Posts para a tag ‘Eu’

Derrota

segunda-feira, setembro 26th, 2011

Mas isso não é justo! Eu sou muito sensível…

Qualquer maldade que você me faça e que eu tente

retribuir, não consigo, é impossível!

Eu sofro mais do que você.

Você suporta bem os acintes sem fim,

os silêncios ruins e os olhares brutais…

Mas não seja cruel, tenha pena de mim!

Quando eu sofro, eu sofro demais…

… Mas, não! Não ouça! Eu confessei

ingênuo e fraco, uma cousa que eu não devia confessar…

Você sabe agora o meu fraco:

e vai talvez se aproveitar…

Paul Géraldy

 

 

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Confissão

domingo, setembro 25th, 2011

Eu bem sei que, ciumento, exigente, impulsivo, irritado,

infeliz por cousas tão banais,

eu vivo a provocar discussões sem motivo…

Mas eu amo tão mal porque eu amo demais.

E atormento você, e persigo…

Você havia de ser melhor amada e mais feliz também,

se não fosse você a minha única alegria,

e se este amor não fosse o meu único bem.

Paul Géraldy

 

 

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Expansões

quinta-feira, setembro 22nd, 2011

Eu gosto, gosto de você

Compreende?

Eu tenho por você uma doidice…

Falo, falo, nem sei o que

Mas gosto, gosto de você

Você ouviu bem isso que eu disse? …

Você ri? Eu pareço um louco?

Mas, que fazer para explicar isso direito,

Para que você sinta? …

O que eu digo é tão oco!

Eu procuro, procuro um jeito…

Não é exato que o beijo só pode bastar.

Qualquer cousa que me afoga, entre soluço e ais.

É preciso exprimir, traduzir, explicar…

Ninguém sente senão o que soube falar.

Vive-se de palavras, nada mais.

Mas é preciso que eu consiga

Essas palavras e que eu diga,

E você saiba… Mas, o que?

Se eu soubesse falar

Como um poeta que sente,

Diria eu mais do que

Quando tomo entre as mãos

Essa cabeça linda

E cem mil vezes, loucamente,

Digo e repito

E torno a repetir ainda:

Você! Você! Você! Você!

Paul Géraldy

 

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Ternura

sábado, setembro 3rd, 2011

Eu te peço perdão por te amar de repente

Embora o meu amor

seja uma velha canção nos teus ouvidos

Das horas que passei à sombra dos teus gestos

Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos

Das noites que vivi acalentando

Pela graça indizível

dos teus passos eternamente fugindo

Trago a doçura

dos que aceitam melancolicamente.

E posso te dizer

que o grande afeto que te deixo

Não traz o exaspero das lágrimas

nem a fascinação das promessas

Nem as misteriosas palavras

dos véus da alma…

É um sossego, uma unção,

um transbordamento de carícias

E só te pede que te repouses quieta,

muito quieta

E deixes que as mãos cálidas da noite

encontrem sem fatalidade

o olhar estático da aurora.

Vinícius de Moraes

 

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O Bordado

segunda-feira, julho 18th, 2011

- Quando eu era pequeno, minha mãe costurava muito. Eu me sentava no chão, brincando perto dela, e sempre lhe perguntava o que estava fazendo. Respondia que estava bordando.

Todo dia era a mesma pergunta e a mesma resposta. Observava seu trabalho de uma posição abaixo de onde ela se encontrava sentada e repetia:

- Mãe, o que a senhora está fazendo?

Dizia-lhe que, de onde eu olhava, o que ela fazia me parecia muito estranho e confuso. Era um amontoado de nós, e fios de cores diferentes, compridos, curtos, uns grossos e outros finos.

Eu não entendia nada. Ela sorria, olhava para baixo e gentilmente me explicava:

- Filho, saia um pouco para brincar e quando terminar meu trabalho eu chamo você e o coloco sentado em meu colo. Deixarei que veja o trabalho da minha posição.

Mas eu continuava a me perguntar lá de baixo:

- Por que ela usava alguns fios de cores escuras e outros claros?

- Por que me pareciam tão desordenados e embaraçados?

- Por que estavam cheios de pontas e nós?

- Por que não tinham ainda uma forma definida?

- Por que demorava tanto para fazer aquilo?

Um dia, quando eu estava brincando no quintal, ela me chamou:

- Filho, venha aqui e sente em meu colo.

Eu sentei no colo dela e me surpreendi ao ver o bordado. Não podia crer! Lá de baixo parecia tão confuso! E de cima vi uma paisagem maravilhosa! Então minha mãe me disse:

- Filho, de baixo parecia confuso e desordenado porque você não via que na parte de cima havia um belo desenho. Mas, agora, olhando o bordado da minha posição, você sabe o que eu estava fazendo.

Muitas vezes, ao longo dos anos, tenho olhado para o céu e dito:

- Pai, o que estás fazendo?

Ele parece responder:

- Estou bordando a sua vida, filho.

E eu continuo perguntando:

- Mas está tudo tão confuso… Pai, tudo em desordem. Há muitos nós, fatos ruins que não terminam e coisas boas que passam rápido.

O Pai parece me dizer: ‘Meu filho, ocupe-se com seu trabalho, descontraia-se, confie em Mim e…. Eu farei o meu trabalho. Um dia, colocarei você em meu colo e então vai ver o plano da sua vida da minha posição.’

Muitas vezes não entendemos o que está acontecendo em nossas vidas. As coisas são confusas, não se encaixam e parece que nada dá certo.

É que estamos vendo o avesso da vida!

Do outro lado, Deus está bordando…

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Seu nome era Kyle

quinta-feira, junho 2nd, 2011

Um dia, quando eu era calouro na escola, vi um garoto de minha sala caminhando para casa depois da aula.

 

Seu nome era Kyle.  Parecia que ele estava carregando todos os seus livros.

 

Eu pensei:

 

‘Por que alguém iria levar para casa todos os seus livros numa  Sexta-Feira?

Ele deve ser mesmo um C.D.F’!

 

O meu final de semana estava planejado (festas e um jogo de futebol com meus amigos Sábado à tarde), então dei de ombros e segui o meu caminho.

 

Conforme ia caminhando, vi um grupo de garotos correndo em direção a Kyle.

 

Eles o atropelaram, arrancando todos os livros de seus braços, empurrando-o de forma que ele caiu no chão.

 

Seus óculos voaram e eu os vi aterrissarem na grama há alguns metros de onde ele estava. Kyle ergueu o rosto e eu vi uma terrível tristeza em seus olhos.

 

Meu coração penalizou-se! Corri até o colega, enquanto ele  engatinhava procurando por seus óculos.

 

Pude ver uma lágrima em seus olhos. Enquanto eu lhe entregava os óculos, disse: ‘Aqueles caras são uns idiotas! Eles realmente deviam arrumar uma vida própria’. Kyle olhou-me nos olhos e disse: ‘Hei, obrigado’!

 

Havia um grande sorriso em sua face. Era um daqueles sorrisos que realmente mostram gratidão. Eu o ajudei a apanhar seus livros e perguntei onde ele morava.

 

Por coincidência ele morava perto da minha casa, mas não havíamos nos visto antes, porque ele freqüentava uma escola particular.

 

Conversamos por todo o caminho de volta para casa e eu carreguei seus livros. Ele se revelou um garoto bem legal.

 

Perguntei se ele queria jogar futebol no Sábado comigo e meus  amigos. Ele disse que sim. Ficamos juntos por todo o final de semana e quanto mais eu conhecia Kyle, mais gostava dele.

 

Meus amigos pensavam da mesma forma.

 

Chegou a Segunda-Feira e lá estava o Kyle com aquela quantidade imensa de livros outra vez! Eu o parei e disse:

 

‘Diabos, rapaz, você vai ficar realmente musculoso carregando essa pilha de livros assim todos os dias!’.

 

Ele simplesmente riu e me entregou metade dos livros. Nos quatro anos seguintes, Kyle e eu nos tornamos mais amigos, mais unidos. Quando estávamos nos formando começamos a pensar em Faculdade.

 

Kyle decidiu ir para Georgetown e eu para a Duke. Eu sabia que seríamos sempre amigos, que a distância nunca seria problema. Ele seria médico e eu ia tentar uma bolsa escolar no time de futebol. Kyle era o orador oficial de nossa turma. Eu o provocava o tempo todo sobre ele ser um C.D.F.

 

Ele teve que preparar um discurso de formatura e eu estava super contente por não ser eu quem deveria subir no palanque e discursar.

 

No dia da Formatura Kyle estava ótimo.

 

Era um daqueles caras que realmente se encontram durante a escola.  Estava mais encorpado e realmente tinha uma boa aparência, mesmo usando óculos.

 

Ele saía com mais garotas do que eu e todas as meninas o adoravam!  Às vezes eu até ficava com inveja.

 

Hoje era um daqueles dias. Eu podia ver o quanto ele estava nervoso sobre o discurso. Então, dei-lhe um tapinha nas costas e disse: ‘Ei, garotão, você vai se sair bem!’

 

Ele olhou para mim com aquele olhar de gratidão, sorriu e disse:

 

-’Valeu’!

 

Quando ele subiu no oratório, limpou a garganta e começou o  discurso:

 

‘A Formatura é uma época para agradecermos àqueles que nos ajudaram durante estes anos duros. Seus pais, professores, irmãos, talvez até um treinador, mas principalmente aos seus amigos. Eu estou aqui para lhes dizer que ser um amigo para alguém, é o melhor presente que você pode lhes dar. Vou contar-lhes uma história:’

 

Eu olhei para o meu amigo sem conseguir acreditar enquanto ele contava a história sobre o primeiro dia em que nos conhecemos. Ele havia planejado se matar naquele final de semana! Contou a todos como havia esvaziado seu armário na escola, para que sua mãe não tivesse que fazer isso depois que ele morresse e estava levando todas as suas coisas para casa.

 

Ele olhou diretamente nos meus olhos e deu um pequeno sorriso. ‘Felizmente, meu amigo me salvou de fazer algo inominável!’ Eu observava o nó na garganta de todos na platéia enquanto aquele rapaz popular e bonito contava a todos sobre aquele seu momento de fraqueza.

 

Vi sua mãe e seu pai olhando para mim e sorrindo com a mesma gratidão.

 

Até aquele momento eu jamais havia me dado conta da profundidade do sorriso que ele me deu naquele dia.

 

Nunca subestime o poder de suas ações. Com um pequeno gesto você pode mudar a vida de uma pessoa. Para melhor ou para pior.

 

Deus nos coloca na vida dos outros para que tenhamos um impacto, uns sobre o outro de alguma forma.

 

PROCURE O BEM NOS OUTROS!

 

 

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Visão de adulto… Visão de criança….

domingo, maio 29th, 2011

Éramos a única família no restaurante com uma criança.

Eu coloquei Daniel numa cadeira para crianças e notei que todos estavam tranqüilos,  comendo e conversando.

De repente, Daniel gritou animado, dizendo: ‘Olá, amigo!’, batendo na mesa com suas mãozinhas gordas.

Seus olhos estavam bem abertos pela admiração e sua boca  mostrava a falta de dentes..

Com muita satisfação, ele ria, se retorcendo.

Eu olhei em Volta e vi a razão de seu contentamento.

Era um homem andrajoso, com um casaco jogado nos ombros, sujo, engordurado e rasgado.

Suas calças eram trapos com as costuras abertas até a metade, e seus dedos apareciam através do que foram, um dia, os sapatos.

Sua camisa estava suja e seu cabelo não havia sido penteado por muito tempo.

Seu nariz tinha tantas veias que parecia um mapa.

Estávamos um pouco longe dele para sentir seu cheiro, mas asseguro que cheirava mal.

Suas mãos começaram a se mexer para saudar.

‘Olá, neném. Como está você?’, disse o homem a Daniel.

Minha esposa e eu nos olhamos:

‘Que faremos?’.

Daniel continuou rindo e respondeu, ‘Olá, olá,amigo’.

Todos no restaurante nos olharam e logo se viraram para o mendigo.

O velho sujo estava incomodando nosso lindo filho.

Trouxeram a comida e o homem começou a falar com o nosso filho como um bebê.

Ninguém acreditava que o que o homem estava fazendo era simpático.

Obviamente, ele estava bêbado.

Minha esposa e eu estávamos envergonhados.

Comemos em silêncio; menos Daniel que estava super inquieto e mostrando todo o seu repertório ao desconhecido, a quem conquistava com suas criancices.

Finalmente, terminamos de comer e nos dirigimos à porta.

Minha esposa foi pagar a conta e eu lhe disse que nos encontraríamos  no Estacionamento.

O velho se encontrava muito perto DA porta de saída.

‘Deus meu, ajuda-me a sair daqui antes que este louco fale com Daniel’, disse orando, enquanto caminhava perto do homem.

Estufei um pouco o peito, tratando de sair sem respirar nem um pouco do AR que ele pudesse estar exalando.

Enquanto eu fazia isto, Daniel se voltou rapidamente na direção onde estava o velho e estendeu seus braços na posição de ‘carrega-me’.

Antes que eu pudesse impedir, Daniel se jogou dos meus braços para OS braços do homem.

Rapidamente, o velho fedorento e o menino consumaram sua relação de amor.

Daniel, num ato de total confiança, amor e submissão, recostou sua cabeça no ombro do desconhecido.

O homem fechou OS olhos e pude ver lágrimas correndo por sua face.

Suas velhas e maltratadas mãos, cheias de cicatrizes, dor e trabalho duro,suave, muito suavemente, acariciavam as costas de Daniel.

Nunca dois seres haviam se amado tão profundamente em tão pouco tempo.

Eu me detive, aterrado. O velho homem, com Daniel em seus braços, por um momento abriu seus olhos e olhando diretamente nos meus, me disse com voz forte e segura:

‘Cuide deste menino’.

De alguma maneira, com um imenso nó na garganta, eu respondi: ‘Assim o farei’.

Ele afastou Daniel de seu peito, lentamente, como se sentisse uma dor.

Peguei meu filho e o velho homem me disse:

‘Deus o abençoe, senhor. Você me deu um presente maravilhoso’.

Não pude dizer mais que um entrecortado ‘obrigado’.

Com Daniel nos meus braços, caminhei rapidamente até o carro.

Minha esposa perguntava por que eu estava chorando e segurando Daniel tão fortemente, e por que estava dizendo:

‘Deus meu, Deus meu, me perdoe’.

Eu acabava de presenciar o amor de Cristo através DA inocência de um pequeno menino que não viu pecado, que não fez nenhum juízo; um menino que viu uma alma e uns adultos que viram um montão de Roupa suja.

Eu fui um cristão cego  carregando  um menino que não o era.

Eu senti que Deus estava me perguntando:

‘Estás disposto a dividir seu filho por um momento?’, quando Ele Compartilhou Seu Filho por toda a eternidade.

O velho andrajoso, inconscientemente, me recordou:

Eu asseguro que aquele que não aceite o reino de Deus como um Menino, não entrará nele.’ (Lucas 18:17).

 Apenas repita esta frase e verá como Deus se move:

‘Senhor Jesus Cristo, te amo e te necessito, entre em meu coração, por favor’.

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Dupla Percepção

quinta-feira, maio 26th, 2011

Você diz que é um sapo e eu juro que é um cavalo!
Respeitar a opinião dos outros é olhar para a mesma verdade e saber que esta poderá ser vista de forma bem diferente por cada um.

E assim, com toda certeza, deixar de cometer injustiça com as precipitações e as diferenças.

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Atitude é Tudo

sábado, abril 16th, 2011

 Jerry é o tipo de cara que você adora odiar. Ele estava sempre de bom humor e tinha sempre algo de positivo para dizer. Quando alguém lhe perguntava como ele estava, ouvia a resposta:” Melhor, impossível !”.

Ele era um gerente único, porque tinha vários garçons que o seguiam de restaurante para restaurante. A razão porque eles o seguiam era devido a sua atitude. Ele era um motivador natural. Se algum funcionário estava num mau dia, lá estava Jerry dizendo para ele o lado positivo da situação.

 Ver este estilo realmente me deixou curioso, então, um dia fui até ele e perguntei: “Eu não entendo, você não pode ser otimista o tempo todo. Como você consegue?”. Ele respondeu: “A cada manhã eu acordo e digo para mim mesmo: Jerry, você tem duas escolhas hoje: você pode escolher estar de bom humor ou pode escolher estar de mau humor. Eu escolho estar de bom humor”.

 E cada vez que algo de ruim acontece, eu posso escolher ser uma vítima ou eu posso escolher aprender com a situação. Eu escolho aprender. Todas as vezes que alguém me vem com reclamações, eu posso escolher aceitar as reclamações ou eu posso apontar o lado positivo da vida. Eu escolho o lado positivo da vida.

 ”É, tudo bem, mas não é tão fácil”, eu protestei.

 ”Sim, é”, disse Jerry. A vida se refere a escolhas. Quando você descarta o superficial, toda situação é uma escolha. Você escolhe como reagir à situação. Você escolhe como as pessoas vão afetar o seu humor. Você escolhe estar de bom ou mau humor. Em conclusão: é uma escolha sua, como você vive a vida”.

 Eu refleti sobre o que Jerry me disse. Pouco tempo depois, eu deixei o ramo de restaurante para começar o meu próprio negócio.

 Nós perdemos contato, mas freqüentemente pensava nele, quando eu fazia uma escolha sobre a vida, ao invés de simplesmente reagir impulsivamente.

 Muitos anos depois, eu soube que Jerry havia feito algo que você nunca poderia fazer no ramo de restaurantes: ele deixou a porta dos fundos aberta. Pela manhã, ele estava cercado por três assaltantes armados e enquanto ele tentava abrir o cofre, suas mãos, tremendo pelo nervosismo, erraram a combinação. Os assaltantes ficaram em pânico e atiraram nele.

 Por sorte, Jerry foi encontrado logo e levado para o hospital. Após 18 horas de cirurgia e semanas na UTI, Jerry teve alta do hospital, mas com alguns fragmentos de bala em seu corpo.

 Eu encontrei Jerry após seis meses do acidente. Quando eu lhe perguntei como ele estava, ouvi a resposta: “Melhor impossível, quer ver as cicatrizes?”

 Não quis ver seus ferimentos, mas perguntei o que havia lhe passado pela cabeça quando os assaltantes apareceram.

 ”A primeira coisa que me veio à cabeça foi que eu deveria ter trancado a porta dos fundos”, ele respondeu, “então, quando estava no chão, eu me lembrei que eu tinha duas escolhas: eu poderia viver, ou poderia morrer. Eu escolhi viver”

 ”Você não ficou com medo? Você perdeu a consciência?”, perguntei.

 Jerry continuou: “Os paramédicos foram ótimos. Eles me diziam que eu ia ficar bem. Mas quando eles me levaram para a sala de emergência e eu via a expressão dos médicos e enfermeiras, eu fiquei com muito medo. Nos olhos deles eu podia ler – esse é um homem morto. – Assim, eu soube que eu precisava reagir”.

 ”O que você fez ?”, perguntei.

 ”Bem, havia uma enfermeira grandona, robusta, me fazendo perguntas. Ela me perguntou se eu era alérgico a alguma coisa. Eu disse que sim. Os médicos e enfermeiras pararam tudo e esperaram a minha resposta. Eu respirei fundo e gritei: Balas ! Em meio às gargalhadas, eu gritei que estava escolhendo viver e que devia ser tratado como se eu estivesse vivo, não morto”.

 Jerry viveu graças as habilidades dos médicos, mas também por causa da sua surpreendente atitude. Eu aprendi com ele que todos os dias, nós temos a escolha de viver plenamente.

 Enfim, atitude é tudo!

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O Bordado

segunda-feira, março 28th, 2011

 - Quando eu era pequeno, minha mãe costurava muito. Eu me sentava no chão, brincando perto ela, e sempre lhe perguntava o que estava fazendo. Respondia que estava bordando. Todo dia era a mesma pergunta e a mesma resposta. Observava seu trabalho de uma posição abaixo de onde ela se encontrava sentada e repetia: – Mãe, o que a senhora está fazendo? Dizia-lhe que, de onde eu olhava, o que ela fazia me parecia muito estranho e confuso. Era um amontoado de nós, e fios de cores diferentes, compridos, curtos, uns grossos e outros finos. Eu não entendia nada. Ela sorria, olhava para baixo e gentilmente me explicava: – Filho, saia um pouco para brincar e quando terminar meu trabalho eu chamo você e o coloco sentado em meu colo. Deixarei que veja o trabalho da minha posição. Mas eu continuava a me perguntar lá de baixo: – Por que ela usava alguns fios de cores escuras e outros claros? – Por que me pareciam tão desordenados e embaraçados? – Por que estavam cheios de pontas e nós? – Por que não tinham ainda uma forma definida? – Por que demorava tanto para fazer aquilo? Um dia, quando eu estava brincando no quintal, ela me chamou: – Filho, venha aqui e sente em meu colo. Eu sentei no colo dela e me surpreendi ao ver o bordado. Não podia crer! Lá de baixo parecia tão confuso! E de cima vi uma paisagem maravilhosa! Então minha mãe me disse: – Filho, de baixo parecia confuso e desordenado porque você não via que na parte de cima havia um belo desenho. Mas, agora, olhando o bordado da minha posição, você sabe o que eu estava fazendo. Muitas vezes, ao longo dos anos, tenho olhado para o céu e dito: – Pai, o que estás fazendo? Ele parece responder: – Estou bordando a sua vida, filho. E eu continuo perguntando: – Mas está tudo tão confuso… Pai, tudo em desordem. Há muitos nós, fatos ruins que não terminam e coisas boas que passam rápido. O Pai parece me dizer: ‘Meu filho, ocupe-se com seu trabalho, descontraia-se, confie em Mim e…. Eu farei o meu trabalho. Um dia, colocarei você em meu colo e então vai ver o plano da sua vida da minha posição.’ Muitas vezes não entendemos o que está acontecendo em nossas vidas. As coisas são confusas, não se encaixam e parece que nada dá certo. É que estamos vendo o avesso da vida! Do outro lado, Deus está bordando…

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