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A oscilação do emprego

sexta-feira, fevereiro 19th, 2010

A taxa de desemprego no Brasil normalmente cai bastante no último bimestre do ano e volta a subir a partir de janeiro, quando se tem o fim do ciclo de empregos temporários nos mais diversos setores, especialmente indústria de transformação, serviços e comércio. Essa tendência deve seguir até março ou abril.

 

No último trimestre do ano ocorrem dois importantes fenômenos: de um lado, os empresários começam a contratar pessoas para a expansão da produção, com base na expectativa de elevação das vendas em novembro e dezembro; de outro, os consumidores aproveitam o clima de festa e renovação para fazer confraternizações, renovar guarda-roupa, construir, reformar e redecorar casa, trocar de carro, viajar e uma infinidade de outras coisas que não daria pra listar aqui. O 13º, para alguns, não dá nem pra começar a festa.

 

No início do ano ocorre outro fenômeno: encerram-se os contratos temporários para uns e cresce o volume de despesas para outros tanto pelos parcelamentos feitos no último bimestre do ano anterior quanto pelas inevitáveis despesas extras (IPTU, matrícula escolar, material escolar, anuidades de conselhos regionais, anuidades de cartões de crédito, IPVA, seguro do carro etc.). Esse comprometimento da renda com tais despesas força boa parte da população e pisar no freio do consumo, com impactos diretos sobre o comércio e o setor de serviços, chegando, por tabela, à indústria de transformação.

 

Tais fenômenos ocorrem em todo o país, embora a taxa de desemprego publicada pelo IBGE contemple apenas as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

 

Em Alagoas, o CAGED, órgão que registra as demissões e admissões no âmbito do emprego formal, registrou em jan/2010 um saldo líquido de 913 demissões (7.131 demissões e 6.218 admissões). Porém, nos últimos 12 meses, registrou um saldo líquido de 8.092 admissões. A indústria de transformação foi o setor que registrou tanto no último mês quanto nos últimos 12 meses o maior fluxo de admissão/demissão, com resultado negativo em ambos os casos.

 

A indústria da construção civil (ICC), no entanto, é a que tem dado maior contribuição ao saldo positivo de novas contratações, seguida pelo setor de serviços e pelo comércio. Passado o carnaval, tem-se uma fase de desaceleração do consumo até o mercado consumidor livrar-se, pouco a pouco, dos financiamentos de curto prazo e das despesas extras previstas para esse primeiro semestre ou quadrimestre. Para quem não antecipou consumo, conseguiu poupar e está com seu orçamento organizado, é possível até aproveitar essa fase de promoções que deve seguir até março. Mas é bom ficar atento para comprar aquilo que você nunca vai usar. Um pouco de racionalidade e bom senso não faz mal a ninguém.

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