero, e sem as regras restritivas que vem impedindo o livre curso de suas propostas  de governo. Um único vídeotape teria bastado para demonstrar a inocuidade desse tipo de expediente eleitoral.  Bem fez o SBT por não mergulhar no novo  abismo de mediocridade revelado pela sucessão presidencial.As grandes redes vangloriam-se de altos índices de audiência, mas é mentira.   Depois de cada debate as assessorias de tucanos e de companheiros apregoam a vitória de seu candidato.  Mera  ilusão, para dizer o mínimo. Domingo,  Serra e Dilma forneceram mais uma oportunidade para o cidadão comum perceber como são parecidos. Pela  impossibilidade de desenvolver projetos com começo, meio e fim,  dada a exigüidade de tempo, passam por despreparados, que certamente não são.

Tempos atrás ainda cabia a associações de classe e entidades do  meio civil  abrir oportunidade aos candidatos para a apresentação de seus planos. A imprensa escrita, no dia seguinte, divulgava em detalhes a fala de cada um.  É claro que em meio a comícios, carreatas  e passeatas onde os chavões tinham seu lugar. Sem esquecer as entrevistas, geralmente coletivas.

A PROVA

Não são poucos os tucanos que lamentam o afastamento de  Aécio Neves  como candidato presidencial no lugar de José Serra. Poderia ter sido diferente caso se tivesse realizado  no ninho a prévia defendida pelo então governador de Minas, hipótese que teria selado a chapa Serra-Aécio ou Aécio-Serra. Em qualquer dos casos, a impressão transmitida ao eleitorado seria de unidade e eficiência. Talvez tivessem sido eleitos ainda no primeiro turno.

BRASÍLIA APAGADA

Falta de energia virou rotina na  capital federal. Não se passa um dia sem que bairros inteiros sejam submetidos a apagões regulares, pela manhã, à tarde ou à noite. O cidadão fica exposto a um trânsito caótico, com os semáforos interrompidos, isso quando consegue tirar o carro da garage, manualmente. Escolas obrigam-se a adiar as  aulas,  postos de saúde suspendem os atendimentos, escritórios fecham e os serviços variados  interrompem suas atividades. A pergunta que se faz é quando Dilma ou Serra, em suas campanhas,  abordarão   tema tão incômodo  quanto vergonhoso. O principal, no entanto, é saber se  o vencedor terá condições de enfrentar a crise.

CONSPIRAÇÃO?

Paranóias à parte, mas quem garante não estar em andamento um conluio entre certos institutos de pesquisa e parte da  chamada grande imprensa, apresentando a cada dia  as mesmas  informações sobre a diminuição dos índices de preferência entre Dilma e Serra? Parece tudo meio arrumadinho, uma repetição do já  célebre escândalo  da Proconsult,  no Rio, quando o então candidato a governador, Leonel Brizola, ia sendo garfado. Só não foi por haver estrilado a tempo.

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Parecenças

segunda-feira, julho 19th, 2010

 Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa 

A quem José Serra pretendeu atingir ao declarar  que o Lula e Fernando Henrique “são mais parecidos do que parece”? Não que a comparação surja absurda ou despropositada. Pelo contrário, o ex-governador de São Paulo  tem toda razão. As diferenças entre eles  são apenas  periféricas, como a de que um é sociólogo, outro torneiro-mecânico. Este oriundo do movimento sindical, aquele com carreira universitária. O primeiro falando inglês, francês e espanhol, o segundo mal arranhando o português. 

Tudo isso desfaz-se como fumaça quando se atenta que ambos, na presidência da República, privilegiaram as elites e multiplicaram o assistencialismo para as massas. Aceitaram a cartilha neoliberal e convocaram equipes econômicas subordinadas ao “Consenso de Washington”.  Aumentaram a carga tributária do cidadão comum  e não  interromperam a farra da especulação financeira. Prometeram mas não realizaram a reforma política. Trataram comercialmente o Congresso e humilharam os respectivos partidos, minimizando suas lideranças.   Reelegeram-se às custas da máquina pública. 

Que José Serra tenha tentado atingir o Lula, comparando o atual governo ao de Fernando Henrique, ainda se explica, mas o raciocínio inverso espanta e choca. Pelo jeito,  o candidato procurou muito mais livrar-se da sombra do emplumado companheiro  tucano, prevenindo-se contra a hipótese de vencer as eleições e ter Fernando Henrique  nos calcanhares, do que propriamente enfraquecer o atual presidente. 

O fracasso dos palanques 

Muitas  razões podem ser apresentadas para justificar o fracasso  dos dois primeiros comícios da campanha de Dilma Rousseff. No caso da inauguração de seu comitê central, em Brasília, terça-feira, o local péssimamente escolhido, uma engarrafada rua do centro da capital,  e a súbita ausência do presidente Lula.  No Rio, a chuva que não deu tréguas, da Candelária  à Cinelândia, mais o fato de que a organização  a cargo  do governador Sérgio Cabral não propriamente empolgou os cariocas. 

No fundo de tudo, porém,  estão os novos tempos da mídia  eletrônica, claro que reunida ao desgaste cada vez maior da classe política.  Nas décadas de cinqüenta e sessenta, quando não havia televisão, ou quando ela engatinhava, o eleitor precisava comparecer à  praça pública, se queria ver e ouvir seus candidatos. É verdade que nos anos oitenta,  milhões se reuniam nas principais capitais, mas era para protestar e demonstrar indignação diante da ditadura militar já nos estertores. 

Mesmo assim, há que registrar: continuando as coisas como vão, encerra-se a milenar temporada dos comícios. A comodidade e  o desencanto do eleitor servem de coveiros daquelas monumentais manifestações populares. Acrescente-se, porém, a titulo de compensação: em 1945 os comícios do brigadeiro Eduardo Gomes empolgavam o país. Grandes oradores, dezenas de milhares de lenços brancos abanando ao final de cada noite, ao tempo em que os comícios  do  general Eurico Dutra eram os mais lamentáveis. Pouquíssima gente e uma oratória abominável por parte do candidato. Abertas as urnas, um banho.  De quem? De Dutra… 

Excessos 

Mais uma vez, excessos de parte a parte. Não tinha o presidente Lula o direito de ridicularizar a vice-procuradora eleitoral que o advertiu sobre propaganda eleitoral ilegítima e abuso de poder político,  à sombra das facilidades de governo. Ao referir-se  a ela como a “uma procuradora qualquer”, o primeiro-companheiro perdeu excelente oportunidade de ficar calado. Ofendeu uma categoria inteira. 

No reverso da  medalha, porém, a procuradora Sandra Cureau exagerou ao ameaçar governantes em geral, do presidente Lula  ao  governador Alberto  Goldman, de São Paulo, porque manifestam suas opções eleitorais.  Ora, são cidadãos na posse de seus direitos políticos, dispõem da prerrogativa constitucional da liberdade de expressão. Situá-los entre a castração  e a cassação, só porque  o  Lula declarou que vai votar em Dilma, e Goldman elogiou o governo do antecessor, será que também não representa  abuso de poder?

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