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Violência contra os jovens

quarta-feira, outubro 21st, 2009

É espantosa a violência sobre os humanos, em Alagoas, sobretudo a que envolve crianças e jovens. Os dados são alarmantes e, cada vez mais, surpreendem as formas brutais com que essa violência é cometida. Parece haver no horizonte de nossa infância e mocidade uma nuvem negra de incertezas, que levam ao descaminho e à aniquilação. Li os últimos relatórios do Ministério da Justiça e os números apresentados pela OAB alagoana, estes do mês de julho, e fico estarrecido com a brutalidade a que estamos submetidos.

O governador Teotônio Vilela, um cidadão essencialmente de paz, trouxe para Alagoas quadros da melhor qualidade da Polícia Federal para comandar o sistema de segurança pública do Estado, mas isso tem feito pouca diferença e, seguramente, não acabará com a violência, nem vai garantir proteção às crianças, jovens e seus familiares.

Embora se saiba que muito dessa desordem esteja ligada à invasão das drogas – um câncer que está corroendo a inocência, a pureza, e matando o futuro -, e nisso caiba um rigoroso e vigoroso combates policiais, é impossível não reconhecer que a situação de Alagoas está fundada numa razão mais profunda, numa gravidade pouco avaliada e dimensionada, mas que, de fato, tem construído uma civilização distorcida ou, pior ainda, uma não-civilização.

Trata-se do modelo econômico e social adotado há quatro séculos pelo Estado, montado na cana-de-açúcar, na concentração estúpida de renda nos cofres de poucas famílias e, no contra-ponto, na formação de legiões de sub-empregados, desempregados, de homens, mulheres, crianças e jovens submetidos a trabalho pesado, distantes da educação, dos serviços de saúde, com baixas rendas, e quase nenhuma cidadania. Há séculos, portanto, estamos construindo gerações e gerações de deficientes cívicos, de frágil elevação humana e baixa dignidade.

Estou seguro de que essa causa alagoana, da reversão dessa impertinência, desse incômodo, desse terrível desconforto, não se resolverá pela simples via da polícia. E diria, com a mesma convicção, não encontrará saída na construção de dezenas ou centenas de fábricas que ampliem as possibilidades de emprego. Concordando com o Nobel de Economia Amartya Sen, segundo o qual o processo emancipatório de um povo não se resolve apenas pelo acesso à renda, sei que um novo caminho só será edificado mediante robusto e inarredável investimento na formação humana e na elevação das capacidades de nossos jovens e crianças.

A única e concreta solução para que Alagoas comece a desenhar um novo modelo civilizatório, que não nos envergonhe com indicadores econômicos e sociais que nos põem no fundo do poço e nos submetem ao vexame e à desilusão de sermos o último entre os Estados Federativos, é a adoção imediata de um completo e arrojado programa de educação que envolva toda a sociedade, que liberte educadores do corporativismo sindical, que traga as famílias para dentro das escolas, fazendo-as partícipes da construção humana de seus filhos, que imponha responsabilidades nitidamente claras à classe política, que mexa com a consciência do empresariado e que, finalmente, seja capaz de moldar um novo pacto de prosperidade e paz. É nisso que creio, porque só isso é libertário.

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