Vi, semana passada, relatório da Controladoria Geral da União apontando que, de janeiro de 2003 a outubro de 2009, 2.315 agentes públicos federais foram atingidos por punição expulsiva, em razão da prática de atos de corrupção. Cumpridos os legais inquéritos administrativos que preservam a defesa plena, foram mandados para o olho da rua, face às condutas repulsivas de avanços contra o patrimônio público.
Os atingidos somam 2.000 servidores efetivos, 177 ocupantes de cargos comissionados e 138 que tiveram suas aposentadorias cassadas.
Trata-se de uma boa notÃcia, embora não seja a mais desejada. Vê-se que o Governo Federal está atento aos desvios do dinheiro público, à proteção do patrimônio da União, ao combate, enfim, à roubalheira e à impunidade.
Esse combate ao desvios, ao roubo, é necessário, imprescindÃvel a qualquer tempo. Mas não basta apenas punir. O essencial é combater a cultura da corrupção que se enraizou na vida brasileira, assumiu proporções alarmantes, e vai do gari ao deputado, do gestor de escola ao senador da República, do vendedor ao governante.
Se é preciso combater essa cultura corrosiva e impedir que o criminoso usufrua do produto do crime, mais importante ainda é preparar gerações humanas para ter comportamentos decentes, adequados a uma vida honesta e cidadã. É preciso que as pessoas, desde crianças, reaprendam a ter vergonha na cara. E isso só é possÃvel na famÃlia e na escola.
Só uma famÃlia estruturada, fundada no respeito, na cooperação e no afeto, só uma escola moldada nos princÃpios da qualidade, da moralidade, da construção da cidadania, serão capazes de formar pessoas avessas à bandalheira, à criminalidade e à corrupção.
Acolho, em plenitude, o raciocÃnio de Cláudio Weber Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil, de que a corrupção não é , primordialmente, um problema das pessoas, ou seja, uma questão moral subjetiva, mas um defeito estrutural e das instituições.
É consequência, essencialmente, da precariedade dos mecanismos administrativos de prevenção. Do barramento e da dificultação ao roubo, do empecilho às facilitações tão comuns no serviço público.
Mas é, no primeiro degrau, resultante de um modelo governamental que põe a educação em escala inferior, não priorizando a formação de seres humanos dignos.
Enfim, é uma questão de Estado, que precisa ser encarada com responsabilidade e determinação pelos governantes.

