Recebi esta manhã dois telefonemas de pessoas de Maceió, que, indignadas, relataram as condições desumanas a que estão submetidas, na obrigatoriedade de realizar o tal recadastramento biométrico imposto pelo Tribunal Regional Eleitoral.
Não que elas – como os milhares de homens e mulheres que engrossam as estupendas filas que se formam no entorno do prédio do Fórum Desembargador Moura Castro, na Avenida Fernandes Lima -, sejam contrárias à modernização do sistema eleitoral.
Pelo contrário, essa presença maciça é sinal de que esses alagoanos simples, gente do povo, querem ter o direito de exercer o seu direito de voto de maneira limpa, sem a presença da corrupção deslavada, sempre uma marca das eleições em Alagoas.
O motivo da revolta de quem passa pelo recadastramento é um só: a falta absoluta de condições fÃsicas, ambientais, de pessoal, com que o Tribunal Eleitoral se preparou para desempenhar essa importante tarefa, resultando numa estúpida humilhação à s milhares de pessoas que, sem qualquer alternativa, ficam em filas quilométricas, expostas ao sol causticante, com danos à saúde fÃsica e mental, pois leva ao extremo a paciência de todos que estão passando por esse drama.
Um dado interessante é que as filas são formadas quase que totalmente por pessoas simples, por trabalhadores, mães de famÃlia. Não se vê engravatados, endinheirados, poderosos ou desses protegidos, grupos que, certamente, não têm qualquer interesse no recadastramento, ou dispõe de outros meios que os facilitem, sem o martÃrio a que são submetidos os pobres mortais.
A imprensa de Alagoas, toda ela hoje nas mãos de polÃticos, não toma conhecimento desse vexame por que passam os eleitores. Não se vê um fotógrafo, um cinegrafista, um repórter de qualquer meio, que possa denunciar essa falta de respeito aos direitos dos cidadãos, à dignidade das pessoas. Tudo fica combinado: faz de conta que nada está acontecendo.
Pelo que sei, a única manifestação contrária à forma desorganizada e insensata com que esse recadastramento biométrico se realiza, foi adotada pelo Presidente da OAB/AL, Omar Coelho, ainda no dia 5 de julho. Decorridos mais de 30 dias de sua manifestação, não se sabe que medida tomou o Presidente do Tribunal. Pelo visto, nenhuma , pois o processo se mantém nos mesmos moldes com que começou: gente em filas desumanas, feito animais caminhando para o abate, levando até 3 horas, sob o sol, para ser atendido no seu anseio de poder votar de modo livre e decente.
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