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Crescem gastos com segurança, mas violência não diminui

19/01/2010 - 20:17 -

Deparei-me num desses dias com entrevista do delegado Antonio Carlos Lessa, presidente da Associação de Delegados de Polícia de Alagoas, atribuindo à falta de investimentos em segurança as causas do agravamento da violência no território alagoano, sobretudo em Maceió e Arapiraca. Na visão do líder dos delegados, o aumento da criminalidade é galopante e isso se deve à precariedade dos serviços de segurança, decorrente da ausência de investimentos no setor.

Dados do Ministério da Justiça, apontados no relatório sobre investimentos estaduais, que colhe levantamento referente aos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008, contrapõem-se às conclusões do delegado Lessa.

Alagoas, ao contrário do que ele afirma, tem apresentado crescimento progressivo na aplicação de recursos públicos em segurança, com percentuais que chegam a ser superiores ao dobro da média brasileira.

Senão, vejamos:

Em 2005, os investimentos públicos em segurança, em Alagoas, somaram R$ 326.008.111,00, passando para R$ 386.030.251,00, no ano seguinte, pularam para R$ 460.779.717,02, em 2007 e, finalmente, elevaram-se a R$ 588.545.816,07, em 2008. Isso significou um incremento, nos 4 anos levantados, de 74,09%. No aspecto R$ gasto/habitante, nesse mesmo período, o quadro é esse: em 2005, Alagoas aplicava R$ 108,10 por habitante no ítem segurança, passando para R$ 126,54 em 2006, R$ 149,36 em 2007 e R$ 188,18 em 2008. Chama atenção o fato de que, em 2008, enquanto a relação de custo/habitante em segurança, no Brasil, era de R$ 35,57, Alagoas, com seus R$ 188,18, aplicou mais de cinco vezes o valor nacional.

Um contraponto significativo da relação investimentos públicos X violência,para Alagoas, é a posição do Estado de Santa Catarina. Enquanto, no caso alagoano, os investimentos públicos cresceram 74,09%, em Santa Catarina ocorreu um decréscimo da ordem de -84,40% no período avaliado. Em 2008, a relação gasto por habitante ficou em R$ 188,18. Em Santa Catarina, apenas R$ 28,07.

Nesse mesmo ano, em todo o território catarinense foram registrados 156 homicídios. Esse número é inferior a um só mês de assassinatos verificados no território alagoano.

Vê-se, daí, que algo anda muito errado. Uma das causas não seria o despreparo e a falta de compromisso da grande maioria da nossa polícia?

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(5) Comentários - Você está em Blogs

5 Comentários para “Crescem gastos com segurança, mas violência não diminui”

  1. O Iluminado

    Mais uma vez a sua explanação lúcida, coloca um dedo na ferida dos problemas alagoanos. Esse seu levantamento mostra, que não falta recursos financeiros e sim um gerenciamento desses recursos, com o maior e melhor aproveitamento. Falta planejamento, falta disposição, falta vontade, falta preparo, ou seja, falta tudo.

  2. lucia bezerra

    É muito fácil simplesmente culpar o Governo. Esses caras do Sindicato são vezeiros nessa moda de atacar os governantes, mas eles simplesmente escondem a sujeira que é a maior parte da Polícia. Esses caras não têm qualquer consciência, só querem saber de greves e muitos deles são corruptos e bandidos.

  3. auro

    É preciso fazer uma limpeza na polícia. Tem muitos corruptos e assassinos, ligados a mandantes de crimes, que nunca foram parar na cadeia. O maior imvestimento que o governo faria na segurança seria limpar essa polícia e dar novo rumo à Segurança.

  4. abelardo

    Esses números que você mostra bem demonstram uma coisa: o maior investimento que o Governo precisa fazer é na Educação, na formação de novas gerações, voltadas para a decência, para o trabalho, para o respeito ao próximo. Simplesmente gastar em segurança, com polícia corrupta, é jogar dinheiro fora.

  5. Luciano Lemos

    Essa decisão de fechar as delegacias às 18 horas mostra muito bem que polícia irresponsável e descomprometida que nós temos. Todo o mal fica por conta do Governo, mas eles se deitam na preguiça e só querem ver o circo pegar fogo, fazendo pressão sobre os governantes, tudo em busca de melhor salário e de melhores e mais vantagens. Uma vergonha.


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