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Nelson Rodrigues

sexta-feira, dezembro 31st, 2010
“ A bola sabe quando vai ser gol e se ajeita para o gol.”

A bola tem um instinto clarividente e infalível que a faz encontrar e acompanhar o verdadeiro craque. Sim, amigos: há na bola uma alma de cachorra.”

“ O tempo é uma convenção que não existe, nem para o craque nem para mulher bonita.”

“ Djalma Santos põe, no arremesso lateral, toda a paixão de um Cristo Negro.”

“ Sou tricolor, sempre fui tricolor. Eu diria que já era Fluminense em vidas passadas, muito antes da presente encarnação.”

“ Nossa literatura ignora o futebol, e repito: nossos escritores não sabem cobrar um reles lateral.”

“ O escrete é a pátria em calções e chuteiras.”

“ Pelé podia virar-se para Michelangelo, Homero ou Dante e cumprimenta-lo com íntima efusão: – Como vai, colega?”

“ O supercraque não precisa jogar bem. O perna-de-pau é que tem de se matar em campo.”

“ Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola.”

“ A base sentimental da torcida é o ódio, e não o amor. Sem ódio não há torcida possível.”
“ No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio.E, se quiserem acreditar, vaia-se até mulher nua.”

“ Tenho dito e repetido que Zico é o maior jogador do mundo. Há os que negam, cegos pelo óbvio ululante. Mas, se a evidencia quer dizer alguma coisa, não cabe dúvida, nem sofisma.”

“O Flamengo tem mais torcida, o Fluminense tem mais gente!”
“Grandes são os outros, o Fluminense é enorme.”
Fonte: Maurício, Ivan [ Seleção e organização] 90 minutos de sabedoria – A filosofia do futebol em frases inesquecíveis,
Nelson Falcão Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912 — Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980) foi um importante dramaturgo, jornalista e escritor brasileiro.
Nelson Falcão Rodrigues nasceu em Recife no ano de 1912. Mudou-se em 1916 para a cidade do Rio de Janeiro. Quando maior, trabalhou no jornal “A Manhã”, de propriedade de seu pai. Foi repórter policial durante longos anos, de onde acumulou uma vasta experiência para escrever suas peças a respeito da sociedade. Sua primeira peça foi A Mulher sem Pecado que lhe deu os primeiros sinais de prestígio dentro do cenário teatral. O sucesso mesmo veio com Vestido de Noiva, que trazia, em matéria de teatro, uma renovação nunca vista em nossos palcos. A consagração se seguiria com vários outros sucessos, transformando-o no grande representante da literatura teatral do seu tempo, apesar de suas peças serem taxadas muitas vezes como obscenas e imorais. Em 1962, começou a escrever crônicas esportivas, deixando transparecer toda a sua paixão por futebol. Veio a falecer em 1980, no Rio de Janeiro.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nelson_rodrigues

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Derrotada, chega ao fim a doutrina da burrice

segunda-feira, julho 5th, 2010

Geraldo de Majella

Dunga disse em entrevista coletiva, após a derrota da seleção brasileira para a Holanda, que foram três anos e meio de preparação, o grupo esteve unido, não houve briga nem escândalos e todos ficaram 52 dias concentrados, sem problemas de relacionamento.

Lembrei-me imediatamente de duas figuras antológicas do futebol brasileiro e mundial: o treinador e comentarista João Saldanha e o ex-jogador Romário. 

        A respeito da concentração, Saldanha certa vez afirmou: “Se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária seria campeão invicto”.

        O baixinho Romário, muitos anos depois, arrematou com essa pérola: “Não adianta dormir cedo e não jogar porra nenhuma”.

        A seleção brasileira de futebol é muito mais importante que a política econômica do presidente-torcedor Lula da Silva. E por ser tão importante para o nosso povo, o treinador não pode ser um medíocre, aparentado com muar.

        O [alagoano] cdefine muar como: [substantivo masculino] Animal pertencente à raça do mulo, espécime dos mus.

        Mulo é: [substantivo masculino]. Zool. Animal mamífero, perissodáctilo, resultante do cruzamento de jumento com égua, ou de cavalo com jumenta. É, pois, animal híbrido, estéril, do mesmo gênero de Equus, do cavalo e do jumento [sinônimo: besta, burro].

        Quem tem como instrumento de trabalho as estatísticas de futebol, campeonatos, quantidades de gols marcados, faltas etc. não serve para armar a seleção brasileira. Organizar um grupo e desconhecer que grandes jogadores foram deixados de fora porque o seu grupo estava fechado e não era possível mexer, é o sinal mais evidente da burrice.

        Dunga, entre outras coisas, é isso mesmo: estúpido.

        Ficaram no Brasil dois craques: Ganso e Neimar. Ronaldinho Gaúcho ficou na Itália. Mas estiveram entre os 23 convocados: Júlio Batista, Klerberson, Josué, Felipe Melo, Grafite etc..

        Em campo o carniceiro Felipe Melo deu mostra do que ele é capaz: cartões, pontapés, expulsão, gol contra. O resultado, todos sabem.

Felipe Melo é um dos mais desleais jogadores que já vi jogar numa seleção ou mesmo em um clube de futebol; é páreo para os brutamontes Moisés [Vasco da Gama], Abel [Fluminense] e Chicão [São Paulo e Seleção de 1978]. Qual a vantagem num campeonato de violência? Nenhuma. 

        Todos sabiam que Felipe Melo, como se diz na gíria, “é chave de cadeia”. Bate, é desleal e foi quem individualmente mais contribuiu para a derrota do Brasil na Copa da África do Sul. Foi o coveiro da doutrina Dunga.

        Vendo por esse ângulo é algo positivo. Mas o que nós brasileiros queríamos era o hexacampeonato, mesmo sendo dirigido por um medíocre, aparentado com muar. Um burro, que distribuiu coices a três por quatro, inclusive em jornalistas brasileiros.

        O desequilíbrio emocional de Dunga durante os jogos foi evidente. Isso, lógico, também contribuiu para piorar o clima de instabilidade, contaminando os seus comandados, e a reação veio na medida exata do nervosismo, quando não da violência. Estou me referindo a jogadores profissionais experientes e que dispõem em suas contas bancárias de milhões de dólares, cada um.

        O jogador brasileiro foi sempre admirado pela sua elegância, malandragem e pela intimidade com a bola: uma relação quase familiar, em que a bola − na África chamada de Jabulani − faz parte da vida e é considerada um membro da família, principalmente dos jogadores de origem pobre, a grande maioria deles. A bola é tratada com carinho e amor.

        Não sou ingênuo o suficiente para não compreender que rolam muitos interesses entre as quatro linhas que demarcam o gramado e muito mais ainda fora dele. Há jogo sujo, todo tipo de trapaça, coisas inconfessáveis, mas o futebol [o espetáculo] é levado a sério pelos torcedores da seleção brasileira no Brasil e fora dele.  A seleção tem em todos os continentes torcedores que vibram com e adoram os jogadores brasileiros.   

        Nelson Rodrigues disse que “a seleção brasileira era a pátria de chuteiras”.  O velho cronista tinha razão.

        Milhões de brasileiros estão de luto pela derrota da seleção contra a Holanda.

        Resta torcer pela camisa celeste do Uruguai, de Louco Abreu, Obdulio Varela e Ghiggia.

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O Mestre Roberto Menezes

sábado, abril 24th, 2010

O futebol atrai multidões pelo mundo afora, transformando os seus praticantes em ídolos e arrebatando corações em todo o planeta Terra. Esse esporte, nascido na Inglaterra, catalisou a paixão e a alma do povo brasileiro, passando a ser considerado um símbolo da nossa nacionalidade. O Brasil tornou-se a grande potência do esporte no decorrer do século XX. Conquistou 5 campeonatos mundiais e atualmente é um dos grandes exportadores de atletas profissionais para todos os continentes. Através do futebol, o Brasil conquistou o Japão, com Zico, e até mesmo a superpotência norte-americana rendeu-se ao encanto de Pelé, o mais espetacular atleta de todos os tempos. Eles foram os responsáveis, os desbravadores, uma espécie de bandeirantes contemporâneos e civilizados. A alegria e o prazer da prática do futebol são também transferidos para os torcedores e espectadores. O futebol coloca o mundo em tomo da bola, reverenciando-a. Graças ao mundo globalizado, a magia do futebol percorre os mais longínquos cantos do planeta terra. Nas Alagoas, à beira-mar, o CRB revelou para o futebol um garoto loiro, mais parecendo um alemão, contrastando com os negros que em geral são os donos absolutos da prática do futebol. Na Pajuçara, Roberto Menezes nasceu para o esporte tomando-se, talvez, o principal ídolo da historia do CRB, pelo menos na minha época de torcedor regatiano. É a minha visão de torcedor e, portanto, merece ponderação. Pioneiro, conciliava a sua vida de jogador de futebol com sua outra atividade, que desempenhava com o mesmo afinco: o curso de engenharia civil na Ufal. Foram inúteis as propostas que recebeu para continuar jogando, mesmo depois de formado. Interrompendo a carreira que iniciara, preferiu construir o seu futuro distante dos gramados, da bola e da torcida, deixando precocemente órfãos os torcedores e os admiradores do seu belo futebol: no CRB e, fugazmente, no CSA, clube em que jogou apenas por um ano. Definir um jogador como craque é algo que pode ser apenas paixão, nada mais. É comum entre os torcedores acontecer esse tipo de definição: “Fulano é um craque de bola”. No caso do Roberto Menezes essa definição foi mais fundamentada. Algumas características definem um craque: a regularidade com que atua em campo, a elegância com que passa a bola para os companheiros, e a principal delas: o craque se diferencia do restante dos jogadores em campo por antever as jogadas, por enxergar os espaços vazios à frente, colocando-se ou mesmo passando a bola aos pés ou na cabeça dos companheiros. Parece simples, mas é o grande diferencial entre os profissionais do futebol. Há, claro, os jogadores que são verdadeiros showmen em campo, pelas cambalhotas, pela forma de interagir com a torcida, mas não são efetivamente craques. Por mais que se queira explicar o craque, corno diz Tostão: “craque não tem explicação, ele é”. Por mais que os técnicos, hoje, saídos das academias, das escolas, saibam que futebol é o esporte das multidões, pelo menos no Brasil, devem se guiar pela máxima do Nelson Rodrigues, que fala de craques: “O tempo é uma convenção que não existe, nem para o craque nem para as mulheres bonitas”. O futebol é um balé praticado, no Brasil, por pobres e negros, na sua maioria, e portanto, tornou-se um ramo artístico. Seja no balé ou numa orquestra, você era o líder, Roberto, o maestro. A difusão dessa atividade artística ocorre através de milhões de críticos apaixonados que à beira do campo berram, choram, xingam a mãe do juiz, do bandeirinha, do ídolo, do cartola, mas, à semelhança de um raio, rapidamente reconciliam-se com todos no momento supremo do gol. Sem o aparato tecnológico que hoje há à disposição dos praticantes do esporte − na década de 70 (a TV Gazeta é inaugurada em 75) não havia televisão em Alagoas –, Roberto Menezes conseguiu projetar-se como um ídolo, ultrapassando a fase anterior ao vídeoteipe. Logo, a memória do torcedor e a mídia escrita registraram o dia a dia da sua prodigiosa carreira de craque e mestre do futebol. O povo foi o melhor cronista do seu tempo de atleta, e através da memória popular o seu nome continuará rompendo o tempo como um virtuoso do esporte bretão. Publicado no O Jornal, domingo, 11 de abril de 2004.

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