Thomas R. Malthus (1766-1834), economista inglês, publicou em 1798 sua mais célebre obra – “Ensaio sobre o princÃpio da populaçãoâ€. Nela, profetizava catástrofes como epidemias, fome e guerras, mecanismos naturais de controle populacional, quando chegasse a extremos a desproporção entre a oferta e a demanda por alimentos. Segundo ele, a população crescia em progressão geométrica frente ao crescimento em progressão aritmética da oferta de alimentos, o que gerava desequilÃbrios macroeconômicos.
Em sua concepção, devia-se estimular o controle da taxa de natalidade para se evitar tais desequilÃbrios. Foi contestado, porém, por outros economistas, a exemplo de Marx e Fourier, por ter ignorado a tecnologia utilizada na atividade agrÃcola com vistas à ampliação da oferta de alimentos. Estes estavam certos em relação à oferta de alimentos. Embora as novas tecnologias não resolvessem o problema da fome, sem sombra de dúvida, resolveria o problema da oferta de alimentos. Hoje, as pessoas passam fome em razão do modo como a riqueza é apropriada (concentração de renda) e não por incapacidade de se produzir mais alimentos.
Malthus, no entanto, não estava completamente errado: o crescimento populacional provocaria, sim, um desequilÃbrio de grande monta, decorrente do crescimento do consumo agregado dos mais diversos bens e serviços, muitos dos quais só seriam inventados um ou dois séculos depois. O desequilÃbrio, porém, está na produção extraordinária de lixo, em todos os estados (sólido, lÃquido e gasoso), o que tem provocado o esgotamento da natureza em processá-lo.
O que cresce em progressão geométrica é o impacto ambiental produzido, diariamente, em toda parte de mundo. E quanto mais elevado nosso grau de ignorância em relação à fragilidade da natureza frente às agressões por nós impostas, maior o preço dessa fatura. A natureza está se mostrando intolerante. Sua fragilidade se manifesta de um modo selvagem, como um bicho acuado que avança sobre seu agressor para dele se defender.
As catástrofes (maremotos, enchentes, secas, derretimento de geleiras, aquecimento global etc.) têm ocorrido em intervalos cada vez menores e em vários pontos geográficos. Já não identificamos claramente as estações do ano; a temperatura torna-se mais elevada a cada ano, com ondas de calor insuportáveis; enchentes têm devastado várias cidades com muitas vÃtimas fatais; secas prolongadas têm comprometido a produção de alimentos.
Tudo isso exige de nós uma reflexão sobre nossa postura em relação à natureza: um pouco de bom senso, racionalidade e respeito são muito bem-vindos. É importante ressaltar – o problema não é apenas polÃtico, precisa ser analisado à luz de outras dimensões (cultural, econômica, social, ambiental). A natureza já deu seu recado: ou a respeitamos ou somos engolidos por ela, literalmente. Investimos muito em tecnologia voltada à percepção de fenômenos climáticos, mas a natureza é mais rápida e nos surpreende sempre. Cada um precisa fazer sua parte ou se preparar para pagar o preço da próxima fatura.

