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O cinéfilo das Alagoas

quarta-feira, maio 4th, 2011

Elinaldo Soares Barros [1947], crítico de cinema, cinéfilo, jornalista e professor de educação artística, nasceu em Maceió, dois dias antes do natal de 1947, no dia 23 de dezembro, filho do casal José Soares Filho e Elita Soares Barros. Estudou no Colégio Estadual e na Universidade Federal de Alagoas, onde iniciou as suas atividades político-culturais, sendo eleito segundo secretário do Centro Acadêmico do Instituto de Letras e Artes (ILA), na gestão de Élcio Verçosa, no biênio 1968/69.

Licenciado em Letras pela Ufal em 1970, trabalhou como professor do Colégio Guido de Fontgalland e a partir de 1974 no Curso de Educação Artística do Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac).

A segunda metade da década de 1960 foi o período em que a ditadura militar recrudesceu e a censura às manifestações artísticas e políticas atingiu o seu ápice. Nesse momento difícil, um grupo de jovens cinéfilos organiza o Cinema de Artes em Maceió, tendo à frente Radjalma Cavalcanti, Gildo Marçal Brandão e Imanoel Caldas.

Todos esses jovens tinham em comum o gosto pelo cinema e pelas artes, alguns também pela política. Nem todos eram vinculados à política, mas ao movimento estudantil e suas vertentes.
Elinaldo, estudante de Letras e já cinéfilo, frequentava desde a infância os cinema de bairro, que existiam naquela época: o cine Lux, na Ponta Grossa, o Ideal, na Levada, e o Royal, no centro. Integrou essa turma de difusores da sétima arte em Maceió.

O jornalismo na década de 1960 em Alagoas ainda tinha um aspecto romântico e boêmio. Nem todas as seções do jornal eram profissionalizadas; o caderno de cultura era uma dessas áreas do jornalismo que necessitavam de colaboradores, e foi a partir da critica de cinema e até mesmo das crônicas esportivas que intelectuais e jovens universitários passaram a colaborar mais assiduamente.

Os primeiros trabalhos publicados de sua autoria foram crônicas esportivas no Diário de Alagoas. Com o fim desse jornal, passou a escrever criticas de cinema no Jornal de Alagoas, que na naquela época era o mais antigo jornal do Estado, órgão de comunicação impressa onde mais publicou, inclusive assinando uma coluna chamada “Cinema”.

Colaborou ainda em outros jornais diários e semanais como: Gazeta de Alagoas, Tribuna de Alagoas, O Jornal e O Diário. Escreveu em 1985, para o jornal do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Voz da Unidade, o artigo “Uma Visão Histórica do Cinema de Alagoas”. Ainda escreveu nos jornais e revistas que foram surgindo e logo em seguida despareciam, em alguns casos sendo obrigados a fechar por força da pressão econômica. Foi o caso da revista Última Palavra. Versátil, também colaborou com o jornal semanal da arquidiocese de Maceió, O Semeador.

A longeva atividade de critico de cinema, toda ela exercida como colaborador nos jornais e nas televisões de Alagoas, o coloca na condição do mais influente intelectual nessa área. Formou várias gerações de professores, jornalistas e de espectadores.

Foi comentarista de cinema na Tv Gazeta, afiliada da Rede Globo. Atualmente é comentarista da Tv Pajuçara, afiliada da Rede Record em Alagoas. Em companhia do médico e acadêmico Ismar Gatto e de Maria Flora de Melo Soares, sua esposa, produziu um programa que marcou época no rádio alagoano: “Difusão Cultural”, veiculado pela Radio Educativa FM.

Na década de 1970 o Diretório Central dos Estudantes da Ufal organizou alguns Festivais Estudantis de Música Popular. Imediatamente foi convocado pelas lideranças estudantis para colaborar.

Na condição de funcionário da Secretaria de Cultura participou da organização de outros eventos importantes, como o Festival de Fotografia, o Salão de Humor, o Festival de Verão de Marechal Deodoro e vários Seminários de Literatura. Ainda foi diretor, por dois anos, do Museu da Imagem e do Som (Misa).

O maior e mais significativo momento do cinema alagoano ocorreu entre 1975 e 1982, período em que foi criado o Festival do Cinema Brasileiro de Penedo (AL), um evento de excepcional importância para os cineastas locais e também para a produção nacional, com sede na cidade barroca ribeirinha de Alagoas. Os festivais atraíram público, cineastas e produtores de várias partes do país e passou a ser uma das referências do cinema nacional. Em todos os festivais de cinema trabalhou na organização, pois na época era funcionário do Departamento de Assuntos Culturais (DAC) da Secretaria de Educação do Estado de Alagoas.

É critico de cinema em Alagoas desde 1969. São 42 anos de atividades ininterruptas. Em 2010, foi relançado em segunda edição o livro Panorama do Cinema Alagoano, sob o patrocínio do Cesmac.

Obras de Elinaldo Barros: Panorama do Cinema Alagoano, apresentação de Jorge Barbosa, capa e montagem fotográfica de Esdras Gomes, Maceió, DAC/Senec/Sergasa, 1983; Cine Lux: Recordações de um Cinema de Bairro, Maceió, Edicult/Secult, 1987 (prêmio da AAL em 1988); Rogato: a Aventura do Sonho das Imagens em Alagoas, com uma Apresentação Quase Desnecessária, de José Maria Tenório Rocha, Maceió, Secult [1994]; O Povo Diante das Lentes, in Arte Popular de Alagoas, de Tânia Pedrosa, p. 105.

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Clube do Samba

segunda-feira, setembro 6th, 2010

O outrora aristocrático Jaraguá Tênis Club é um clube que se tem destacado − faz muito tempo − na formação de tenistas. Esporte identificado com a elite em qualquer canto que se encontrem adeptos. O clube tem sua sede social no mais boêmio dos bairros de Maceió, Jaraguá.

O bairro foi revitalizado e passou por transformações quase impensáveis diante do descaso a que foi submetido durante décadas. O casario em grande parte ainda permanece com as características de quando foi construído. Hoje, além da Associação Comercial, que passou por uma completa restauração, muitos prédios foram recuperados e tiveram outras destinações: faculdades, escritórios, sede de associações de classe, com as Federações da Agricultura e a Federação dos Trabalhadores – Fetag, bares, boates, galerias, agências bancárias, correios e o Museu da Imagem e do Som – Misa.

O Jaraguá foi durante muitos anos um bairro onde não se dormia; os prostíbulos da cidade se concentravam nas ruas principais, secundárias e nos becos. Os marinheiros, portuários e quantos desejassem curtir as noitadas nas farras e orgias tinham em Jaraguá o ambiente ideal.

A movimentação dos freqüentadores e moradores, entre eles as prostitutas, durou até o final da década de 1960, quando a Secretaria de Segurança Pública ordenou a mudança das boates, bares e prostíbulos da região portuária para uma área da cidade completamente desabitada, o Canaã.

O Jaraguá Tênis Club, que era vizinho dos cabarés, resistiu e presenciou o declínio do bairro. Quando Jaraguá passou a ser restaurado, era tarde: o declínio dos clubes na cidade já era uma evidência. Os seus dias de glória são coisa do passado e fazem parte da história da cidade. O clube hoje vive da tradição e da escolinha de tênis.

Os cantores Wilma Araújo e Igbonan Rocha criaram o Clube do Samba, o palco e o salão do Jaraguá Tênis Club. Essa iniciativa de cantar samba, de atrair admiradores do ritmo e oferecer a oportunidade para centenas de casais dançarem é, em tempo de pagodeiros e sertanejos bregas, louvável.

E no Clube do Samba não importa saber se o samba nasceu na Bahia ou no Rio de Janeiro; lá, o que importa é que as mulheres tenham molejo na cintura e os homens, samba nos pés. Ao criar o espaço lúdico batizado de Clube do Samba, a dupla de sambistas oferece ao público uma alternativa nova, para dançar e agregar ainda mais os sambistas de Maceió.

As gerações mais novas não vivenciaram as noitadas de samba na quadra da Escola de Samba Unidos do Poço. Os moradores do Poço, Jaraguá e de outros bairros frequentavam a quadra da Unidos do Poço, sambavam e muitos também desfilavam no carnaval pela Escola. O Clube do Samba não foi criado para substituir uma Escola de Samba, mas para alegrar a vida de muitos amantes do samba e garantir algum dinheiro para os cantores e os músicos.

As vozes de Wilma e Igbonan cantam o que há de melhor no samba; o repertório inclui os sambas de compositores da velha guarda, os fundadores do samba do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e de outras partes. Mas seria muito bom a dupla incluir no repertório sambas feito por compositores alagoanos.

A produção dos compositores Ricardo Mota, Juvenal Lopes, Marcos de Farias Costa, Chico Elpídio, Ibys Maceió, Robson Amorim, Fernando Marcelo, entre outros, é significativa e está disponível, gravada em CDs.

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