“Não leias para contradizer ou refutar, nem para crer ou considerar bom, nem para procurar assunto de conversa ou de discurso, e sim para pensar e ponderar sobre o que lêâ€.
Francis Bacon
A propósito da realização da Bienal Internacional do Livro de Alagoas, magnificamente relatada no www.tudoglobal.com.br pelo olhar atendo e profundo do nosso Professor Élcio Verçosa, faço uma reflexão sobre o papel da leitura na vida da gente. Pessoalmente, não canso de reconhecer e bendizer o forçado e iluminado encontro que tive com a leitura, aos 13 anos de idade, ao ter, na troca pelo custeio dos meus estudos, que cuidar da biblioteca do Colégio Pio XII, em Palmeira dos Ãndios. Tornei-me, daà em diante, um leitor habitual de jornais, revistas, livros de quase todos os estilos.
Sinto, por isso, que, além de muito feliz, sou um cara com espÃrito crÃtico, um observador atento dos fatos sociais e, seguramente, muito mais comprometido com princÃpios de justiça, de harmonia e de humanidade. Devo à leitura que fiz , e que faço com bastante frequência, o básico da estrutura moral e intelectual que preservo. Carreguei de meus pais, embora pequenos proprietários rurais, o estÃmulo aos livros. E no ambiente doméstico que eu e minha mulher (LaÃs) formamos, transferimos para nossa filha Carolina esse prazer extraordinário pela leitura.
Mas é muito triste constatar que o Brasil detém baixos nÃveis de leitura, decorrência de inúmeros entraves e da falta de ambientes facilitadores, num paÃs castigado pelo analfabetismo e desprovido de bibliotecas, embora devamos ao governo Lula alguns avanços nessa caminhada, sobretudo após a implantação do Plano Nacional do Livro e Leitura(PNLL), que está espalhando esses instrumentos por centenas de municÃpios brasileiros. Basta lembrar que no ano de 2003 existiam 1.173 cidades no paÃs que não contavam com uma única biblioteca, fosse pública ou particular. Essa carência, no final de 2007, já foi reduzida para 380 municÃpios.
Mesmo assim, o Brasil ainda está muito ruim no aspecto de leitura. Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), cada brasileiro lê pouco mais de 2 livros por ano, enquanto na Inglaterra estima-se que a média seja de 4,9 e nos Estados Unidos 5.1. Além da falta de bibliotecas públicas, contribui para esse quadro desalentador o fato de que o Brasil conta com um número muito baixo de livrarias. Um diagnóstico do setor livreiro, divulgado em 2007 pela Associação Nacional de Livrarias (ANL), revela que, naquele ano, existiam no paÃs apenas 2.676 estabelecimentos dedicados à venda de livros, com mais de 50% concentrados na região Sudeste, cabendo ao Nordeste menos de 20% do total nacional.
Diante disso, são relevantes os programas alternativos de de incentivo à leitura, a exemplo das feiras, como essa boa Bienal que Alagoas está acolhendo. Mas é fundamental que não se perder de vista a responsabilidade dos governantes, não apenas na implantação de bibliotecas e da criação de projetos de estÃmulo, mas, sobretudo, na preparação dos professores para a tarefa de transformar em leitores crianças e jovens, contribuindo, desse modo, para a formação de cidadãos crÃticos e saudáveis.


