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O martírio do recadastramento biométrico

terça-feira, agosto 9th, 2011

Recebi esta manhã dois telefonemas de pessoas de Maceió, que, indignadas, relataram as condições desumanas a que estão submetidas, na obrigatoriedade de realizar o tal recadastramento biométrico imposto pelo Tribunal Regional Eleitoral.

Não que elas – como os milhares de homens e mulheres que engrossam as estupendas filas que se formam no entorno do prédio do Fórum Desembargador Moura Castro, na Avenida Fernandes Lima -, sejam contrárias à modernização do sistema eleitoral.

Pelo contrário, essa presença maciça é sinal de que esses alagoanos simples, gente do povo, querem ter o direito de exercer o seu direito de voto de maneira limpa, sem a presença da corrupção deslavada, sempre uma marca das eleições em Alagoas.

O motivo da revolta de quem passa pelo recadastramento é um só: a falta absoluta de condições físicas, ambientais, de pessoal, com que o Tribunal Eleitoral se preparou para desempenhar essa importante tarefa, resultando numa estúpida humilhação às milhares de pessoas que, sem qualquer alternativa, ficam em filas quilométricas, expostas ao sol causticante, com danos à saúde física e mental, pois leva ao extremo a paciência de todos que estão passando por esse drama.

Um dado interessante é que as filas são formadas quase que totalmente por pessoas simples, por trabalhadores, mães de família. Não se vê engravatados, endinheirados, poderosos ou desses protegidos, grupos que, certamente, não têm qualquer interesse no recadastramento, ou dispõe de outros meios que os facilitem, sem o martírio a que são submetidos os pobres mortais.

A imprensa de Alagoas, toda ela hoje nas mãos de políticos, não toma conhecimento desse vexame por que passam os eleitores. Não se vê um fotógrafo, um cinegrafista, um repórter de qualquer meio, que possa denunciar essa falta de respeito aos direitos dos cidadãos, à dignidade das pessoas. Tudo fica combinado: faz de conta que nada está acontecendo.

Pelo que sei, a única manifestação contrária à forma desorganizada e  insensata com que esse recadastramento biométrico se realiza, foi adotada pelo Presidente da OAB/AL, Omar Coelho, ainda no dia 5 de julho. Decorridos mais de 30 dias de sua manifestação, não se sabe que medida tomou o Presidente do Tribunal. Pelo visto, nenhuma , pois o processo se mantém nos mesmos moldes com que começou: gente em filas desumanas, feito animais caminhando para o abate, levando até 3 horas, sob o sol, para ser atendido no seu anseio de poder votar de modo livre e decente.

 

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Rafaela

segunda-feira, maio 23rd, 2011

Dia desses assisti, no “Mais Vocêâ€, da Ana Maria Braga – que muitos preferem tratá-la de “brega†-, a uma matéria que me levou às lágrimas, coisa, aliás, felizmente, não raro de acontecer. Tratava-se da história do cão Phantom, um gigantesco dogue alemão adotado pelo casal de engenheiros Karin Graf e Aguinaldo Graf, hoje personagem de um livro cativante, escrito por Karin, que revela o perfil vencedor de um animal com atributos de sensibilidade, interação, força, competitividade, doação, afeto e inteligência ausentes em muitos dos humanos.

Publicado pela editora Ãsis, de Curitiba, o livro Um Anjo Chamado Phatom – A Saga de Um Campeão, conta a trajetória desse ser especial, um monstro de patas avantajadas, orgulho de sua raça, que conquistou todos os prêmios que disputou, no Brasil e no exterior, e que, envelhecido, sem as condições físicas para competir por mais  títulos, hoje é o ilustre voluntário de um hospital para tratamentos de doentes com câncer, onde cumpre sua missão de alegrar e motivar pessoas confinadas no seu leito de dor e de esperança. Toda semana, por um dia inteiro, Phantom é levado ao hospital e, com seu porte doce e desajeitado, faz a festa para crianças e idosos.

Hoje, desde que Laís me telefonou às 6:50 da manhã, para contar que a encontrou afogada na piscina,  voltei a derramar muitas lágrimas, por várias vezes durante o dia, todo momento que me vinham lembranças, ou tratava com alguém sobre a partida de Rafaela, a meiga e pequenina cadela que se introduziu e fincou raízes profundas, na nossa casa, na nossa família, nos nossos amigos, nos nossos corações.

Rafaela, uma poodle toy autêntica, na pequenez dos seus poucos mais de 22 centímetros, era o oposto do gigante Phantom, um dogue alemão que, de pé, punha as patas na cabeça dos seus donos. Mas sei, pelo que vi e li acerca desse cão vencedor, e sobre as experiências que eu, Carolina, Laís, e inúmeros amigos vivemos com Rafaela, ao longo de 14 anos, que esses dois seres são muito especiais e se igualam na dimensão do afeto.

Quem conheceu Rafaela sabe que este sentimento que expresso é verdadeiro. Ela era um poço de sensibilidade, de atenção de carinho, de fragilidade, de uma atenção extremamente aguçada em relação àqueles que ela queria. E ela queria a todos, no seu jeito lady de ser.

Fica em paz, meu anjo. Tenha certeza de que você contribuiu muito para elevar minha humanidade.

 

José Osmando de Araújo

 

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Escola integral, um aparelho de proteção aos jovens

quinta-feira, novembro 18th, 2010

 Temos um bom motivo para celebrar: o Ministério da Educação acaba de anunciar que mais 133 escolas públicas de Alagoas passarão a funcionar, em 2011, no regime de tempo integral. Somente na Capital serão mais 36 escolas voltadas o dia inteiro para os estudantes. Somando-se a isso mais 12 escolas que contarão com o programa no município de Rio Largo, e outras 5 em Marechal Deodoro, têm-se, apenas na Grande Maceió, um total de 53 estabelecimentos públicos de ensino integrados a esse novo perfil da educação brasileira.

 É motivo, sim, para comemorar, pois, na outra ponta, no lado negro da frustração, permanece a má notícia de que Alagoas, com destaque negativo para Maceió e Arapiraca, ostenta o desprezível troféu de constituir-se o Estado federativo mais violento, aquele em que crianças e jovens vivem no ambiente mais hostil, sempre mais vulneráveis a toda sorte de violência.

O “Mapa da Violência 2010 – Anatomia dos Homicídios no Brasilâ€, lançado pelo Ministério da Justiça há 5 meses, revela dois aspectos estarrecedores. O primeiro, é que os jovens latino-americanos são os que mais sofrem com a violência, e Brasil e Colômbia são os grandes focos. Quando comparado com os países da Europa, o nível de violência é 16 vezes maior entre toda a população. Relacionando os dados apenas entre os jovens, esta estatística sobe 31 vezes.

 O segundo elemento a se extrair desse “Mapaâ€, como fonte para reflexão e para um planejamento governamental de urgência, é que a taxa de homicídios em Alagoas, na população de 15 a 24 anos, é de 125,6 mortes por cada grupo de 100 mil habitantes da população geral. E, tão grave quanto a tragédia em si: essa taxa alagoana era de 30,2 em 1997, elevando-se em 415,9% até 2007, o que fez o Estado passar da 14ª para a 1ª posição desse ranking indesejável.

As causas desse desmonte avassalador contra nosso mundo juvenil são permanentemente discutidas por educadores, sociólogos, psicanalistas, pedagogos. Quase sempre se conclui que um dos fatores dessa violência recai sobre a vulnerabilidade decorrente da pobreza econômica. Vê-se, ao lado disso, como elemento agravante, o mergulho que jovens, e muitas vezes até crianças, no destruidor mundo das drogas, sobretudo do crack, uma forma perversa e barata de eliminação de vidas.

Ninguém, certamente, deixará de enxergar que a ausência da escola como instrumento de informação, de aprendizado e de formação moral, de comportamento ético, de valorização da condição humana, é a causa mais plausível, mais visível e mais determinante dessa condição de vulnerabilidade do nosso universo infantil e juvenil. Se falta a escola, se não comparece o bom ensino, se não há a merenda escolar, se não existem aulas de educação física, se não são aplicadas práticas de esporte, de cultura e arte, aí sim, tem-se o quadro adequado à marginalidade, às drogas e à morte.

A boa nova de que o Governo Federal, em articulação com o Estado e municípios, colocará mais 133 escolas públicas em regime de tempo integral, traz uma esperança muito grande de que outros tempos, e bons tempos, estão por chegar. Não resta dúvida de que esse modelo de educação tem todos os ingredientes para servir de amparo real e salvador para os jovens, retirando-os dos riscos da rua e mantendo-os num ambiente saudável de construção e de esperança.

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Eliminar a miséria, para o Brasil seguir mudando

quarta-feira, novembro 3rd, 2010

A vitória, no último domingo, da economista Dilma Roussef como Presidente do Brasil tem um significado profundo na caminhada de transformações que o país acolheu, a partir da primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

Além do simbolismo que essa eleição imprime, por elevar, pela primeira vez na nossa história, uma mulher à Presidência da República, a conquista de Dilma tem todos os ingredientes para aperfeiçoar os avanços sociais até aqui obtidos e, mais do que isso, dar ao Brasil as reformas básicas, estruturais, institucionais, tão evidentemente necessárias e há tanto tempo desejadas por vastas parcelas da sociedade.

Estou convencido de que Dilma Roussef será marcada, ao final do seu mister, como a   presidente que conduziu, através do Congresso Nacional, as reformas que adequarão o Brasil ao mundo, tornando nosso país mais moderno, mais eficiente , mais viável, mais preparado para o desenvolvimento pleno..

Se tenho essa confiança de que Dilma, por seu perfil rigorosamente técnico e por sua vontade de ferro, aliado à robusta base parlamentar que a sustentará , será a Presidente das reformas, mais convencido estou de que ela fará um Governo voltado para a eliminação da miséria , extirpando uma vergonha que ainda agride mais de 23 milhões de brasileiros, mesmo a  despeito dos outros 20 milhões que saíram desse subterrâneo sob a égide de Lula.

Questões cruciais, como educação, emprego, segurança e proteção à família, avanços no setor da reforma agrária e da agricultura familiar, dentre outras, todas elas partes integrantes do combate maior à eliminação da miséria, custarão a Dilma e a seu Governo esforço concentrado, atenção redobrada e a aplicação de muita energia. Mas, certamente, carecerão de políticas estratégicas centrais, nas quais serão relevantes a participação e a colaboração de toda a sociedade.

Retirar da penúria, da indigência, 23 milhões de seres humanos que não dispõem de renda suficiente para cobrir os custos mínimos da sua principal necessidade básica, que é a alimentação, requer uma determinação governamental hercúlea e um esforço nacional sem precedentes, mesmo considerando que o Presidente Lula, na sua arte exemplar de governar para todos, mas privilegiar os mais pobres, conseguiu, de 2003 para cá, dar um baque espetacular na miséria, reduzindo-a em mais de 60%, nos seus 8 anos de gerenciamento do Brasil.

Não posso duvidar de que Dilma será capaz de unir o Brasil e entregá-lo ao seu sucessor ( ou sucessora, porque agora pode) uma Nação com N maiúsculo, mais igual, mais sadia, mais próspera e mais feliz.

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Escravidão “moderna” envergonha e atrasa o Brasil

quinta-feira, agosto 19th, 2010

É louvável e da maior importância a decisão do Tribunal Superior do Trabalho de punir com pesada multa uma empresa sediada em Alagoas por explorar mão de obra escrava.

Na contramão de um tempo marcado por tantas descobertas científicas e tanta tecnologia, há quem cometa o paradoxo de submeter crianças, adolescentes e adultos a trabalhos em condições extremamente desumanas, análogos à escravidão.

Essa excrescência precisa ser encarada com atenção especial não apenas pela Justiça, mas também pelos governantes e pela opinião pública. A omissão diante de tamanho absurdo contribui para manter e até agravar esse atrasado resquício que remonta aos idos pré-históricos e medievais, épocas em que o conhecimento humano alcançava níveis extremamente limitados.

Oficialmente abolida no Brasil em 1888 pela “Lei Ãureaâ€, neste 2010 a escravidão persiste, embora com facetas que diferem do período que abrange o colonial até o final do Império, quando índios e negros arrancados do continente africano eram aqui escravizados.

As usinas de açúcar, desde seus primórdios – há mais de quatro séculos – tiveram destaque na utilização de escravos, mão-de-obra que durante longo tempo garantiu lucros gigantescos para usineiros, mineradores e gestores de outras atividades relacionadas principalmente à agricultura.

A chamada “escravidão modernaâ€, motivo de vergonha para o Brasil, precisa ser combatida. Afinal, não há como haver desenvolvimento se não houver cidadania. E como haver cidadania se houver escravidão?

Um injusto modelo econômico que respalda perversidades como a concentração de renda, por exemplo, deságua inevitavelmente em anomalias sociais como a anacrônica escravidão. Deságua também na marginalidade de jovens que deveriam estar aprendendo em escolas, mas por falta de oportunidades são jogados para as drogas e para a criminalidade.

Os vergonhosos índices sociais de Alagoas, por exemplo, despontam, no país, como a referência maior de um modelo concentrador e desumano, sob o jugo secular dos usineiros.

Problemas como escravidão no campo, desnutrição e fome – fartamente denunciados em meados do século passado pro Josué de Castro – continuam mais atuais do que nunca!

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Esses deputados nos matam de vergonha

terça-feira, março 16th, 2010

Li, hoje, o lúcido e oportuno texto do jornalista Pedro Oliveira no seu Blog Resumo Político, acerca das reações descabidas de alguns setores da sociedade local à exposição negativa que Alagoas tem merecido na mídia nacional. Ofereço  ao estimado amigo e companheiro irrestrita aprovação ao que pensa e escreve.

Não há razão alguma para que qualquer político, jornalista, radialista, rebele-se contra o tratamento dispensado a Alagoas, por uma razão muito simples: a imprensa não cria nada, não inventa, não fabrica os maus exemplos divulgados. Ela simplesmente reproduz o que se opera no dia a dia da nossa sociedade. A triste realidade é esta: um contingente expressivo de maus alagoanos é o responsável exclusivo pela má fama que se plantou e que se alimenta diariamente contra nossa imagem.

É essa gente – encastelada na política, na administração pública, em setores da economia, dentro de escolas, nas cidades, nos bairros, no meio da rua, nas profissões, no jornalismo – inclusive,  na justiça, nas sacristias das igrejas,  – que se encarrega de operar toda sorte de escândalos, de desmandos, de falcatruas, de enriquecimento ilícito, de ofensa à honra e à vida de pessoas comuns, de subtração de recursos públicos, marcas extraordinárias de duradoura,  consistente e crescente infelicitarão de nosso povo.

Gente que, por suas ações e omissões, nos impõe um Estado empobrecido, combalido por vergonhosos indicadores sociais, que nos tornam os piores em desenvolvimento humano (IDH), educação, saúde, renda per capta, mas os “melhoresâ€, os mais significativos, em vulnerabilidade juvenil, em homicídios, em extermínio de homossexuais, em violência contra a mulher, em impunidade.

É claro que nem todos são operadores de desgraças. Mesmo entre os políticos e os gestores públicos pontuam-se exceções, esforços notáveis na edificação do bem e na condução ética, capazes de fazer diferença e permitir a moldagem de gerações humanas sadias, comprometidas com valores morais, que influenciarão, com certeza, a possibilidade de um futuro melhor para Alagoas.

Mas, o que dizer, por exemplo, dessa Assembleia Legislativa que aí está, dessa delegação política que nos está legada, eleita quase toda ela através de processos ilícitos da compra de votos, da distribuição de favores, da intimidação, e que se operacionaliza nas folhas secretas, no repartimento de salários, na compra de carros de luxo, tudo às custas do suor do povo, dos recursos que muito bem fariam à educação, à saúde, ao saneamento básico, ao esporte, cultura e lazer que tirassem nossos jovens da marginalidade e do crime.

O que faz, todos nós sabemos. Impede que o Estado opere, trabalhe, realize obras e serviços indispensáveis à melhoria de vida de nossos cidadãos e cidadãs. Barra tudo, manda o executivo, a justiça e tudo mais às favas, porque eles, deputados, só querem mais dinheiro, não se conformam com os altos rendimentos que subtraem de nossa gente, dos gabinetes recheados de apaniguados, e querem mais, sempre mais.

Tomei conhecimento de que apenas três parlamentares, o Rui, o Judson e o Paulão, ficaram contra a derrubada dos vetos que o Governador impôs ao Orçamento, por entenderem que o finca-pé do conjunto da instituição contraria o interesse público. Como os tempos mudaram!  Essa Assembleia Legislativa – que já nos cobriu de sangue e nos matou de vergonha, com o episódio de 13 de Setembro de 1957 -, também já nos enriqueceu com a presença de homens públicos honrados, como Aurélio Viana, Carlos Gomes de Barros, Melo Mota, Guilherme Palmeira, Geraldo Melo, Tarcísio de Jesus, Jorge Quintela, e tantos outros que honravam o voto e a vida pública.

Pelo visto, o Rui, o Paulo e o Judson, ironicamente, são “ovelhas negras†de um rebanho dominado pelo interesse particular e por absoluto desapreço à ética e ao interesse público.

Alagoas é, hoje, nesse 16 de março do ano de 2010, o único Estado da Federação a não dispor de Orçamento, ou seja, de um ordenamento legal de despesa e receita, que permita ao Estado trabalhar, construir, edificar, melhorar a vida das pessoas,  tudo por uma única causa: os nossos deputados querem mais dinheiro.

E ainda querem que não se fale mal de Alagoas.

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Insegurança: descaso e despreparo, um triste retrato de Alagoas

quarta-feira, fevereiro 3rd, 2010

Alagoas volta a ser destaque nacional, por conta da violência que se abate sobre as pessoas, em todos os cantos do Estado, sobretudo em Maceió. O fato novo, posto em evidência no “Bom Dia Brasil†da Globo, embora velho e corriqueiro na vida dos cidadãos alagoanos, é a onda de assaltos a bares e restaurantes da capital. Eles acontecem com frequência incomum e não encontram solução policial.

A questão da insegurança em Alagoas é alarmante, crescente, e a cada dia a criminalidade acrescenta novos ingredientes de sofisticação e crueldade. Desde os crimes contra a vida, como homicídios, estupros, espancamentos, sequestros, aos assaltos e outras modalidades de crimes contra o patrimônio, prevalece uma onda de desamparo aos cidadãos e, noutro ponto crucial, um visível descaso do corpo policial.

Embora o Governo do Estado tenha optado por colocar na cúpula da Polícia Civil homens de reconhecida qualidade, experimentados na inteligência da Polícia Federal, a exemplo do secretário de Defesa Social, Paulo Rubim, e de vir realizando grandes investimentos públicos na área da segurança, não vem sendo possível diminuir a criminalidade.

As estatísticas oficiais mostram que Maceió e Arapiraca estão entre as 15 cidades brasileiras em que os jovens estão mais vulneráveis à violência , a nossa capital é campeã nos homicídios que atingem o universo juvenil, os assaltos a bancos são sempre mais frequentes e ousados. Não apenas os alagoanos, mas, também, os turistas – que felizmente voltaram a se encantar com os nossos infindáveis e incomparáveis atrativos – , são afetados de modo assombroso.

Não adianta tentar tapar o sol com peneira: as nossas polícias (militar e civil) são, em sua grande maioria, despreparadas e descomprometidas. A Civil, então, dominada por um sindicalismo arcaico e nocivo, não está nem aí. Seus líderes decidem que toda culpa é do Estado e pronto. Sem contar – e isso conta muito – que existe uma banda podre, nas duas polícias, mergulhada no crime, a serviço da pistolagem.

Mas o problema não é só da Polícia. A Justiça, mais das vezes, quando aplica a lei, quando pune, o faz a passos de tartaruga, findando, com sua lentidão, por beneficiar e estimular o crime.

No mais, há uma ausência flagrante do Governo ( Estado e Município) na proteção aos jovens, especialmente, e às famílias, de modo geral. O que está sendo feito em Maceió e nas principais cidades do Estado, para levar a crianças e adolescentes, notadamente aos mais pobres, programas culturais, esportivos, artísticos, de formação profissional? O que está sendo feito para que a escola seja o centro das atenções e o ambiente de convivência das comunidades? Será que, por não aplicarem seus recursos e suas atenções na formação de cidadãos sadios, os nossos governantes não estão sendo decisivos na construção dessa sociedade distorcida?

Penso que todos temos o dever de refletir sobre isso.

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Mais um indicador negativo para Alagoas

sexta-feira, dezembro 11th, 2009

O Estado de Alagoas verga-se diante de mais um indicador negativo. Campeão em analfabetismo, em repetência escolar, em violência juvenil, dentre tantas mazelas que infernizam a vida das pessoas, é agora apontado como a unidade da Federação que detém o mais baixo percentual de utilização da Internet. Embora tenha registrado crescimento entre 2005 e 2008, passando de 7,6% para 17,8% da população com mais de 10 anos de idade que faz uso da Internet – na verdade mais do dobro de evolução -, continua na rabeira nesse setor. Os dados, liberados hoje pelo IBGE, fazem parte da análise da PNAD ( Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio).

Enquanto o Brasil avançou, entre 2005/2008, de 20.9% para 34.8%, o Distrito Federal pulou de 41.1% para 56.1% de usuários. E, Estados como o Rio Grande do Norte, com 29.9%, e Sergipe, com 29.1%, têm desempenho muito melhor do que Alagoas, quase duas vezes o tamanho da nossa performance.

Esses números amargos, num segmento que espelha modernidade, evolução de tecnologia e democratização da comunicação, não surgem por acaso. Eles retratam a condição de atraso de Alagoas no campo da educação e no tocante ao nível de renda de sua população. Somos um sociedade brutalmente injusta, disforme, com uma concentração absurda de renda nas mãos de uns poucos, e uma massa enorme de pobres e desprotegidos, de baixa elevação humana e de elevada privação de liberdades.

Daí, eu insistir na tese de que só haverá saídas para nossa sociedade melhorar o seu padrão de vida e de dignidade humana, caso o processo educacional, pleno e de qualidade, for adotado como compromisso prioritário e emergencial.

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Dois nomes que orgulham Alagoas

quinta-feira, dezembro 10th, 2009

A revista “Épocaâ€, das empresas de comunicação de Roberto Marinho (Globo), trouxe esta semana a lista dos “100 brasileiros mais influentes de 2009â€. Todos mereceram texto ressaltando as qualidades que os fizeram merecedores da escolha. No rol dos contemplados, dois nomes me chamaram a atenção: Marta, a espetacular craque do futebol feminino, três vezes eleita pela FIFA como a melhor jogadora do mundo. O outro, o tenente brigadeiro do ar Clenilson Nicácio, ex-presidente da INFRAERO e atual diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, estratégico setor da Aeronáutica brasileira.

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Ambos são alagoanos. Marta, nascida em Dois Riachos, no sertão do Estado. O tenente brigadeiro Cleonilson, pouco conhecido do grande público, nasceu em Maceió, há 61 anos.

Na revista, quem traça o perfil da nossa consagrada atleta, é outro símbolo das nossas conquistas e das nossas alegrias, a estrela do basquete, campeã mundial, Hortência de Fátima Marcari.

Eis o texto: “ Marta é uma guerreira, um talento inato. Começou a praticar um esporte onde existia e ainda existe muito preconceito contra as mulheres, um esporte que sempre foi totalmente voltado para os homens, e hoje é, há três anos consecutivos, a melhor jogadora do mundo. Ela se destacou por sua capacidade, seu talento e seu poder de superação. Foi para fora do Brasil, aprendeu muito e agora voltou. Jogando em um clube que até então só era conhecido pelo time masculino – o Santos -,conseguiu ser campeã da primeira Copa Libertadores feminina e agora caminha para ser campeã mundial. Marta sabe o que quer: porta-se muito bem dentro de campo e fora dele, nas entrevistas, na forma de se expressar e de vestir. Com apenas 23 anos, ela tem um papel fundamental para alavancar o futebol feminino no Brasilâ€.
Coube ao ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, realçar as virtudes do outro alagoano, o brigadeiro Nicácio:
“ Alagoano de 61 anos, o tenente brigadeiro do ar Cleonilson Nicácio é econômico em emoções. Sua sobriedade, apego ao trabalho duro, preparo técnico e aversão aos holofotes levaram-me a conduzi-lo, em agosto de 2007, à diretoria de Operações da Infraero. Formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ele percebeu a necessidade de reestruturar a empresa. Nicácio reformou seu estatuto – e, a fim de levar a profissionalização ao limite, substituiu mais de uma centena de servidores externos aos quadros da estatal. A medida gerou reação nos meios políticos, mas ele recebeu nosso apoio. De volta à Aeronátutica, Nicácio assumiu a direção do estratégico Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial. Ali certamente atingirá resultados tão valiosos quanto os da Infraeroâ€.
Os feitos memoráveis de Marta todos conhecem, pois sua atividade- embora em dimensão menor do que ocorre com o futebol masculino -, é razoavelmente focada pela televisão, pelo rádio, pela internet, pelos jornais, e ela já conquistou fama internacional.
Quando ao tenente brigadeiro Cleonilson Nicácio, saber que existem alagoanos com esse perfil de seriedade, de honestidade, de firmeza, de qualificação técnica, ocupando importantes postos nacionais, é sempre um motivo de alegria e de esperança.
Para quem não sabia que Nicácio era um dos nossos, vai aí essa anotação para a agenda do Orgulho Alagoano.

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Impertinências – Ainda a tragédia da cana

quarta-feira, novembro 18th, 2009

No último dia 9 expressei, aqui, a minha indignação diante da brutal devastação que a cana-de-açúcar causou à natureza nordestina, com maior fúria sobre o Estado de Alagoas. Comentei, então, matéria veiculada pela “Gazeta de Alagoasâ€, do domingo, 8, baseada em pesquisa realizada pela Universidade Federal de Pernambuco, dando conta dos avanços sobre a destruição da mata atlântica nos últimos anos, e apontando que, dos 10 municípios que mais devastaram a vegetação, 8 encontram-se em Alagoas, todos eles produtores de cana.

Citando trechos da monumental, e sempre atual, obra de Josué de Castro, com realce ao seu contundente livro “Geografia da Fomeâ€, referi-me ao fato de que essa trágica realidade de agressão ecológica e das graves consequências de desequilíbrios irreparáveis aos solos e aos recursos hídricos, ocorre desde os tempos da ocupação portuguesa e, desde então,só fez se acelerar.

Volto a citar Josué de Castro, ainda em “Geografia da Fomeâ€, agora já relacionando desnutrição e fome às questões do uso impróprio da terra :
“A fome no Brasil, que perdura, apesar dos enormes progressos alcançados em vários setores de nossas atividades, é consequência, antes de tudo, de seu passado histórico, com os seus grupos humanos, sempre em luta e quase nunca em harmonia com os quadros naturais. Luta, em certos casos, provocada e por culpa, portanto, da agressividade do meio, que iniciou abertamente as hostilidades, mas, quase sempre, por inabilidade do elemento colonizador, indiferente a tudo que não significasse vantagem direta e imediata para os seus planos de aventura mercantil….É sempre o mesmo espírito aventureiro se insinuando, impulsionando, mas logo a seguir, corrompendo os processos de riqueza no país. É o “fique ricoâ€, tão agudamente estigmatizado por Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro Raízes do Brasil. É a impaciência nacional do lucro turvando a consciência dos empreendedores e levando-os a matar sempre todas as “galinhas dos ovos de ouroâ€. Todas as possibilidades de riqueza que a terra trazia em seu bojoâ€.

Volto a este assunto, e sei que a ele haverei de manter fidelidade canina – embora não me anime a pensar que dê muito resultado-, porque ontem, o www.tudoglobal.com.br, deu manchete de capa sobre um tema secular, mas que continua intenso e renovado: a usina Caeté, em Alagoas, devastou 28 hectares de uma área de Unidade de Conservação Federal de Reserva Extrativista (RESEX) e uso, clandestinamente, as águas da Lagoa do Jequiá (considerada a maior lagoa de água doce do Brasil) para fazer irrigação dos seus plantios de cana. Isso tudo ocorreu, a despeito de o MPF ter feito 6 autuações à usina. Todos os seus diretores estão sendo processados.

O que fazem os donos dessa usina de açúcar, e tantos outros que sustentam seus lucros às custas do sacrifício da natureza, é o que Josué de Castro e outros, como Octávio Brandão, há décadas e décadas denunciavam.

E não apenas eles. Trago à reflexão o que pensou e escreveu um cidadão muito conhecido e muito querido por todos os brasileiros. Alagoano, de Viçosa, herdeiro do Engenho Boa Sorte (fundado em 1840), fundador da usina Seresta, pai do nosso Governador Teotônio Vilela Filho. Falo de Teotônio Brandão Vilela, “O Menestrel das Alagoasâ€, que se notabilizou por luta incansável em defesa da Democracia, pela libertação de presos políticos, e pela retorno das eleições diretas ao Brasil.

CAPA_LIVRO_TEOTÔNIO_VILELAÉ dele essa manifestação, à página 269, do seu livro “A Pregação da Liberdade (andanças de um liberalâ€, publicado em 1977:

“As pressões ecológicas já estão sendo estudadas e até mesmo já se cogita de um Direito Ecológico, como no setor urbano, de um Direito Urbanístico. A terra está devastada e, mais do que isso, degradada. No primeiro caso prevalece a ignorância do homem;no segundo, a ambição desmedida de poucos homens. De fato, os desequilíbrios ecológicos provocados pelo sistema tradicional de trabalho foi e é uma luta predatória, sem dúvida, mas ditada pela necessidade da sobrevivência, onde o mal é mais inconsciente do que consciente. Já agora, com a introdução de fertilizantes não controlados devidamente, de inseticidades e herbicidas, principalmente estes, com desnudamento avassalador da terra, exposta por inteiro ao vento, ao sol e à chuva, com o tratamento mecânico às vezes indevido que se dá ao solo, tudo propiciando frequência mais acentuada de erosão – a grande calamidade da terra -, com a contaminação das águas, o meio-ambiente cada dia se torna mais parecido com o da cidade condenada. Além de cansada, a terra perde os seus encantos, atacadas inclementemente a flora e a fauna, condenados os rios sinuosos de antigas águas cristalinas, desaparecidas as árvores de sombras carinhosas e de frutos apetitososâ€.

Guardo a convicção de que o relato denunciador, em tom poético e saudoso, do velho Senador Teotônio Vilela carregava as lembranças antigas do rio Paraíba da sua infância viçosense, pedaços de memória do que era o rio São Miguel, as lagoas Mundaú, Manguaba e tantos outros mananciais agredidos, violentados, destruídos.

Mais de 50 anos após Josué escrever Geografia da Fome e 32 após Teotônio cravar esse depoimento, o quadro só fez se agravar. Sonhar com que?

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