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Serra caminha para a segunda derrota como presidenciável

quinta-feira, setembro 2nd, 2010

HÉLIO FERNANDES

Há 8 anos venho afirmando sem qualquer dúvida ou hesitação.: “Serra jamais será presidente da Repúblicaâ€. Não pode ser palpite, especulação, adivinhação. Por que “acertaria†de forma tão categórica? (Mesmo com os riscos de uma análise tão longa e duradoura, é difícil errar sobre Serra).

E tem mais. Derrotado, Serra não deixará a vida pública. Pode ser candidato pela terceira vez em 2014, Surpreendidos? Nos bastidores da campanha do ex-Ministro da Saúde, ninguém ignora a conclusão dos coordenadores de Serra e do próprio candidato: “Fomos traídos por Aécio Neves, estamos tendo em Minas, um terço do que esperávamosâ€.

Inicialmente, equívoco e tolice chamar de traição, o fato de Aécio querer ser candidato a presidente, e como Serra controla o PSDB, exigir a sua participação como vice? Por que Serra tem mais direitos do que Aécio de disputar a presidência?

Por que não chamar o próprio Serra de traidor, ele quer tudo, de ministro a prefeito, “senadorâ€, governador, até mesmo a presidente? Serra já entrou na História como o primeiro presidenciável a ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. Era a quarta tentativa de ser presidente, Lula perdeu as três.
Tudo caminha para Serra disputar novamente a presidência em 2014, contra o próprio Lula. Assim, tendo sido o primeiro a perder para Lula, ficaria orgulhoso com a menção (pelo menos numérica) de ser também o último.

Em 2014, Serra estará com 72 anos, Lula com 70. Nestes tempos de longevidade, (excetuada alguma anormalidade), estariam em condições de idade de tentar novamente a presidência. Lula depois de dois mandatos, e Serra sem nenhum, e continuaria sem nenhum.

(Em 1918, Rodrigues Alves, depois de ter sido presidente†de São Paulo, (no Império, governador), presidente da República, foi obrigado a disputar nova presidência. Ganhou, não pôde tomar posse, estava com 70 anos. Imaginem essa idade, há 92 anos).

Serra tentará nova presidência em 2014, por vários motivos. 1 – Não terá mais nada a perder. 2 – Insistirá na possibilidade de chegar a presidente. 3 – Concretizará o sonho ou a esperança de derrotar Lula na terceira tentativa. 4 – Mas a principal de todas as razões: se vingar de Aécio.

Creditando ou debitando ao ex-governador de Minas a sua derrota de agora, terá como objetivo do resto da vida, impedir a carreira de Aécio e sua possível eleição a presidente. Serra, o mais convicto e “abnegado†seguidor de Tancredo (avô de Aécio) que gostava de dizer: “Fulano guarda ódio no freezerâ€. Nem era sobre Serra, mas este é adepto da frase.

A derrota de Serra, além da satisfação e a confirmação do meu poder de análise, significa total contradição em termos de realização e conquista de objetivos. Como são apenas dois candidatos e um não tem a menor chance de vencer, ganha logicamente o outro, que no caso é outra.

Lula, que tentou de todas as maneiras transformar a eleição em PLEBISCITÃRIA, sem a sua participação maior ou eficiente, conseguiu impor a candidata como UNITÃRIA, muito melhor do que idealizara.

Estamos livres da ambição-incompetência-audaciosa de Serra, temos que suportar a ambição, incompetência-mentirosa de Dilma. Se em vez de eleição, fosse uma luta de boxe valendo o título maior, o juiz devia desqualificar os dois, por FALTA DE COMBATIVIDADE.

De qualquer maneira, mesmo obtendo legenda para a terceira candidatura em 2014, Serra não ganha e não liquida o ex-governador de Minas. Este acabou de fazer 50 anos, em 2018 estará com 58 anos, ainda mais moço do que Serra quando foi candidato a primeira vez.

(Serra tinha 60 anos, o PSDB achava que ele não ganhava, quiseram retirar sua candidatura. Protestou, afirmou: “Minha vez é agora, estou com 60 anosâ€. Com isso queria garantir que seria a última oportunidade na vida pública. Depois ainda foi prefeito, (só 15 meses, enganando a opinião pública), governador (também não terminou o mandato), novamente presidenciável. E deixa entrever que não é a última candidatura a presidente.

Esses paulistas desvairados que se julgam insubstituíveis, só têm votos no quintal da “casaâ€. Não conseguem transferir para o país. Serra é inelegível ( e não pelos tribunais), mas convenhamos, perder para Dona Dilma, não é orgulho ou satisfação. Alegria por mais uma derrota dele, mas o que dizer ou esperar de uma presidência Dilma?

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A hora das previsões políticas para 2010

segunda-feira, dezembro 28th, 2009

Carlos Chagas*

Jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão e até blogs vão abrir espaço e tempo, esta semana, para os tradicionais videntes de todos os anos. Só que desta vez os profissionais da arte de enganar os incautos com previsões sobre o futuro terão concorrentes.

Os companheiros do PT, com o Lula à frente, garantem que Dilma Rousseff chegará à Semana Santa empatada com José Serra e, meses depois, estará eleita. Imaginam inexorável a transferência de popularidade do presidente para a candidata.

Já os tucanos garantem que Aécio Neves acabará cedendo aos apelos gerais e aceitará tornar-se companheiro de chapa do governador paulista, formando uma chapa imbatível.

Os videntes saídos do fundo da floresta apostam no crescimento e na vitória de Marina Silva, enquanto alguns empedernidos sustentam a iminência de surpresas inusitadas, como a continuação do atual presidente no poder por mais um período, sabe-se lá através de que artifícios.

Os políticos estarão concorrendo com os costumeiros “Pai-Xangôâ€, “Mãe-do-Mar†e “Tio-do-Caldeirãoâ€, um pouco mais comedidos, mas igualmente interessados em atrair a atenção do vencedor, que ignoram quem seja, para credenciar-se a novas exposições de misticismo quando outro fim de ano chegar. Mais ou menos como fazem os institutos de pesquisa.

Em matéria de previsões políticas, no entanto, é bom ficarmos com Winston Churchill, que nas memórias da Segunda Guerra Mundial, escreveu: “Capacidade política é a capacidade de prever o que acontecerá amanhã, na próxima semana, no próximo mês e no próximo ano. E também a capacidade, depois, de explicar porque aquilo não aconteceu…â€

A caverna de Ali Babá
Transformada em caverna do Ali Babá, Brasília assistiu neste fim de semana ser assaltado até o seu restaurante famoso pela presença permanente de políticos.

Depois do escândalo do mensalão promovido pelo governo local e penduricalhos, a gente pensava que nada poderia acontecer denegrindo ainda mais a imagem de Brasília. Pois aconteceu.

Neste fim de semana, na calada da noite, foi assaltado o restaurante mais famoso da capital federal, o Piantella, há mais de vinte anos ponto de reunião de políticos, lobistas e altas figuras da República.

Felizmente o estabelecimento já estava fechado. Ninguém se feriu. Os ladrões arrombaram uma porta, entraram e, estranhamente, não se preocuparam em abrir o cofre nem as caixas registradoras. Simplesmente sentaram-se na melhor mesa, comeram panetones aos montes, acompanhados de vinho da melhor qualidade e foram embora.

Maior desmoralização não poderia haver para a categoria dos assaltantes, daí as dúvidas da polícia local diante da autoria do assalto: teriam sido os bandidos de sempre, aqueles já conhecidos das autoridades, ou, quem sabe, foram alguns dos freqüentadores habituais do restaurante, frustrados por suas portas estarem fechadas? Afinal, panetone tornou-se a iguaria preferida da outra quadrilha, aquela que freqüenta o Piantella durante o dia…

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