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Sua benção, Vinícius!

sexta-feira, setembro 23rd, 2011

No dia nove de Julho de 1980, um edema pulmonar matou o poeta. Décadas depois, continuamos a chorar sua morte. Odeio a morte. Tenho medo da morte. A morte é fria. A morte leva, impiedosa, os melhores de nós. Nos priva, secamente, dos mais queridos que temos, a morte. Insaciável e ameaçadora, paira agourenta sobre aqueles que nunca deveriam nos deixar, a morte.

Vinícius de Moraes, poeta da música brasileira. Parceiro de Tom Jobim, Baden Powell, Toquinho, Chico Buarque, Pixinguinha e tantos outros, sua benção. Vinícius de Moraes autor do hino da UNE (União Nacional dos Estudantes), feito com Carlinhos Lyra, sua benção.

Desde menino, ainda estudante em Niterói, Vinícius era para mim o maior. Como eu o admirava. Eram dele as canções de que eu mais gostava. Àquela época, 64/65, nós, do MPB4, éramos “macacos de auditório†dos nossos mestres vocais: Os Cariocas. Onde Severino Filho, Luís Roberto, Badeco e Quartera cantassem, lá estaríamos nós, babando. Fosse numa gravação no estúdio da Philips (hoje, Universal) no centro do Rio de Janeiro ou num show no Teatro Santa Rosa, Ipanema-RJ, pegaríamos a velha Cantareira e lá íamos, ávidos por ouvir nossos ídolos. Aliás, foi depois de um show do Baden, no mesmo Teatro Santa Rosa (não existe mais o Teatro Santa Rosa, que pena!) que fomos aos camarins e lá estavam, além dele, Os Cariocas e Vinícius de Moraes. Nós, que tínhamos um vastíssimo repertório de… três músicas, atendendo a pedido do maestro Severino Filho – após termos sido apresentados por ele ao poeta –, cantamos tudo o que sabíamos. Vinícius adorou. Elogiou e aplaudiu nossas qualidades vocais, o bom-gosto do repertório e nos incentivou para que não esmorecêssemos. Não… Vem cá, digam a verdade, é mole? Quantos jovens sonham com estímulo como esse? E não encontram… Sermos aplaudidos, literalmente, por Baden Powell, Os Cariocas e Vinícius de Moraes naquele camarim foi uma benção.

Ano de 1966, estávamos na casa do Aloísio de Oliveira, dono da gravadora Elenco (essa gravadora é um capítulo à parte na história da Música Popular Brasileira), na Avenida Epitácio Pessoa, Lagoa, zona sul do Rio de Janeiro. Aloísio nos convidara para gravar nosso primeiro disco na sua Elenco e então fomos à sua casa acertar alguns detalhes do contrato que seria assinado. De repente, a campainha toca e, glorioso, adentra o gramado: Vinícius de Moraes. Como diria o nosso grande baterista Wilson das Neves: “Ô sorte!†Se o Aloísio já gostava do nosso trabalho, que dirá então agora quando o poetinha der sua opinião sobre a gente, pensamos num uníssono silencioso. Parecia coisa combinada, coisa de filme.

Vinícius sentou-se numa poltrona à nossa frente, uisquinho na mão. Ouvindo praticamente as mesmas músicas que já havíamos cantado para ele no camarim do Teatro Santa Rosa, meses atrás. Não sorria, estava diferente, o Vinícius. Não aplaudiu entusiasmado quando acabamos de cantar “A Fábricaâ€, de Sérgio Ricardo. É… Estava bem diferente naquele dia, o Vinícius. Vimos quando ele foi pegar outra dose. Na volta, de pé, bem à nossa frente, trovejou: “Vocês são uns merdas… Sérgio Ricardo é uma merda… Esse tal de Chico Buarque, outra merda… Essas músicas são umas merdas… Vocês todos são uns merdas…†Mesmo não sendo gênios, concluímos: deu merda! Das grandes!

Aloísio, que tinha ido levar o poeta até um taxi, voltou com umas pizzas e, gentilmente, não tocou no assunto. Apenas comemos as pizzas. Meses depois gravamos nosso primeiro long-play na Elenco.

Anos após, reencontramos Vinícius de Moraes na casa dele, em Itapuã, Salvador, Bahia. E rimos, como rimos. Cantamos juntos músicas de Sérgio Ricardo, de Chico Buarque e nos divertimos. Muito. Era assim o poeta. Imprevisível e genial.

PS. Este texto foi publicado, originalmente, em meu livro “O Gogó de Aquiles”, lançado em 2004 pela A Girafa Editora.

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Música que vem de Curitiba

quinta-feira, setembro 8th, 2011

Para melhor compreender o que é o Trio Quintina, proponho uma pequena conta: dois mais um é igual a dezesseis. A conta não bate, claro, mas certamente dá uma pista do que é o som dos curitibanos Fabiano Silveira, o Tiziu, e dos irmãos Gabriel e Gustavo Schwartz.

  • Ao gravarem seu quinto álbum, Quintina Orquestra Trio (Sete Sóis), os caras, que também compõem individualmente e em parceria entre eles, resolveram provar como é ser uma mini grande orquestra brasileira. Tiziu toca violão de sete cordas e canta; Gabriel vai de clarinete, bateria, flauta, saxes tenor e alto, pífano, flautim, pandeiro, percussão e canta; já Gustavo se desdobra em guitarra, cavaquinho, piano, percussão, pandeiro e também canta.

    A pegada deles é rock e é samba. É sóbria e é delirante. É moderna e é tradicional. Tudo ao mesmo tempo, agora mesmo, já. Suas composições permitem que desenvolvam um conceito autoral que os identifica e impulsiona. Letras criativas, por vezes sutis, às vezes melancólicas, melodias e harmonias instigantes, e uma performance instrumental que os põe à frente do cenário da música moderna. Aliás, imaginá-los no palco é exercício instigante.

    A exatidão com que tocam, contagia. O suingue é presente. Próximos de serem multiinstrumentistas virtuosos, o jeito que o Quintina tem de se desdobrar em mil facetas faz parecer que já se conhece o que tocam. Ainda que interpretem composições próprias e inéditas, tudo soa com uma familiaridade que, numa primeira audição, até espanta. Mas na medida em que os ouvimos mais, percebemos claramente que tudo neles é baseado numa coletividade solidária, revelada em arranjos de extrema criatividade.

    Quase não há espaço entre as catorze faixas do CD, o que cria a expectativa de como o fim de uma se fundirá com o início da outra. E os sopros, principalmente os saxofones, com desenhos marcantes, são peças fundamentais nas orquestrações.

    A guitarra registra contrapontos embalados pelo pulsar pop da bateria. O sete cordas soa bonito, não deixando sentir falta de um contrabaixo. Assim é em “Cuidadoâ€, samba de Gabriel.

    Há uma bela releitura do clássico “Ãgua de Beber†(Tom e Vinícius), e duas composições instrumentais que servem para o Quintina realçar seu prazer de tocar.

    Mas o talento dos três se desvenda pleno em “Culpa†(Gustavo). Tudo começa lentamente… violão e guitarra. A bateria é delicada. E vem um crescendo. A pulsação aumenta. A guitarra deixa de ser melodiosa e distorce o som. A voz de Gustavo vai atrás da intenção explosiva do arranjo. O piano a tudo interrompe. Agora tudo é calma…

    Não à toa me ocorreu aquela conta fajuta lá no primeiro parágrafo, pois para muito além de desafiar conceitos numéricos, o Quintina ainda mais subverte parâmetros musicais e instrumentais. Ao juntar intenções diversas, mesmo que sob o guarda-chuva de ritmos tradicionais, Gabriel, Tiziu e Gustavo trazem em suas músicas um festivo e saudável ar de enérgica música bem-soante.

     

    Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4.

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    Pois é… Por quê?

    quarta-feira, maio 18th, 2011

    Por que tinha que ser como foi? Podia ter sido mais suave… Como suas músicas. Aquela timidez colossal punha-o contra a parede. Tentar entrar em sua intimidade antes do primeiro gole era acrobacia para trapezista. Sem rede embaixo. Algumas cervejas depois e suas palavras começavam a surgir. Lúcidas. Poéticas… Como suas canções. Um senso de humor despontava luminoso. Um riso brotava da alma. Vinha com um toque de melancolia mal disfarçada. Uma desesperança precoce e dolorida. O que era para ser doce e fluente parecia adquirir peso desproporcionalmente grande à medida que os dias nasciam ou chegava a noite. O momento da criação era sufocado pela angústia contraída num breve espaço de tempo, como uma febre intermitente. Que faz suar frio. Que traz um delírio de nervos à flor da pele.

    Sidnei Miller viveu trinta e cinco anos. Tentou passar pela vida como se as dores do mundo não tivessem como atingi-lo. Levantou uma cortina de fumaça protetora e acreditou ser o suficiente. Achou que podia viver apenas para o momento sublime da criação. Intuiu que seria o bastante fazer nascerem canções magistrais. Elas trariam a paz que tanto almejava. Nunca poderia imaginar que teria de lutar de forma tão inglória pelo sucesso. Que teria o descaso da mídia. Que não teria o reconhecimento dos críticos à época. Que viveria buscando se sentir querido. Ser aceito, apenas.

    E ele buscou o reconhecimento como qualquer outro, mesmo sendo diferente de outros quaisquer. As opções de mercado? Tentou-as todas. Participou de festivais. Em 1968, fez com Eneida e Paulo Afonso Grisoli, no Teatro Casa Grande, Rio de Janeiro, um show antológico: Carnavália. No mesmo Casa Grande fez ainda Yes, nós temos Braguinha. Gravou dois LPs na Elenco: o primeiro trazia apenas seu nome, Sidnei Miller. Simplesmente, como ele. O segundo foi Do Guarani ao Guaraná. Em 1974, na Som Livre, gravou Línguas de Fogo. Antes, já havia feito pelo menos duas trilhas sonoras para cinema e musicado outras duas peças de teatro. Fez show com a amiga e grande compositora Sueli Costa. Em 1978, dirigido por Hermínio Bello de Carvalho, gravou um belíssimo especial para a TV Educativa do Rio de Janeiro. Contudo, o que ele mais buscou e não encontrou foi o carinho do reconhecimento do seu talento invulgar.

    Mas será que tinha de ser como foi? Será que, de tanto fazer de conta que tudo o fazia contente e que por nada mais precisaria chorar, o fim teria de ser o que foi? A bebida, eterna companheira como seu violão, destruía-lhe a resistência. Mais que a ditadura e seus censores. Mais que a perda de um emprego qualquer na Funarte. Só não mais que o inconformismo por não ser amado e querido por todas as canções compostas nos únicos momentos de sentir-se pleno. O poder da criação, ensina-nos o poeta, é a possibilidade de ver-nos vivos.

    O jornalista Luís Nassif aponta sua sensibilidade de músico bandolinista para além das questões econômicas, para uma realidade antiga: “Tem gente com ‘estrela’, tem gente sem (…) Chico [Buarque] tinha ‘estrela’, Sidnei não.†As estrelas do Sidnei eram as suas músicas, insuficientes, no entanto, para guiar-lhe os passos rumo à vida.

    E o autor de “Estrada e o Violeiroâ€; “O Circoâ€; “Meu Violãoâ€; “Pois É, Pra Quê?â€; “Menina da Agulhaâ€; “Maria Joanaâ€; “Pede Passagem†e tantas outras desistiu. No dia 16 de julho de 1980 Sidnei Miller se matou. Restamos nós, seus admiradores. Cabe-nos chorar sua ausência e apontar aos nossos filhos, netos e amigos quem foi esse que acreditou que ser genial seria suficiente para emocionar um povo.

    PS. Este texto foi publicado originalmente em meu livro O Gogó de Aquiles, lançado pela A Girafa Editora em 2004.

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    Majestosos vagabundos

    quinta-feira, fevereiro 17th, 2011

    Foi em 1974. Divergências incontornáveis puseram fim ao fenômeno Secos & Molhados. O pesadelo recorrente de Ney Matogrosso parecia que estava por se materializar: “A boca enorme me engolindo”, que ele tanto temia, dessa vez não falharia. O ex-artesão seria tragado para sempre. E Ney livrou-se das camuflagens para viver aventuras ainda mais insurgentes, transbordadas de sons.

    Há que ser corajoso para seguir os caminhos e destinos que são reservados a nós, homens e mulheres. Há que ser forte para enfrentar as dores do incerto e o pânico pelo desconhecido. Há que ser destemido para não sucumbir à insegurança que chega com os primeiros sinais de cada aurora. A poucos é concedida essa dádiva. Só aos melhores dentre nós é dada a honra de passar por essa vida vendo-se íntegro. Ney Matogrosso é um desses seres humanos escolhidos a dedo para viver essa magia, e o faz plenamente.

    E o grande intérprete continuou sua busca por inquietas sonoridades. Como já fizera, ao se aliar musicalmente ao Uakti, ao Aquarela Carioca, a Rafael Rabelo, Ney vislumbrou na percussão de Pedro Luis e A Parede (Plap) uma outra festa que, não podendo parar, segue. Farra da música que busca sempre mais um acorde para fazer de conta que é como a noite: sem fim.

    Devassada noite; alongada música; agoniada vida que vai longe ao som de couros e baquetas. Harmoniosa é a união de quem ama o que faz, porque faz bem aquilo que lhe apraz.

     São alegremente desabusados os meninos do Plap com seu som batido pleno de carioquice. Junto a C. A. Ferrari, Celso Alvim e Sidon Silva e suas percussões, mais o contrabaixo de Mário Moura, Pedro Luis compõe e toca violão. Jovens moços que fazem soar seus ruídos musicais como se pudessem tirá-los de qualquer “algo oco por dentro”; como se criassem “música do sopro do vento”, como diz o poeta Celso Viáfora em sua “À Benção”. Tudo isto para chegar, enfim, a Vagabundo ao Vivo (mais uma parceria das gravadoras Universal e MP,B), o CD/DVD fruto do registro de um show realizado no Olympia, em São Paulo, em 15 de julho de 2005.

    Vagabundo é acima de tudo a escolha muito bem-feita de músicas fortes, belas, percussivas, teatrais. A cara de Ney Matogrosso e do Plap. Para mais impregnarem nelas seu DNA, Ney, Pedro, Sidon, Celsinho e Ferrari se juntaram ao guitarrista Ricardo Silveira (Ney não abre mão de tê-lo a seu lado em shows e discos), Pedro Jóia (violões e alaúde) e Glauco Cerejo (sopros). Os arranjos de Ney e do Plap se fartam de deixar para a cozinha. E ela não nega fogo, corresponde sempre. E o couro come. E a galera delira, enfeitiçada pela pulsação que vem do palco. E a moçada não regateia aplauso nem canto aos que a contagiam, contaminados que são pelo que fazem.

    Algumas músicas se sobressaem. “Fazê o quê” (galope movido a tambores, de Pedro Luis): “(…) Pra que apareça/ Agarrada no seu verso/ Idéia prum Universo/ Mais tranqüilo e mais humano”; “Noite Severina” (baião sacudido, de Lula Queiroga e de Pedro Luis): “A inspiração vem de onde?/ Vem da tristeza, alegria/ Do canto da cotovia (…)” e “Transpiração” (Alzira Espíndola e Itamar Assumpção) esta com um belo diálogo à espanhola das cordas , são três delas.

    Há ainda o mega-sucesso dos Secos & Molhados: “Sangue Latino” (Paulinho Mendonça e João Ricardo), “Balada do Louco” (dos Mutantes Rita Lee e Arnaldo Baptista), além da lendária “Fé Cega, Faca Amolada” (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos). Todas escolhidas para permitir que Ney Matogrosso e o Plap, animados e luxuosos vagabundos, se divirtam à grande ao som de suas vozes e tambores; e animem a platéia que a eles só falta pedir suas bênçãos, como que inspirada, ainda, pelos versos de Celso Viáfora: “À Benção quem primeiro conseguiu resumir o sentimento/ na frase musical que pôs no ar (…) Ô… benção quem suou/ Suou pro meu som soar”.

    Aquiles Rique Reis é vocalista do MPB4 e autor de O Gogó de Aquiles

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    Saudade de Gonzaguinha

    quinta-feira, fevereiro 3rd, 2011

     

    Quando ele nasceu o São Carlos tremeu. Imbalançou. Veio em frenético galope. O arvoredo, em desalinho, desenhou a figura do menino no topo da copa mais alta. Bem lá em cima o vento uivou um gemido.

    A mãe na labuta, né, mãe? Lavar louça é preciso, né, mãe? Navegar não é preciso, tá, mãe? Pega minha mão. Solta não. Tenho medo das manhãs de abril. Meus olhos não deixa ninguém furar, tá, mãe? Não nasci pra ser Assum Preto. Galopar é preciso. Imbalança, mãe.

    Ao som do vento que canta ao sol me vou. Eu quero ser feliz, mãe. Vou pro mundo. Correndo desesperadamente atrás da bola de fogo. Mas não vou só. Teu menino nunca estará só, mãe. Tenho companheiros para enfrentar os furacões, traçar os caminhos, escolher os descaminhos. Dar bom-dia à tempestade. Chorar a saudade de ti, mãe. Vem comigo.

    Teu menino é forte. Mas ele tem medo. Carrego comigo o cantar da minha gente. Ela precisa de mim, mãe. Vou pra vida a galope. Me dá um cheiro, mãe. Vou descer o São Carlos. Vou voar.

    A música é meu ofício. Vou subir o São Francisco. Vou pras terras do meu mundo. Grito. Alerto. Do chão levanto a poeira que há de cegar o carrasco. Canto noite e dia. Beijo bocas. Dou prazeres que não consigo ter. Sinto dores que não suporto sentir. Tenho medo do céu de abril. A florada da mata inunda meus olhos. Uivo à lua cheia meu sonho de liberdade. Tudo é chama. Clamo por justiça, mãe. Germinei a terra fértil. Meu coração bate em outros peitos. Gerei pequenos frutos. Viver é preciso. Imbalança, mãe.

    Quando ele cresceu o Brasil muito que aprendeu. Vertigem no galope desenfreado. A floresta segurou e protegeu seu moleque. Lá do alto da mais alta de todas as copas veio o vento. O gemido.

    Sou das estradas. Fiz meu ninho lá no alto daquele coqueiro. Meu coração quer sair do corpo a galope. Não tá dando pra segurar. Imbalança. Minhas lembranças querem se apagar na beira daquele mar. Imbalança, imbalançá. Vim a galope, a galope vou voltar. Preciso das Minas. Ar pra respirar. Sinto o peito sufocar. Tenho meu canto. Vou galopar. Imbalança. Meu pai dizia: “Minha vida é andar por esse país”. Eu vou atrás, mãe. É meu destino. Por ele choro e canto. Saudade, mãe. Tua benção, pai.

    Manhã de abril. Não consigo ver a beleza das matas. Galopo. Não tô enxergando, mãe. Me pega, pai. Me aperta, mãe. Não vai dar. Imbalança. Não dá pra descansar. Eu quero essa vida mudar. Eia minha gente, imbalança!

    Vou a galope. Pra onde, pai? No que eu posso ainda acreditar, mãe? Só sei que minhas crianças, em sua infinita pureza, me ensinaram a beleza. Muito aprendi por aí, com elas. Estou voltando ao começo, pai. Tenho medo. É manhã de um abril qualquer. Não tá dando pra segurar. Meu coração vai explodir, mãe…

    Vem, meu moleque, imbalança, imbalançá!

    Gonzaguinha morreu num acidente de carro. Era uma manhã de abril de 1991.

    PS. Este texto foi inspirado em algumas das canções compostas e cantadas por Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. A ele, minha amizade. Saudade.

    Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

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    “João Nogueira canta pra viver”

    quinta-feira, janeiro 20th, 2011

    Eu já conhecia João Nogueira da casa do Hermínio Bello de Carvalho, quando, num estúdio de gravação, ouvi “Espelhoâ€, parceria do João com Paulo Cesar Pinheiro. Aqueles versos, “Num dia de tristeza me faltou o velho/ E falta lhe confesso que ainda hoje faz/ E eu me abracei na bola e pensei ser um dia/ Um craque da pelota ao me tornar rapaz/ Um dia chutei mal e machuquei o dedo/ E sem ter mais o velho prá tirar o medo/ Foi mais uma vontade que ficou prá trás†me emocionaram. Mal conseguia cantar o refrão. Um nó na garganta parecia querer me sufocar naquela gravação em 1977. Quantas vontades eu tinha deixado pra trás. Que falta meu velho fazia e confesso, até hoje faz. Como Paulinho Pinheiro e João Nogueira, eu chorava a solidão da perda.

    João Batista Nogueira Júnior nasceu no Méier, subúrbio carioca, no dia 12 de novembro de 1941. Aos cinquenta e oito anos, comemora uma vida feita de cantar e de fazer samba. Idealizador do Clube do Samba, em 1979, deu teto e chão ao ritmo que traduz o espírito do cidadão que vive nesse país.

    Seu pai, João Batista Nogueira, violonista e advogado lembrado no samba “Espelhoâ€, devia estar orgulhoso do filho íntegro e decente que fez e entregou pro mundo. O velho devia sorrir ao ver um dos melhores intérpretes que temos, seu filho, superar com a garra de um centro avante goleador o acidente vascular cerebral que o atingiu em abril de 1998. Não se preocupe não, Seu Nogueira, o seu João é guerreiro. Pensou até em fazer guerrilha pelos botequins, armado de caixa de fósforos e apito. Seus cantos de guerra faziam estremecer o chão. Seus hinos à cidadania faziam a dignidade ganhar cores vivas. Sua parceria com a poesia de Paulo Cesar Pinheiro acendia a luz do “Poder da Criaçãoâ€: “Não, ninguém faz samba só porque prefere/ Força nenhuma no mundo interfere/ Sobre o poder da criação (…)â€

    Foi a batalha pela sobrevivência, a luta pelo pão nosso de cada dia, o corre-corre atrás do leite das crianças, que fazia o cantor superar seus limites. Após gravar o CD Chico Buarque – Letra & Música pela gravadora Lumiar, em 1995, João Nogueira mostrou que era intérprete de alta linhagem. Entrou pro seleto grupo dos bambas do cantar samba: Roberto Ribeiro, Ciro Monteiro, Clara Nunes, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e Martinho da Vila. As divisões rítmicas para os sambas sincopados do Chico comprovaram o batismo de aceitação.

    A voz, por vezes propositalmente arrastada, estava a serviço da malícia que o samba urbano precisa para ser de bamba. Três anos se passaram. 1998. João de Todos os Sambas. Dessa vez pela BMG, o novo CD de João Nogueira tentava o sucesso que o anterior não havia alcançado. Grandes músicas, como sempre, estavam lá. Parcerias com Paulo Cesar Pinheiro e Mário Lago, músicas de Jorge Simas e… Raça Negra! Isso mesmo, uma canção de dois integrantes do grupo Raça Negra. Mas, o que João Nogueira e Raça Negra têm em comum? Nada. A juntá-los apenas a busca maluca do sucesso. Apenas a besteira de juntar o que é para estar para sempre separado. Com certeza João não gravaria esse CD pela “multi†BMG sem esse tal “apelo de mercadoâ€. Ali estaria a “chave do sucessoâ€, caminho rápido para o milhão de cópias vendidas, devem ter jurado os executivos “geniais†da industria fonográfica. Os “gênios†procuravam um novo “Martinho da Vila†e conquistaram João Nogueira para a aventura. Quebramos a cara. Todos nós, admiradores de João Nogueira e da boa música brasileira e o próprio João, quebramos a cara. Menos, é claro, os “donos da vozâ€, esses não perdem nunca.

    Algum tempo depois deste artigo ter sido escrito, João Nogueira morreu… O espelho se quebrou. Deixou uma saudade imensa.

    PS. Este texto foi publicado originalmente no meu livro O Gogó de Aquiles, lançado pela A Girafa Editora em 2004.

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    Luiz Meira, um músico em progresso

    quarta-feira, janeiro 5th, 2011

    Depois de tocar com alguns grandes nomes da música, o catarinense Luiz Meira, além de bamba na guitarra e no violão, demonstra ser também bom cantor e bom letrista. Em seu segundo CD, Te Chamo Felicidade (independente), há cinco letras dele. Em onze faixas, nas quais ele se reveza no violão e na guitarra, Meira confirma ter bom balanço, avivado por divisões rítmicas dignas de um sambista de respeito, e uma voz afinada que trata com carinho os versos que interpreta.

    Logo de cara, dois sambas sacudidos chamam a atenção do ouvinte pelo suingue contagiante. Neles, a voz de Meira é agradável surpresa, enquanto sua guitarra e seu violão demonstram, com grande pegada, a energia do instrumentista. Tanto o primeiro, Vestido Novo (Jean Mafra e Luiz Meira), quanto o segundo, Libera o Bicho (Jean Garfunkel e Paulo Garfunkel), trazem a ótima base instrumental que pontificará ao longo do disco: Marco Brito (piano e teclados), Nema Antunes (baixo elétrico), Erivelton Silva (bateria) e Pirulito (percussão).

    Então vem nova letra de Meira, Quando Vens (com Jean Mafra). Samba mais lento dos que os que o antecederam, o arranjo abre suave, tendo violão a dialogar com piano, bateria e baixo, todos fazendo cama para a voz de Meira, plena de originalidade, deitar e rolar. O intermezzo é do violão. Logo todos se reencontram.

    O ritmo ligeiro volta quando Meira se junta a Zeca Baleiro para cantar Desasado (Jean Garfunkel e Luiz Meira), samba bem-humorado que propicia suingue malandro à dupla de bons cantores.

    Chega a primeira das duas faixas instrumentais: Começar de Novo (Ivan Lins e Vitor Martins). Delicadamente o violão dedilha os compassos da introdução. Cabe a ele tocar a melodia, tendo piano, bateria e o baixo acústico de Jorge Helder (que toca ainda em outras duas faixas) a ampará-lo. O teclado faz cortina para um vigoroso improviso de Meira… Ouçam esta, Ivan e Vitor, vocês vão adorar.

    Pra Ficar no Ponto (Dudu Falcão e Danilo Caymmi) é um ótimo samba. Ao ouvi-lo, cheio de ginga, torna-se inevitável lembrar de Geraldo Pereira. Estou quase certo de que João Gilberto nunca o ouviu; caso contrário, imagino, o teria gravado.

    O clássico Autum Leaves (Joseph Kosma, Jacques Prevent e Johnny Mercer) é outro instrumental em inédita versão de samba. O violão faz uma levada ligeira, com apoio de leve percussão e acompanha a melodia até que a guitarra assume as rédeas e arrasa num inspiradíssimo intermezzo. O baixo apoia. Meu Deus!

    A cozinha, agora também contando com a percussão de Alexandre DaMaria, embala os dois sambas finais: o esperto Respeito É Bom (Jean Garfunkel, Tatiana Cobbett e Luiz Meira) e o romântico Você Chegou Pra Ficar (Jean Mafra, Jean Garfunkel e Luiz Meira).

    As divisões do sambista se destacam. A genialidade e o bom gosto do instrumentista se superam. Tudo isso através de um músico que não tem barreiras musicais impedindo o progresso contínuo de sua musicalidade.

    Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

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    Alex Buck, um compositor da pesada

    quarta-feira, dezembro 1st, 2010

    Irmãos de Som (Fubá Music) é o segundo CD do baterista Alex Buck. Bateria que, na verdade, é o seu terceiro instrumento, pois, iniciando sua trajetória profissional tocando piano e flauta, aos oito anos, só aos onze, a batera passou a ser seu instrumento de fé.
    Hoje, aos 29 anos, o paulistano Alex Buck se dedica também a composição e a orquestração. E pela qualidade demonstrada neste seu mais recente trabalho, ele é um multiinstrumentista forjado nas mais variadas formas de criar música.
    Nas nove faixas de Irmãos de Som, todas de sua autoria, percebe-se a capacidade que tem Alex de compor e de escrever arranjos. Sem se prender a ritmos que o situem nessa ou naquela praia musical, sua música é vastamente rica; sem demonstrar pobrezas reducionistas, sua escrita, para formações instrumentais as mais diversas, é cheia de inquietudes e de soluções inesperadas; sem se prender ao instrumento que hoje o caracteriza, vale-se com igual mestria do piano, da percussão, do teclado e da escaleta. O resultado é um grande CD de música instrumental e cantada.
    A mixagem, a cargo de Homero Lotito e Gustavo Sandes, é a chave mestra a abrir portas para que delas saiam um som francamente atual e permitam uma percepção clara de cada timbre e de cada momento sonoro do trabalho. A qualidade dos músicos convidados por Alex Buck para tocar suas composições é outro fator que contribui para fazer de Irmãos de Som uma pequena preciosidade musical.
    O som instrumental diz presente nas primeiras quatro faixas. A primeira delas, “Sobre as Ondas”, tem uma introdução tão lírica quanto extensa, baseada no som da escaleta (Alex Buck) e do violão (Sandro Haick); vêm o tamborim e o teclado; a escaleta sola a bela melodia; entram a bateria e também o sax tenor (Raphael Ferreira), o trompete (Sidmar Vieira) e o clarinete (Alexandre Ribeiro); o baixo (Thiago Alves) improvisa, enquanto, leve e sutil, a bateria faz a levada nos pratos e nas peles; tem início o belo solo do flugelhorn (Sidmar Vieira), que dá vez ao violão, até que, com nova entrada do naipe de sopros e um novo solo do piano, todos levam a música a um ótimo final.
    Para homenagear Paulinho da Viola, Alex Buck compôs “Lamento de Compositor” e convidou Fabiana Cozza para cantá-la. Com seu vozeirão grave, Fabiana começa cantando a capella. Sua voz plena ascende ainda mais com a entrada da cuíca (Pirituba); logo se achegam o surdo e o tamborim (Paulinho Timor), o repique de anel (Kaká Sorriso) e o pandeiro (Dil Bandeco); Alex Buck a tudo colore com seu piano vestido para sambar, enquanto o cavaco (Fabrício Rosil) e o violão de seis cordas (Alessandro Penezzi) tiram onda e dão mais corda ao piano e ao sax alto (Cássio Ferreira). E então, todos juntos, irmãos de som, concluem o sambão homenagem, momento dos mais instigantes do CD de Alex Buck, um multiintrumentista e compositor da pesada. A bateria sintetiza sua musicalidade”.
    (*) Aquiles Rique Reis, músico e vocalista o MPB4

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    O poeta cantador de loucas ficções

    terça-feira, novembro 9th, 2010

    Roney Giah lançou seu quarto disco Queimando a Moleira (independente). O trabalho, no qual todas as músicas são de sua autoria, demonstra um compositor ampliando sua identidade musical. Compositor e guitarrista, no CD ele toca violão de sete cordas sem, contudo, valer-se das baixarias que a sétima corda propicia.
    Roney é também arranjador, cujo grande mérito foi dar asas à inventividade e à sensibilidade de Mario Manga (violoncelo) e de Alexandre Ribeiro (clarinete), que juntos dão amplitude às intenções dos versos e aos intervalos melódicos de onze das dezoito músicas do álbum. Some-se a eles o baixo acústico de Maurício Biazzi e temos uma trinca com enormes recursos, a dar requinte à perspectiva musical desejada pelo autor. Liberdade e criatividade das quais também se valem Toninho Ferragutti e seu acordeom para um espetáculo de rara competência.
    Cantor de recursos limitados, sua voz dá conta de revelar imagens e conceitos criados pelo versejador. E a força de sua música vem justamente das palavras que soam como que vindas da imensidão de um delírio, como que fugidas das profundezas do que restou para ainda ser dito.
    Suas letras são ora leves, ora estranhas; ora dolentes, ora incandescentes; ora diretas, ora metafóricas… Imprevistas.
    Valendo-se do que hoje se rotula como chamber pop (música pop de câmera), na qual a melodia funciona quase como um pano de fundo que busca sonorizar a intenção de cada verso, o cantar resulta num “falar melodioso”, como se todos estivessem a serviço de refletir o pensamento do letrista.
    E é aí que brilha, reafirmo sem temor de ser redundante, o talento do Roney Giah arranjador: violão de sete cordas, baixo acústico e piano Fender Rodhes (Nado Silva e Piu) seguram a onda da harmonia e das levadas, permitindo ao clarinete e ao clarone de Alexandre Ribeiro, ao acordeom de Toninho Ferragutti e ao violoncelo de Mario Manga ficarem liberados para flutuar em múltiplos improvisos, com os mais inspirados desenhos melódicos.
    “Estamos Seguros Debaixo do Meu Cobertor”, a primeira faixa do CD, começa com o baixo marcando o ritmo. O clarinete dá sinal de vida. Giah inicia o canto. O piano se ajunta ao cello. Logo a voz de Dandara Modesto se junta à de Roney para cantar o refrão que repete o título da música.
    “Ãcaro” tem letra que diz: “(…) Parecia ser tão certo, era o sonho ser feliz ou chegar perto/ E ter apenas um motivo pra acordar e desejar a paz/ Mas múltiplos enganos no decorrer da história/ Eu acho tão humano duvidar da vitória/ Conquistas e derrotas são como o mar e a gaivota (…)”. O clarinete boia sobre as águas do canto e da letra. Junto com o violão de sete, o baixo elétrico marca, lembrando as canções folk norte-americanas.
    Feito Ãcaro, como um argonauta atarantado, as palavras conclusivas de Roney Giah se confundem com as inconclusivas, abrindo espaço para o absurdo e para a incoerência, tudo findando em músicas cativantes.
    Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

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    Agora cinqüentão, fazer sucesso continua sendo a sina de Zeca Pagodinho

    quinta-feira, outubro 28th, 2010

    Desde que foi descoberto por Beth Carvalho em 1981, Zeca Pagodinho é um ótimo compositor e intérprete. Naqueles anos 1980, seus discos vendiam mais do que banana na xepa da feira. Seus shows seduziam multidões. A grana entrava farta. Mas, depois de muito vai e vem, ele experimentou o gosto amargo de um declínio que no caso de muitos foi fatal – pois nunca mais arribaram: foi do céu ao inferno, sem parada nem pro cafezinho.

    Hoje, ele sabe que não pode vacilar novamente porque quem muito bobeia é mané e quem repete o vacilo é burro, daqueles de cangalha e tudo. Mas a galera, a que sempre curtiu sua voz e suas músicas, esteve todo o tempo do seu lado, firme e forte.

    Mesmo com algumas dúvidas atazanando suas ideias, Zeca demonstrou saber das artimanhas, que indicam a melhor hora para dar um cavalo de pau e “arrecuar os arfes pra evitar a catastreâ€. Afinal, ele, Arlindo Cruz e Beto Sem Braço afirmaram: “Camarão Que Dorme a Onda Levaâ€. E Pagodinho decidiu se tornar um profissional de fato e de direito. A boa maré voltou ainda mais caudalosa.

    O sincopado do samba é seu compadre. Sua voz, a parceira fiel que não o abandona por nada. O mundo do samba é a sua vida, o fundo do quintal será sempre o seu porto seguro. Fazer sucesso é a sina de Zeca.

    O samba continua e a vida vai junto. Pagodinho, agora cinquentão, segue o dito de cantar para seus males espantar. E continua sendo, hoje e sempre, uma fonte de satisfação para os que curtem a música que sai da sua garganta e da sua alma.

    Mas por outro lado, hoje ele é também um valioso “produto†descoberto por televisões e por publicitários que têm a noção exata do quanto sua imagem vale em milhões de cifrões.

    Sujeito à superexposição, que já vem de algum tempo (e de bom grado, é bom que se frise), Pagodinho virou “Zeca-Feira†em uma propaganda de cerveja. E tome de vender “loura geladaâ€.

    Zeca se transformou num baita levantador de audiência. O programa “x†da TV “y†está mal das pernas? Ora, traz o Zeca que o Ibope sobe. Simples assim. Tudo graças à sua espontaneidade e a uma sabedoria que cala fundo no imaginário de quem a publicidade costuma catalogar em classes B, C e D – além de não fazer feio junto à chamada classe A.

    O público que aumenta a receita da cervejaria e vai para a frente da telinha quando ele aparece quer é ouvi-lo cantar, acima de qualquer apelo midiático. Pois o samba está com Zeca Pagodinho. E é nele, o samba, que este grande artista popular apostará para continuar a ser um grande cantor e compositor por muitos e muitos anos. Assim é o Zeca.

    Vida longa, propaganda de cerveja– grande Zeca Pagodinho! –, irmão de sangue do samba, este que não agoniza e nem morrerá enquanto houver grandes intérpretes feito você.

    Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

    Este texto é uma versão condensada do meu artigo “Zeca Pagodinho completa 50 anos – o samba está com eleâ€, publicado no Livro do Ano 2010, da Enciclopédia Barsa Planeta.

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