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Quem de nós não é contador de histórias?

sábado, agosto 21st, 2010

Contar histórias é uma tradição que a sociedade humana, desde os mais antigos tempos, realiza. É um ritual mágico entre o contador e seus ouvintes.
Esse ato socializa cura, possibilita novas descobertas, torna as vivencias mais transformadoras. A cada “contadorâ€, está um jeito especial de contar histórias, seja: nos gestos, nos sons, nos objetos utilizados, no vestuário, o modo de contar histórias varia muito.
Existem aqueles que contam histórias que aprenderam, geralmente são histórias de que gostam, e contam pelo prazer de falar e serem ouvidos. Na relação entre narrador e o contador de histórias, segundo Beneti (2000).
“… Contar histórias é revelar segredos, é seduzir o ouvinte e convidá-lo a se apaixonar… pelo livro… pela história… pela leitura. E há gente que ainda duvida disso. O contador é aquele que diz, por isso precisa saber bem o que irá dizer. Precisa ter dúvidas, certezas, conhecimento, estudo e talento. Talento de sedução. Fazer-se ouvir não é tão fácil assim, ainda mais quando atendemos a um público sem idade…â€
Segundo a Wikipédia, a enciclopédia livre, “O narrador é a entidade que conta uma história. É uma das três pessoas em uma história, sendo os outros o autor e o leitor/espectador. O leitor e o autor habitam o mundo real. É função do autor criar um mundo alternativo, com personagens e cenários e eventos que formem a história. É função do leitor entender e interpretar a história. Já o narrador existe no mundo da história (e apenas nele) e aparece de uma forma que o leitor possa compreendê-lo.â€
Temos muitos exemplos do poder da “contaçãoâ€, pra mim um dos maiores exemplos de contador de história esta com o autor da aventura: “Em busca da Terra do Nuncaâ€, Londres, 1903.
Filme baseado em fatos reais onde um autor de peças teatrais J.M.Barrie (Johnny Depp), num passeio rotineiro pelos jardins Kensington, em Londres, conhece a família Davies, onde a mãe Sylvia (Kate Winslet), viúva recente, e seus quatros filhos também usufruíam do belo jardim. Barrie se torna amigo da família. Não foi difícil essa empatia, pois logo que conheceu a família sua inspiração aflorou, o convívio com as crianças incitava sua imaginação,. brincadeiras e histórias que envolvia castelos, piratas, reis,naufrágios e outros.
Barrie transformava seu dia-a-dia num cenário de contos. Basta ver quando ele abria a porta de seu quarto, aonde ele entrava?
A convivência com as pessoas lhe despertava a imaginação e descobria um belo personagem. Assim Barrie, como verdadeiro “contador de históriasâ€, em seus dias vividos com a família Davies, num verão, deu vida a seu personagem de maior sucesso, Peter Pan.
Para Fitzpatrick da Editora Objetiva, “Histórias nos arrancam do tempo e do espaço comuns e nos transportam para um reino onde os sentimentos humanos têm o poder de transformar a realidade. No mundo das histórias, os sentimentos podem fazer com que pessoas comuns tenham força suficiente para matar bruxas, enganar gigantes, abater dragões e conquistar um príncipe ou uma princesa. As histórias conservam a esperança de que, mesmo que o mundo possa ser complicado e assustador, os monstros mereçam ser mortos, e o amor verdadeiro possa triunfar no finalâ€.
Assim, o ato de contar histórias sendo na sala de aula, entre amigos, na biblioteca, no orfanato ou asilo, no hospital, na praça pública em qualquer ambiente, pretende-se ajudar o indivíduo, a entenderem melhor o seu dia a dia, cercado de limitações, frustrações, conflitos, auxiliando sua adaptação à vida ou problemas rotineiros, facilitando assim a comunicação entre a criança o adulto, o jovem,seja ele: aluno, idoso, crianças enfermas, qualquer classe de indivíduo.
Enfim, um trabalho de tece, onde unidos estão: o livro, a história, o contador, o prazer, a imaginação e nossas fantasias.
Segundo Farias (2000), Para contar histórias é necessário DOM! Este DOM de desejo, de observação e de melhoria. Este DOM de dedicação, de oportunidade e de mobilização. Este DOM de disposição, de obstinação e de motivação.
Este DOM que construímos com o tempo. Este DOM que é “privilégioâ€, mas que só podemos desfrutar quando compartilhamos. (O que vem a ser um privilégio). Este DOM que é “dádivaâ€, mas que só faz sentido quando repartimos com os outros.
Vamos tecer nossos prazeres?

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