Ao postar comentário em artigo que escrevi sobre a vulnerabilidade de Maceió à violência contra os jovens, que torna a capital alagoana campeã nacional de risco juvenil, o professor Élcio Verçosa – maior expressão da educação em Alagoas -, assim se manifesta:†Que polÃticas públicas temos para a nossa meninada, além de shows que assassinam o bom gosto e tocar fogo em quem transgride a norma? Seria tão fácil tirar de imediato um bom número de menores da rua: bastaria umas duas escolas em tempo integral, atendendo o que preconiza a Lei de Diretrizes e Bases da Educação há quase 14 anosâ€.
O que diz o professor Élcio é o que algumas autoridades, em outras cidades brasileiras, já enxergaram há algum tempo e estão pondo em prática: além de adotar a escola como o mecanismo mais eficaz de formar jovens saudáveis, afastados dos riscos que levam à violência, conduzindo-os à vida adulta produtiva, estão aplicando outras polÃticas públicas necessárias ao bem-estar e ascensão da sua população juvenil. É a intervenção pública imprescindÃvel, até mesmo obrigatória, sem a qual, como acontece em Maceió, os jovens, fora da escola, ou mergulhados na repetência, perdem o rumo e se expõem a toda sorte de tragédias, envolvendo-se nas drogas, na prostituição, até colherem a morte prematuramente.
No sábado passado, vendo um quadro que Luciano Hulk apresenta no seu “Caldeirãoâ€, da TV “Globoâ€, observei o que se passa no Morro Dona Marta, no Rio de Janeiro. Antes considerado um dos pontos de maior violência da antiga Capital, poderoso centro de tráfico de drogas e de armas e reduto de absurda incidência de homicÃdios, o Dona Marta é, hoje, motivo de orgulho e exemplo para o mundo. Graças à ação vigorosa e responsável do poder público, e ao envolvimento cidadão da comunidade, tudo foi transformado em ambiente de convivência sadia, local de trabalho honrado, de vida escolar modeladora, de alimentação duradoura de sonhos.
No domingo, na “Folha de São Pauloâ€, o jornalista Gilberto Dimenstein, que há anos põe seu olhar profissional sobre os caminhos e descaminhos da juventude brasileira, revela outra informação animadora: a Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, registrou apenas um homicÃdio nos últimos 8 meses. Para quem não sabe ou não lembra, Cidade de Deus, dominada por traficantes, aonde a vida aos cidadãos decentes era praticamente impossÃvel, foi registrada de forma impactante pelo diretor Fernando Meireles, e notabilizou-se mundialmente como sÃmbolo da violência.
A paz que ali se implantou decorre, novamente, de intervenção pública corajosa, organizada e ininterrupta, também, a exemplo de Dona Marta, com a participação da própria comunidade.
Outro exemplo: há 10 anos, o Jardim Ângela, em São Paulo, foi apontado pela ONU como a região mais violenta do mundo, mais do que qualquer bairro do Rio, inclusive a Cidade de Deus, com estatÃsticas de violência suplantando Medellin, na Colômbia. Hoje, São Paulo é tida como uma cidade menos violenta do que Curitiba e Florianópolis, e isso de deve exatamente à redução brutal dos crimes em Jardim Ângela. Mais uma vez, graças ao papel do poder público, à colocação da escola como núcleo de convivência e ao envolvimento da comunidade.
Será que esses exemplos, e milhares de outros espalhados por esse Brasil afora, podem servir de modelo para os nossos governantes?
Esta é uma impertinência que me angustia.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009 às 20:53
Quando o Estado cumpre com suas obrigações através de polÃticas públicas que desenvolvem as pessoas, a violência diminui. Combater a violência depende de ações mais complexas e vai desde prender bandidos até evitar que novas pessoas entrem para a marginalidade. O futuro dos nossos jovens depende dessas ações.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009 às 23:15
Parabéns JO, seu texto, muito bom, sintetiza caminhos passÃveis de serem trilhados. Infelizmente, ainda é necessário pressão popular e a vontade polÃtica. Um abração.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009 às 23:45
Essa angústia precisa ser compartilhada por todos os que estão conscientes de que os caminhos existem, porém só serão trilhados se houver vontade polÃtica e humana. Enquanto houver pessoas que levantam essa bandeira com sua competencia, JOsmando, haverá esperança.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009 às 0:41
Eu acho que esse grande jornalista acertou em cheio, infelizmente tenho que propagar a filosofia da catástrofe, vamos sucumbir, e não vai muito! O gelo das geleiras estão derretendo, os filhos das famÃlias estão se perdendo com o crak e outras drogas, não se vê nenhum esforço do poder público para amenizar essas mazelas da humanidade. Se o oceano subir 1.4 metros em um futuro próximo como se configuram os sinais atuais da natureza, como ficarão aqueles que já não tem nem onde dormir, consumidos pelos vÃcios e o ócio. Será que a cachaça vai dar? Cachaça e educação não dá certo!
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009 às 21:10
Gostei dos exemplos que você mostrou e do alerta que faz quanto à situação dos jovens de Alagoas, cada vez mais sujeitos à violência e ao descaso. Peço que continue insistindo nesse tema, pois algum dia alguém terá o bom senso de ouvir e dar ateção.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009 às 21:14
Por que as autoridades de Alagoas não se unem num grande projeto para salvar os seus jovens? Será que eles não enxergam que Alagoas ficará sempre miserável se algo não for feito com urgência?
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009 às 11:19
É disso que precisamos.De unidade de ideias e ideais no sentido de mudar a situação não só em alagoas,pois alagoas é apenas mais uma peça nesse imenso tabuleiro do xadrez da violencia.
Leia um artigo correlato:ADULTIZAÇÃO DA INFANCIA “A INOCENCIA PERDIDA”
Já dizia o escritor que o ser humano não nasce pronto para a vida. Ao nascer é imaturo,dependente e necessita de muitos anos de cuidados e atenção dos pais e da famÃlia para poder sobreviver no meio social,assimilando aos poucos a herança cultural do grupo em que vive.
Leia a integra desse artigo que tem muito a ver com essa situação,em http://www.armazemdeideiasdru.blogspot
Adem
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009 às 13:35
Anima-me a receptividade ao tema. Sinto que cada vez que postamos essas impertinências, mais pessoas lúcidas se manifestam. Nutro a esperança de que essa onda vá aumentando, construindo um despertar que um dia dará certo. Agradeço a todos.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009 às 13:42
PRECISAMOS ISSO SIM! COMPOR UMA CORRENTE DE MENTES PENSANTES,POIS ESSE PAIS SO VAI MUDAR ATRAVES DA MELHORIA DO INTELECTO DOS SEUS CIDADÃOS….meus contatos estão disponiveis…ademdrumond@gmail.com…..ademdrumond@hotmail.com er meu blog armazemdeideiasdru.blogspot.com
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009 às 21:27
Caro Osmando,
Tenho visto blog, não com a frequência que gostaria, mas o suficiente pra conferir: é coisa boa, bem escrita, bem fundamentada. Gostei particularmente dos dois artigos sobre a cana de açúcar, riqueza de poucos, miséria de muitos. Ela vai chegando, tomando conta de tudo, não deixa espaço para um pé de milho. E avança, cada vez mais. Outro dia vi que está chegando, rodeando até o Tanque d´Arca. Até me lembrei de uma historinha mais ou menos antiga: visitei um velho engenho de rapadura, no pé da serra, onde resistia (isso já faz uns 30 anos) o velho Sebastião Tenório, primo de uns Tenórios usineiros que viviam insistindo para que ele deixasse aquela coisa primitiva. A resposta do velho Sebastião:
- Morro seco, mas não forneço cana pra corno nenhum!
Pois é, caro Osmando, pelo jeito ninguém mais resiste e a cana avança.
Grande abraço,
Audálio Dantas
domingo, 13 de dezembro de 2009 às 12:05
Eu concordo plenamente com essa colocação de que as causas da violência estão na ausência do poder público. Quando a autoridade não chega com serviços, a bandidagem toma conta, controlando as pessoas, especialmente os jovens, através das drogas
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009 às 11:27
A Gazeta de Alagoas deste domingo publico uma matéria contundente, assinada pelo bom repórter MaurÃcio Gonçalves, retratando justamente o que você diz nesse seu artigo. Falta ação do poder público nessas áreas pobres de Maceió. A policia só chega para bater, espancar, assustar, humilhar os moradores. E aà o tráfico toma conta de tudo.