Tomo conhecimento de que o Instituto do Meio Ambiente (IMA), o Ministério Público Estadual, e o Sindicato das Usinas de Açúcar do Estado de Alagoas celebram, dia 18 de Dezembro, um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), cujo objetivo é recuperar as Matas Ciliares das terras de propriedade das indústrias, que, servindo ao cultivo da cana, foram, ao longo da história, sendo dizimadas de modo cruel.
Trata-se, no meu modo de enxergar as coisas, da mais expressiva e esperançosa notÃcia deste ano de 2009. Recuperar o que essa planta devoradora sugou da terra, significa devolver equilÃbrio ecológico a enormes faixas de terras, possibilitando, no futuro, a revitalização dos corpos d’agua e impedindo que a cultura da cana continue secando rios e lagoas, uma catástrofe bem à vista em nosso Estado.
A Termo de Ajuste será o instrumento legal que regulará a conduta dos usineiros a partir de agora, sob o acompanhamento do Ministério Público e do IMA, de modo a devolver à natureza, nos próximos 10 anos, 32 milhões de mudas de plantas nativas, destruÃdas pela substituição da cana. A medida cria critérios punitivos, penalizando as usinas que não se enquadrarem aos termos do TAC.
Se essa louvável iniciativa estivesse em vigor há pelo menos dois anos, certamente a usina Caeté não teria devastado 28 hectares de uma área de Unidade de Conservação Federal de Reserva Extrativa, fazendo uso, de forma clandestina, das águas da Lagoa de Jequiá para irrigar as suas plantações de cana. A atitude criminosa da usina ocorreu mesmo depois de 6 autuações emitidas por órgãos ambientais, o que revela o espÃrito ganancioso e irresponsável da empresa.
Seguramente, a usina Caeté não está só nessa empreitada destrutiva, que mudou a paisagem natural de Alagoas, comprometeu os recursos hÃdricos, afetou drasticamente a fauna e ofereceu uma contribuição significativa ao panorama social do Estado, mantendo gerações seguidas de seres humanos aprisionados a baixos salários e a condições humilhantes de trabalho.
Mas, o exemplo que a Caeté nos ofereceu é gritante. Além de devastar a vegetação das terras a ela pertencentes, destruiu, como se vê no caso flagrado pelo Ministério Público Federal, 28 hectares de uma RESEX, o que enfatiza o menosprezo a qualquer valor que não sejam os valores do lucro pessoal.
Nutro-me de esperança diante da boa notÃcia desse Termo de Ajuste de Conduta. E louvo, por isso, a ação do IMA, do Ministério Público Estadual, do governador Teotônio Vilela Filho e do próprio Sindicato do Açúcar.
Chega, assim espero, a tão sonhada e imprescindÃvel hora da reparação. Por enquanto no campo ecológico. Sonho que, algum dia, ela chegue também ao campo social.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009 às 10:55
Realmente merecem elogios esses entes envolvidos nessa iniciativa. Se esse Termo de Ajuste for levado a sério, muita coisa pode melhor na natureza alagoana.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009 às 11:28
Como se vê, seja aqui, nos Estados Unidos ou Europa, são sempre os ricos que causam danos. A natureza foi destruÃda por eles. E eles, como se está vendo agora na Conferência do Clima, são os que dificultam qualquer acordo no caminho da recuperação do planeta. Por isso, tem que haver medidas como essas. Eles têm que tirar do bolso para pagar o estrago que fizeram. Parabéns pelo artigo.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009 às 20:14
É isso aÃ. Você tem razão. Gente como a Marta, a maior campeã da história, realmente é um orgulho.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010 às 13:14
Continue nos informando!
Grata!
Acho que devemos começar a escolher melhor a marca dos produtos que compramos, que tal???
Caeté nunca mais , até ver sua mata siliar reposta!
Valeu… Façamos nossa parte!!! Bjs