Temos um bom motivo para celebrar: o Ministério da Educação acaba de anunciar que mais 133 escolas públicas de Alagoas passarão a funcionar, em 2011, no regime de tempo integral. Somente na Capital serão mais 36 escolas voltadas o dia inteiro para os estudantes. Somando-se a isso mais 12 escolas que contarão com o programa no municÃpio de Rio Largo, e outras 5 em Marechal Deodoro, têm-se, apenas na Grande Maceió, um total de 53 estabelecimentos públicos de ensino integrados a esse novo perfil da educação brasileira.
 É motivo, sim, para comemorar, pois, na outra ponta, no lado negro da frustração, permanece a má notÃcia de que Alagoas, com destaque negativo para Maceió e Arapiraca, ostenta o desprezÃvel troféu de constituir-se o Estado federativo mais violento, aquele em que crianças e jovens vivem no ambiente mais hostil, sempre mais vulneráveis a toda sorte de violência.
O “Mapa da Violência 2010 – Anatomia dos HomicÃdios no Brasilâ€, lançado pelo Ministério da Justiça há 5 meses, revela dois aspectos estarrecedores. O primeiro, é que os jovens latino-americanos são os que mais sofrem com a violência, e Brasil e Colômbia são os grandes focos. Quando comparado com os paÃses da Europa, o nÃvel de violência é 16 vezes maior entre toda a população. Relacionando os dados apenas entre os jovens, esta estatÃstica sobe 31 vezes.
 O segundo elemento a se extrair desse “Mapaâ€, como fonte para reflexão e para um planejamento governamental de urgência, é que a taxa de homicÃdios em Alagoas, na população de 15 a 24 anos, é de 125,6 mortes por cada grupo de 100 mil habitantes da população geral. E, tão grave quanto a tragédia em si: essa taxa alagoana era de 30,2 em 1997, elevando-se em 415,9% até 2007, o que fez o Estado passar da 14ª para a 1ª posição desse ranking indesejável.
As causas desse desmonte avassalador contra nosso mundo juvenil são permanentemente discutidas por educadores, sociólogos, psicanalistas, pedagogos. Quase sempre se conclui que um dos fatores dessa violência recai sobre a vulnerabilidade decorrente da pobreza econômica. Vê-se, ao lado disso, como elemento agravante, o mergulho que jovens, e muitas vezes até crianças, no destruidor mundo das drogas, sobretudo do crack, uma forma perversa e barata de eliminação de vidas.
Ninguém, certamente, deixará de enxergar que a ausência da escola como instrumento de informação, de aprendizado e de formação moral, de comportamento ético, de valorização da condição humana, é a causa mais plausÃvel, mais visÃvel e mais determinante dessa condição de vulnerabilidade do nosso universo infantil e juvenil. Se falta a escola, se não comparece o bom ensino, se não há a merenda escolar, se não existem aulas de educação fÃsica, se não são aplicadas práticas de esporte, de cultura e arte, aà sim, tem-se o quadro adequado à marginalidade, à s drogas e à morte.
A boa nova de que o Governo Federal, em articulação com o Estado e municÃpios, colocará mais 133 escolas públicas em regime de tempo integral, traz uma esperança muito grande de que outros tempos, e bons tempos, estão por chegar. Não resta dúvida de que esse modelo de educação tem todos os ingredientes para servir de amparo real e salvador para os jovens, retirando-os dos riscos da rua e mantendo-os num ambiente saudável de construção e de esperança.



