A pressa do Chapão em oficializar a candidatura de Ronaldo Lessa ao governo do estado, mostrou que ninguém confia em ninguém naquele grupo. Os acertos emergenciais para apresentar o candidato, no caso Lessa ao governo, evidenciaram a desconfiança de traição, a perspectiva de mudanças de opiniões nos próximos dias e a queimação do nome de Lessa empurrado para disputar o governo com Téo Vilela. Se foi bom para uns, não foi bom para outros. O que se viu foi uma tremenda preocupação do Chapão em definir logo composições que poderiam sofrer abalos futuramente. Agora, pelo menos, poucos podem voltar atrás. Somente o presidente regional do PP, deputado Benedito de Lira, que entrou mudo e saiu calado da entrevista coletiva da sexta-feira passada, deve avaliar o que é bom para ele como candidato ao Senado, independentemente da posição do prefeito Cícero Almeida que, como Fernando Collor, são campeões de votos, mas individualmente.
Definitivo
O senador João Tenório, que tem tido uma atuação discreta, mas efetiva no Congresso Nacional, não é candidato a nada nas eleições de outubro. Nem a deputado federal, como comentam especuladores. Vai preferir apoiar Téo Vilela para a reeleição, embora tenha colocado o seu nome à disposição do PSDB.
Do PTB
O PTB de Fernando Collor não vai abrir mão de indicar o candidato à vice na chapa de Ronaldo Lessa. O PT ficou chupando dedo, o que já era esperado depois da entrevista do presidente regional do partido, Joaquim Brito.
Com chances
Ninguém se surpreenda. Nos bastidores, dois nomes do PTB ganham força junto ao senador Fernando Collor para ser vice de Ronaldo Lessa: João Lyra, que abdicaria de sua candidatura a deputado federal e teria chances futuramente de pelo menos exercer por algum tempo o cargo de governador e Augusto Farias, que tem se revelado um exímio articulador de bastidores e que ganhou a credibilidade de seus colegas de partido pelos compromissos que sempre assumiu e cumpriu.
Braços abertos
Ronaldo Lessa estaria de braços abertos para aceitar um dos dois para compor sua chapa, reforçada pelos dois candidatos ao Senado, no caso Benedito de Lira e Renan Calheiros, que articulam uma dupla forte para a disputa majoritária. A participação do prefeito Cícero Almeida no processo, também é fundamental para a sobrevivência do Chapão.
Esperança
Enquanto a briga de bastidores do Chapão continua, o governador Téo Vilela trabalha mineiramente para absorver os dissidentes. Já manifestou interesse em contar com o PP de Benedito de Lira e abriria espaço para seu grupo no governo. Ele sabe que a barra é pesada, mas acredita que baterá não facilmente, mas com esforço seu adversário Ronaldo Lessa.
Estágio complicado
Vai ser um pouco difícil administrar os interesses de cada um no Chapão e seus integrantes terão a difícil missão de administrar 100% a união de Renan Calheiros com João Lyra, Fernando Collor, Ronaldo Lessa, Cícero Almeida, Benedito de Lira, Augusto Farias, Joaquim Brito e sociedade anônima.
Ligados
Depois de muitos anos distantes politicamente, o deputado Augusto Farias e o senador Fernando Collor estão juntos. Fazem dobradinha nos assuntos políticos, nas decisões do partido e nas projeções futuras. A interação da dupla está dando certo.
Roupa suja
Munidos de dossiês comprometedores, alguns candidatos majoritários abastecem seus arquivos com denúncias, traições, indiciamentos e outras coisinhas mais. Nesse rolo todo participam ativamente do roteiro o próprio governador Téo Vilela, Ronaldo Lessa, Renan Calheiros e, de fora, o senador Fernando Collor, que fica vendo a banda passar.
Manobra
O Palácio do Planalto bem que gostaria que a ex-prefeita Célia Rocha fosse candidata à vice na chapa de Ronaldo Lessa. Alguém empurrou Célia para os braços de Ronaldo Lessa, mas diz o bom senso, que ela seria melhor como candidata a deputada. Bem que não era o que Renan Calheiros queria. Mas dá para o gasto.
Sem traição
Se Renan Calheiros, Benedito de Lira e todos os outros integrantes do Chapão que defendem a candidatura de Ronaldo Lessa estiverem realmente unidos, sem trairagem, como disse o prefeito Cícero Almeida, a coisa pode funcionar. Mas faltando tanto tempo para as eleições de outubro, é difícil prever se as composições não irão implodir.
IB em alta
Recluso, no anonimato, mas mostrando o poder que tem, o ex-presidente da Assembléia Legislativa, Celso Luis, faz de sua casa o maior comitê político de Alagoas. Considerado como a força do sertão, Celso vai dar uma votação histórica a Isnaldo Bulhões, lamentavelmente, como muito outros, citados na Operação Taturana. Mas não é privilégio somente seu. Afinal de contas, o governador Téo Vilela está na Navalha, assim como prefeitos e deputados estão na Taturana e na Gabiru.
Aquisição
A diretoria da OAB recebe nota 10 pela contratação da competente jornalista Luiza Barreiros para a Assessoria de Comunicação Social da instituição. Quem perdeu foi o Ministério Público Federal, que deixou escapar uma das melhores profissionais do ramo.
Em alta
Quem surpreendeu na coletiva da sexta-feira passada foi o empresário João Lyra. Raras vezes Lyra foi tão feliz como nesta. Fez um discurso de conciliação, de compromissos e reconheceu as qualidades de políticos da terra. Deu uma aula de humildade e de sabedoria.
Quem é o traíra?
Os discursos da tropa de choque deixaram muitas indagações. Os traíras, pelos comentários, seriam Renan Calheiros, Benedito de Lira, Fernando Collor de Mello, Joaquim Brito e companhia limitada.
Sereno
Quem tem se mostrado muito sereno com tudo o que está acontecendo nas composições políticas, é Ronaldo Lessa. O ex-governador deixou daqueles rompantes que somente lhes traziam problemas futuros. Também foi conciliador e jogou pesado para continuar a unidade entre os grupos que se dispuseram a trabalhar por sua candidatura ao governo.
Indiferença
O governador Téo Vilela, segundo um assessor muito próximo, se mostrou completamente indiferente aos primeiros passos do Chapão. Ele teria indagado logo depois da entrevista: ´´É esse mesmo o Chapão?´´. Dando a entender que tudo é fogo de palha.
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