A briga polÃtica que tomou conta da Fórmula 1 em 2009 pode voltar à tona antes do inÃcio da próxima temporada. Incomodada com a performance duvidosa das equipes novatas, a Ferrari atacou a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) em uma coluna publicada em seu site, e criticou o que chamou de “guerra santa†da entidade contra as montadoras.
“Este é o legado da ‘guerra santa’ que foi travada pelo ex-presidente da FIA. A causa em questão foi permitir que equipes pequenas entrassem na F-1. Este é o cenário: duas equipes vêm fracas para o inÃcio do campeonato, uma terceira está sendo empurrada por uma mão invisÃvel, que não é a de Adam Smith, e a outra… Bem, você pode ligar para o departamento de desaparecidos para descobrirâ€, escreveu a equipe italiana.
A indignação da Ferrari é motivada pelos problemas que Virgin, Lotus, Campos e USF1 vem sofrendo na pré-temporada. Enquanto as duas últimas correm contra o tempo para tentar alinhar seus carros no grid do GP do Bahrein, que abre a Fórmula 1 em 2010 em março, as primeiras tiveram problemas nos testes coletivos de Jerez.
Principal responsável pela entrada das quatro escuderias na categoria, Max Mosley(foto), ex-presidente da FIA, é um velho inimigo da Ferrari. Os dois lados travaram uma dura batalha no ano passado, com os italianos liderando outras escuderias, para definir o futuro da Fórmula 1.
Em tempos de crise financeira, Mosley defendia a volta dos chamados “garagistasâ€, dirigentes abnegados e teoricamente mais comprometidos com o esporte do que as montadoras, que iniciaram uma debandada do campeonato. Para isso, apostava na implantação do teto orçamentário e em medidas polêmicas como a adoção de um motor único, fabricado pela Cosworth.
Indignada, a Ferrari chegou a ameaçar a FIA com a possÃvel criação de uma nova categoria, que não saiu do papel. No fim, os ânimos foram acalmados com a saÃda de Mosley da entidade. Jean Todt, que foi indicado pelo dirigente para o cargo e já foi diretor da escuderia italiana, conseguiu apaziguar a situação e manteve as novatas na disputa.
Só que a indefinição das equipes, especialmente de Campos e USF1, parece ter reaberto a briga. Entre outras coisas, a Ferrari critica a instabilidade financeira dos novos times e as pessoas ligadas a alguns dos projetos, como o da Stefan GP, equipe sérvia que tenta garantir lugar no grid.
Mike Coughlan, ex-projetista da McLaren e pivô do escândalo de espionagem que envolveu os britânicos e a Ferrari em 2007, é um dos homens fortes da Stefan, e teria sido uma das causas da revolta italiana.
Confira a Ãntegra da nota da Ferrari:
“Com menos de três semanas para o inÃcio do melhor do automobilismo mundial, a Fórmula 1 está se aprontando, enquanto comemora seu 60º aniversário neste ano. Para muitos times, essa próxima semana é crucial, já que o sino está tocando para a última volta com o fim dos testes em Barcelona.
É uma última chance de vermos os carros na pista, testando no limite e buscando alguma performance. Esta é a situação de muitos times, mas não de todas. Das 13 equipes que assinaram o contrato, ou foram induzidas a isso, somente 11 responderem o chamado indo à pista, algumas depois das outras, e rodaram somente alguns quilômetros, enquanto outras fizeram um pouco mais, mas em ritmo reduzido.
Quanto ao 12º time, a Campos Meta, mudou seu dono e sua estrutura, segundo rumores do paddock, com uma injeção repentina de dinheiro de um magnânimo cavaleiro branco, que está acostumado a resgates deste tipo. Só que os beneficiários deste generoso cavaleiro talvez tenham de cumprir funções de vassalos em algumas questões.
Com tudo isso, é difÃcil imaginar que o carro desenhado pela Dallara esteja na Catalunha, com Sakhir aparecendo como um local mais provável para o retorno do nome Senna à Fórmula 1.
O 13º time, a USF1, parece estar se escondendo em Charlotte, na Carolina do Norte, para desespero do argentino [José Maria] López, que tinha achado seu caminho para a Fórmula 1 (com o apoio da presidente Kirchner, de acordo com os rumores) e agora tem de fazer tudo de novo. Incrivelmente, eles ainda cometem a imprudência de dizerem que está tudo certo.
Depois, temos os abutres sérvios. Primeiro, eles se lançam em uma quixotesca batalha legal contra a FIA, depois pegam os ossos da Toyota no seu leito de morte. Com algumas pessoas que já têm escândalos em seu passado, eles agora estão se preparando para substituir os primeiros a saÃrem do jogo, possivelmente respaldados pelo mesmo cavaleiro de armadura brilhante que já citamos antes.
Este é o legado da ‘guerra santa’ que foi travada pelo ex-presidente da FIA. A causa em questão foi permitir que equipes pequenas entrassem na F-1. Este é o cenário: duas equipes vêm fracas para o inÃcio do campeonato, uma terceira está sendo empurrada por uma mão invisÃvel, que não é a de Adam Smith, e a outra… Bem, você pode ligar para o departamento de desaparecidos para descobrir.
Enquanto isso, nós perdemos dois construtores do nÃvel de BMW e Toyota no caminho, e a Renault não deixou muito mais que o seu nome. Tudo isso valeu a pena?”
*UOL



A Federação Internacional de Automobilismo quer distância de polêmicas. Uma das maiores dos últimos tempos, os difusores duplos traseiros nos carros da Fórmula 1 serão proibidos na categoria a partir do ano que vem. A decisão ainda não foi chancelada pela FIA, mas os chefes técnicos da F1 já resolveram pela suspensão da utilização dos recursos nos bólidos.
O francês Jean Todt, eleito presidente da FIA em outubro passado, resolveu asfatar dois dirigentes em sua gestão marcados por uma estreita ligação com a antiga administração: a de Max Mosley. Allan Donnelly e Tony Purnell não trabalham mais com a F-1.