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“João Nogueira canta pra viver”

quinta-feira, janeiro 20th, 2011

Eu já conhecia João Nogueira da casa do Hermínio Bello de Carvalho, quando, num estúdio de gravação, ouvi “Espelhoâ€, parceria do João com Paulo Cesar Pinheiro. Aqueles versos, “Num dia de tristeza me faltou o velho/ E falta lhe confesso que ainda hoje faz/ E eu me abracei na bola e pensei ser um dia/ Um craque da pelota ao me tornar rapaz/ Um dia chutei mal e machuquei o dedo/ E sem ter mais o velho prá tirar o medo/ Foi mais uma vontade que ficou prá trás†me emocionaram. Mal conseguia cantar o refrão. Um nó na garganta parecia querer me sufocar naquela gravação em 1977. Quantas vontades eu tinha deixado pra trás. Que falta meu velho fazia e confesso, até hoje faz. Como Paulinho Pinheiro e João Nogueira, eu chorava a solidão da perda.

João Batista Nogueira Júnior nasceu no Méier, subúrbio carioca, no dia 12 de novembro de 1941. Aos cinquenta e oito anos, comemora uma vida feita de cantar e de fazer samba. Idealizador do Clube do Samba, em 1979, deu teto e chão ao ritmo que traduz o espírito do cidadão que vive nesse país.

Seu pai, João Batista Nogueira, violonista e advogado lembrado no samba “Espelhoâ€, devia estar orgulhoso do filho íntegro e decente que fez e entregou pro mundo. O velho devia sorrir ao ver um dos melhores intérpretes que temos, seu filho, superar com a garra de um centro avante goleador o acidente vascular cerebral que o atingiu em abril de 1998. Não se preocupe não, Seu Nogueira, o seu João é guerreiro. Pensou até em fazer guerrilha pelos botequins, armado de caixa de fósforos e apito. Seus cantos de guerra faziam estremecer o chão. Seus hinos à cidadania faziam a dignidade ganhar cores vivas. Sua parceria com a poesia de Paulo Cesar Pinheiro acendia a luz do “Poder da Criaçãoâ€: “Não, ninguém faz samba só porque prefere/ Força nenhuma no mundo interfere/ Sobre o poder da criação (…)â€

Foi a batalha pela sobrevivência, a luta pelo pão nosso de cada dia, o corre-corre atrás do leite das crianças, que fazia o cantor superar seus limites. Após gravar o CD Chico Buarque – Letra & Música pela gravadora Lumiar, em 1995, João Nogueira mostrou que era intérprete de alta linhagem. Entrou pro seleto grupo dos bambas do cantar samba: Roberto Ribeiro, Ciro Monteiro, Clara Nunes, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e Martinho da Vila. As divisões rítmicas para os sambas sincopados do Chico comprovaram o batismo de aceitação.

A voz, por vezes propositalmente arrastada, estava a serviço da malícia que o samba urbano precisa para ser de bamba. Três anos se passaram. 1998. João de Todos os Sambas. Dessa vez pela BMG, o novo CD de João Nogueira tentava o sucesso que o anterior não havia alcançado. Grandes músicas, como sempre, estavam lá. Parcerias com Paulo Cesar Pinheiro e Mário Lago, músicas de Jorge Simas e… Raça Negra! Isso mesmo, uma canção de dois integrantes do grupo Raça Negra. Mas, o que João Nogueira e Raça Negra têm em comum? Nada. A juntá-los apenas a busca maluca do sucesso. Apenas a besteira de juntar o que é para estar para sempre separado. Com certeza João não gravaria esse CD pela “multi†BMG sem esse tal “apelo de mercadoâ€. Ali estaria a “chave do sucessoâ€, caminho rápido para o milhão de cópias vendidas, devem ter jurado os executivos “geniais†da industria fonográfica. Os “gênios†procuravam um novo “Martinho da Vila†e conquistaram João Nogueira para a aventura. Quebramos a cara. Todos nós, admiradores de João Nogueira e da boa música brasileira e o próprio João, quebramos a cara. Menos, é claro, os “donos da vozâ€, esses não perdem nunca.

Algum tempo depois deste artigo ter sido escrito, João Nogueira morreu… O espelho se quebrou. Deixou uma saudade imensa.

PS. Este texto foi publicado originalmente no meu livro O Gogó de Aquiles, lançado pela A Girafa Editora em 2004.

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Luiz Meira, um músico em progresso

quarta-feira, janeiro 5th, 2011

Depois de tocar com alguns grandes nomes da música, o catarinense Luiz Meira, além de bamba na guitarra e no violão, demonstra ser também bom cantor e bom letrista. Em seu segundo CD, Te Chamo Felicidade (independente), há cinco letras dele. Em onze faixas, nas quais ele se reveza no violão e na guitarra, Meira confirma ter bom balanço, avivado por divisões rítmicas dignas de um sambista de respeito, e uma voz afinada que trata com carinho os versos que interpreta.

Logo de cara, dois sambas sacudidos chamam a atenção do ouvinte pelo suingue contagiante. Neles, a voz de Meira é agradável surpresa, enquanto sua guitarra e seu violão demonstram, com grande pegada, a energia do instrumentista. Tanto o primeiro, Vestido Novo (Jean Mafra e Luiz Meira), quanto o segundo, Libera o Bicho (Jean Garfunkel e Paulo Garfunkel), trazem a ótima base instrumental que pontificará ao longo do disco: Marco Brito (piano e teclados), Nema Antunes (baixo elétrico), Erivelton Silva (bateria) e Pirulito (percussão).

Então vem nova letra de Meira, Quando Vens (com Jean Mafra). Samba mais lento dos que os que o antecederam, o arranjo abre suave, tendo violão a dialogar com piano, bateria e baixo, todos fazendo cama para a voz de Meira, plena de originalidade, deitar e rolar. O intermezzo é do violão. Logo todos se reencontram.

O ritmo ligeiro volta quando Meira se junta a Zeca Baleiro para cantar Desasado (Jean Garfunkel e Luiz Meira), samba bem-humorado que propicia suingue malandro à dupla de bons cantores.

Chega a primeira das duas faixas instrumentais: Começar de Novo (Ivan Lins e Vitor Martins). Delicadamente o violão dedilha os compassos da introdução. Cabe a ele tocar a melodia, tendo piano, bateria e o baixo acústico de Jorge Helder (que toca ainda em outras duas faixas) a ampará-lo. O teclado faz cortina para um vigoroso improviso de Meira… Ouçam esta, Ivan e Vitor, vocês vão adorar.

Pra Ficar no Ponto (Dudu Falcão e Danilo Caymmi) é um ótimo samba. Ao ouvi-lo, cheio de ginga, torna-se inevitável lembrar de Geraldo Pereira. Estou quase certo de que João Gilberto nunca o ouviu; caso contrário, imagino, o teria gravado.

O clássico Autum Leaves (Joseph Kosma, Jacques Prevent e Johnny Mercer) é outro instrumental em inédita versão de samba. O violão faz uma levada ligeira, com apoio de leve percussão e acompanha a melodia até que a guitarra assume as rédeas e arrasa num inspiradíssimo intermezzo. O baixo apoia. Meu Deus!

A cozinha, agora também contando com a percussão de Alexandre DaMaria, embala os dois sambas finais: o esperto Respeito É Bom (Jean Garfunkel, Tatiana Cobbett e Luiz Meira) e o romântico Você Chegou Pra Ficar (Jean Mafra, Jean Garfunkel e Luiz Meira).

As divisões do sambista se destacam. A genialidade e o bom gosto do instrumentista se superam. Tudo isso através de um músico que não tem barreiras musicais impedindo o progresso contínuo de sua musicalidade.

Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

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Emilinha Borba

quinta-feira, setembro 2nd, 2010

Emilinha Borba, junto com Carmen Costa, Nora Ney, Helena Meirelles, Carmélia Alves e Marlene, têm quase quinhentos anos de vida. Quase um Brasil de existência. São delas as músicas em louvor ao sonho nosso de cada dia, cantadas e tocadas por mulheres calejadas pela poeira da estrada que nos conduz ao futuro.

Cada uma de vocês, minhas matriarcas, desempenha seu ofício com a dignidade e com o sacrifício que lhes é imposto pelo mundo que teima em não as reconhecer como donas de tudo. Início, meio e fim da trajetória de todos nós, seres humanos. Somos filhos de uma grande mulher que se chama música. Em seu útero fomos gerados. De seu ventre fomos paridos. Para a vida fomos lançados. Ela, essa grande mulher que é a música, nos quer assim: prontos para o canto, purificados pelo verso, sujos pela dor, abertos como o verbo e plenos como um recomeço.

Páginas iniciais de um novo caderno, assim as vejo, matriarcas da música brasileira. Levados por mãos de mulheres da nossa gente, seguimos vivendo e cantando a nossa própria vida.

Meados da década de 1940, Emilinha Borba e a Rádio Nacional pareciam uma coisa só: sinônimas. Duas entidades nacionais no auge do sucesso. Aquela rádio que trouxe a possibilidade de comunicação entre nossa gente e a cantora que fez de sua popularidade um marco na história do show business tupiniquim desabrochavam naquele tempo que era do rádio e de Emilinha.

Em seu programa, César de Alencar levava a platéia do auditório ao delírio ao anunciar a “nossa favoritaâ€, Emilinha Borba, estrela de sucessos incontáveis. Cantora de baiões, de sambas, de marchas e de rumbas que eram levados para todo o Brasil, fazia com que, de norte a sul, multidões ligassem o rádio para ouvir os programas de auditório, lotassem os cinemas para rirem e se emocionarem com as chanchadas da Atlântida e comprassem os discos de 78 rpm de suas cantoras e cantores favoritos.

Cantora eclética, Emília Savana da Silva Borba, a Emilinha, deve a rumba “Escandalosaâ€, de Djalma Esteves e Moacir Silva, tanto quanto deve à marcha “Chiquita Bacanaâ€, de João de Barro e Alberto Ribeiro, ou ainda ao baião “Paraíbaâ€, de Luís Gonzaga e Humberto Teixeira, o enorme sucesso popular que conquistou. Isso sem falar nos trinta e quatro filmes que fez e que ajudaram a consolidar a fama daquela carioca que passou a infância na Mangueira e que gostava de imitar outro ícone nacional, Carmen Miranda.

Em 1964, foi forçada a operar as cordas vocais vitimadas por um edema que lhe tirou o brilho da voz. Aquela voz que animou os carnavais da vida de muitos como eu viu-se abatida pelo esforço de não se deixar calar. Abatida pelo edema adquirido pelo desejo de continuar mostrando o quanto vale a voz de uma mulher que canta, Emilinha seguiu o seu desígnio de entregar seu coração à música, de doar sua alma a nós que dependemos de seu cantar.

Somos gratos a você, matriarca da música brasileira. Obrigado por nos ensinar que o mundo é a mulher que toca e canta, e que o futuro é incondicionalmente feminino.

 PS. Este texto foi publicado originalmente em meu livro O Gogó de Aquiles, lançado pela A Girafa Editora em 2004

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Jamelão

quinta-feira, agosto 26th, 2010

“O samba só quem tem gogó pode levar/ Num samba só o sacudir e o segurar/ Sair regendo todos nós/ Com a batuta de uma voz/ que nem alguém que fosse o spalla e o maestro ao mesmo tempo/ Tem que ser bam-bam-bam na roda de bamba/ Mostrar que tem samba no maxilar/ Fazer chover e desfazer pro sol brilhar/ Um levitar com ginga e marcação/ Feito empinar a pipa de uma multidão/ No chão, dispensando o caminhão Ele é a própria anunciação do carnaval da Mangueira/ José, como o pai da santa fé/ Clementino, igual Quelé/ Mãe da gente brasileira/ Ninguém é melhor do que ninguém/ Mas a arte que a gente tem é brincadeira… / Ateia o sonho e a empolgação/ Quem é que não precisa de ilusão? / Então, a alma fica inteira/ Ao vê-lo cantando com tanta paixão/ Mesmo quem não tem amor pela sua bandeira/ Fica tomado de lágrimas por Jamelãoâ€.
Esta é a letra de “A Voz do Samba”, música de Vicente Barreto e Celso Viáfora. Nos versos, o poeta Viáfora traduz a reverência respeitosa que todos nós, brasileiros com um mínimo de vergonha na cara, devemos ter com esse que é um dos maiores cantores de ontem, de hoje e sempre: José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão.
O timbre de sua voz é grave. O tom de sua voz é extremamente agudo. Jamelão tem o grave mais agudo da música brasileira. Ele é a emoção mais sincera, o sentido de divisão melódica mais sutil, o repertório impecável. Seu mau humor uma lenda sempre disponível para quem ousar pagar para ver.
Profissional competente, extremamente dedicado, Jamelão é a soma de requisitos para um bom intérprete. Vê-se naquele homem negro como uma figura de Portinari, a conjunção de dons que possibilitam o surgimento de um fenômeno. Ele encarna com naturalidade essa realidade.
Ele encara com simplicidade o fato de ter a força vocal de um jovem principiante para cantar durante o tempo do desfile da Estação Primeira de Mangueira. Passos firmes, voz colocada, a letra do enredo flui nítida e forte. A Mangueira desfila bem, a Mangueira desfila mal, mas Jamelão é sempre igual, genial… Não muda nunca o Jamelão, graças a Deus.
Sempre que a diretoria da escola anuncia a intenção de transformá-lo no enredo para um futuro carnaval qualquer, ele, para não perder a fama de mau, desdenha, irrita-se, mas no fundo compreende que a homenagem seria mais do que justa. Ele é a Mangueira, seu enredo permanente e imutável. Ele é criador e criatura. Tudo junto pela música, pelo samba. Todos juntos pela memória de um povo que precisa cantar, dançar e ser feliz.
Jamelão certamente não gostará nem um pouquinho dessa história de ser um pajé da música brasileira. Ficará uma fera, esbravejará, dirá que isso é coisa de quem não tem o que fazer, que isso e que aquilo… Não importa. Como creio que a Mangueira tem a obrigação de torná-lo enredo de um dos próximos carnavais, tenho a certeza de que todos os brasileiros deveriam ler o enredo da vida do mestre. Entendê-lo para ouvi-lo. Conhecê-lo para melhor admirá-lo. Sejamos curiosos com a vida e a obra de Jamelão.
Vamos aos sebos garimpar seus LPs. Vamos às lojas encomendar seus CDs. Vamos cantar as músicas que ele canta. Vamos saber sobre seu futuro, quais são seus planos para shows, onde poderemos assisti-lo. E… Puxador é a mãe!
PS. Este texto foi publicado originalmente no meu livro O Gogó de Aquiles, lançado pela A Girafa Editora em 2004. Jamelão se foi algum tempo depois. Saudades…

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Paulinho do samba

quarta-feira, agosto 18th, 2010

Tradução irretocável da harmonia entre o samba de alma negra dos morros cariocas e o som da classe média branca, da zona sul do Rio de Janeiro. Fusão de opostos, catalisador de diferenças: síntese. Só que síntese com nome, sobrenome, apelido e imagem. A imagem é a de um negro de alta linhagem, elegante e educado. O apelido arrasta a música que carrega na alma. O sobrenome Faria tem a tradição do pai, violonista dos melhores que tivemos e Paulo é nome de bamba desde sempre no mundo do samba.

Paulo César Batista de Faria nasceu para ser ponte entre mundos tão diversos quanto geniais da música brasileira. Paulo César Batista de Faria nasceu em 1942 com a missão de ser Paulinho da Viola.

Desde os Foliões da Rua Anália Franco, de Vila Valqueire, subúrbio do Rio de Janeiro, e do Carijó de Botafogo, bairro de classe-média da zona sul carioca, Paulinho vem exercendo sua missão de cantador e fazedor de samba. Desde 1960, Paulo César Batista de Faria vem cumprindo o seu destino de ser Paulinho da Viola.

Sinais se fecharam em sua vida. Pesadelos atormentaram suas noites. Rios passaram caudalosos arrastando seu coração de poeta. Mas, atento, revelava: “(…) Meu pai sempre me dizia/ Meu filho tome cuidado/ Quando eu penso no futuro/ Não esqueço o meu passado (…). Lição de mestre. Discípulo de Candeia, Casquinha, Monarco, Matraca, Picolino, Ary do Cavaco, Paulo da Portela, Natal, Lino, Alvaiade, Ventura, Cartola, Ismael Silva, Zé Kéti e Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola aprendeu que o bom malandro “durante o nevoeiro, leva o barco devagarâ€.

Ouviu o preconceito dizer que “sambista não tem valorâ€. Juntou tudo e cantou para o mundo com voz macia e doce: “(…) Tudo bem eu vou indo correndo pegar meu lugar no futuro, e você? (…)â€.

Paulinho da Portela, Paulinho da música brasileira, Paulinho da poesia, Paulinho do cantar bonito, Paulinho do meio de campo do Menopausa, time de futebol do “pessoal da música†nos anos 1970. Embates gloriosos contra o time do “pessoal do cinema†no campo do Madureira F. C. Quanto chope gelado no boteco perto do Teatro Casa Grande, no Leblon, preparativo para encarar o sol dominical do verão carioca no subúrbio de Madureira! Tempos de ilusões românticas. Tempos de “conspirações subversivas†no Teatro Opinião ou no Teatro Casa Grande. Tempos idos de juventude onipotente.

Podíamos tudo àquela época, críamos. O “pessoal da músicaâ€, o “pessoal do cinemaâ€, o “pessoal do teatroâ€, enfim, todo o pessoal que freqüentava a Montenegro, bebia no Jangadeiros, lia O Pasquim e amava as musas de Ipanema, cria e sonhava com um mundo melhor que haveríamos de construir com nossos corações e mentes.

Almas que fervilhavam de emoção ao ouvir Clementina de Jesus cantando no Teatro Jovem, no show Rosa de Ouro, dirigido pelo grande Hermínio Bello de Carvalho. Nesse show surgiram Os Quatro Crioulos e entre eles estava Paulinho da Viola. Lá mesmo, no Teatro Jovem, participávamos de debates sobre música brasileira. Ouvíamos compositores novos que tinham músicas para mostrar.

Discutíamos e brigávamos por um samba melhor, por uma música que representasse o que ia no peito daquela pequena legião de fazedores de música. Verdadeiro exército de Brancaleones vindos de toda parte para levar em frente o desejo de perpetuar em arte o sonho de ser feliz. Entre eles estava Paulinho da Viola cantando: “(…) Porque hoje eu vou fazer/ Ao meu jeito eu vou fazer/ Um samba sobre o infinito.â€

Tínhamos o futuro, o infinito em nossas mãos. Acho que éramos felizes, apenas fingíamos não saber.

PS. Este texto foi publicado originalmente em meu livro O Gogó de Aquiles, lançado pela A Girafa Editora em 2004

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