O martÃrio do recadastramento biométrico
Recebi esta manhã dois telefonemas de pessoas de Maceió, que, indignadas, relataram as condições desumanas a que estão submetidas, na obrigatoriedade de realizar o tal recadastramento biométrico imposto pelo Tribunal Regional Eleitoral.
Não que elas – como os milhares de homens e mulheres que engrossam as estupendas filas que se formam no entorno do prédio do Fórum Desembargador Moura Castro, na Avenida Fernandes Lima -, sejam contrárias à modernização do sistema eleitoral.
Pelo contrário, essa presença maciça é sinal de que esses alagoanos simples, gente do povo, querem ter o direito de exercer o seu direito de voto de maneira limpa, sem a presença da corrupção deslavada, sempre uma marca das eleições em Alagoas.
O motivo da revolta de quem passa pelo recadastramento é um só: a falta absoluta de condições fÃsicas, ambientais, de pessoal, com que o Tribunal Eleitoral se preparou para desempenhar essa importante tarefa, resultando numa estúpida humilhação à s milhares de pessoas que, sem qualquer alternativa, ficam em filas quilométricas, expostas ao sol causticante, com danos à saúde fÃsica e mental, pois leva ao extremo a paciência de todos que estão passando por esse drama.
Um dado interessante é que as filas são formadas quase que totalmente por pessoas simples, por trabalhadores, mães de famÃlia. Não se vê engravatados, endinheirados, poderosos ou desses protegidos, grupos que, certamente, não têm qualquer interesse no recadastramento, ou dispõe de outros meios que os facilitem, sem o martÃrio a que são submetidos os pobres mortais.
A imprensa de Alagoas, toda ela hoje nas mãos de polÃticos, não toma conhecimento desse vexame por que passam os eleitores. Não se vê um fotógrafo, um cinegrafista, um repórter de qualquer meio, que possa denunciar essa falta de respeito aos direitos dos cidadãos, à dignidade das pessoas. Tudo fica combinado: faz de conta que nada está acontecendo.
Pelo que sei, a única manifestação contrária à forma desorganizada e insensata com que esse recadastramento biométrico se realiza, foi adotada pelo Presidente da OAB/AL, Omar Coelho, ainda no dia 5 de julho. Decorridos mais de 30 dias de sua manifestação, não se sabe que medida tomou o Presidente do Tribunal. Pelo visto, nenhuma , pois o processo se mantém nos mesmos moldes com que começou: gente em filas desumanas, feito animais caminhando para o abate, levando até 3 horas, sob o sol, para ser atendido no seu anseio de poder votar de modo livre e decente.
Â
Rafaela
Dia desses assisti, no “Mais Vocêâ€, da Ana Maria Braga – que muitos preferem tratá-la de “brega†-, a uma matéria que me levou à s lágrimas, coisa, aliás, felizmente, não raro de acontecer. Tratava-se da história do cão Phantom, um gigantesco dogue alemão adotado pelo casal de engenheiros Karin Graf e Aguinaldo Graf, hoje personagem de um livro cativante, escrito por Karin, que revela o perfil vencedor de um animal com atributos de sensibilidade, interação, força, competitividade, doação, afeto e inteligência ausentes em muitos dos humanos.
Publicado pela editora Ãsis, de Curitiba, o livro Um Anjo Chamado Phatom – A Saga de Um Campeão, conta a trajetória desse ser especial, um monstro de patas avantajadas, orgulho de sua raça, que conquistou todos os prêmios que disputou, no Brasil e no exterior, e que, envelhecido, sem as condições fÃsicas para competir por mais tÃtulos, hoje é o ilustre voluntário de um hospital para tratamentos de doentes com câncer, onde cumpre sua missão de alegrar e motivar pessoas confinadas no seu leito de dor e de esperança. Toda semana, por um dia inteiro, Phantom é levado ao hospital e, com seu porte doce e desajeitado, faz a festa para crianças e idosos.
Hoje, desde que LaÃs me telefonou à s 6:50 da manhã, para contar que a encontrou afogada na piscina,  voltei a derramar muitas lágrimas, por várias vezes durante o dia, todo momento que me vinham lembranças, ou tratava com alguém sobre a partida de Rafaela, a meiga e pequenina cadela que se introduziu e fincou raÃzes profundas, na nossa casa, na nossa famÃlia, nos nossos amigos, nos nossos corações.
Rafaela, uma poodle toy autêntica, na pequenez dos seus poucos mais de 22 centÃmetros, era o oposto do gigante Phantom, um dogue alemão que, de pé, punha as patas na cabeça dos seus donos. Mas sei, pelo que vi e li acerca desse cão vencedor, e sobre as experiências que eu, Carolina, LaÃs, e inúmeros amigos vivemos com Rafaela, ao longo de 14 anos, que esses dois seres são muito especiais e se igualam na dimensão do afeto.
Quem conheceu Rafaela sabe que este sentimento que expresso é verdadeiro. Ela era um poço de sensibilidade, de atenção de carinho, de fragilidade, de uma atenção extremamente aguçada em relação àqueles que ela queria. E ela queria a todos, no seu jeito lady de ser.
Fica em paz, meu anjo. Tenha certeza de que você contribuiu muito para elevar minha humanidade.
José Osmando de Araújo
Escola integral, um aparelho de proteção aos jovens
 Temos um bom motivo para celebrar: o Ministério da Educação acaba de anunciar que mais 133 escolas públicas de Alagoas passarão a funcionar, em 2011, no regime de tempo integral. Somente na Capital serão mais 36 escolas voltadas o dia inteiro para os estudantes. Somando-se a isso mais 12 escolas que contarão com o programa no municÃpio de Rio Largo, e outras 5 em Marechal Deodoro, têm-se, apenas na Grande Maceió, um total de 53 estabelecimentos públicos de ensino integrados a esse novo perfil da educação brasileira.
 É motivo, sim, para comemorar, pois, na outra ponta, no lado negro da frustração, permanece a má notÃcia de que Alagoas, com destaque negativo para Maceió e Arapiraca, ostenta o desprezÃvel troféu de constituir-se o Estado federativo mais violento, aquele em que crianças e jovens vivem no ambiente mais hostil, sempre mais vulneráveis a toda sorte de violência.
O “Mapa da Violência 2010 – Anatomia dos HomicÃdios no Brasilâ€, lançado pelo Ministério da Justiça há 5 meses, revela dois aspectos estarrecedores. O primeiro, é que os jovens latino-americanos são os que mais sofrem com a violência, e Brasil e Colômbia são os grandes focos. Quando comparado com os paÃses da Europa, o nÃvel de violência é 16 vezes maior entre toda a população. Relacionando os dados apenas entre os jovens, esta estatÃstica sobe 31 vezes.
 O segundo elemento a se extrair desse “Mapaâ€, como fonte para reflexão e para um planejamento governamental de urgência, é que a taxa de homicÃdios em Alagoas, na população de 15 a 24 anos, é de 125,6 mortes por cada grupo de 100 mil habitantes da população geral. E, tão grave quanto a tragédia em si: essa taxa alagoana era de 30,2 em 1997, elevando-se em 415,9% até 2007, o que fez o Estado passar da 14ª para a 1ª posição desse ranking indesejável.
As causas desse desmonte avassalador contra nosso mundo juvenil são permanentemente discutidas por educadores, sociólogos, psicanalistas, pedagogos. Quase sempre se conclui que um dos fatores dessa violência recai sobre a vulnerabilidade decorrente da pobreza econômica. Vê-se, ao lado disso, como elemento agravante, o mergulho que jovens, e muitas vezes até crianças, no destruidor mundo das drogas, sobretudo do crack, uma forma perversa e barata de eliminação de vidas.
Ninguém, certamente, deixará de enxergar que a ausência da escola como instrumento de informação, de aprendizado e de formação moral, de comportamento ético, de valorização da condição humana, é a causa mais plausÃvel, mais visÃvel e mais determinante dessa condição de vulnerabilidade do nosso universo infantil e juvenil. Se falta a escola, se não comparece o bom ensino, se não há a merenda escolar, se não existem aulas de educação fÃsica, se não são aplicadas práticas de esporte, de cultura e arte, aà sim, tem-se o quadro adequado à marginalidade, à s drogas e à morte.
A boa nova de que o Governo Federal, em articulação com o Estado e municÃpios, colocará mais 133 escolas públicas em regime de tempo integral, traz uma esperança muito grande de que outros tempos, e bons tempos, estão por chegar. Não resta dúvida de que esse modelo de educação tem todos os ingredientes para servir de amparo real e salvador para os jovens, retirando-os dos riscos da rua e mantendo-os num ambiente saudável de construção e de esperança.
Eliminar a miséria, para o Brasil seguir mudando
A vitória, no último domingo, da economista Dilma Roussef como Presidente do Brasil tem um significado profundo na caminhada de transformações que o paÃs acolheu, a partir da primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.
Além do simbolismo que essa eleição imprime, por elevar, pela primeira vez na nossa história, uma mulher à Presidência da República, a conquista de Dilma tem todos os ingredientes para aperfeiçoar os avanços sociais até aqui obtidos e, mais do que isso, dar ao Brasil as reformas básicas, estruturais, institucionais, tão evidentemente necessárias e há tanto tempo desejadas por vastas parcelas da sociedade.
Estou convencido de que Dilma Roussef será marcada, ao final do seu mister, como a   presidente que conduziu, através do Congresso Nacional, as reformas que adequarão o Brasil ao mundo, tornando nosso paÃs mais moderno, mais eficiente , mais viável, mais preparado para o desenvolvimento pleno..
Se tenho essa confiança de que Dilma, por seu perfil rigorosamente técnico e por sua vontade de ferro, aliado à robusta base parlamentar que a sustentará , será a Presidente das reformas, mais convencido estou de que ela fará um Governo voltado para a eliminação da miséria , extirpando uma vergonha que ainda agride mais de 23 milhões de brasileiros, mesmo a  despeito dos outros 20 milhões que saÃram desse subterrâneo sob a égide de Lula.
Questões cruciais, como educação, emprego, segurança e proteção à famÃlia, avanços no setor da reforma agrária e da agricultura familiar, dentre outras, todas elas partes integrantes do combate maior à eliminação da miséria, custarão a Dilma e a seu Governo esforço concentrado, atenção redobrada e a aplicação de muita energia. Mas, certamente, carecerão de polÃticas estratégicas centrais, nas quais serão relevantes a participação e a colaboração de toda a sociedade.
Retirar da penúria, da indigência, 23 milhões de seres humanos que não dispõem de renda suficiente para cobrir os custos mÃnimos da sua principal necessidade básica, que é a alimentação, requer uma determinação governamental hercúlea e um esforço nacional sem precedentes, mesmo considerando que o Presidente Lula, na sua arte exemplar de governar para todos, mas privilegiar os mais pobres, conseguiu, de 2003 para cá, dar um baque espetacular na miséria, reduzindo-a em mais de 60%, nos seus 8 anos de gerenciamento do Brasil.
Não posso duvidar de que Dilma será capaz de unir o Brasil e entregá-lo ao seu sucessor ( ou sucessora, porque agora pode) uma Nação com N maiúsculo, mais igual, mais sadia, mais próspera e mais feliz.
Serra diz que não governará para judeus, budistas, islamitas, mulçumanos, umbandistas, ateus e agnósticos
O candidato do PSDB, José Serra, foi rigorosamente claro no seu programa de televisão e rádio, no retorno do horário eleitoral gratuito para o 2º turno das eleições: “VOU GOVERNAR PARA OS CRISTÃOS BRASILEIROSâ€. A declaração, contundente, dita pelo lÃder tucano, foi vista e ouvida em áudio e vÃdeo e reforçada em texto de caracteres, para que ninguém tenha dúvida do seu compromisso.
José Serra assume, assim, uma posição governamental contrária aos sentimentos e direitos de uma enorme população brasileira que não professa qualquer fé cristã. Fica contra, portanto, a milhares de judeus, mulçumanos, budistas, islamitas, umbandistas e tantas outras manifestações religiosas que estão incorporadas à vida brasileira, quase todas resultantes da presença de milhares e milhares de asiáticos e africanos que vieram ajudar a construir o Brasil.
Por outro lado, a posição firme de José Serra em dizer que “será presidente dos cristãosâ€, agride toda uma população irreligiosa que vem crescendo fortemente no Brasil, como os ateÃstas, os agnósticos, deÃstas e teÃstas- sem religião, que têm o direito tanto à crença quanto à descrença.
Sendo o Brasil um paÃs laico, pode alguém que se dispõe a governar seu povo adotar postura unilateral em favor de um grupo, por mais forte que seja esse, em detrimento de minorias qualificadas como judeus, budistas, islamitas, umbandistas, ateÃstas, agnósticos e tantos mais que são nossos irmãos brasileiros?
Será que na cabeça brilhante do Serra passa que os não-cristãos brasileiros não são cidadãos, que não têm direitos, não merecem respeito e tratamento igual? Não seria isso um estúpido preconceito e intolerância inaceitável ? Será que já não basta os horrores, as perseguições por que já passaram e continuam passando, mundo afora, judeus, mulçumanos e umbandistas, particularmente estes, aqui no Brasil?
Querer transformar a discussão polÃtica – que interessa e diz respeito a todos os cidadãos brasileiros e à s relações internacionais do Brasil com o resto do mundo-, numa questão religiosa, que vai do aborto à exclusão dos não-cristãos, constitui, sobretudo, um desrespeito à Constituição Brasileira, que, além de estabelecer, nos “Direitos Individuaisâ€, o livre exercÃcio de qualquer opção religiosa, fixa, igualmente, que o Brasil é um paÃs laico.
O menos ruim desse horário eleitoral gratuito é que os candidatos se expõem, tiram a máscara, desnudam-se diante do eleitor. Serra vem dando conotação religiosa ao tema aborto, escondendo o forte componente moral que a questão impõe e o flagrante problema de saúde pública, já deixado de lado por ele, quando ministro da Saúde, mesmo diante da posição publicamente favorável defendida por Dona Ruth Cardoso, ex-primeira dama do PaÃs.
Seu objetivo nÃtido é de confundir a opinião pública, na tentativa de prejudicar sua concorrente, a presidenciável Dilma Roussef. Com isso, presta um desserviço à Nação, descamba de vez e perde totalmente o censo, ao declarar que só governará para os cristãos. Será que estarÃamos restaurando o imperialismo religioso e preparando a volta da “santa inquisiçãoâ€?
José Osmando de Araújo é jornalista, brasileiro, cristão, católico.
Escravidão “moderna” envergonha e atrasa o Brasil
É louvável e da maior importância a decisão do Tribunal Superior do Trabalho de punir com pesada multa uma empresa sediada em Alagoas por explorar mão de obra escrava.
Na contramão de um tempo marcado por tantas descobertas cientÃficas e tanta tecnologia, há quem cometa o paradoxo de submeter crianças, adolescentes e adultos a trabalhos em condições extremamente desumanas, análogos à escravidão.
Essa excrescência precisa ser encarada com atenção especial não apenas pela Justiça, mas também pelos governantes e pela opinião pública. A omissão diante de tamanho absurdo contribui para manter e até agravar esse atrasado resquÃcio que remonta aos idos pré-históricos e medievais, épocas em que o conhecimento humano alcançava nÃveis extremamente limitados.
Oficialmente abolida no Brasil em 1888 pela “Lei Ãureaâ€, neste 2010 a escravidão persiste, embora com facetas que diferem do perÃodo que abrange o colonial até o final do Império, quando Ãndios e negros arrancados do continente africano eram aqui escravizados.
As usinas de açúcar, desde seus primórdios – há mais de quatro séculos – tiveram destaque na utilização de escravos, mão-de-obra que durante longo tempo garantiu lucros gigantescos para usineiros, mineradores e gestores de outras atividades relacionadas principalmente à agricultura.
A chamada “escravidão modernaâ€, motivo de vergonha para o Brasil, precisa ser combatida. Afinal, não há como haver desenvolvimento se não houver cidadania. E como haver cidadania se houver escravidão?
Um injusto modelo econômico que respalda perversidades como a concentração de renda, por exemplo, deságua inevitavelmente em anomalias sociais como a anacrônica escravidão. Deságua também na marginalidade de jovens que deveriam estar aprendendo em escolas, mas por falta de oportunidades são jogados para as drogas e para a criminalidade.
Os vergonhosos Ãndices sociais de Alagoas, por exemplo, despontam, no paÃs, como a referência maior de um modelo concentrador e desumano, sob o jugo secular dos usineiros.
Problemas como escravidão no campo, desnutrição e fome – fartamente denunciados em meados do século passado pro Josué de Castro – continuam mais atuais do que nunca!
A música como elo de elevação e inclusão
O Ministério da Educação está destinando a escolas públicas do Brasil, milhares e milhares de instrumentos musicais, que formarão bandas e fanfarras e grupos de hip hop, beneficiando, nesse primeiro momento, mais de 120 mil estudantes. Em Alagoas, estão contempladas unidades escolares do Estado e do MunicÃpio, em Maceió, Arapiraca e Palmeira dos Ãndios, favorecendo cerca de 2.700 alunos.
Pouca atenção esse programa do MEC certamente despertará na maioria das pessoas, sobretudo da classe polÃtica, pois aqui não se fala de pontes, de estradas, de rodovias, de canais de irrigação, de barragens, de viadutos, de estádios, enfim, de um monte de obras suntuosas, algumas até sem importância qualquer, muitas delas destinadas a sangrar os recursos públicos e a fazer a festa de polÃticos desonestos.
Mas o certo é que essa iniciação musical, mesmo se dando na forma de fanfarras, tem uma importância significativa na formação dos jovens brasileiros. Primeiro, porque a música – e isso está cientificamente provado -, desenvolve a mente humana, promove o equilÃbrio, proporciona um estado agradável de bem-estar, facilita a concentração e o desenvolvimento do raciocÃnio. A música é uma formidável força geradora de vida, atuando de modo poderoso sobre nosso corpo, nossa mente e nosso coração.
Noutro aspecto, quanto mais a criança e o jovem forem envolvidos em atividades complementares do aprendizado, mais chances terão esses seres de êxito na vida pessoal, afastando-se, de modo saudável, dos riscos gerados por uma sociedade degradada pelas drogas e pela violência.
Quando se sabe que Alagoas detém altÃssimos indicadores de violência e de criminalidade, que fazem de nossas cidades, especialmente Maceió, aglomerados urbanos de enorme vulnerabilidade contra os jovens, é sempre animador verificar avanços na complementação do processo educacional. Quanto mais tempo nossos estudantes passarem na escola, favorecendo-se de uma boa formação e de atividades extraclasse que os animem na cultura, na música, no esporte, mais sólidas serão as barreiras contra a marginalidade.
Os indicadores revelados no Ãndice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência –IJV, resultantes de pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Ministério da Justiça, divulgados em novembro de 2009, que colocam Maceió como a 1ª Capital brasileira, e 13ª cidade do paÃs mais vulnerável à violência contra sua juventude – no rol dos 266 municÃpios acima de 100 mil habitantes levantados -, tendem a sofrer duro baque toda vez que se criem para os jovens, dentro e fora da escola, condições favoráveis a sua manifestação cultural, esportiva e artÃstica.
Será com uma educação de qualidade, capaz de oferecer bons conteúdos e de integrar a famÃlia ao processo de aprendizagem, e com a construção de um ambiente que propicie a crianças e jovens ocupação sadia da mente, do corpo e do espÃrito, que construiremos um caminho seguro de cidadania. Somente quando Estado se fizer presente, de maneira clara e concreta, na cidade, no bairro, na vila, no campo, adotando a educação como meio insubstituÃvel de elevação humana, é que haveremos de ter esperança de um futuro melhor. É nisso que devemos confiar.
Homenagem a Aurélio, um bom exemplo
A Câmara Federal, por iniciativa do honrado deputado Aldo Rebelo (PC do B- SP), vai realizar, nesse próximo 11 de maio, uma sessão solene em homenagem ao ilustre alagoano Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, na comemoração do centenário de seu nascimento. Trata-se de um gesto de elevado significado, pois Aurélio -,que chancela o principal dicionário da lÃngua portuguesa -, foi um cidadão que dedicou toda sua vida, de maneira Ãntegra, à atividade intelectual, firmando-se no cenário mundial como crÃtico, ensaÃsta, tradutor, filólogo, lexicógrafo e escritor, honrando, de modo inteiriço, o nome de Alagoas e de seus concidadãos.
Outra homenagem vem da Prefeitura de Passo de Camaragibe, que realizará na cidade a Semana Mestre Aurélio, encerrando-se dia 3 de maio, uma iniciativa apoiada pelo Ministério do Turismo, que pretende levar 5 mil pessoas por dia a encontros literários, palestras, mesas redondas, workshops e diversas outras atividades culturais, em torno do consagrado dicionarista brasileiro.
Nascido a 2 de maio de 1910, no municÃpio de Passo do Camaragibe, e falecido em 28 de fevereiro de 1989, no Rio de Janeiro, Aurélio Buarque encantou-se pelas palavras ainda estudante do Liceu Alagoano. Foi daÃ, aos 15 anos de idade, que ingressou no magistério e passou a se interessar pela lÃngua e literatura portuguesas. Na década de 1930, participou ativamente do grupo de intelectuais que reuniu, em Maceió, num convÃvio estreito e intenso, intelectuais do porte de Graciliano Ramos, Raul Lima, Valdemar Cavalcante, Raquel de Queiroz, José Lins do Rego e Manuel Diegues Júnior.
Reverenciar figuras como Aurélio Buarque de Holanda é uma atitude que dirigentes públicos e organizações da sociedade, sobretudo as instituições educacionais, deveriam ter como dever. Esse tipo de atividade transmite às gerações do presente, especialmente a crianças e jovens, valores que andam esquecidos entre a moçada, como ética, trabalho, dignidade, educação, cultura, respeito, dedicação, conquistas, superação.
Hoje, infelizmente, as notÃcias que estão chegando das escolas dão conta de agressões, uso de armas, drogas, violência sexual, depredações de bens públicos, professores ausentes, estudantes violentos, baixos rendimentos, numa ciranda evolutiva de descaminho e marginalização. Poucos exemplos positivos estão saindo do universo escolar. Quem conhece alguma escola de Alagoas que ensine quem foi Nilze da Silveira, Sinumbu, Pontes de Miranda, Manuel Diegues Júnior, Aurélio Buarque de Holanda, Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Estácio de Lima, Moreno Brandão, Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Tavares Bastos, Lily Lages, José Lages Filho, Jayme de Altavilla, dentre tantos alagoanos formidáveis, que dignificaram nossa terra?
No deserto ético em que nos encontramos, com a evidência de terrÃveis casos de corrupção e roubalheira protagonizados por parlamentares e dirigentes públicos, seria conveniente que os exemplos positivos do passado fossem mostrados com bastante frequência, como modelo pedagógico a ser seguido pelas atuais gerações, perdidas que estão nesse estúpido vazio moral e cultural.
Esses deputados nos matam de vergonha
Li, hoje, o lúcido e oportuno texto do jornalista Pedro Oliveira no seu Blog Resumo PolÃtico, acerca das reações descabidas de alguns setores da sociedade local à exposição negativa que Alagoas tem merecido na mÃdia nacional. Ofereço ao estimado amigo e companheiro irrestrita aprovação ao que pensa e escreve.
Não há razão alguma para que qualquer polÃtico, jornalista, radialista, rebele-se contra o tratamento dispensado a Alagoas, por uma razão muito simples: a imprensa não cria nada, não inventa, não fabrica os maus exemplos divulgados. Ela simplesmente reproduz o que se opera no dia a dia da nossa sociedade. A triste realidade é esta: um contingente expressivo de maus alagoanos é o responsável exclusivo pela má fama que se plantou e que se alimenta diariamente contra nossa imagem.
É essa gente – encastelada na polÃtica, na administração pública, em setores da economia, dentro de escolas, nas cidades, nos bairros, no meio da rua, nas profissões, no jornalismo – inclusive, na justiça, nas sacristias das igrejas, – que se encarrega de operar toda sorte de escândalos, de desmandos, de falcatruas, de enriquecimento ilÃcito, de ofensa à honra e à vida de pessoas comuns, de subtração de recursos públicos, marcas extraordinárias de duradoura, consistente e crescente infelicitarão de nosso povo.
Gente que, por suas ações e omissões, nos impõe um Estado empobrecido, combalido por vergonhosos indicadores sociais, que nos tornam os piores em desenvolvimento humano (IDH), educação, saúde, renda per capta, mas os “melhoresâ€, os mais significativos, em vulnerabilidade juvenil, em homicÃdios, em extermÃnio de homossexuais, em violência contra a mulher, em impunidade.
É claro que nem todos são operadores de desgraças. Mesmo entre os polÃticos e os gestores públicos pontuam-se exceções, esforços notáveis na edificação do bem e na condução ética, capazes de fazer diferença e permitir a moldagem de gerações humanas sadias, comprometidas com valores morais, que influenciarão, com certeza, a possibilidade de um futuro melhor para Alagoas.
Mas, o que dizer, por exemplo, dessa Assembleia Legislativa que aà está, dessa delegação polÃtica que nos está legada, eleita quase toda ela através de processos ilÃcitos da compra de votos, da distribuição de favores, da intimidação, e que se operacionaliza nas folhas secretas, no repartimento de salários, na compra de carros de luxo, tudo à s custas do suor do povo, dos recursos que muito bem fariam à educação, à saúde, ao saneamento básico, ao esporte, cultura e lazer que tirassem nossos jovens da marginalidade e do crime.
O que faz, todos nós sabemos. Impede que o Estado opere, trabalhe, realize obras e serviços indispensáveis à melhoria de vida de nossos cidadãos e cidadãs. Barra tudo, manda o executivo, a justiça e tudo mais às favas, porque eles, deputados, só querem mais dinheiro, não se conformam com os altos rendimentos que subtraem de nossa gente, dos gabinetes recheados de apaniguados, e querem mais, sempre mais.
Tomei conhecimento de que apenas três parlamentares, o Rui, o Judson e o Paulão, ficaram contra a derrubada dos vetos que o Governador impôs ao Orçamento, por entenderem que o finca-pé do conjunto da instituição contraria o interesse público. Como os tempos mudaram! Essa Assembleia Legislativa – que já nos cobriu de sangue e nos matou de vergonha, com o episódio de 13 de Setembro de 1957 -, também já nos enriqueceu com a presença de homens públicos honrados, como Aurélio Viana, Carlos Gomes de Barros, Melo Mota, Guilherme Palmeira, Geraldo Melo, TarcÃsio de Jesus, Jorge Quintela, e tantos outros que honravam o voto e a vida pública.
Pelo visto, o Rui, o Paulo e o Judson, ironicamente, são “ovelhas negras†de um rebanho dominado pelo interesse particular e por absoluto desapreço à ética e ao interesse público.
Alagoas é, hoje, nesse 16 de março do ano de 2010, o único Estado da Federação a não dispor de Orçamento, ou seja, de um ordenamento legal de despesa e receita, que permita ao Estado trabalhar, construir, edificar, melhorar a vida das pessoas, tudo por uma única causa: os nossos deputados querem mais dinheiro.
E ainda querem que não se fale mal de Alagoas.
Nossas eleições são feitas de conchavos
Estamos em ano eleitoral, época em que poucos ouvidos ficam aguçados, poucos olhos crÃticos se abrem para enxergar direito o que acontece a cada dois anos no Brasil. Aliás, eleição brasileira, sobretudo nos Estados pobres do Nordeste, é um processo permanente, eterno, ininterrupto – não por parte do povo, de onde são extraÃdos os eleitores -, mas dos próprios polÃticos, que passam o tempo todo só pensando e só falando em voto. Abertas as urnas , e lá estão os eleitos, e também os derrotados, no dia seguinte, ocupando a mÃdia, quase toda ela submissa, para tratar já da próxima eleição e dos esquemas que possibilitarão a próxima vitória. Ora, isso é mais importante do que trabalhar, do que justificar as promessas apregoadas.
Isso ocorre, infelizmente, porque, embora estejamos numa Democracia, essas eleições não são decididas pela população, pelos coitados dos eleitores. Esses, pouco contam. Quem decide a parada, em torno dos quais residem todas as atenções e nos quais são feitos todos os investimentos, são os próprios polÃticos, os cabos-eleitorais, os vereadores, os ocupantes de cargos públicos, os deputados federais e estaduais, os senadores, os governadores e robusta parte do empresariado, não necessariamente nessa ordem. Todo o processo se move nos conchavos, nos acertos de bastidores, à revelia dos eleitores, do interesse público.
Não se tem lembrança, por exemplo, de algum candidato a governador que haja centrado sua campanha no eleitor, no povo. Que tenha feito esforço verdadeiro para convencer a população sobre suas propostas, sobre seus planos. Que tenha tido o desprendimento e ocupado seu tempo em esclarecer o eleitor porque deseja ser governador do Estado e o que a sua eleição vai significar para a vida de cada cidadão. Que tenha estabelecido um vÃnculo direto com o povo, sem intermediário, sem promessa de emprego, sem dinheiro na jogada.
Tive a alegria de assistir ao documentário “By The People†– Escolhido pelo Povo -, contando a odisséia da recente eleição de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos da América. Emociona ver como um homem negro, pouco conhecido, sem vÃnculos nas elites, consegue construir com a população uma aliança arrebatadora, que o levou do quase nada à mais consagradora vitória da recente história da polÃtica americana.
É impressionante como essa aliança é formada, de forma espontânea, com base marcante no voluntariado e – dentro dele -, o papel exponencial de Michelle, a mulher, e suas duas filhas , misturando-se aos jovens, a jornalistas, à s pessoas comuns, como verdadeiras operárias, falando a mesma linguagem e tendo as mesmas atitudes, na dificil tarefa de tornar conhecido o nome do seu lÃder.
Vale a pena ver como o começo era desanimador, porque as pessoas do povo não conheciam Obama e tinham enormes dificuldades em entender seu nome, quando abordados, pelo telefone, pelos voluntários . Mas ninguém desistia. A ação formiguinha foi crescendo, até transformar-se num movimento espantoso, que fez de Barack Obama, de fato, um presidente “escolhido pelo povoâ€.
Recomendo àqueles que desejam conquistar o voto dos nossos cidadãos que gastem menos dinheiro com a eleição. Que se afastem daqueles que só esperam receber, em dobro, a ajuda que prometem na eleição. Basta dar uma olhada atenta no documentário sobre a eleição de Obama. Quem sabe, assim, não podemos sonhar com o dia em que os eleitos possam ser realmente fruto da vontade popular.





