O Ministério da Educação está destinando a escolas públicas do Brasil, milhares e milhares de instrumentos musicais, que formarão bandas e fanfarras e grupos de hip hop, beneficiando, nesse primeiro momento, mais de 120 mil estudantes. Em Alagoas, estão contempladas unidades escolares do Estado e do MunicÃpio, em Maceió, Arapiraca e Palmeira dos Ãndios, favorecendo cerca de 2.700 alunos.
Pouca atenção esse programa do MEC certamente despertará na maioria das pessoas, sobretudo da classe polÃtica, pois aqui não se fala de pontes, de estradas, de rodovias, de canais de irrigação, de barragens, de viadutos, de estádios, enfim, de um monte de obras suntuosas, algumas até sem importância qualquer, muitas delas destinadas a sangrar os recursos públicos e a fazer a festa de polÃticos desonestos.
Mas o certo é que essa iniciação musical, mesmo se dando na forma de fanfarras, tem uma importância significativa na formação dos jovens brasileiros. Primeiro, porque a música – e isso está cientificamente provado -, desenvolve a mente humana, promove o equilÃbrio, proporciona um estado agradável de bem-estar, facilita a concentração e o desenvolvimento do raciocÃnio. A música é uma formidável força geradora de vida, atuando de modo poderoso sobre nosso corpo, nossa mente e nosso coração.
Noutro aspecto, quanto mais a criança e o jovem forem envolvidos em atividades complementares do aprendizado, mais chances terão esses seres de êxito na vida pessoal, afastando-se, de modo saudável, dos riscos gerados por uma sociedade degradada pelas drogas e pela violência.
Quando se sabe que Alagoas detém altÃssimos indicadores de violência e de criminalidade, que fazem de nossas cidades, especialmente Maceió, aglomerados urbanos de enorme vulnerabilidade contra os jovens, é sempre animador verificar avanços na complementação do processo educacional. Quanto mais tempo nossos estudantes passarem na escola, favorecendo-se de uma boa formação e de atividades extraclasse que os animem na cultura, na música, no esporte, mais sólidas serão as barreiras contra a marginalidade.
Os indicadores revelados no Ãndice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência –IJV, resultantes de pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Ministério da Justiça, divulgados em novembro de 2009, que colocam Maceió como a 1ª Capital brasileira, e 13ª cidade do paÃs mais vulnerável à violência contra sua juventude – no rol dos 266 municÃpios acima de 100 mil habitantes levantados -, tendem a sofrer duro baque toda vez que se criem para os jovens, dentro e fora da escola, condições favoráveis a sua manifestação cultural, esportiva e artÃstica.
Será com uma educação de qualidade, capaz de oferecer bons conteúdos e de integrar a famÃlia ao processo de aprendizagem, e com a construção de um ambiente que propicie a crianças e jovens ocupação sadia da mente, do corpo e do espÃrito, que construiremos um caminho seguro de cidadania. Somente quando Estado se fizer presente, de maneira clara e concreta, na cidade, no bairro, na vila, no campo, adotando a educação como meio insubstituÃvel de elevação humana, é que haveremos de ter esperança de um futuro melhor. É nisso que devemos confiar.


