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Estádio Centenário

segunda-feira, julho 26th, 2010

Passando por Montevidéu em férias, um dos nossos programas – meu e do poeta Sidney Wanderley – previamente definidos foi visitar o Museu do Futebol do estádio Centenário. O futebol é um dos esportes de que gostamos e cada vez mais nos interessamos pelo espetáculo – pelo menos eu penso assim, e creio que o poeta sinta-se também contemplado. A vitória é uma consequência natural.

Reinventar o futebol é um dos desafios dos que gostam do jogo de futebol como um espetáculo em que os atletas são malabaristas, que vão a cada minuto conquistando o público que lhes assiste e os espectadores através da televisão.   

No momento, o que vem enchendo os meus olhos são os meninos do Santos Futebol Clube. E tem sido pelo espetáculo majestoso em campo que essa garotada santista foi punida pelo Dunga, quando deixou de convocar alguns deles. 

O futebol uruguaio tem uma tradição em revelar bons jogadores. A característica geral é a de jogadores aguerridos, lutadores, que dão o sangue e o suor em campo. Isso não vemos mais em campos brasileiros, pois cada jogador, ou promessa de, está sendo negociado para clubes europeus ou de outros continentes.

O estádio Centenário foi construído em 1930, para sediar a primeira Copa do Mundo de futebol, que a seleção uruguaia conquistou merecidamente. O Maracanã também foi construído para sediar a copa de 1950. Aliás, a gana do Brasil era tamanha que o estádio Mário Filho já nasceu como o maior do mundo.

O país se preparou para ganhar a copa. Tudo andou bem: a preparação, o povo animadíssimo, a euforia tomando conta de todos. A seleção brasileira foi batendo os adversários e conseguiu chegar à final, exatamente contra o Uruguai.

Os vizinhos do sul também estavam motivados e contavam com bons jogadores; a liderança de um negro era o diferencial em campo e fora dele. Os seus companheiros o chamavam de chefe. Obdulio Jacinto Varella [1917-1996] foi o maestro uruguaio no Maracanã de 1950.

O jornalista Nelson Rodrigues [1912-1980] disse que Obdulio Varella “não atava as chuteiras com cordões, mas com as veias”, e que “a humilhação de 50, jamais cicatrizada, ainda pingava sangue. Todo escrete tem sua fera. Naquela ocasião, a fera estava do outro lado e se chamava Obdulio Varela”.

Rememoro esses acontecimentos tão emblemáticos para o nosso futebol. A derrota brasileira ficou conhecida como o “maracanaço”. As figuras de Obdulio Varella e Ghiggia são recorrentes nos noticiários esportivos quando se aproxima o período de copa do mundo.

O Brasil será o país da América do Sul a sediar pela segunda vez o campeonato mundial de futebol. O Uruguai em 1930 e a Argentina em 1978 sagraram-se campeões. No caso argentino as dúvidas persistem quanto à lisura dos resultados de vários jogos – o principal foi Argentina e Peru, uma goleada de 6×0. Parecia que não havia goleiro ou que os jogadores peruanos estavam entorpecidos em campo. 

Agora, voltemos à nossa visita ao Museu do Futebol do estádio Centenário. Foi pensando nos acontecimentos mencionados acima, que entramos no Museu. As fotografias enormes cobriam as paredes, um ambiente de pura emoção. Estávamos diante de vitrines com camisas, chuteiras e bolas de vários craques uruguaios e brasileiros, e de muitos troféus.

Paramos, contemplamos, comentamos, rimos, fotografamos e também lamentamos, sem evidentemente deixar de reconhecer a qualidade do futebol uruguaio. Mas o melhor estava por acontecer: deparamos com uma réplica da Taça Jules Rimet, conquistada pela seleção Celeste em 1930 e 1950, e até a bola oficial da copa de 30, murcha, desbotada pela ação do tempo – mesmo estando em condições ideais de conservação naquele Museu.

 A curiosidade e a avidez nas observações colhidas em cada relíquia exposta no museu levavam-me à infância cada vez mais distante: quando ir ao campo de futebol era um programa familiar. Mais que isso, o jogo era um espetáculo. Os nomes dos jogadores brasileiros são lembrados e referenciados sem qualquer sinal de rivalidade ou intolerância. Senti nitidamente que os nossos vizinhos, los hermanos uruguaios, possuem admiração pelo que representamos no futebol mundial.

O clima de civilidade encontrado no Museu é também percebido nas ruas, andando nos táxis, ouvindo os comentários sobre futebol – tema obrigatório nesse meio de locomoção -, sempre de reconhecimento e admiração. Não posso dizer que essa mesma impressão tenha sido transferida para o Dunga. Quanto ao treinador, todas as ressalvas foram feitas, como se houvéssemos combinado previamente.     

O Uruguai chegou às quartas de finais, conquistou a quarta colocação com uma garra incrível, indo além das expectativas. Era assim que eles se imaginavam, mas a seleção celeste, diante das adversidades, soube se superar e mostrou em campo garra, além de uma disposição incrível, jogando com vontade de vencer o adversário.

A seleção brasileira caiu como uma fruta madura em campo, sem reagir e sem comando. Quem atravessou o Atlântico na certeza de que disputaria o titulo mundial e ganharia pela sexta vez, veio antes para casa – cabisbaixos, sem brilho e sem alma. Vergonhosamente derrotados.

Para 2014 serão construídos novos estádios e o Maracanã será totalmente reformado. O Brasil sediará novamente uma copa do mundo. Ganhar já é uma outra história.

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Os filósofos do futebol brasileiro

quarta-feira, maio 19th, 2010

“A bola não enxerga, é o artilheiro que sabe antes dos outros aonde a bola vai chegar.”

“A disciplina sem criatividade está próxima da mediocridade.”

Sobre os pênaltis

“O pênalti depende muito do estado emocional de quem bate, de treinos, da competência do goleiro e da sorte.”

“Agora os presidentes estão tão sem moral que é melhor bater mesmo o jogador.”

” Pênalti é loteria.”

[Sabedoria popular]

“O pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube.”

Neném Prancha

Tostão – Eduardo Gonçalves de Andrade [1947], nasceu em Belo  Horizonte, jogou no Cruzeiro e no Vasco da Gama, foi tricampeão de futebol na copa do Mundo de 1970 no México. Em virtude de uma bolada no olho foi lesionado, tendo que se submeter a várias cirurgias deixou prematuramente de jogar futebol aos 26 anos de idade. Formou-se em medicina, é comentarista esportivo de televisão e jornal. É autor do livro: Lembranças, opiniões, reflexões sobre futebol, pela DBA, São Paulo.

Fonte: 90 Minutos de Sabedoria – A filosofia do futebol em frases inesquecíveis. Seleção e organização de Ivan Mauricio, editora Garamond, 2002.

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João Saldanha

quarta-feira, maio 5th, 2010

“Se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária seria campeão invicto.”

 “Quando o presidente Médici formou o gabinete dele, não me consultou; de modo que para formar o meu time, não preciso perguntar a ele.”

 “Meu time é formado por onze feras. É preciso desafrescalhar essa história de canarinhos.”

 “Pelé é para o futebol brasileiro o que Shakespeare é para a literatura inglesa.”

 “Quatro homens, um ao lado do outro, só em parada militar.”

 “Se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminaria empatado.”

 “Campo de futebol não é loteamento. Ninguém é dono de lote, de posição fixa.”

 João Saldanha [1917 – 1990]. Nasceu em Alegrete [RS] e morreu em Roma. Jornalista, radialista, técnico de futebol, escritor. Foi um dos mais polêmicos comentaristas de futebol do Brasil. Desde muito jovem militou no Partido Comunista Brasileiro [PCB]. Em 1969 foi o treinador que classificou a seleção brasileira de futebol para a Copa do mundo de 1970, quando o Brasil ganhou o tricampeonato mundial de futebol.

 Fonte: 90 Minutos de Sabedoria – A filosofia do futebol em frases inesquecíveis. Seleção e organização de Ivan Mauricio, editora Garamond, 2002.

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