Recebi da amiga Audéa Lima, jornalista e professora – especialista em educação para o trânsito e em jornal na educação -, uma mensagem bastante lúcida sobre a realidade do ensino brasileiro, ao mesmo tempo um grito de alerta sobre o papel dos educadores, a responsabilidade da famÃlia e o dever do Estado no processo educacional.
Na sua reflexão, ela adverte: “somos milhões de professores e a maioria está preocupada com a própria subsistência, sem nenhuma vontade de rebelar-se contra um sistema que oprime profissionalmente, que desvaloriza financeiramente. Onde está nossa capacidade de indignação, de luta?â€.
No rastro dessa advertência, vi, esta semana, uma pesquisa realizada pela Fundação Victor Civita, mostrando que, no Brasil, os diretores de escola pública gastam tempo demais com burocracia e pouco com as gestões de sala de aula.
Segundo a pesquisa, que ouviu 400 diretores de estabelecimentos educacionais públicos, 98% dos entrevistados não se acham responsáveis pelas notas baixas da escola; 90% gastam mais tempo conferindo a merenda do que com a sala de aula; 64% não se julgam suficientemente preparados para o ofÃcio; 36% não sabem sequer a nota de sua escola nos rankings oficiais.
Vê-se, daÃ, que a questão da educação brasileira, dos seus baixos nÃveis, não é somente por conta falta de dinheiro para construção de escola, para a merenda, para o transporte escolar, nem mesmo apenas por causa dos baixos salários que se paga aos professores. Decorre, em grau acentuado, do despreparo e da falta de empenho e de responsabilidade de grande parte do professorado espalhado por esse Brasil afora, sobretudo dos gestores de escolas.

