Posts para a tag ‘Corrupção’

O martírio do recadastramento biométrico

terça-feira, agosto 9th, 2011

Recebi esta manhã dois telefonemas de pessoas de Maceió, que, indignadas, relataram as condições desumanas a que estão submetidas, na obrigatoriedade de realizar o tal recadastramento biométrico imposto pelo Tribunal Regional Eleitoral.

Não que elas – como os milhares de homens e mulheres que engrossam as estupendas filas que se formam no entorno do prédio do Fórum Desembargador Moura Castro, na Avenida Fernandes Lima -, sejam contrárias à modernização do sistema eleitoral.

Pelo contrário, essa presença maciça é sinal de que esses alagoanos simples, gente do povo, querem ter o direito de exercer o seu direito de voto de maneira limpa, sem a presença da corrupção deslavada, sempre uma marca das eleições em Alagoas.

O motivo da revolta de quem passa pelo recadastramento é um só: a falta absoluta de condições físicas, ambientais, de pessoal, com que o Tribunal Eleitoral se preparou para desempenhar essa importante tarefa, resultando numa estúpida humilhação às milhares de pessoas que, sem qualquer alternativa, ficam em filas quilométricas, expostas ao sol causticante, com danos à saúde física e mental, pois leva ao extremo a paciência de todos que estão passando por esse drama.

Um dado interessante é que as filas são formadas quase que totalmente por pessoas simples, por trabalhadores, mães de família. Não se vê engravatados, endinheirados, poderosos ou desses protegidos, grupos que, certamente, não têm qualquer interesse no recadastramento, ou dispõe de outros meios que os facilitem, sem o martírio a que são submetidos os pobres mortais.

A imprensa de Alagoas, toda ela hoje nas mãos de políticos, não toma conhecimento desse vexame por que passam os eleitores. Não se vê um fotógrafo, um cinegrafista, um repórter de qualquer meio, que possa denunciar essa falta de respeito aos direitos dos cidadãos, à dignidade das pessoas. Tudo fica combinado: faz de conta que nada está acontecendo.

Pelo que sei, a única manifestação contrária à forma desorganizada e  insensata com que esse recadastramento biométrico se realiza, foi adotada pelo Presidente da OAB/AL, Omar Coelho, ainda no dia 5 de julho. Decorridos mais de 30 dias de sua manifestação, não se sabe que medida tomou o Presidente do Tribunal. Pelo visto, nenhuma , pois o processo se mantém nos mesmos moldes com que começou: gente em filas desumanas, feito animais caminhando para o abate, levando até 3 horas, sob o sol, para ser atendido no seu anseio de poder votar de modo livre e decente.

 

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Rafaela

segunda-feira, maio 23rd, 2011

Dia desses assisti, no “Mais Você”, da Ana Maria Braga – que muitos preferem tratá-la de “brega” -, a uma matéria que me levou às lágrimas, coisa, aliás, felizmente, não raro de acontecer. Tratava-se da história do cão Phantom, um gigantesco dogue alemão adotado pelo casal de engenheiros Karin Graf e Aguinaldo Graf, hoje personagem de um livro cativante, escrito por Karin, que revela o perfil vencedor de um animal com atributos de sensibilidade, interação, força, competitividade, doação, afeto e inteligência ausentes em muitos dos humanos.

Publicado pela editora Ísis, de Curitiba, o livro Um Anjo Chamado Phatom – A Saga de Um Campeão, conta a trajetória desse ser especial, um monstro de patas avantajadas, orgulho de sua raça, que conquistou todos os prêmios que disputou, no Brasil e no exterior, e que, envelhecido, sem as condições físicas para competir por mais  títulos, hoje é o ilustre voluntário de um hospital para tratamentos de doentes com câncer, onde cumpre sua missão de alegrar e motivar pessoas confinadas no seu leito de dor e de esperança. Toda semana, por um dia inteiro, Phantom é levado ao hospital e, com seu porte doce e desajeitado, faz a festa para crianças e idosos.

Hoje, desde que Laís me telefonou às 6:50 da manhã, para contar que a encontrou afogada na piscina,  voltei a derramar muitas lágrimas, por várias vezes durante o dia, todo momento que me vinham lembranças, ou tratava com alguém sobre a partida de Rafaela, a meiga e pequenina cadela que se introduziu e fincou raízes profundas, na nossa casa, na nossa família, nos nossos amigos, nos nossos corações.

Rafaela, uma poodle toy autêntica, na pequenez dos seus poucos mais de 22 centímetros, era o oposto do gigante Phantom, um dogue alemão que, de pé, punha as patas na cabeça dos seus donos. Mas sei, pelo que vi e li acerca desse cão vencedor, e sobre as experiências que eu, Carolina, Laís, e inúmeros amigos vivemos com Rafaela, ao longo de 14 anos, que esses dois seres são muito especiais e se igualam na dimensão do afeto.

Quem conheceu Rafaela sabe que este sentimento que expresso é verdadeiro. Ela era um poço de sensibilidade, de atenção de carinho, de fragilidade, de uma atenção extremamente aguçada em relação àqueles que ela queria. E ela queria a todos, no seu jeito lady de ser.

Fica em paz, meu anjo. Tenha certeza de que você contribuiu muito para elevar minha humanidade.

 

José Osmando de Araújo

 

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Escola integral, um aparelho de proteção aos jovens

quinta-feira, novembro 18th, 2010

 Temos um bom motivo para celebrar: o Ministério da Educação acaba de anunciar que mais 133 escolas públicas de Alagoas passarão a funcionar, em 2011, no regime de tempo integral. Somente na Capital serão mais 36 escolas voltadas o dia inteiro para os estudantes. Somando-se a isso mais 12 escolas que contarão com o programa no município de Rio Largo, e outras 5 em Marechal Deodoro, têm-se, apenas na Grande Maceió, um total de 53 estabelecimentos públicos de ensino integrados a esse novo perfil da educação brasileira.

 É motivo, sim, para comemorar, pois, na outra ponta, no lado negro da frustração, permanece a má notícia de que Alagoas, com destaque negativo para Maceió e Arapiraca, ostenta o desprezível troféu de constituir-se o Estado federativo mais violento, aquele em que crianças e jovens vivem no ambiente mais hostil, sempre mais vulneráveis a toda sorte de violência.

O “Mapa da Violência 2010 – Anatomia dos Homicídios no Brasil”, lançado pelo Ministério da Justiça há 5 meses, revela dois aspectos estarrecedores. O primeiro, é que os jovens latino-americanos são os que mais sofrem com a violência, e Brasil e Colômbia são os grandes focos. Quando comparado com os países da Europa, o nível de violência é 16 vezes maior entre toda a população. Relacionando os dados apenas entre os jovens, esta estatística sobe 31 vezes.

 O segundo elemento a se extrair desse “Mapa”, como fonte para reflexão e para um planejamento governamental de urgência, é que a taxa de homicídios em Alagoas, na população de 15 a 24 anos, é de 125,6 mortes por cada grupo de 100 mil habitantes da população geral. E, tão grave quanto a tragédia em si: essa taxa alagoana era de 30,2 em 1997, elevando-se em 415,9% até 2007, o que fez o Estado passar da 14ª para a 1ª posição desse ranking indesejável.

As causas desse desmonte avassalador contra nosso mundo juvenil são permanentemente discutidas por educadores, sociólogos, psicanalistas, pedagogos. Quase sempre se conclui que um dos fatores dessa violência recai sobre a vulnerabilidade decorrente da pobreza econômica. Vê-se, ao lado disso, como elemento agravante, o mergulho que jovens, e muitas vezes até crianças, no destruidor mundo das drogas, sobretudo do crack, uma forma perversa e barata de eliminação de vidas.

Ninguém, certamente, deixará de enxergar que a ausência da escola como instrumento de informação, de aprendizado e de formação moral, de comportamento ético, de valorização da condição humana, é a causa mais plausível, mais visível e mais determinante dessa condição de vulnerabilidade do nosso universo infantil e juvenil. Se falta a escola, se não comparece o bom ensino, se não há a merenda escolar, se não existem aulas de educação física, se não são aplicadas práticas de esporte, de cultura e arte, aí sim, tem-se o quadro adequado à marginalidade, às drogas e à morte.

A boa nova de que o Governo Federal, em articulação com o Estado e municípios, colocará mais 133 escolas públicas em regime de tempo integral, traz uma esperança muito grande de que outros tempos, e bons tempos, estão por chegar. Não resta dúvida de que esse modelo de educação tem todos os ingredientes para servir de amparo real e salvador para os jovens, retirando-os dos riscos da rua e mantendo-os num ambiente saudável de construção e de esperança.

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Combate à corrupção

segunda-feira, novembro 16th, 2009

Vi, semana passada, relatório da Controladoria Geral da União apontando que, de janeiro de 2003 a outubro de 2009, 2.315 agentes públicos federais foram atingidos por punição expulsiva, em razão da prática de atos de corrupção. Cumpridos os legais inquéritos administrativos que preservam a defesa plena, foram mandados para o olho da rua, face às condutas repulsivas de avanços contra o patrimônio público.

Os atingidos somam 2.000 servidores efetivos, 177 ocupantes de cargos comissionados e 138 que tiveram suas aposentadorias cassadas.

Trata-se de uma boa notícia, embora não seja a mais desejada. Vê-se que o Governo Federal está atento aos desvios do dinheiro público, à proteção do patrimônio da União, ao combate, enfim, à roubalheira e à impunidade.

Esse combate ao desvios, ao roubo, é necessário, imprescindível a qualquer tempo. Mas não basta apenas punir. O essencial é combater a cultura da corrupção que se enraizou na vida brasileira, assumiu proporções alarmantes, e vai do gari ao deputado, do gestor de escola ao senador da República, do vendedor ao governante.

Se é preciso combater essa cultura corrosiva e impedir que o criminoso usufrua do produto do crime, mais importante ainda é preparar gerações humanas para ter comportamentos decentes, adequados a uma vida honesta e cidadã. É preciso que as pessoas, desde crianças, reaprendam a ter vergonha na cara. E isso só é possível na família e na escola.

Só uma família estruturada, fundada no respeito, na cooperação e no afeto, só uma escola moldada nos princípios da qualidade, da moralidade, da construção da cidadania, serão capazes de formar pessoas avessas à bandalheira, à criminalidade e à corrupção.

Acolho, em plenitude, o raciocínio de Cláudio Weber Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil, de que a corrupção não é , primordialmente, um problema das pessoas, ou seja, uma questão moral subjetiva, mas um defeito estrutural e das instituições.

É consequência, essencialmente, da precariedade dos mecanismos administrativos de prevenção. Do barramento e da dificultação ao roubo, do empecilho às facilitações tão comuns no serviço público.

Mas é, no primeiro degrau, resultante de um modelo governamental que põe a educação em escala inferior, não priorizando a formação de seres humanos dignos.

Enfim, é uma questão de Estado, que precisa ser encarada com responsabilidade e determinação pelos governantes.

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As causas da corrupção

sexta-feira, novembro 6th, 2009

Um relatório divulgado no início do mês pela Controladoria Geral da União (CGU) revela que, num levantamento realizado por seu corpo de auditores, em cerca de 1.600 cidades brasileiras, todas com menos de 500 mil, foi constatado que em 95% dessas localidades foram encontrados problemas na administração dos recursos federais que lhes foram repassados. São, geralmente, fraudes nas licitações públicas, gastos com notas frias e falsas, ou apropriação indevida do dinheiro recebido da União. Somados, os recursos transferidos a esses 30% da totalidade dos municípios brasileiros chegam à fabulosa cifra de R$ 11 bilhões.

Os casos detectados pela CGU, e mostrados esta semana pela revista “ISTOÉ”, são os mais absurdos. Em São Francisco do Conde(BA), a Secretaria de Educação comprou 5 toneladas de elásticos para dinheiro, algo como 4.3 milhões de pedacinhos de borracha, que nunca foram encontrados nas escolas do município. Em Araguaiana(MT), uma empresa embolsou R$ 7.8 milhões da SUDAM, para produzir novilhos, mas o projeto nunca saiu do papel. Em Itapicuru(BA), dos 10 ônibus comprados com recursos do Fundef, só 8 apareceram e 4 eram sucata.

Esse rosário de exemplos de mau uso e desvio do dinheiro público é uma constante no Brasil, sobretudo porque, conforme atestam técnicos da Controladoria, não há estrutura capaz de acompanhar o que acontece nos 5.6 mil municípios brasileiros, ficando fácil, assim, a prática deslavada do roubo contra a sociedade.

Lendo artigo de Stephen Kanitz, publicado na revista “Veja”, encontro uma verdade desalentadora : o Brasil, país com um dos mais elevados índices de corrupção, segundo o World Economic Forum, tem somente 8 auditores por 100 mil habitantes. Enquanto uma das maiores universidades brasileiras possui 62 professores de economia, apenas um de auditoria, para formar os milhares de fiscais, auditores internos, auditores externos, membros de tribunais de contas, fiscais do Banco Central, analistas de controle, e todos os demais profissionais dessa área, que seriam fundamentais na criação de mecanismos que estancassem, na origem, as práticas da corrupção.

Enquanto nos Estados Unidos existem 12 auditores para cada economista, no Brasil há 12 economistas para cada auditor. É por isso que não damos certo. Se lembrarmos, por exemplo, que o papel do auditor não é nem o de fiscalizar depois do fato consumado, mas o de criar os mecanismos de controle que impeçam a corrupção, concluímos, entristecidos, que o Brasil está muito longe de se tornar um país limpo e digno, que não envergonhe os homens de mulheres de bem que o habitam.

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