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Acende-se uma luz amarela

quinta-feira, março 25th, 2010

A selic, taxa de juros que remunera os títulos da dívida pública se mantém, desde 22/07/2009, no ponto mais baixo nos últimos anos, com meta de 8,75%a.a., reafirmada na última reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), em 16/03/2010. São oito meses com uma taxa real de juros entre 4,2 e 4,5%a.a., considerando uma inflação que oscila entre 4,2 e 4,5%a.a..

A manutenção dessa taxa de juros, associada a um volume de crédito R$ 1,42 trilhão, utilizado entre fev/09 e fev/10, e a uma redução da carga tributária (mais de R$ 24 bilhões no mesmo período), estimularam a atividade econômica, com redução da taxa de desemprego, elevação do rendimento médio (1,1%), da massa salarial e do nível de utilização da capacidade instalada na indústria de transformação (83,1%, segundo a FGV, ou 6,1 ponto percentual acima do registrado em fev/09). São visíveis os sinais de recuperação na geração de vagas de emprego no setor formal, com destaque para a indústria da construção civil, acompanhada pelo setor de serviços.

Tal combinação de fatores foi responsável pelo aumento da demanda doméstica, o que possibilitou ao governo federal dar um drible nos efeitos da crise internacional. Em compensação, com o consumo em ritmo acelerado, a inflação (IPCA/IBGE) vem registrando variações que começam a preocupar: o IPCA de dez/09 foi de 0,37%a.m., em jan/10 – 0,75% e em fevereiro – 0,78%, com uma inflação acumulada de 1,54% no primeiro bimestre do ano. Acende-se uma luz amarela, sendo esperada uma elevação da selic na próxima reunião do COPOM, a menos que inflação recue em março.

O governo se depara, novamente, com o tradeoff entre desemprego e inflação. Fez um enorme esforço para manter o ritmo de atividade da economia, mas o estímulo ao consumo, associado a uma elevação de preços de algumas commodities no mercado internacional têm criado uma pressão inflacionária. Se os juros subirem em resposta a uma elevação da inflação, a estimativa de crescimento de 5,2% do PIB para 2010 terá que ser revista, apesar dos investimentos do governo federal previstos para este ano. Vamos torcer para que a economia brasileira, para o bem de todos, mantenha-se em relativo equilíbrio.

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