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“Ninguém faz nada sozinho… Nunca desejou aparecer, mas foi o braço moralizador junto com Graciliano”

quinta-feira, março 10th, 2011

Por MARIO AUGUSTO / BLOG ALAGOAS REAL

Estive lendo a timeline do twitter do Jornalista Pedro Oliveira, e resolvi transformar o texto em uma postagem no blog.  

Em 09 de março de 2011 ,o jornal Correio Braziliense publicou um artigo  de autoria de  Carlos Tavares  com o título de Déjà vu . O artigo faz menção honrosa ao modelo de gestão administrativa adotada pelo escritor Graciliano Ramos na década de 20  no município de Palmeira dos Índios ,Estado de Alagoas. Justa homenagem,porém para ser completa faço questão de citar o grande amigo e companheiro de Graciliano e o responsável pelas contas do município naquela época, o Sr. Secretário de Finanças Marçal José de Oliveira ,um homem simples que não cultuava as  vaidades humanas, e nem a sua manifestação mais nefasta, a cobiça. 

Fazendo uma viagem no tempo, iremos recordar que a vida cultural do município de Palmeira dos Índios na década de 20 ,era representada principalmente  em peças de teatro que eram apresentadas no Cine Teatro Palmeirense, cujo diretor era o Sr. Marçal de Oliveira.Homem  erudito, foi além de Teatrólogo e Secretário de Finanças , Músico Compositor  e  Maestro. 

 Nos dias atuais o neto do Sr. Marçal de Oliveira ,o jornalista Pedro Oliveira ,além de ter uma coluna no Jornal Extra de Alagoas, e ser Diretor do site Tudo Global, é escritor ocupando ainda a cadeira de número 26 da Academia Palmeirense de Letras,Ciências e Artes,cujo patrono é o seu nobre avô Marçal José de Oliveira. 

Nas linhas que se seguem ,passo a transcrever a timeline do twitter de seu neto, o jornalista Pedro de Oliveira  , como também o artigo de Carlos Tavares , o quadro de relatório das finanças elaborado por Marçal em 1928 e coloco ainda  o link para o interessante  artigo : Uma  Análise  das  Práticas de  Evidenciação Contábil  sob  a  Ótica  de  Graciliano Ramos nos Anos  de 1928 e 1929. 

TIMELINE DO TWITTER DE PEDRO OLIVEIRA EM 09 DE MARÇO DE 2011 

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pedrotudoglobal Pedro Oliveira  

@ExtraAlagoas Ninguém faz nada sozinho. Veja quem assina os relatórios junto com Graciliano: Marçal José de Oliveira. 

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pedrotudoglobal Pedro Oliveira 

@ExtraAlagoas Nunca desejou aparecer, mas foi o braço moralizador junto com Graciliano na Prefeitura de Palmeira. Está nos relatórios famosos

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pedrotudoglobal Pedro Oliveira 

@ExtraAlagoas Secretário Municipal, teatrologo, compositor, maestro e meu avô com muita honra.

ARTIGO DE CARLOS TAVARES DO CORREIO BRAZILIENSE 

Déjà vu

Não sei por que, mas toda vez que ligo a televisão e vejo notícias sobre uma escola pública sem merenda ou professor, uma rua esburacada, um ônibus quebrado, uma denúncia de nepotismo ou de favorecimentos a amigos do poder, invasões de terras públicas ou outro qualquer tipo de falcatrua me vem uma tremenda sensação de déjà vu e eu digo aos meus botões: ora, tenho todo o direito de achar que já vi esse filme, já li essa notícia, já escutei essa promessa. Outros dirão, porém, calma, calma, o homem assumiu agora, há apenas dois meses, tudo bem. Mas até quando a população continuará sendo enganada com promessas e alimentada com perspectivas que a cada dia se tornam… nulas? Toda vez que vejo uma notícia sobre uma obra inacabada, mau uso de dinheiro público, má administração, decisões medíocres de governantes medíocres que não sabem ou não querem agir diante de uma catástrofe ou de uma simples adversidade, quando vejo, estarrecido, um prefeito dizer: “Então, morra, minha filha…”, em resposta ao desespero de uma dona de casa — não interessa se no Norte ou no Sul do país — vem a certeza sobre o quanto ainda estamos patinando no limbo da modernidade, na soleira dos avanços sociais, na antessala da Justiça. Toda vez que leio nos jornais ou vejo na TV notícias sobre governantes corruptos que vivem à sombra da impunidade e pouco se importam com o destino das populações às quais teriam de dar satisfações, me vem à memória o contrário desse modelo de gestor desonesto: o escritor alagoano Graciliano Ramos. Ele governou o município de Palmeiras dos Índios de 1927 a 1930 e por pouco não foi afastado para sempre do cargo de prefeito com um tiro na cabeça por suas atitudes, por sua mania de prestar contas de tudo que fazia. Graciliano fundou no interior de Alagoas o primeiro (e único) modelo de gestão fiscal responsável de que se tem notícia no Brasil. Todos sabem de seus relatórios. Um deles, de tão bem escrito, foi parar nas mãos do poeta e editor Augusto Frederico Schmidt, que o tornou conhecido nas hostes intelectuais do Rio e abriu as portas das editoras para um dos três maiores escritores da literatura brasileira. Vale a pena reproduzir um trecho: “Pensei em construir um novo cemitério, pois o que temos dentro em pouco será insuficiente, mas os trabalhos a que me aventurei, necessários aos vivos, não me permitiram a execução de uma obra, embora útil, prorrogável. Os mortos esperarão mais algum tempo. São os munícipes que não reclamam”.

Quadro 1 – Relatório do ano de 1928 

PREFEITURA MUNICIPAL DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS
BALANÇO (Exercício de 1928)
RECEITA DESPESA
Licenças para estabelecimento 9:265$000
Décima urbana 4:914$040
Carnes verdes 18:742$000
Pesos e medidas 4:250$000
Oficina e artistas 210$000
Cercas e alicerces 204$000
Vendedores ambulantes 410$000
Feiras 16:780$100
Veículos 380$000
Depósitos de inflamáveis 450$000
Bazares e Botequins em festas 399$000
Construção e reconstrução 210$000
Serviço doméstico 180$000
Torcedores de Cana 10$000
Vendedores de leite 20$000
Vendedores de doces 40$000
Terras do Estado 6:191$100
Bilhares 100$000
Aluguel de medidas 3:101$800
Cemitério 340$000
Taxa sanitária 282$000
Biqueiras 316$600
Cartas de chaffeurs 150$000
Divertimentos públicos 150$000
Placas para veículos 120$000
Casas de farinha 625$000
Compradores de madeira 500$000
Restituições 68$100
Eventuais 615$050
Multas 1:825$500
Poder legislativo 1:616$484
Administração Municipal 11:457$497
Arrecadação de rendas 5:602$244
Iluminação pública 8:921$800
Obras públicas 2:908$350
Limpeza pública e estradas 25:111$152
Cemitério 189$000
Gratificações 1:843$314
Filarmônica “16 de Setembro” 1:990$660
Eventuais 1:069$700
Saldo 71:649$290 10:939$089
Saldo do exercício anterior 105$858
1:044$947
No Banco Popular Agrícola de Palmeira 11:04$050
Em Caixa 40$897
Palmeira, 3 de Janeiro de 1929 – MARÇAL JOSÉ OLIVEIRA – Secretário
Visto – Palmeira, 8 de janeiro de 1929LINK 

Tenho absoluta certeza que nada melhor para a alma , do que amar o seu irmão e dispensar o melhor que se encontra dentro de nós,pois só assim a vida terá o seu verdadeiro significado em existir. 

A família é, e sempre será, a nossa maior fonte de riqueza cultural,moral e espiritual! 

Há mortos em vida e vida em mortos,e o que   somente faz a diferença ,é  a recordação ou o esquecimento diário daqueles que amamos. 

Dedico a postagem do blog ao amigo Pedro Oliveira.

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Freio de arrumação nas pesquisas?

quarta-feira, setembro 29th, 2010


Carlos Chagas

Tempos atrás singular solução foi encontrada pelos motoristas de ônibus,  no Rio, quando não havia metrô e os transportes coletivos eram piores do que hoje. Diante da lotação total das viaturas e da necessidade de recolher mais passageiros nos pontos, sem espaço para entrar, os  imaginativos motoristas gritavam para os trocadores, lá atrás: “vamos para mais um  freio de arrumação!”

Uma freada súbita levava primeiro para a frente e depois para a retaguarda os montes de passageiros que viajam em pé, no corredor, abrindo-se espaços entre os que se agarravam aos bancos e os que iam caindo. Assim, entrava mais gente.

Guardadas as proporções, é o que acontece com as pesquisas eleitorais, com raras exceções uma atividade comercial como qualquer outra, onde o faturamento se torna essencial. Como são muitos os candidatos, os números começam não batendo, para depois chegarem a uma espécie de pré-consenso, não  necessariamente um espelho das tendências populares. Entram nessas contas os patrocinadores, os clientes, os veículos onde serão publicados os resultados e, com todo o respeito, os interesses empresariais.

Apesar da sofisticação das metodologias e da capacidade dos responsáveis, sabem todos que por impossibilidade prática ou por malandragem, das dificuldades de aferir corretamente as tendências de um eleitorado de 132 milhões cidadãos e cidadãs num universo de 5.583 municípios através de consultas a no máximo 4 mil eleitores em apenas 200 cidades.

O problema é que o tempo vai passando, as campanhas se acirram e às  vésperas do pleito é preciso dar um freio de arrumação nas pesquisas. Acoplá-las o melhor possível ao resultado próximo das urnas, medida imprescindível para garantir  clientes nas próximas eleições.

Quando os números começam a mudar, surgem três indagações: 1. Estavam errados os percentuais divulgados até então, não era aquele o sentimento popular. 2. Estavam certos e as alterações de última hora refletem desesperada tentativa de atender a interesses obscuros. 3. O povo é instável, volúvel e bobo, porque mudou como biruta de aeroporto.

De modo geral os institutos ficam com a última hipótese, insurgindo-se contra a possibilidade de terem sido parciais e  cometido erros,  jogando a responsabilidade nos mesmos de sempre, os eleitores.  Só que vigarice tem limites. O que estão fazendo é dar um freio de arrumação nas pesquisas,  quando a solução natural seria, lá como cá, investir em melhores transportes coletivos ou ampliar substancialmente o leque das consultas eleitorais.

DIA DECISIVO

Pode ser que o Supremo Tribunal Federal  encerre hoje a lambança criada em torno da lei ficha-limpa. É preciso saber, a quatro dias das eleições, se valem ou não as impugnações feitas a candidatos até agora condenados pela prática de crimes variados. Indica a lógica que se a mais alta corte nacional de justiça não conseguiu aprovar recurso de  Joaquim Roriz, empenhado em anular  a aplicação da ficha-limpa, deve prevalecer a decisão da instância inferior, o Tribunal Superior Eleitoral, em favor da  vigência imediata do novo texto.

Afinal, para derrubar a impugnação do ex-governador de Brasília, seriam necessários seis votos do plenário do STF, registrando-se que apenas cinco ministros votaram nesse sentido.

Mesmo assim, há dúvidas. Sustentam alguns que a ação de Roriz deva ser arquivada por falta de objeto, ou seja, o ex-governador renunciou à sua candidatura em nome de sua  mulher.  Aliás, manobra tão canhestra quanto a que determinou a perspectiva de sua inelegibilidade, anos atrás, ao renunciar a uma cadeira de senador para não ter o mandato cassado por quebra de  decoro parlamentar.

O problema é que, omitindo-se, o Supremo abre mão de decidir a respeito de fundamental dúvida constitucional, ou seja, se a lei ficha-limpa vale para as eleições de domingo ou só para as próximas,  de 2012. Também precisa esclarecer de uma vez por todas se a lei só  retroage para beneficiar, não para prejudicar, definindo primeiro se as mudanças em questão alteraram o processo eleitoral.

Como o placar encerrou-se em 5 x 5 na votação da semana passada, não tendo o presidente Lula nomeado o décimo-primeiro ministro da corte, que evitaria o empate, quem quiser que especule sobre o resultado de hoje. De qualquer forma, uma situação lamentável, capaz de beneficiar bandidos, de um lado, ou de atropelar a Constituição, de outro…

NEGO PORQUE PEDE

Ainda a propósito da sessão de hoje do Supremo Tribunal Federal, vale recordar  um episódio.  Nos idos de 1955,  para garantir a posse de Juscelino Kubitschek, eleito pelo povo,  o Congresso cassou o mandato de dois presidentes da República, Carlos Luz e Café Filho, defensores  de um golpe contra a democracia. Então vice-presidente licenciado por motivos de doença, Café Filho ficou bom de repente e tentou reassumir. O Exército não deixou, cercando sua residência, e ele impetrou hábeas-corpus junto ao Supremo. Os meretíssimos negaram o recurso e JK teve garantida sua posse.

Tempos depois, indagado sobre a decisão, um dos maiores professores de democracia do país, ex-governador de Minas e depois senador, Milton Campos, declarou: “Se eu fosse ministro do STF também negaria”. Quiseram saber porque e ele resumiu o que seria o seu voto: “Nego porque pede…”

Traduzindo: se um presidente da República, para assumir, necessita de  habeas-corpus, é porque já deixou de ser presidente da República.

O mesmo se aplicaria a Joaquim Roriz:  se para continuar candidato e  ser eleito precisava de um pronunciamento judicial, é porque já não era mais candidato…

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