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Debates, por que promovê-los?

terça-feira, outubro 19th, 2010

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa 

Do Paulo Preto a Erenice Guerra, das privatizações ao abandono das rodovias, do aborto à insegurança publica, não dá mais para aguentar. E ainda faltam dois. Falamos dos debates entre Dilma Rousseff e José Serra. Depois da Bandeirantes e da Rede TV, vem por aí a  Record,  no domingo, 24, e a Globo, na sexta-feira, 29. Submeteram-se, os candidatos, à ditadura das redes de televisão. Por isso,  bem feito para eles, candidatos e redes, pela falta de coragem para programarem um único entrevero, e sem as regras restritivas que vem impedindo o livre curso de suas propostas  de governo. Um único vídeotape teria bastado para demonstrar a inocuidade desse tipo de expediente eleitoral.  Bem fez o SBT por não mergulhar no novo  abismo de mediocridade revelado pela sucessão presidencial.As grandes redes vangloriam-se de altos índices de audiência, mas é mentira.   Depois de cada debate as assessorias de tucanos e de companheiros apregoam a vitória de seu candidato.  Mera  ilusão, para dizer o mínimo. Domingo,  Serra e Dilma forneceram mais uma oportunidade para o cidadão comum perceber como são parecidos. Pela  impossibilidade de desenvolver projetos com começo, meio e fim,  dada a exigüidade de tempo, passam por despreparados, que certamente não são.

Tempos atrás ainda cabia a associações de classe e entidades do  meio civil  abrir oportunidade aos candidatos para a apresentação de seus planos. A imprensa escrita, no dia seguinte, divulgava em detalhes a fala de cada um.  É claro que em meio a comícios, carreatas  e passeatas onde os chavões tinham seu lugar. Sem esquecer as entrevistas, geralmente coletivas.

A PROVA

Não são poucos os tucanos que lamentam o afastamento de  Aécio Neves  como candidato presidencial no lugar de José Serra. Poderia ter sido diferente caso se tivesse realizado  no ninho a prévia defendida pelo então governador de Minas, hipótese que teria selado a chapa Serra-Aécio ou Aécio-Serra. Em qualquer dos casos, a impressão transmitida ao eleitorado seria de unidade e eficiência. Talvez tivessem sido eleitos ainda no primeiro turno.

BRASÍLIA APAGADA

Falta de energia virou rotina na  capital federal. Não se passa um dia sem que bairros inteiros sejam submetidos a apagões regulares, pela manhã, à tarde ou à noite. O cidadão fica exposto a um trânsito caótico, com os semáforos interrompidos, isso quando consegue tirar o carro da garage, manualmente. Escolas obrigam-se a adiar as  aulas,  postos de saúde suspendem os atendimentos, escritórios fecham e os serviços variados  interrompem suas atividades. A pergunta que se faz é quando Dilma ou Serra, em suas campanhas,  abordarão   tema tão incômodo  quanto vergonhoso. O principal, no entanto, é saber se  o vencedor terá condições de enfrentar a crise.

CONSPIRAÇÃO?

Paranóias à parte, mas quem garante não estar em andamento um conluio entre certos institutos de pesquisa e parte da  chamada grande imprensa, apresentando a cada dia  as mesmas  informações sobre a diminuição dos índices de preferência entre Dilma e Serra? Parece tudo meio arrumadinho, uma repetição do já  célebre escândalo  da Proconsult,  no Rio, quando o então candidato a governador, Leonel Brizola, ia sendo garfado. Só não foi por haver estrilado a tempo.

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Lula prepara o futuro

terça-feira, agosto 10th, 2010

Carlos Chagas

Parece claro o objetivo do presidente Lula ao reunir o ministério, hoje, aqui em Brasília: botar a máquina administrativa para operar em ritmo total, se possível frenético. Não deixar um setor, sequer, devagar, quase parando, como vinha acontecendo em alguns.  Cada ministro será chamado a relatar suas atividades e, em especial, o que ainda pode ser feito até o final do  seu mandato.

Esse tour de force obviamente beneficiará a candidatura Dilma Rousseff, devendo a equipe ser exortada para também atuar politicamente em favor dela,   por certo que depois do expediente e nos fins de semana. A preocupação do presidente, no entanto, centraliza-se no seu governo. Pretende que sua aceitação pela opinião pública venha a crescer mais ainda, nas próximas pesquisas, se possível acima dos 80%. Está atento para as críticas formuladas  na campanha eleitoral, especialmente por parte de  José Serra. Elas devem ser respondidas de imediato.

 O Lula prepara o futuro, não apenas a cargo de Dilma Rousseff, se ela for eleita, mas no que diz respeito a ele mesmo. Mostra-se disposto a permanecer na política, liderando o PT. Seus planos são exatamente contrários à performance de Fernando Henrique, isto é, não tornará pública qualquer análise sobre o  futuro governo. Pretende centralizar sua atividade na defesa de reformas institucionais, ainda que sem atropelar as iniciativas de quem vier a sucedê-lo. No caso, imagina  venha a ser Dilma,  mas se for  Serra, dá mesma forma.

Sobre voltar ao poder em 2014, não fala. Nem precisa.

Menos arrogância, por favor

Dá o que pensar a  série de entrevistas que o  Jornal Nacional iniciou ontem e continua hoje e  esta semana com os candidatos presidenciais. Primeiro, porque desde Guttemberg prevalece a regra de que a estrela, em entrevistas de qualquer espécie, é o entrevistado. Nunca o entrevistador. Entre nós, de uns tempos para cá, a moda pegou ao contrário: muitos   são os jornalistas que em vez de  perguntas fazem discursos e  perorações, como se o público estivesse interessado em suas opiniões.

Outra falha ética é  estabelecer uma relação de superioridade com os convidados. Poderia o casal da Rede Globo ter chamado Dilma Rousseff de ministra, título a que tem direito mesmo depois de haver  deixado  o ministério,  assim como  Marina Silva merece coisa igual.  Da mesma forma, chamar José Serra de governador seria o lógico. O que não dá é  dirigir-se como a   ela, ontem,  com um arrogante “CANDIDATA!”, tentativa de estabelecer uma  relação de superioridade diante de quem comparece perante câmeras e microfones. Um pouco de humildade não faria falta a quantos, do lado de cá, deveriam ter presente estar prestando um serviço público, jamais  concorrendo a um concurso  de beleza ou de  popularidade.

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Tutela sobre Dilma?

sexta-feira, julho 30th, 2010

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

Senão engrossar, ao menos ficar com um pé atrás o PT ficará, diante do PMDB. Com base em pesquisas abertas ou restritas, os companheiros sentem que pouco mudará a composição do futuro Congresso, em termos de representação partidária. Salvo inusitados, o PMDB continuará com as maiores bancadas na Câmara e no Senado, fator  capaz de ser  festejado pelo PT, não fosse o receio de  o partido e o novo governo virem a ser manipulados,  no caso da vitória de Dilma Rousseff. Manipulados pela figura central do PMDB, seu presidente e hoje candidato a vice-presidente da República, Michel Temer. Porque a relação da candidata com deputados e senadores é mínima, mas a de seu colega  de chapa é total.

O perigo, para muitos petistas,  está na possibilidade de Temer, instalado no palácio do Jaburu, centralizar as relações da nova administração com o Legislativo, tornando-se peça-chave para a aprovação ou rejeição de projetos de interesse do palácio do Planalto. Em outras palavras, exercendo uma espécie de tutela parlamentar sobre Dilma e, obviamente, cobrando o preço que seu partido costuma cobrar.

Michel Temer movimenta-se para desmentir  essa versão, entoando loas de lealdade e fidelidade à candidata do PT, mas não há sinais de que pretenda renunciar à presidência do PMDB.  Inexiste lei para  obrigá-lo  a tanto, registrando-se até que João Goulart, enquanto vice-presidente de Juscelino e de Jânio,  continuou  presidindo o PTB.

Os três mosqueteiros

Para ficar no complicado PMDB, tem gente imaginando um explosivo cenário para o partido,  no futuro Senado. Porque Pedro Simon tem mais quatro anos de mandato, assim como Jarbas Vasconcelos, provavelmente derrotado na tentativa de eleger-se governador de Pernambuco. Junte-se a eles Roberto Requião, com a eleição garantida no Paraná, conforme as pesquisas.

Os três vão dar trabalho à direção peemedebista, desalinhados que são há muito tempo.

Cuidado com ele

Parece fora de cogitação que as grandes redes de televisão venham  a reunir os dez candidatos à presidência da República, nos debates previstos para começar na próxima semana. Serão no máximo quatro a enfrentar-se: Dilma Rousseff, José Serra, Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio.

O candidato do Psol não tem ilusões quanto à possibilidade de eleger-se, mas centraliza seu objetivo em ganhar os debates, hipótese muito possível, seja pela sua experiência político-parlamentar, seja pela contundência de sua mensagem.  Dos poucos comunistas que também é fervoroso católico-apostólico-romano, Plínio poderá aprofundar temas dos quais  seus adversários fogem como o diabo da cruz. E com a vantagem de uma oratória ímpar.

Indefinição em Brasília

Contestado por uns, admirado por outros, Joaquim Roriz lidera as pesquisas para governador do Distrito Federal. Já ocupou o cargo por quatro mandatos, situação singular que tanto o favorece quanto  prejudica. Afinal, para que deseja voltar pela quinta vez, indagam uns, enquanto outros respondem ser para completar a sua obra. Por haver renunciado ao Senado para não ter o mandato cassado em função de uma transação bancária pouco clara, Roriz está tendo seu  pedido  de registro como candidato  impugnado na Justiça Eleitoral. Caso não consiga ultrapassar o obstáculo, recomendará  Maria Abadia para substituí-lo.

O candidato do PT é o ex-deputado e ex-ministro Agnelo Queirós, cujos percentuais vem crescendo nas pesquisas. Por conta da indefinição  do quadro eleitoral, ainda não se respira na capital o clima emocional de outros anos.

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O futuro depois da derrota

sexta-feira, julho 23rd, 2010

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

Em tempo de eleição  os candidatos só pensam na vitória. Fala-se de candidatos para valer, é claro, dada a  existência daqueles que entram nas disputas eleitorais para fazer figuração ou até  por questões patológicas. Mas os verdadeiros candidatos  nem de longe raciocinam com a derrota. Pensarão nela quando chegar a hora.

Mesmo assim, aqui de fora, não nos sentimos limitados para deixar de imaginar o que acontecerá com os derrotados. Qual o futuro deles?

Vale começar com o mais velho. José Serra, caso perca a eleição, não repetirá o percurso anterior, de candidatar-se a prefeito de São Paulo, depois a governador do estado. Menos pelos seus 68 anos de idade, mais  por enfado, quem sabe  por  cansaço. Perdendo a corrida para o único cargo que ainda não exerceu na política, a presidência da República, tudo indica a disposição de recolher-se à vida acadêmica. Quem sabe aceitará  consultorias em empresas privadas? Afinal, não sendo rico, apesar das aposentadorias de prefeito e governador, precisará prover o futuro com algum trabalho. Dificilmente  admitirá permanecer no primeiro plano da política tucana, fazendo oposição a um novo governo do PT.

Já Dilma Rousseff, se não for eleita, também precisará trabalhar. Não é mulher para ficar apenas cuidando dos netos e nem dispõe de patrimônio capaz de garantir-lhe o ócio. Como executiva, enriqueceria qualquer empresa privada.  Poderá, com facilidade, integrar governos estaduais chefiados por companheiros e aliados, do Rio Grande do Sul, se Tarso Genro eleger-se, ao Acre, com Tião Viana. Não aceitaria qualquer participação num  governo do PSDB, se lhe fosse oferecida.  Continuaria na linha de frente do PT, junto com o Lula.

Marina Silva sabe estar plantando para o futuro. Deixa  uma reeleição  mais do que certa no Senado, muito possivelmente disputará outra vez o palácio do Planalto, em 2014. Permanecerá como férrea defensora de causas ecológicas e ambientais.

Quanto aos candidatos à  vice-presidência, mais sofrerá Michel Temer, com a derrota. Pensará sempre que poderia ter  permanecido na presidência da Câmara pelo biênio 2011-2012, desde que se reelegesse,   não fosse a ambição de tornar-se companheiro de chapa de Dilma. Fora de seus planos estará a disputa municipal  de daqui a dois anos, em São Paulo, restando-lhe retornar como deputado em 2014.

Sobre o Índio da Costa, lamentará apenas haver trocado a Câmara Federal pelo sonho  de ser vice sem voto, mas, pela pouca idade, poderá imaginar-se nas eleições para a prefeitura do Rio, dentro de dois anos.

Em suma, hoje os candidatos referidos torcerão o nariz diante de qualquer  pergunta sobre uma eventual  derrota, que não aceitam.  Ou será que lá no fundo,  bem no fundo, a hipótese já foi cogitada por eles?

No reino da fantasia (1)

A gente não sabe o que é mais singular: se os tribunais eleitorais continuarem  multando o presidente Lula e Dilma Rousseff por propaganda antecipada e abuso de poder ou  se  os pedidos de desculpa dos dois. Porque já são sete multas para cada um, se hoje não apareceu   mais alguma.  O presidente e sua candidata continuam fazendo o que bem entendem, assim como José Serra e o governador Alberto Goldman. Dão de ombros para a legislação eleitoral, aliás, legislação burra. Até agora não pagaram um centavo, encontrando-se  as penalidades em grau de recurso.

Mesmo se não estivesse em recesso, não daria  para o Congresso mudar as regras do jogo em nome da liberdade de expressão, mas algum dia, a partir do ano que vem, essa floresta de obstruções acabará desbastada. Desde que não se façam campanhas com dinheiro público, inexistem motivos para impedi-las. Quem se desgasta é a justiça eleitoral.

No reino da fantasia (2)

Todo mundo escorrega, José Serra também teve o seu dia.  Falando a empresários de Goiás, saiu-se  com a seguinte definição: “o papel mais importante do empresário não é ficar rico, mas gerar empregos e ajudar a construir o Brasil.”   A platéia não riu por delicadeza.

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Parecenças

segunda-feira, julho 19th, 2010

 Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa 

A quem José Serra pretendeu atingir ao declarar  que o Lula e Fernando Henrique “são mais parecidos do que parece”? Não que a comparação surja absurda ou despropositada. Pelo contrário, o ex-governador de São Paulo  tem toda razão. As diferenças entre eles  são apenas  periféricas, como a de que um é sociólogo, outro torneiro-mecânico. Este oriundo do movimento sindical, aquele com carreira universitária. O primeiro falando inglês, francês e espanhol, o segundo mal arranhando o português. 

Tudo isso desfaz-se como fumaça quando se atenta que ambos, na presidência da República, privilegiaram as elites e multiplicaram o assistencialismo para as massas. Aceitaram a cartilha neoliberal e convocaram equipes econômicas subordinadas ao “Consenso de Washington”.  Aumentaram a carga tributária do cidadão comum  e não  interromperam a farra da especulação financeira. Prometeram mas não realizaram a reforma política. Trataram comercialmente o Congresso e humilharam os respectivos partidos, minimizando suas lideranças.   Reelegeram-se às custas da máquina pública. 

Que José Serra tenha tentado atingir o Lula, comparando o atual governo ao de Fernando Henrique, ainda se explica, mas o raciocínio inverso espanta e choca. Pelo jeito,  o candidato procurou muito mais livrar-se da sombra do emplumado companheiro  tucano, prevenindo-se contra a hipótese de vencer as eleições e ter Fernando Henrique  nos calcanhares, do que propriamente enfraquecer o atual presidente. 

O fracasso dos palanques 

Muitas  razões podem ser apresentadas para justificar o fracasso  dos dois primeiros comícios da campanha de Dilma Rousseff. No caso da inauguração de seu comitê central, em Brasília, terça-feira, o local péssimamente escolhido, uma engarrafada rua do centro da capital,  e a súbita ausência do presidente Lula.  No Rio, a chuva que não deu tréguas, da Candelária  à Cinelândia, mais o fato de que a organização  a cargo  do governador Sérgio Cabral não propriamente empolgou os cariocas. 

No fundo de tudo, porém,  estão os novos tempos da mídia  eletrônica, claro que reunida ao desgaste cada vez maior da classe política.  Nas décadas de cinqüenta e sessenta, quando não havia televisão, ou quando ela engatinhava, o eleitor precisava comparecer à  praça pública, se queria ver e ouvir seus candidatos. É verdade que nos anos oitenta,  milhões se reuniam nas principais capitais, mas era para protestar e demonstrar indignação diante da ditadura militar já nos estertores. 

Mesmo assim, há que registrar: continuando as coisas como vão, encerra-se a milenar temporada dos comícios. A comodidade e  o desencanto do eleitor servem de coveiros daquelas monumentais manifestações populares. Acrescente-se, porém, a titulo de compensação: em 1945 os comícios do brigadeiro Eduardo Gomes empolgavam o país. Grandes oradores, dezenas de milhares de lenços brancos abanando ao final de cada noite, ao tempo em que os comícios  do  general Eurico Dutra eram os mais lamentáveis. Pouquíssima gente e uma oratória abominável por parte do candidato. Abertas as urnas, um banho.  De quem? De Dutra… 

Excessos 

Mais uma vez, excessos de parte a parte. Não tinha o presidente Lula o direito de ridicularizar a vice-procuradora eleitoral que o advertiu sobre propaganda eleitoral ilegítima e abuso de poder político,  à sombra das facilidades de governo. Ao referir-se  a ela como a “uma procuradora qualquer”, o primeiro-companheiro perdeu excelente oportunidade de ficar calado. Ofendeu uma categoria inteira. 

No reverso da  medalha, porém, a procuradora Sandra Cureau exagerou ao ameaçar governantes em geral, do presidente Lula  ao  governador Alberto  Goldman, de São Paulo, porque manifestam suas opções eleitorais.  Ora, são cidadãos na posse de seus direitos políticos, dispõem da prerrogativa constitucional da liberdade de expressão. Situá-los entre a castração  e a cassação, só porque  o  Lula declarou que vai votar em Dilma, e Goldman elogiou o governo do antecessor, será que também não representa  abuso de poder?

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A guerra suja das elites

quarta-feira, julho 14th, 2010

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa RJ

Importa menos, hoje, expor preferências variadas ou especular sobre quem sairá vitorioso, se Dilma ou Serra. O fundamental é verificar que há razão quando o comitê de campanha do PT denuncia má-vontade e até má-fé por parte de vasto segmento da grande imprensa diante da candidata. Depois dos jornalões, faltavam as revistas semanais. Não faltam mais, desde o fim de semana.

Como porta-voz ou, mesmo, integrante das elites econômicas, e com as exceções de sempre, a mídia distorce, omite, pressiona e tenta transmitir à opinião pública a iminência do chamado risco-Dilma, ou perigo-Dilma, em cada gesto, iniciativa ou opinião da ex-ministra.

Exatamente como aconteceu em 2002, quando o Lula caminhava para eleger-se, até que cedeu, esqueceu antigas promessas de reformas de base e escreveu a tal “Carta aos Brasileiros”, prometendo manter as linhas-base da política neoliberal de Fernando Henrique. Parece ser isso o que pretendem, cercando e encurralando Dilma Rousseff em cada momento de sua campanha.

No fundo, a grande imprensa e seus mentores estão morrendo de medo. Temem que a candidata possa fazer o que o Lula não fez, interrompendo o fluxo de benesses e favores para o andar de cima e promovendo mudanças essenciais, como o imposto sobre grandes fortunas, a proibição da fuga de capitais, a taxação do capital especulativo e a ampliação da reforma agrária.

Dilma já cedeu uma vez. Seu recuo ao estripar o programa de governo do PT junto à Justiça Eleitoral, semana passada, estimula maiores pressões por parte das elites. Elas estariam felizes e até demonstrariam simpatia pela candidata caso um sucedâneo da “Carta aos Brasileiros” emergisse dessa guerra suja que passaram a desencadear. Resta saber se haverá ânimo para a resistência.

Quem sabe dá certo?

Uma lufada de oxigênio acaba de ser promovida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski, ao declarar esperanças na aplicação férrea da lei da ficha-limpa nas eleições de outubro. Quem sabe vai dar certo e os bandidos ficarão fora da disputa pelo voto de 130 milhões de brasileiros?

Não vinham sendo promissoras as decisões da Justiça Eleitoral, concedendo liminares para o registro de cidadãos condenados por tribunais colegiados por crimes variados. Com a palavra do presidente do TSE, emerge a expectativa de correção dessas medidas iniciais quando do exame do mérito dos recursos. Pelo menos, surge alguém a favor da ética.

Sacrifícios

Sacrifícios, todo candidato deve estar preparado para fazer, de comer buchada de bode a enfrentar cotoveladas andando pelas ruas das grandes cidades. Beijar criancinhas até que constitui um refrigério, mas participar de almoços e jantares sem conta, cercando-se de políticos empenhados em bajular de corpo presente, falando mal nas ausências, nem tanto.

Dilma Rousseff e José Serra, sem esquecer Marina Silva, enfrentarão até 17 de agosto essa prova de resistência olímpica, obrigados a sorrir quando melhor seria sumir. Naquela data começa a propaganda eleitoral gratuita pelo rádio e a televisão, levando os candidatos a passar a maior parte do tempo em estúdios de gravação. Pelo menos, e em parte, ficarão livres de arcaicas obrigações eleitorais.

Arroz de povo

Não se sabe bem se foi na campanha de Dilma Rousseff ou de José Serra, mas numa delas alguém teve a infeliz idéia de mandar buscar ou, ao menos, de ir até o aquário onde aquele execrável polvo alemão acertou o resultado de todas as partidas da copa do mundo de futebol. Quem sabe ele não pouparia montes de esforços e de recursos decidindo, desde já, quem será o vitorioso em outubro? A proposta teria sido recusada com indignação, surgindo até a alternativa de que melhor será sequestrar o bicho, antes que se pronuncie, mandando-o para a panela e depois para mesa, onde se serviria um delicioso arroz de polvo…

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Pesquisas, adeus…

segunda-feira, julho 5th, 2010

Carlos Chagas 

O Ibope favorecia Serra, agora  aponta Dilma na frente. O Datafolha marcava empate, depois cravou Serra. A Sensus passou de um para a outra, voltou e parou no meio. É o samba do crioulo doido? Nem tanto. A conclusão surge clara:  as pesquisas são inconfiáveis pela simples razão de consultarem no máximo três  mil pessoas num eleitorado de 180 milhões. Por mais sofisticadas que sejam as metodologias, não dá para aferir sequer as tendências, quanto mais o resultado das urnas  de outubro. Talvez mais tarde, provavelmente só no dia da eleição. 

Melhor fariam os candidatos, como também os eleitores, se passassem ao largo das pesquisas, considerando-as mera atividade comercial de empresas interessadas no faturamento ou na publicidade para seus veículos de comunicação. Pautar-se pelos números  contraditórios será, para os candidatos, um exercício diário de auto-flagelação. 

É bobagem mudar discursos, alterar o visual e corrigir agendas em função do que divulgam os institutos. Os comandos de campanha precisariam, mesmo, definir roteiros  e diretrizes sem levar em consideração as pesquisas conflitantes, confiando mais nos programas, nas promessas, no passado e no perfil de cada pretendente ao palácio do Planalto. A lição vale também para a mídia, que não pode, sob pena de  desmoralizar-se, ficar oscilando,  dia sim, dia não abrindo maiores  espaços e concedendo mais tempo ora para  Dilma, ora para  Serra. 

Apenas uma ilusão? 

O Supremo Tribunal Federal  concedeu três liminares para candidatos enquadrados na lei da ficha limpa, autorizando-os a registrar-se mesmo tendo sido condenados no passado. Estariam impedidos mas não estão mais, pelo menos se no exame do mérito das ações, a mais alta corte nacional de justiça confirmar a medida inicial. 

Trata-se da derrocada da nova lei, já chamada de lei Viúva Porcina, aquela que foi sem ter sido.  A continuar o processo como vai,  logo montes  de fichas suja estarão sendo  beneficiados.  O problema não é saber se o Supremo desautoriza o Tribunal Superior Eleitoral, porque na Justiça essas coisas acontecem. Mais importante é verificar a débâcle das esperanças nacionais a respeito da aplicação da lei moralizadora. Se não vai valer, ou se valerá muito pouco para as eleições de outubro, quem garante não estará revogada até o próximo pleito?  A bandidagem prepara as comemorações…

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Prestes foi herói?

quinta-feira, junho 3rd, 2010

Não compreendeu sua importância? Se tivesse dominado essa força, o que teria feito?

HÉLIO FERNANDES/TRIBUNA DA IMPRENSA

Elineusa Mattos: “Acho que Prestes foi figura emblemática, destacado em muitos momentos, mas não o herói do qual tanto se fala. Getulio Vargas entregou a mulher dele, Olga Benario, aos nazistas, e depois ele apoiou o ditador. O senhor pode explicar?”

Comentário de Helio Fernandes:

Olha, Elineusa, você usou em relação a Prestes, uma palavra, “emblemática”, que jamais foi utilizada, mas que se adapta perfeitamente a ele. Só que é rigorosamente verdadeiro: na verdade não pode ser julgado por ninguém nem pessoalmente nem posteriormente. E mesmo a História (a autêntica e não a de “historiadores”) terá enorme dificuldade de localizá-lo, identificá-lo, situá-lo.

Atendendo ao teu pedido, vou mostrar fatos da vida dele, longe, bem longe de julgá-lo, mas lembrando episódios estranhos, que mostram Prestes em posições até contraditórias, mas de maneira alguma vulneráveis ou interesseiras.

Prestes jamais fez política. Foi personagem importantíssimo sempre, mas fora do padrão habitual, sem concessões. Se tivesse feito, teria chegado ao Poder, aí, sim, poderia ser julgado pelo que fez, pelo que deveria ter feito, pelo que não fez, pelas mais diversas circunstâncias, e até na hipótese negativa, por ter traído a ele mesmo.

Acontece que sempre repudiou o Poder, o que talvez mereça restrição, pois só o Poder realiza o personagem, determina sua fortaleza ou fraqueza. A segunda vez em 1945, quando você diz que “ele apoiou o ditador” (Chegaremos lá).

Mas falemos da primeira RECUSA de assumir o Poder em 1930, O mais destacado “Tenente” de 1922 em diante, Prestes foi o único a ser capitão com 24 anos de idade. Os “Tenentes” Siqueira Campos e João Alberto, intimíssimos na “Coluna”, foram a Montevidéu “convidá-lo” para chefiar o que então parecia verdadeiro e autêntico, a REVOLUÇÃO DE 30.

Os “Tenentes” tinham enorme importância no movimento, e viajaram autorizados por Osvaldo Aranha e João Neves da Fontoura, Vargas não sabia de nada. Ficaram 2 dias e meio, custaram a falar com o grande personagem, o que foram lá para falar. É que a conversa de Prestes estava tão estranha, que hesitaram.

Finalmente disseram: “Prestes, queremos que venha conosco para chefiar a Revolução que vai mudar os rumos do Brasil, estamos autorizados por todos”. Prestes desconversou, falou, falou, falou, só bem mais tarde decidiu, respondendo: “Mudar os rumos do Brasil, só com uma REVOLUÇÃO Comunista, estão preparados?”

Assombro dos dois “Tenentes”, o que estavam querendo fazer, era o que chamavam de “Revolução burguesa, dominada pela aristocracia rural”. E mesmo os que os mandaram convidar Prestes, não aceitariam (nem imaginariam) essa “REVOLUÇÃO COMUNISTA”.

Conversaram a noite toda, Prestes não queria o Poder a não ser da sua maneira, os outros não podiam ceder, não tinham autonomia de vôo. A propósito, pela manhã resolveram voltar, tomaram o avião, um Latécoère da Condor (depois Cruzeiro do Sul), que levantou e caiu logo em frente a Montevidéu. João Alberto, que não sabia nadar, se agarrou à asa do avião, foi salvo. Siqueira Campos, campeão de natação do Exército (chamado de “fita azul”) resolveu nadar. Foi encontrado dias depois, a quilômetros de distância, comido pelos peixes.

Vitoriosa a Revolução, (que logo perderia a maiúscula) Prestes estava cheio de amigos no Poder, não procurou ninguém, cuidou apenas do Manifesto Comunista, que publicaria em 1932. E sem perda de tempo viajaria para a União Soviética. Ficaria lá ate 1935, quando voltaria ao Brasil para fazer o que propusera em 1930, a Revolução Comunista.

O “Cavaleiro da Esperança” da Coluna extraordinária de 1924 a 1926, mantinha a dignidade, a credibilidade, a temeridade. E a distância do Poder, que jamais conquistaria. (Alguma vez teria considerado exercê-lo?)

A Revolução não era apenas dele, representava a expansão do comunismo, apoiado por Stalin, que até 1942, acreditava e seguia a orientação de Marx: “A Revolução Soviética (não usava a palavra comunista, isso em 1848) não poderá sobreviver existindo apenas em um país”.

Aí, Olga Benario, que nunca foi sua esposa, veio como SEGURANÇA de Prestes. Ela tinha os títulos para isso. Audaciosa, temerária, sem medo de nada, fora casada. E invadira uma penitenciária de segurança máxima na Alemanha, onde o marido estava preso.

Estarrecimento total com a ação, inteiramente bem sucedida, só que o marido morreria pouco depois. Mas a cotação dela ficou no auge, não como mulher e sim como guerreira. Por isso foi designada, a palavra é esta, para ficar sempre ao lado do “camarada” Prestes.

Juntos, homem e mulher procuram qualquer combinação ou resultado. Olga e Prestes logo se esqueceram, os alemães sempre pensaram em vingança. Não dava para esquecer aquela façanha. Aqui ficaram pouquíssimo tempo juntos, nos mesmos locais. Isso foi em meados de 1935, o que chamaram de “Intentona Vermelha” aconteceu em novembro desse mesmo 1935, não se encontraram nunca mais.

A Revolução Vermelha foi um fracasso, Olga Benario ficou durante todo o tempo com Harry Berger, souberam da “Intentona” quando ela estava grávida e já protegida por freiras, principalmente por causa da gravidez.

Prestes foi preso em 1936, março, na Rua Honório, no Méier, era o homem mais procurado do Brasil, encontrado por acaso, na batida num “aparelho do partido”, como se chamava na época.

Torturadíssimo pelo ex-“Tenente” Filinto Muller, com autorização de Vargas, ficou 4 anos num vão de escada na Policia Central. Comia ali, fazia as “necessidades”, foi o homem mais violentado do Brasil e do mundo, mesmo considerando a tortura coletiva dos nazistas.

Como em 1940 as comunicações eram precaríssimas, só aí veio a saber do destino de Olga Benario, não ficou impressionado, revoltado, emocionado, era o seu estilo. (Sacrificou a si mesmo tantas vezes, que seu comportamento nem era surpreendente). Nesse mesmo ano de 1940, Stalin mandou um embaixador especial pedir a Vargas a liberdade de Prestes. (Afinal, eram “aliados”).

Vargas viu a “joia rara” que tinha para negociar, respondeu que não podia libertá-lo, mas transferiu-o para a Penitenciária da Frei Caneca. Em poucos dias construíram para ele uma casa de madeira, quarto, sala, banheiro, podendo receber visitas e correspondência. Ficou nessa situação durante 5 anos, até que em abril de 1945, foi visitado por Hugo Borghi, amigo e emissário especial de Vargas.

O que pretendia o ditador? Libertaria Prestes em troca do seu apoio ao que chamaria de “Constituinte com Vargas”. Tudo combinado e decidido, Prestes foi solto. Mas o espantoso, (ou assombroso exemplo de sinceridade, podem rotular da maneira que quiserem) foi o comício que Prestes fez no Estádio do Vasco, ainda não existia o Maracanã.

A Polícia Militar (que sempre faz cálculos corretos) afirmou na época , que “estavam presentes 150 mil pessoas”, o que não era exagero.

Exagero ou exagerado e incompreensível, foi o exaltado discurso de Prestes, Criticou violentamente o COMPORTAMENTO DO POVO, afirmou textualmente: “VOCÊS ESTÃO INTERESSADOS NUMA GELADEIRA MELHOR, NUM RÁDIO MAIOR (ainda eram enormes). SÃO APENAS BURGUESES, NÃO PENSAM NA COLETIVIDADE”.

O povo saiu chorando, esse era o Prestes que NÃO PEDIA E NÃO CONCEDIA. Era o COMPORTAMENTO DO HERÓI? De grande Líder? De Revolucionário?

Não houve a Constituinte com Vargas, a ditadura acabou no dia 29 de outubro de 1945, às 5 e 10 da tarde, quando Vargas deixava o Catete ao lado do cardeal. Às 9 da manhã, nomeara chefe de Polícia o irmão “Bejo” (apelido depreciativo) que vivia bêbado em cassinos, dando tiros para o alto. ***

PS – Prestes se elegeu deputado e senador pelo Distrito Federal, não se destacou. Em 1948, com o Partido Comunista novamente na ilegalidade, voltou para a União Soviética, já estava casado com Dona Maria, esposa autêntica, com quem teve vários filhos, sua viúva.

PS2 – Prestes ficou órfão, expulso do Partido, e jamais se queixou. Não foi de maneira alguma o fim digno para um homem com a sua biografia.

PS3 – Prestes jamais compreendeu que só o Poder realiza e consolida ideias e convicções. Mesmo na “Coluna” invicta de 1924 a 1926, não pensou em chegar ao Poder. Tanto isso é verdade, que durante 2 anos, saíram de São Paulo, indo sempre para o Norte.

PS4 – Se quisessem dominar, conquistar e governar, marchariam para o Sul, onde estava o poder. Afirmaram sem o menor constrangimento, que “a Coluna acabaria com o fim do governo Bernardes”.

PS5 – Tanta bravura por um objetivo tão pequeno. Até mesmo inglório, apesar da repercussão que resiste, 84 anos depois.

PS6 – Combateram o presidente Bernardes, nacionalista, que como governador de Minas, liquidara a Hanna Minning, começando a destruir o monopólio (trust, como era chamado na época) dos minérios.

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Um plantinha tenra

sábado, maio 22nd, 2010

Carlos Chagas

Terão seu registro negado os condenados por colegiados, leia-se, por tribunais, quer dizer, na segunda instância do Judiciário. Somarão 25% dos pretendentes às eleições de outubro, como supôs o senador Demóstenes Torres, presidente da Comissão de Constituição e Justiça? Tomara que sim, mas não parece fácil. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Ledwandowski, já declarou que a proibição vale para as condenações praticadas depois da promulgação da lei da ficha-limpa, ou seja, após o presidente Lula sancioná-la e em seguida à sua publicação no Diário Oficial.

Senão uma ducha de água fria, ao menos um balde de decepção acaba de ser virado no plenário do Senado, interrompendo a euforia anterior. Mesmo assim, valeu a iniciativa parlamentar, iniciada numa subscrição popular e aprovada pela Câmara. O futuro Congresso deverá ser o último a apresentar razoáveis percentuais de fichas-suja. Pode valer o mesmo para certos governos estaduais.

Otávio Mangabeira dizia ser a democracia uma plantinha tenra que devia ser regada todos os dias. Estava certo. Desde a eleição de Tancredo Neves e a posse de José Sarney que o país respira normalidade institucional, uma constante desde 1985, não obstante traumas variados. Muita gente imaginou a hipótese de uma ruptura, ironicamente gerada por excesso de democracia, ou seja, pela eleição de um operário que adquiriu tanta popularidade a ponto de ser sugerida sua continuação no poder. O terceiro mandato do Lula equivaleria à implosão do processo, mesmo se fosse aprovada pelo Congresso. Coube ao próprio presidente cortar o mal pela raiz, lançando sua candidata e antecipando a campanha sucessória. Pelo jeito, agiu conscientemente, para desfazer ambições e ilusões imaginadas por companheiros. Mesmo sujeito a multas impostas pela Justiça Eleitoral, está de regador na mão.

Terrorismo e armas nucleares

Criou polêmica o senador Cristóvam Buarque ao afirmar a fragilidade do argumento utilizado pelas grandes potências, de que se dispuser da bomba atômica, o Irã seria capaz de cedê-la a grupos terroristas. Disse o ex-governador do Distrito Federal que o terror prefere métodos mais simples, nem por isso menos execráveis, carentes os seus líderes da sofisticada tecnologia de mísseis sucedâneos.

Do jeito que as coisas vão, logo os artefatos nucleares caberão numa mala capaz de ultrapassar fronteiras e viajar pelo mundo. A literatura de ficção política não anda assim tão longe da realidade. Recomenda-se a Cristóvan Buarque, se tiver direito a algum ócio, durante o recesso parlamentar, que leia “A Soma de Todos os Medos”, de Tom Clancy…

Estrilo

Estrilou o presidente Lula, em encontro com prefeitos de todo o país, diante da aprovação pelo Congresso do projeto que extingue o fator previdenciário. De onde o governo vai tirar os muitos bilhões para enfrentar essa despesa adicional? – perguntou o presidente, acusando deputados e senadores de votarem propostas eleitoreiras.

Com todo o respeito, o problema não é de caixa. Caso o Banco Central reduzisse apenas 1% nos juros, o tesouro nacional deixaria de entregar dezenas de bilhões aos especuladores daqui e de fora que compram títulos públicos. Outras alternativas existem. Só não dá para entender porque sacrificar os aposentados, aliás, desde o governo Fernando Henrique que eles vem sendo esbulhados.

Vai licenciar-se?

Em junho o PMDB formaliza a indicação de Michel Temer como candidato à vice-presidência da República, na chapa de Dilma Rousseff. A pergunta é se, em plena campanha, manterá a dupla presidência de que dispõe? Continuará como presidente da Câmara, dirigindo os trabalhos, ou solicitará licença? Mais complicada ainda será sua permanência na presidência do PMDB.

Ambas as atividades parecem incompatíveis com a condição de candidato por simples questão de tempo disponível e de liberdade de ação. Na Câmara, promoveria a votação de projeto prejudicial ao governo? No PMDB, daria força a grupos estaduais em choque com o PT?

Fonte: TRIBUNA DA IMPRENSAONLINE/RJ

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