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Fim do reabastecimento acirra disputa de fornecedores e aumenta risco de pane seca

quarta-feira, março 10th, 2010

De todas as mudanças no regulamento da Fórmula 1 para a temporada 2010, o fim do reabastecimento foi a que gerou maiores transformações. Além de projetar carros totalmente diferentes dos usados nas últimas temporadas, já que o tanque de combustível agora é bem maior que seus antecessores, as equipes terão de se preocupar com o consumo e o risco de pane seca no final das corridas.

Para Gilberto Pose, engenheiro de combustíveis da Shell (fornecedora de gasolina da Ferrari), a maior atenção dada aos combustíveis nesta temporada acirra a competição entre as fornecedoras, que irão travar uma batalha particular em busca da gasolina que gere o melhor desempenho possível para o carro de suas equipes.

“A competição gera uma comparação. Existe uma especificação da FIA a ser seguida no desenvolvimento dos combustíveis. Mas dentro disso temos uma faixa de manobra, e isso gera uma competição entre as distribuidoras. E para o público, pode gerar a percepção de que aquela marca pode ter ajudado mais que a outra ao analisar o desempenho de uma determinada equipeâ€, explicou Pose em entrevista ao UOL Esporte.

No entanto, a influência do combustível será mais importante em provas específicas. Para Rogério Gonçalves, coordenador técnico do programa de F-1 da Petrobras, a gasolina terá maior importância nas provas disputas em pistas onde o consumo de combustível é mais significativo.

“Alguns projetos [de carros] podem estar com a gasolina muito no limite, principalmente em algumas pistas onde o consumo é mais crítico. É possível que os fornecedores desenvolvam uma gasolina específica para essas pistas. Sem dúvida, nessas pistas mais críticas, [a gasolina] será mais determinante. Mas nos circuitos onde você só busca potência, será como antesâ€, disse Gonçalves, que trabalhou por 11 temporadas na parceria entre a Petrobras e a equipe Williams.

Para o especialista da Petrobras, o risco de pane seca vai aumentar bastante em 2010. “Acho que o risco é grande. Só que as equipes tem artifícios para minimizar isso. Limitando a potência do motor, por exemplo. Provavelmente algumas vão solicitar isso

aos pilotosâ€, falou Gonçalves em entrevista para a reportagem do UOL Esporte.

A opinião é compartilhada pelo brasileiro Rubens Barrichello. “Os testes mostraram que em alguns circuitos os pilotos não poderão exigir tudo do carro a fim de reduzir o consumo da gasolina para receber a bandeiradaâ€, disse o piloto da Williams em entrevista ao Estado de S. Paulo publicada no dia 3 de março.

Panes secas históricas na Fórmula 1

O fim do reabastecimento na Fórmula 1 aumentou a possibilidade de os pilotos abandonarem uma corrida por ficarem sem combustível em seus carros. A preocupação com as chamadas panes secas é grande entre as equipes. Por isso, todos os times chegaram a rodar até ficar sem combustível pelo menos uma vez durante os testes da pré-temporada, com o objetivo de conhecer a quantidade exata de gasolina que mantém o motor de seus carros funcionando.

As equipes não enfrentavam esse problema desde 1993, última temporada disputada sem reabastecimento. Ao longo da história da Fórmula 1, vários casos de pane seca marcaram a carreira de muitos pilotos, inclusive alguns dos grandes nomes do esporte. Em algumas delas, os pilotos chegaram a empurrar seus carros nos metros finais da prova, o que atualmente é proibido.

Rubens Barrichello (2003)

Além do título, uma das únicas conquistas que Rubinho ainda não tem é uma vitória em Interlagos. E o piloto viveu uma das maiores decepções de sua carreira no GP do Brasil de 2003. Após largar da pole position, perdeu a ponta durante a prova, mas levantou a torcida ao recuperar a 1ª posição com uma ultrapassagem sobre David Coulthard na 45ª volta. Duas voltas depois, porém, teve de abandonar a corrida com uma pane seca em sua Ferrari.

Rubens Barrichello (1993)

Dez anos antes do drama vivido em Interlagos, Rubinho já tinha enfrentado a decepção de uma pena seca em sua terceira corrida na Fórmula 1, no GP da Europa de 1993, em Donington Park. Com uma Jordan, o brasileiro largou em 12º e, com pista molhada, já era o quarto ao final da primeira volta. Faltando apenas seis voltas, ele ocupava a terceira posição quando precisou encostar sem gasolina e perder seu provável primeiro pódio na categoria.

Alain Prost (1986)

O francês Alain Prost protagonizou uma cena marcante para os fãs da Fórmula 1 no GP da Alemanha de 1986, em Hockenheim. O piloto largou da segunda posição e era líder da corrida quando ficou sem combustível na última volta, alguns metros antes da linha de chegada. Prost saiu do carro e empurrou sua McLaren até receber a bandeirada, conseguindo fechar a prova na sexta posição. Ele conquistou seu segundo título mundial naquela temporada.

Ayrton Senna (1985)

Ayrton Senna perdeu duas prováveis vitórias em 1985 por causa de panes secas em sua Lotus. Primeiro em San Marino, quando largou da pole position e liderou de ponta a ponta até ficar sem gasolina faltando apenas quatro voltas. Cinco corridas depois, em Silversone, na Inglaterra, Senna também largou em primeiro, liderou 58 das 60 voltas em que esteve na pista, e ocupava a 2ª colocação, lutando com Alain Prost pela liderança, quando ficou sem combustível a cinco voltas da bandeirada.

Nigel Mansell (1984)

O inglês Nigel Mansell protagonizou uma das cenas mais emocionantes da história da F-1 no GP dos Estados Unidos de 1984, em Dallas. Após conquistar sua primeira pole position na categoria, o inglês liderou metade da corrida, mas caiu para sexto até a última volta. Ficou sem gasolina nos metros finais e tentou empurrar o carro até a linha de chegada. Exausto, Mansell empurrou sua Lotus por alguns metros até desmaiar em plena pista.

*Tudo Global com informações de UOL Esporte

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